terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os romeiros e Nova Trento

Divagando & Katilografando

A minha fé cristã enquanto católico atualmente é por assim dizer, meia-pedra e meio-tijolo. Confesso que já fui muito carola; não havia um domingo em que eu não me fazia presente na missa das sete horas da manhã na Igrejinha das Graças na Rua Otávio Santos, participava do grupo de jovens, sempre presente nos retiros e, quando possível, eu arranjava um jeito de me empoleirar em cima de um caminhão daqueles que faz anualmente as romarias para Bom Jesus da Lapa, e lá estava eu também como todos que iam à Lapa para receber as bênçãos do Nosso Senhor Bom Jesus da Lapa – para mim, em verdade, dado à minha juventude naquela época eu estava mesmo era procurando folia e turismo barato.
Ontem, 23 de agosto, convencido e vencido aos apelos da patroa, fui eu e minha família em uma excursão da nossa Paróquia de Nossa Senhora do Carmo à cidade de Nova Trento em Santa Catarina; foi um dia de domingo dedicado a mais de 600 kilômetros de viagem para o percurso de ida e volta. Quando chegamos à terra da Madre Paulina, hoje, Santa Paulina, muitos eram os ônibus que, assim como o nosso, estava cheio de excursionistas à Nova Trento. Para minha surpresa, e com mudança de conceito, pois, sempre tive em mente que romeiros eram aquelas pessoas simples e que faziam uso de caminhões “pau de araras” e com vestes, na minha maneira de ver, ridículas. Pois bem, lá em terras da Santa Paulina, como disse antes, ante a minha surpresa eu fui classificado de “romeiro”; eu, um romeiro?
Pelo visto, não é só a minha fé que está precisando de uma remodelagem completa, também, os meus conceitos sobre os termos e terminologias religiosas e tudo que envolvam a fé cristã. Na verdade, quando eu aceitei fazer tal viagem, eu buscava ver o quanto o povo católico está verdadeiramente voltado às coisas da espiritualidade, e se não estão em verdade querendo ofuscar a (s) outra (s) fé; todavia, não foi o que eu pude perceber. O povo verdadeiramente católico é tão ou quase xiita quanto o xiita de qualquer outra religião; não estão preocupados com os avanços dessa ou daquela religião e muito menos com a perda natural de alguns fiéis para outras agremiações religiosas; se há perda de fiéis, é porque eles não estão voltados verdadeiramente para as coisas e conceitos imutáveis do Altíssimo.

Não dê esmolas! Avise...

No meio daquele povão (romeiros), eu me sentia meio que aquele personagem do filme “Um convidado muito especial” estrelado pelo indiano Peter Sellers; não me achava de modo algum, nem mesmo quando estava sozinho. Muitas são opções de se gastar naquele lugar; dos artigos de apelos religiosos, assim como, os mais diversos artigos do tipo malharia, lãs, confecções, queijos, bebidas, licores e o especial vinho da colônia italiana e uma excelente cozinha regional. Afinal, em lugar como esse tem de tudo; tem até placa informativa assim como educativa, onde, advertia aos turistas, digo, “romeiros” – não me acostumei com o termo, parece-me depreciativo – sobre ser proibido dar esmolas. Aliás, sobre esse assunto, há uma placa dessa natureza pregada nas paredes laterais da Igreja que fica no meio do comércio daquela vila - essa Vila, onde fica o Santuário de Santa Paulina fica distante do centro de Nova Trento – onde, dizia a placa: “Não dê esmolas; comunique a Ação Social Comunitária caso apareça algum pedinte”.
Ter visto uma placa educativa e tão incisiva quanto aquela me deixou com certo alívio, afinal, em Bom Jesus da Lapa em tempos de romaria extrapola todos os limites, até mesmo do imponderado. Num daqueles momentos em que resolvi ficar só para deixar mais a vontade a patroa e nossos filhos, procurei um banco na pracinha ao lado da igreja, aquela mesma igreja que tem nos dois lados a placa tranquilizadora de que não seremos importunados por pedintes; e o que eu vejo? Vi um cidadão de média idade sentado ao chão sobre um couro de carneiro com os braços apoiados no separador das hastes das muletas em sua parte inferior. Era um cidadão de aparente obesidade que lhe faltava o pé direito e o seu pé esquerdo não tinha dedos, todavia, o pé era bipartido – acredito que ele seja mais uma das vítimas da talidomida. Fiquei a observá-lo por longo período, mas, nem sempre com atenção exclusivamente voltada para ele. Da placa de advertência tanto quanto educativa, embora estivesse em letras garrafais ali à minha frente, eu logo a esqueci. Comecei então a pensar que eu deveria dar uma esmola ao desafortunado; eu naquele instante não tinha qualquer trocado, entretanto, dediquei-me a pensar o quantum que eu deveria dar, e, uma vozinha (fio de voz) na minha consciência me autorizava dar R$ 2. (dois reais).
Um conflito dentro de mim se estabeleceu. Uma voz mais forte em minha consciência dizia: se não houvesse proibição de dar esmolas aqui em Nova Trento assim como acontece em Bom Jesus da Lapa na Bahia, como certeza, de R$ 0,50 em 0,50 centavos você já teria dado pelo menos R$ 5 e, como aqui só temos esse único pedinte, será uma única esmola! Vamos lá, você já está desapegado a esse “cincão” mesmo, vai lá e dá logo! E aí veio a vozinha: se você quiser dar, dê só dois reais, olha só quanta gente passa por ele e dá dinheiro; no final de um dia ele já terá ganhado muito mais do que você ganhava por um dia de trabalho no Banco do Brasil, não seja perdulário! - Entre o embate da voz e da vozinha, venceu a vozinha. Decidi que daria os R$ 2, mas, antes de ir lá fazer a doação fiquei a observar e cronometrar a periodicidade com que ele ganhava as “esmolas”. Eu sabia que não levava nem dois minutos entre uma e outra, mas, a minha atenção sempre esteve dividida durante aquele período entre outros fatos, então, agora eu havia decidido que não desviaria a minha atenção até que eu tivesse uma estatística real.
A primeira alma “caridosa” que apareceu no instante em que eu estava fazendo a estatística real agachou-se e deu o dinheiro, levantou-se e foi embora; menos de um minuto depois, acintosamente, não se agachando um cidadão apresentou-lhe dois reais, o “pedinte” demorou-se um pouco – momento em que eu pensei: o cara está pedindo troco! – depois, recebeu como troco aos R$ 2 um monte de fitas de lembrança de Nova Trento. Barbaridade! O quê que eu ia fazer, camarada? Que mico eu ia pagar? Já pensou, se eu vou lá e me faço de uma alma acintosamente “caridosa” e dou uma esmola? – Bom, as gafes normalmente acontecem e, se eu cometesse tal e qual, com certeza eu não seria o único. O que me facilitou pensar que ele estivesse pedindo esmolas foi o fato de estar sempre em posição de retaguarda ao pedinte, portanto, eu não via o que acontecia à sua frente. Minutos depois do ocorrido chegaram até mim o responsável pela delegação ou romaria – não acostumo com o termo – o Fernando e logo depois a minha patroa e as crianças, e eu os coloquei a par do acontecido; e assim ficamos a observar o “pedinte vendedor”. O primeiro a ilustrar o que seria a minha gafe não se demorou a aparecer; um cidadão de reconhecida elegância estirou a mão e deu os “cincão” que me fora aconselhado a não dar, e logo foi se retirando. O “pedinte vendedor” bradou com voz educada: “Senhor! Volte aqui, por favor! Estás esquecendo a mercadoria! Eu não estou pedindo esmolas, estou trabalhando! Desculpe-me senhor...!”. - Bom, depois de me safar dessa, eu me aproximei e perguntei se eu poderia escolher as cores das fitas, e o “grande vendedor” de fitas abriu uma mochila cheia delas e disse que estava à vontade para as minhas escolhas. Eita Sul de Brasil maravilhoso, até para se pedir esmolas tem que se ter classe!

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Lerner e as cidades-mulheres

Fui hoje à sede da RIC TV, convidado pelo amigo Dirceu Pio, assistir a uma palestra de Jaime Lerner. Pode-se não concordar em tudo ou em nada com ele, mas é um sujeito espirituoso, sagaz, de inteligência desafiadora.
Nas entrelinhas, Lerner deu um pau em Beto Richa e na insistência dele em dotar a cidade de metrô. Lembrou que a qualidade do transporte coletivo caiu porque a frequência (tempo de chegada dos ônibus no ponto) foi drasticamente diminuída. Não se justifica o metrô pela queda da qualidade do transporte de superfície. Ou seja: retiram-se os ônibus das ruas, o trânsito vira um caos e lá vem o metrô, para gáudio das empreiteiras.
Nossa imprensa precisa fazer uma entrevista a sério com Jaime Lerner.
Mas o melhor de tudo foram as comparações das cidades com mulheres, das quais Lerner parece entender. Das primeiras, com certeza.
Entre outras. Para ele, Nova York é uma mulher toda tatuada. São Paulo, uma mulher que exagerou no botox. Rio, de barriguinha de fora. Curitiba, liga na coxa e um belo naco de carne à mostra. Puro Dalton.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A incrível máquina do tempo

Divagando & Katilografando

Num vôo tranquilo e preguiçoso, eu havia acabado de passar por sobre o aeroporto de nossa cidade, rumando em direção sudeste do nosso município, a vegetação composta de árvores retorcidas dava o tom e a cor do nosso cerrado conquistense. A brisa morna batia suavemente no meu rosto, meus cabelos longos, por vezes chicoteavam-me os ombros e pescoço, e a mesma brisa deslizava por todo o meu corpo, dando a sustentação que me tornava leve para que, o prazer de voar livre me fizesse sentir como se asas eu as tivesse, o sonho de Ícaro em mim se realizava.
De repente, daquele instante de experimentada monotonia, eu passei a sobrevoar um lindo vale, lá embaixo, corria um regato e, na parte mais larga do vale formava uma lagoa rodeada de tabua, ladeando o pequeno ribeirão, havia uma alameda de eucaliptos, na parte mais elevada, uma pequena colina, estava uma casa com um lindo pomar, suavemente, baixei um pouco a minha altitude, fiz um vôo de reconhecimento sobre a casa e o pomar. Muitas eram as mangueiras, abacateiros, bananeiras, goiabeiras e uma extensa horta; havia algumas pessoas lá embaixo que trabalhavam e acenavam para mim, mais adiante, um grande pasto verdejante, nele, algumas “cabeças de gado” pastavam, voltei a minha atenção para os eucaliptos, sobre eles, fiz um vôo com máxima atenção, observava que o mais alto deles media aproximadamente uns quinze metros de altura, era bem reto e elegante, o seu tronco era de cor acinzentada, suas folhas eram de um verde brilhante sem igual, resolvi descer para, desta forma, eu vê-lo de baixo para cima.
De repente, eu comecei a rodar descontroladamente, o mundo rodava, não, era a minha cama que estava rodando, o barulho que vinha de fora invadiu o meu sonho! Eu estava sonhando? – É verdade, eu estava sonhando sim! Aquele sonho maravilhoso que, novamente estava se repetindo e, fui abruptamente despertado por um barulho que vinha da rua. O barulho era o de um Terno de Reis que estava na nossa porta cantando a sua preliminar para, depois ser aceito pelo dono da casa. Painho havia saltado da cama num pulo, correu para a sala e Mãe Guiomar (minha mãe adotiva) praguejava, enquanto ela dizia poucas e boas ao meu pai para que ele não abrisse a porta, painho afastava as cadeiras sofás e mesas para, assim, receber o Santo Reis. Confesso que eu detestava ser despertado enquanto eu sonhava que estava voando, este era um sonho que, se pudesse, dele eu não acordaria jamais; paciência, o meu mundo continuava rodando, naquele instante eu nem sabia que dia e hora era.
Ah! Acabei de me lembrar, ontem era dia trinta e um de dezembro, quando eu saí da gráfica onde eu trabalho (trabalho na Gráfica Marajó), passei na Praça Nove de Novembro, e comprei umas revistinhas usadas na mão do Jailton que as expõe no Monumento atrás da Tabacaria, gastei Cr$ 3,50 (três cruzeiros e cinqüenta centavos), então, hoje e essa barulheira toda é dia 01 de janeiro de 1973. Tateei no escuro, procurando na cabeceira da minha cama a “pêra” que liga a luz, com certa dificuldade, aliás, com enorme dificuldade, eu ainda não encontrei a “pêra”, ou melhor, eu não encontrei a cabeceira da cama! Meu Deus! O que foi que me aconteceu? Calma, penso que eu mudei de posição na cama, com os pés bem esticados tento confirmar o que eu acabo de pensar; é isso mesmo! Estou com a cabeça para os pés da cama. Pronto, agora eu encontrei a “pêra” e a luz se acende! Puxa vida, os “reiseiros” já estão terminando lá fora! Daqui a pouco eles vão entrar. Eu gosto de Terno de Reis, mas, o chato é que nem sempre eles vêm na hora combinada; Mãe Guiomar, não gosta deles em nenhuma hora, ela os acha uns chatos de “ponta de rua” e também uns “Pés de Cachorro” (qualquer hora dessas, eu vou procurar a concordância nominal do termo, ela sempre fala sem o plural).
Pois bem, eles cantaram, brincaram, beberam comeram e se foram, com eles também se foi o meu sono. Agora estou ouvindo lá longe, talvez nalguma casa na Rua Honorina Andrade, ou quem sabe, na casa do seu Antonio Peçanha, alguém tocando em uma radiola uma canção do Roberto Carlos, é uma música linda, o professor Nery disse que essa música teria sido vencedora no Festival de Sanremo de 1968, sei que eu gosto dela, “Canzone Per Te”, eu não sei se este é o título dessa música, aliás, poucas são as músicas que eu sei o título, afinal, que me importa? O silêncio agora reina e o meu sono teima em não voltar, acho que vou ler uma das revistinhas. Sempre foram elas que embalaram os meus sonhos, talvez eu volte a pegar no sono, afinal, eu mereço; este ano de 1972 foi o único ano em que eu não fiquei para segunda época, agora eu vou cursar o primeiro ano de contabilidade, estou de férias! Ademais, ainda hoje terei que acordar mais cedo para, como nos anos anteriores, também, para assistir à matinal que desde que me entendo por gente, os cinemas da cidade faz essa sessão “grátis” (palavra mágica), portanto, eu não posso perder. O Cine Glória me espera.
Na cômoda ao lado da minha cama estão as dez revistinhas compradas ontem, vou escolher uma e vou ler. Engraçado, neste pacote de revistinhas compradas têm algumas que eu não compraria. A TEX e a revistinha do “Fantasma” me foram empurradas no pacote, eu não vejo graça na leitura destas revistas, e eu já tentei várias vezes lê-las em outras oportunidades em que me faltavam revistas e, jamais terminei a leitura de qualquer delas; nem tudo está perdido, afinal, veio no pacote de revistas, as do Tio Patinhas, Almanaque do Pato Donald, Almanaque do Mickei, Riquinho, Mortadelo e Salaminho, Zé Carioca, também entre elas, a do Conde Drácula (nessa hora da noite me dá arrepios) e do Professor Pardal.
A revistinha do professor Pardal para mim, sempre foi uma das minhas preferidas; ele é um maluco fantástico, eu sempre viajo nas suas “viagens”. E como viajar é meu sonho que até os dias atuais, mesmo em sonho eu não consigo realizar, nelas eu me realizo... Continua na próxima crônica.

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Morreu o dr. Abdo Aref Kudry

Quem herdará aquela vaga "de estacionamento" desenhada na calçada em frente ao Diarinho, ali na Rua XV, onde ele acintosamente deixava seu Jaguar?
Até nisso Abdo Kudry era temido.
Foram-se Chico Beleza, João Milanez, Abdo Kudry.
Paulo Pimentel é o último representante do baronato de uma imprensa que não tinha função social nenhuma, negociava proteção, mordia e assoprava, bajulava e atacava, mostrava e escondia, alternava lamentáveis e belos momentos de um jornalismo que anda cada vez mais cada vez.
Abdo Kudry, o poderoso chefão do sindicato dos patrões, tem, porém, algumas belas linhas em sua biografia: ter cedido redação, máquinas e papel para fazer o jornal da greve dos jornalistas nos anos 60. Belo e inesquecível gesto.
Ao que consta, não deixou Abdinhos.
Tomara que o Diarinho não feche.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Sindicalismo e o Consenso de Washington

Divagando & Katilografando

As voltas que o mundo deu desde 1989, ano em que John Williamson criou a cartilha chamada de Consenso de Washington, foram suficientes para aniquilar um movimento que, era o “fundo moral” garantidor das conquistas obtidas pelo trabalhador brasileiro. O sindicalismo nacional era na realidade – assim eu comparo – o nosso “supremo tribunal”, aquele que vela pela nossa CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, assim como, o verdadeiro Supremo Tribunal é o guardião da nossa Constituição.
O Consenso de Washington desde a sua criação foi um tsunami na vida dos países emergentes, e, os trabalhadores foram essencialmente as vítimas dessa “Carta de Washington”, onde, o Brasil foi um signatário da mesma sem sequer abrir uma página para ver se nós poderíamos ou não seguir os seus preceitos; assinou-a no escuro. O referido “consenso” por seu criador quis significar "o mínimo denominador comum de recomendações de políticas econômicas que estavam sendo cogitadas pelas instituições financeiras baseadas em Washington D.C. que deveriam ser aplicadas nos países da América Latina, tais como eram suas economias em 1989." A partir de então, a “cartilha” foi usada pelos governantes com um único objetivo que era o de abrigar as políticas chamadas neoliberais que assim as justificassem; todavia o seu criador Williamson disse jamais concordou.
O tal “consenso” ou Carta de Washington trazia dez regras básicas a serem implementadas nos países à época chamados de “subdesenvolvidos”. As regras que se fizeram clássicas foram: Disciplina fiscal; Redução de gastos públicos; Reforma tributária; Juros de mercados; Câmbio de mercado; Abertura comercial; Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições; Privatização das estatais; Desregulamentação – essa significa afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas; e Direito a propriedade intelectual. A Argentina na América do Sul foi a sua primeira e fiel seguidora, e por isso, pagou caro; quebrou pelo menos três vezes em período compreendido à sua adesão desde 1989 a 2004.
O nosso sindicalismo, a reboque dos acontecimentos da nossa adesão, viu a Força Sindical que foi cooptada pelos interesses das volumosas contribuições estatais para defender o projeto que era o de privatização. Das dez regras, as que mais foram e continuam sendo colocadas em prática são as que privatizam e desregulamentam as leis econômicas e trabalhistas. As leis trabalhistas por suas flexibilizações – principal objetivo da “Carta de Washington” – tem trazido aos trabalhadores, bem como, aos sindicatos de classes uma total confusão. Aos trabalhadores uma total insegurança; aos sindicatos, uma desvirtuação da sua principal atividade.
Quanto à desregulamentação a que o consenso receitou, muito bem se apegou o patronato brasileiro; a criação de terceirizadas e de cooperativas de trabalho veio causar desestabilização no contrato de trabalho tradicional. O trabalhador que antes via no sindicato de sua classe um “porto seguro” e representante dos seus direitos, hoje o vê simplesmente como um agenciador de situações entre patrão e empregado que nada tem a ver com o sindicalismo contestador e representativo da classe. É verdade que o movimento sindical perdeu a sua grande força de mobilização e de contestação muito bem exibidos na década de 80 e parte da década de 90, e isso lhe deixa na defensiva. Como a desregulamentação e flexibilização das leis trabalhistas continuam foco do “falecido” Consenso de Washington – aliás, esse “consenso” já foi sepultado em todos os países de mediana inteligência, inclusive, os Estados Unidos jamais o levou a sério; a Malásia se fez signatária e colocou-o de ponta cabeça, e fez tudo ao contrário que o dito cujo preceituava e hoje é uma potência, moral da história; jogou-o na lata do lixo! – restam aos sindicatos o papel de guardar com o máximo rigor a nossa combalida CLT, pois assim, estará de forma indireta resguardando os direitos e as conquistas sociais conseguidas com muito suor, muita resistência, protesto e revolta.
A legislação trabalhista não foi e não deve ser considerada uma dádiva do Estado Novo getulista, como os setores trabalhistas tem afirmado - a CLT era e é uma cópia da Carta Del Lavoro, de Benito Mussolini, e implementada na sua essência pelo ditador brasileiro da época, Getúlio Vargas. Contrariando alguns setores a sua implementação importada, foi resultado das grandes greves operárias que tomou conta do país no início do século XX e da adesão do Brasil à Organização Internacional do Trabalho (OIT), outra conquista dos trabalhadores brasileiros. A CLT nada mais é como o seu próprio nome diz, do que uma consolidação, em lei única, de todas as conquistas sociais dos trabalhadores.

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sábado, 8 de agosto de 2009

Pro Jaime Lechinski

Poeminha curitibano

Em Curitiba
Todo mundo jogou bola com o Dirceu
Fez música com o Paulo Leminski
Comeu a Isadora Ribeiro
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Et coetera...

Aviso aos amigos e inimigos

Não esqueço os amigos.
Reconheço-os num campo de batalha. Se estiverem do lado oposto, neles não atirarei. Se estiverem do meu lado, por eles lutarei.