quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Emilson Schafron

Será celebrada às 19 horas desta sexta-feira (11), na Igreja de Santo Estanislau (Rua Emiliano Perneta, 463, entre Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco), missa de 7.º dia de falecimento do advogado do Estado Emilson Schafron, morto no sábado, de infarto, aos 54 anos de idade. Aluno da turma que ingressou em 1974 na faculdade de direito da UFPR, Emilson trabalhava no jurídico do Centro de Observação e Triagem do Departamento Penitenciário do Estado. Desde os tempos de Colégio Estadual do Paraná, era admirado por sua ranzinzice e incomparável conhecimento de música, literatura e cinema. Chegou a ter, num apartamento onde viveu, no Tingui, um quarto só para guardar seus milhares de CDs. Era, também, louco pelo Coritiba. Deixa três filhos. Foi um dos meus melhores e mais verdadeiros amigos. Milton e Gracinha o embalam agora.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Patypatí, patypatá!

Divagando & Katilografando

Ninguém vai me pegar! – Com certeza, e eu até torci para isso seu Ribamar! Os seus atos secretos foram tão secretos que nem mesmo o “Esquilo Secreto” seria capaz de revelar. Os seus atos secretamente e redobradamente secretos jamais poderão ser descobertos. - Ufa! Que bom, Né? Sabe seu Ribamar? Eu até gostei que o senhor não tivesse sido punido por esses “atozinhos” secretos. – Calma gente! Muita calma nessa hora. Não fiquem aí pensando que eu compactuo com essas falcatruas, que nem foram tanto assim, elas (as “falcatruas”) estão pesando mesmo é no moral desses e daqueles “cães raivosos” que ladram enquanto a caravana passa; eles em verdade, não querem atingir o “nosso bravo” Senador, querem, outrossim, atingir o “Companheiro” e suas pretensões reeletivas; a sua candidata em 2010 e indispensável apoio do partido do “Senador” para as mesmas eleições; detonar de vez as aspirações de regulamentações do pré-sal antes das eleições vindouras. E é sobre isso que não compactuo mesmo!
Como pode um cidadão que pensa e tem capacidade de processar as informações que recebe crucificar um cidadão que sempre viveu, a despeito da sua vontade, liminarmente voltado aos interesses do povo que o elegeu? – Como pode, hein? Isso tudo deve ser inveja daqueles que jamais tiveram tanto despojamento... Não pensem que eu estou brincando! Como eu não brinco, devo me explicar da maneira mais simples possível.
É de se saber que o senado brasileiro teve a sua instituição no império (1826 – 1889) e depois, com o advento da proclamação da república (1889) a instituição permanece até os dias atuais. Queira me desculpar pela monotonia introduzida nesta parte do texto; mas, não foi por acaso, foi proposital. Então, um senado que existe há quase duzentos anos; será que foi só na gestão do Ribamar enquanto presidente que os atos secretos aconteceram e afloraram? – Ou melhor, afloraram sim! Modificarei a pergunta: será que foi só na presidência do seu Ribamar que os atos secretos aconteceram? – Com certeza, não! Os atos secretos são corriqueiros e institucionais, fazem parte da rotina da Instituição.
Nessa história toda o que conta mesmo são os interesses escusos de alguns segmentos políticos, econômicos e sociais. O PIG, – Rede Globo e seu conglomerado, Folha de São Paulo, Veja, Carta Capital e outros tablóidezinhos – os opositores do governo Lula viram no presidente do senado o seu “muro de arrimo e resistência”, dessa forma, resolveram minar o governo e sua candidata a sucessão e principalmente desestabilizar e desacreditar o Lula e seu partido PT da maneira mais indiretamente com viés de direta possível.
Patypatí, patypatei...! Jamais me entregarei! - É isso aí, “Seo” Ney! Se os outros fizeram tantos atos “top secret”, por que será que só ao senhor vão querer enquadrar? Dentro desse mesmo senado até assassinato a sangue frio já aconteceu, e o senhor foi testemunha; e o que vem serem uns atinhos secretinhos que a qualquer momento podem ser desfeitos, não é verdade? O chato “Seo” Ney, é que eles, como um “pum” no elevador saem secretamente, depois, tomam forma; um não denuncia o seu autor e também não pode ser desfeito (o pum), o outro fica a cara do seu dono e pode ser desfeito; não é verdade? Mas, ainda assim eu continuo achando bom que o senhor não tenha sido defenestrado de tão importante cargo no Congresso Nacional. Calma gente, novamente, peço calma gente! Eu não compactuo com nada disso, mas, nesses casos eu fico meio que torcedor daquele que está sozinho na jaula entregue a própria sorte (questão de justiça) e acabo tomando as dores. Já pensou se o “Seo” Ney sai, quem nós iríamos colocar lá? Questão de ordem pragmática; o novo ocupante que viesse ocupar a presidência do senado nós não saberíamos quais os defeitos ocultos dele (Código de Defesa do Consumidor); as virtudes vêm estampadas em letras garrafais com visível intenção de ludibriar o incauto consumidor. Lembra-se do impoluto senador Jefferson Peres? – Pois é; depois de sua morte alguma coisa mais ou menos podre e fétida apareceu para nos dizer que ele não era aquela coisa maravilhosa que sempre nos fez acreditar ser (o homem deixou uma pequena fortuna em Passagens Aéreas R$ 178 mil de espólio a sua viúva); o falecido Antonio Carlos Magalhães, para não ser cassado, renunciou ao senado com o dedo em riste do Jefferson Peres apontado para ele, fazendo-se o paladino da justiça, da ética e da moral.
Desculpe-me pela divagada acima, acabei saindo do estilo que iniciei esta crônica. Eu como todo brasileiro adoro ficar do lado mais fraco, – quando comecei a torcer pelo Fluminense ele não era o melhor time do Rio, não, e continua sendo! – gosto de torcer pelo ladrão nos filmes; aliás, tem um filme de 1973 estrelado por Ryan O’neal, Jacqueline Bisset e Warrem Oates “O ladrão que veio para jantar” que é o precursor e inspirador desse meu estranho sentimento. Na vida real teve um assaltante e sequestrador por nome Leonardo Pareja que eu torci para ele, embora soubesse que seria vã a minha torcida, (*26/05/1974 +09/12/1996) morreu! Patypatá, senhor Ribamar! Espero que o senhor depois desse meu “indispensável e precioso” apoio nos honre, - na contra mão dos interesses do seu escudeiro Lula - arrebanhando votos para um rotundo não às pretensões de implantação da tal CSS (antiga CPMF), afinal, como parte integrante da sua torcida “organizada”, eu fiquei de cá, no meu canto mudinho da silva (eu sou um Silva), não escrevi uma única linha que fosse depreciativa ou repeti como a “Maria vai com as outras” as “infâmias” que lhes eram dirigidas.
Não preciso, mas, ainda assim, quero deixar claro que só torço pelos ladrões nos filmes e nas boas tramas; todavia, procuro em análise profunda descobrir por que é que ainda, em mim persiste esse meu desejo de ter torcido por aquele assaltante que a polícia acabou prendendo, e seus colegas de prisão matando-o por inveja e ciúmes em uma prisão no estado de Goiás. Talvez, para justificar essa defesa e simpatia ao Pareja, a explicação tenha sido dada pelos seus próprios colegas de prisão, quando devem ter detectado nele (presumo) uma forte tendência oculta de vir a ser um “grande na vida pública e na política brasileira”. Patypatama...! Essa pode ser considerada uma boa trama!
Patypatí, patypatei, “Seo” Ney! Não quero aderir aos que acham que o petróleo não é mais nosso, a eles jamais me entregarei! Esse tal pré-sal no “arriba mar” “Seo” Ney, nunca é cedo demais para definirmos essas regras que nacionalizem definitivamente e irrefutem a nossa soberania sobre o que está no nosso subsolo e em nossas águas territoriais marinhas; fui claro senhor Ribamar? Está de acordo “Seo” Ney? Patypatí, patypaté! Não esmoreça, insista, resista e persista; e no Brasil, salvem-se quem puder, não é seu José?

Crônica enviada à Sua Excelência Senador José Sarney – sarney@senador.senado.gov.br

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ao ciclista desconhecido

Enviada ao Blog do Zé Beto
Recorro a este blog porque, se você não o lê, alguém que você conhece deve ler e lhe transmitirá esta epístola. Também está no meu blog, mas este só eu leio.
Pois é, companheiro. Fui eu que hoje (sexta), por negligência e imprudência, por confiar na buzina e, instintivamente, pensar que seu instinto supera a razão, acabei por derrubá-lo de sua briosa bicicleta quando eu buscava entrar na garagem do prédio onde moro.
Escrevo esta para, sonoramente e em público, pedir-lhe desculpas.
Fui negligente, sim, e principalmente arrogante por achar – e não é o que realmente penso – que uma buzinada seria o bastante para que você diminuísse a velocidade a me deixasse passar.
Deixar por quê? Você trafegava à direita da pista, bem junto à guia, respeitoso com as regras do trânsito. Deve ter acreditado que eu, civilizadamente, frearia meu possante 1.0 e esperaria você passar para, em seguida, eu entrar na garagem.
Paguei o preço do que me livro todos os dias nessa Itupava que agora virou via rápida. Quando me aproximo de casa, dou sinal com a seta, coloco o braço pra fora e faço aqueles gestos de lei que ninguém mais usa e, ainda assim, ouço freadas e, vez ou outra, um filhodaputa pela orelha esquerda. Hoje tinha um carro colado atrás do meu e achei que dava tempo de te ultrapassar e encostar na entrada do prédio.
Errei, e errei feio, e é por isso que peço desculpas.
Isso não me absolve, por certo. Cometi uma infração de trânsito por agir com negligência e não respeitar o ciclista.
Mas, como aconteceu de eu subir para ligar para o corretor de seguros e você partir sob aplausos da multidão, resta-me falar com você por meio do glorioso Blog do Zé Beto.
Você e sua baique saíram ilesos da minha barbeiragem. Eu, logo que constatada minha culpa (tanto que subi e liguei para o corretor de seguros), faria questão de te indenizar, se dano houvesse. Como tudo não passou de um baita aborrecimento, principalmente para você, obviamente, restar-me-ia a vergonha do erro cometido em público e um contrito pedido de desculpas.
É o que faço agora, no meio da praça, para purgar o mal que lhe causei.
Mas entenda algumas coisas:
1 – Eu não estava a 190 km por hora, embriagado, apostando racha com um bacana ainda não-identificado;
2 – Aconteceu um lamentável, mas superável acidente de trânsito, felizmente sem ferimentos físicos e sem danos materiais;
3 – Você não precisava tentar me dar lição de moral e de cidadania em público, como se estivesse diante de um débil mental;
4 – Você não precisava bradar que queria ver o mesmo acontecendo com meu filho;
5 – Você, enfim, não precisava dar aquele show, bancando a vítima de um motorista insano, um cretino que não respeita o ciclista;
6 – Você, ciclista desconhecido, comportou-se como um motoboy, e até agora, preocupado, espero manifestação de ciclistas diante do meu prédio, chamando-me de assassino, bradando “nóis qué justiça” e coisa e tal;
7 – Você não é dono da verdade e bicicleta é veículo, portanto sujeita a acidentes – por certo, sempre lamentáveis.
De minha parte, quero lhe assegurar que, de agora em diante, redobrarei meus cuidados e frearei meu possante para deixar o ciclista passar (quando voltar a dirigir). É assim, na verdade, que me comporto no dia-a-dia- do trânsito.
Hoje, infelizmente, errei, pelo que me penitencio.
Ao final e afinal, peço-lhe desculpas mais uma vez, dou-lhe os parabéns pelo show e prometo ser um bom menino daqui por diante.
Se você for, por um acaso do destino, o ciclista filho do Jacques Brã, campeão mundial de ciclismo de rua e defensor das baiques, pergunte-lhe sobre mim e ele lhe dirá que eu, apesar de tudo, sou um bom sujeito.
Traumatizado pelo acidente e pela bronca, fui trabalhar a pé esta tarde e pretendo voltar a ser pedestre daqui por diante. Melhor assim.
E ai de você, ciclista desconhecido, se subir na calçada onde eu caminho ou, se eu estiver deitado na rua, me mandar sair da frente.
Aí serei eu o certo e você não escapará dos meus sopapos.
Boa sorte a você e aos demais ciclistas curitibanos.
Assinado: Jorjão, agora e de novo o pedestre-dono-de-todas-as-verdades, um ser superior aos motoristas, aos motociclistas e até aos ciclistas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Requião tem razão

Reproduzo abaixo release do Palácio das Araucárias sobre a proposta do governador de defender a indicação, ao STF, do paranaense (acho que ele é catarina, mas aqui estudado) Luiz Edson Fachin. Ele foi meu calouro na faculdade de direito da UFPR. Nos falamos uma, se muito duas vezes. Era de uma turma da qual saiu outro craque: Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, catarina com certeza, aqui estudado, ex-namorado da Annamaria Marchesini e coxa doente. Fachin é civilista, Jacinto é um dos bambas do processo penal. Esses dois, junto com o professor René Dotti, que dispensa comentários, e o Marçal Justen Filho, administrativista, meu ex-contemporâneo no glorioso Colégio Estadual do Paraná e, anos depois, meu veterano na faculdade de direito, só honrariam o STF.
Desta vez o Requião tem razão. Vamos com ele para colocar o Fachin no STF. E depois o Marçal e o Jacinto (René, infelizmente, já estourou a idade).Até que enfim, hem, Requião?


O governador Roberto Requião defendeu, nesta quinta-feira (3), a nomeação do jurista paranaense Luiz Edson Fachin para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Duas vagas se abriram no STF devido à aposentadoria compulsória do ministro Eros Graus e da morte do ministro Carlos Alberto Direito, na madruga da última terça-feira (1º).

“É a oportunidade do Paraná pleitear uma vaga na suprema corte brasileira. Nós temos no nosso Estado um dos melhores juristas do país. Luiz Edson Fachin é preparado por todos os títulos e essa oportunidade não pode ser perdida”, disse Requião em pronunciamento oficial.

“Nós temos que unir a opinião jurídica do Paraná e levar nossa sugestão ao presidente Lula. Eu lanço essa campanha em nome do Governo do Estado, fazendo o apelo para que todos se unam por que é possível neste momento emplacar um ministro do STF paranaense”, acrescentou o governador.

Recentemente, Fachin foi designado pelo Governo Federal como membro da comissão sobre a Reforma do Poder Judiciário. O jurista também assessorou Requião, enquanto senador, no projeto do novo Código Civil brasileiro. E a pedido da então deputada Marta Suplicy emitiu parece, e fez a defesa na Câmara dos Deputados do projeto de lei da parceria civil de pessoas do mesmo sexo.

O pronunciamento gravado pelo governador está sendo transmitido pela TV e pela rádio Paraná Educativa e por diversas rádios do estado.

Fachin é professor de Direito Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Puc-PR); mestre e doutor em Direito das Ralações Sociais pela PUC – SP; pós-doutorado no Canadá pelo Faculty Reseach Program do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, professor convidado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da PUC-RS, da Universidad Pablo de Olavide de Sevilha, Espanha; membro do corpo docente da Universitá Degli Studi di Salerno na Itália e membro da Associação Andrés Bello de juristas franco-latino-americanos, com sede em Paris.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Eu sou pobre, pobre...

Divagando & Katilografando

Pobre de marré, deci! Desci coisa alguma! Eu sou rico, rico, rico de marré, subi...! Subi na vida sim senhor! Eu nasci pobre. De mãe pobre e de pai perdulário. Quando eu nasci meu pai não tinha um vintém (esse é velho!), digo, um cruzeiro; ele estava na vala comum daqueles que muito teve e que perdeu tudo porque não soube preservar o que lhe deixou o seu pai (o meu avô).
Ter nascido pobre em um país onde a riqueza era (e continua sendo) o passaporte para uma vida e um futuro melhor, onde o governo não priorizava como o Lula prioriza em primeira instância e procura silenciar o ronco dos estômagos dos famintos; deixava há mais de quarenta anos os pais de família com uma cuia na mão, batendo de porta em porta a pedir esmolas. Um dia de trabalho de pedreiro (profissão escolhida pelos ex-ricos, os novos fracassados; nos dias de hoje, acabam virando corretores ilegais; veja o caso do eterno playboy Jorge Guinle, que nem precisa sair de casa para intermediar uma venda, os seus amigos é que o colocam na transação) em uma cidade de pouco avanço à época não valia quase nada quando se arranjava alguma coisa, alguma obra; quem salvava mesmo com seus parcos recursos a economia doméstica eram as mulheres, essas bravas trabalhadoras braçais que botavam a comida na mesa sob as duas formas: trabalhando, lavando roupa para ganhar o pão e literalmente cozinhando para sua família.
Os programas sociais do governo têm salvado uma parcela significativa da população brasileira; os miseráveis de hoje já não são tão miseráveis quanto os de antigamente; os pobres de hoje já não são tão pobres quanto eu experimentei ser. Os pobres de então, tem o seu lugar ao sol; saem como o Lula prometeu, pelo menos uma vez por mês para almoçar fora com a família; ir à praia – e como está indo, estão levando a sério! Os pobres que engrossam as estatísticas da popularidade do Lula, não raro, têm TV de LCD em casa, geladeira de última geração. Por falar em TV, eu tenho duas aqui em casa que eu quero me livrar, já são vintenárias e estão ótimas; caí na besteira de perguntar ao carrinheiro (homem ou mulher que recolhem o lixo que não é lixo) se ele não queria a ou as TV’s, ao que me respondeu educadamente e com certa ponta de indisfarçado orgulho: “moço, eu não tenho lugar para colocar essas TV’s lá em casa não, a nossa TV é de plasma!” - Sim senhor, viva a modernidade e viva a popularidade do seu Lula da Silva!
Os tempos mudaram; o povo rico não percebeu a quantas as mudanças operaram milagres nas vidas daqueles que outrora não tinham o que comer; os filhos dos pobres de outrora hoje são, no seu meio social, os mauricinhos (versão popularizada) de uma geração que sonha e realiza. As bolsas estudo, bolsa família, meu primeiro emprego e toda forma de assistencialismo do governo tem dado, nas devidas proporções, alguma dignidade aos pobres brasileiros. O povo pobre normalmente não tem dado a sua opinião sobre os benefícios recebidos; talvez, seja porque a imprensa não lhes dê espaço para dizer o que pensa, todavia, o grande termômetro desse silêncio popular entre em ebulição nas urnas nas próximas eleições.
Os intelectualóides de plantão e sem a menor sensibilidade costumam dizer que melhor que dar o peixe, é dar a vara e ensinar a pescar. O que podemos constatar dessa construção filosófica é que, diante de uma emergência como é o caso da fome, “enquanto se gasta tempo ensinando, o estômago vazio desconstrói o aprendizado” (essa construção filosófica é minha, ninguém tasca!); e o Lula, melhor do que ninguém é capaz de saber disso. Pois muito bem, as ações de governo tem realmente ajudado, mas, não tem sido suficientes para erradicar totalmente a fome e matar o desejo mais singelo de muitos; dos quais, insistem em sustentar a sua base de popularidade em uma flagrante demonstração de gratidão. Gratidão, aliás, que tem deixado roxo de raiva aqueles segmentos da base de oposição ao governo.
Se nos meus tempos de garoto, na minha tenra infância, nós tivéssemos tido um governo como é o governo do Lula, – falo do governo pessoa do Lula, do seu carisma e não o governo PT – com alguma margem de acerto eu acredito que hoje nós seríamos uma nação respeitada, já teríamos praticamente erradicado a pobreza que tanto tem preocupado os governantes sérios pelo mundo afora. Como a vida não é feita de “se” e sim da realidade, cumpre-nos enquanto cidadãos e contribuintes, fiscalizarmos as ações mais próximas dos nossos governantes, para que não caiam na tentação de desviar os recursos que são destinados aos nossos pobres e necessitados como foi o caso do vereador Alex Lopes de Sousa de Santa Cruz da Vitória que estava inscrito no programa bolsa família. Como sonhar não implica em fato gerador de impostos (tomara que jamais inventem um imposto para os sonhadores), continuarei sonhando que um dia e para sempre, a cantiguinha “Eu sou pobre, pobre, pobre de marré deci” seja substituída por: “EU SOU RICO, RICO, RICO DE MARRÉ; NESTE BRASIL EU VENCI!”.

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sábado, 29 de agosto de 2009

Gustavo Fruet

A nota que segue é do blog do Zé Beto
Eu comentei pra ele.
Segue o que eu perco e acho.
A fachada do Gustavo Fruet
29 ago 2009 - 08:36
O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB) resolveu atender ao apelo da jornalista Ruth Bolognese que, nesta semana, no telejornal matutino da Rede Massa recomendou que ele desse um trato na fachada por conta da candidatura ao Senado. Guga disse que saiu desesperadamente atrás de uma loja da Ducal para comprar pelo menos um terno. Não achou a loja. Portanto, vai continuar se apresentando do mesmo jeito.
Postado em 29 agosto
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Agora eu

Brincadeiras à parte:
Os seres humanos não precisam vestir-se como mendigos nem como marajás de Ranchipur para se notabilizarem.
Gustavo Fruet é o mais qualificado político do Paraná de muito tempo para cá. Desnecessário enumerar suas qualidades, mas que se ressalte uma só: exerce seu papel político no estado de arte, com moral, o que explica tudo. Maurício, Ivete e o imortal Gramsci sabem disso.
Talvez nunca chegue ao governo do nosso Estado, pois o nosso estado talvez não o mereça. O povo ainda não sabe votar.
Tivéssemos uns trinta ou, melhor, trinta mil Gustavos, teríamos um País muito melhor.
Tivessem os quase ou os que-bom-seria-ser Gustavo gente ao seu lado como Lorena Klenk, seríamos muito melhores.
Gustavo nada me deve e nem eu a ele.
Lorena Klenk talvez seja até melhor que o Gustavo.
Devo muito à Lorena.
Só quero dizer em bom português.
Gente boa trabalha com gente boa.
Isso é para dizer que Gustavo (e Ivete et coetera) terá meu voto inteligente forévis.
E que Lorena is in my sky forévis (desculpa professor Hélcio).
Os polos (não tem mais acento em pólo, é isso?) do bem se atraem.
Gustavo Fruet - a quem nada devo, repito - é o que há de bom em nossa lama. E Lorena é o que há do bem (desculpe de novo, Hélcio, mas é paixão pessoal e profissional, não sexual, e ela sabe disso).
Diz-me com quem andas.
Meu voto é raro e caro.
Gustavo significa, no bárbaro (para os romanos de antanho) bravo bastão de combate.
Meu filho - não por causa dele, obviamente, porque já está ficando coroa - se chama Gustavo.
Como dizia Henfil, em resumo, valeu e sempre valerá a intenção da semente.
Sorte ao Gustavo e a todos nós.
Gustavo e Lorena forévis.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Os romeiros e Nova Trento

Divagando & Katilografando

A minha fé cristã enquanto católico atualmente é por assim dizer, meia-pedra e meio-tijolo. Confesso que já fui muito carola; não havia um domingo em que eu não me fazia presente na missa das sete horas da manhã na Igrejinha das Graças na Rua Otávio Santos, participava do grupo de jovens, sempre presente nos retiros e, quando possível, eu arranjava um jeito de me empoleirar em cima de um caminhão daqueles que faz anualmente as romarias para Bom Jesus da Lapa, e lá estava eu também como todos que iam à Lapa para receber as bênçãos do Nosso Senhor Bom Jesus da Lapa – para mim, em verdade, dado à minha juventude naquela época eu estava mesmo era procurando folia e turismo barato.
Ontem, 23 de agosto, convencido e vencido aos apelos da patroa, fui eu e minha família em uma excursão da nossa Paróquia de Nossa Senhora do Carmo à cidade de Nova Trento em Santa Catarina; foi um dia de domingo dedicado a mais de 600 kilômetros de viagem para o percurso de ida e volta. Quando chegamos à terra da Madre Paulina, hoje, Santa Paulina, muitos eram os ônibus que, assim como o nosso, estava cheio de excursionistas à Nova Trento. Para minha surpresa, e com mudança de conceito, pois, sempre tive em mente que romeiros eram aquelas pessoas simples e que faziam uso de caminhões “pau de araras” e com vestes, na minha maneira de ver, ridículas. Pois bem, lá em terras da Santa Paulina, como disse antes, ante a minha surpresa eu fui classificado de “romeiro”; eu, um romeiro?
Pelo visto, não é só a minha fé que está precisando de uma remodelagem completa, também, os meus conceitos sobre os termos e terminologias religiosas e tudo que envolvam a fé cristã. Na verdade, quando eu aceitei fazer tal viagem, eu buscava ver o quanto o povo católico está verdadeiramente voltado às coisas da espiritualidade, e se não estão em verdade querendo ofuscar a (s) outra (s) fé; todavia, não foi o que eu pude perceber. O povo verdadeiramente católico é tão ou quase xiita quanto o xiita de qualquer outra religião; não estão preocupados com os avanços dessa ou daquela religião e muito menos com a perda natural de alguns fiéis para outras agremiações religiosas; se há perda de fiéis, é porque eles não estão voltados verdadeiramente para as coisas e conceitos imutáveis do Altíssimo.

Não dê esmolas! Avise...

No meio daquele povão (romeiros), eu me sentia meio que aquele personagem do filme “Um convidado muito especial” estrelado pelo indiano Peter Sellers; não me achava de modo algum, nem mesmo quando estava sozinho. Muitas são opções de se gastar naquele lugar; dos artigos de apelos religiosos, assim como, os mais diversos artigos do tipo malharia, lãs, confecções, queijos, bebidas, licores e o especial vinho da colônia italiana e uma excelente cozinha regional. Afinal, em lugar como esse tem de tudo; tem até placa informativa assim como educativa, onde, advertia aos turistas, digo, “romeiros” – não me acostumei com o termo, parece-me depreciativo – sobre ser proibido dar esmolas. Aliás, sobre esse assunto, há uma placa dessa natureza pregada nas paredes laterais da Igreja que fica no meio do comércio daquela vila - essa Vila, onde fica o Santuário de Santa Paulina fica distante do centro de Nova Trento – onde, dizia a placa: “Não dê esmolas; comunique a Ação Social Comunitária caso apareça algum pedinte”.
Ter visto uma placa educativa e tão incisiva quanto aquela me deixou com certo alívio, afinal, em Bom Jesus da Lapa em tempos de romaria extrapola todos os limites, até mesmo do imponderado. Num daqueles momentos em que resolvi ficar só para deixar mais a vontade a patroa e nossos filhos, procurei um banco na pracinha ao lado da igreja, aquela mesma igreja que tem nos dois lados a placa tranquilizadora de que não seremos importunados por pedintes; e o que eu vejo? Vi um cidadão de média idade sentado ao chão sobre um couro de carneiro com os braços apoiados no separador das hastes das muletas em sua parte inferior. Era um cidadão de aparente obesidade que lhe faltava o pé direito e o seu pé esquerdo não tinha dedos, todavia, o pé era bipartido – acredito que ele seja mais uma das vítimas da talidomida. Fiquei a observá-lo por longo período, mas, nem sempre com atenção exclusivamente voltada para ele. Da placa de advertência tanto quanto educativa, embora estivesse em letras garrafais ali à minha frente, eu logo a esqueci. Comecei então a pensar que eu deveria dar uma esmola ao desafortunado; eu naquele instante não tinha qualquer trocado, entretanto, dediquei-me a pensar o quantum que eu deveria dar, e, uma vozinha (fio de voz) na minha consciência me autorizava dar R$ 2. (dois reais).
Um conflito dentro de mim se estabeleceu. Uma voz mais forte em minha consciência dizia: se não houvesse proibição de dar esmolas aqui em Nova Trento assim como acontece em Bom Jesus da Lapa na Bahia, como certeza, de R$ 0,50 em 0,50 centavos você já teria dado pelo menos R$ 5 e, como aqui só temos esse único pedinte, será uma única esmola! Vamos lá, você já está desapegado a esse “cincão” mesmo, vai lá e dá logo! E aí veio a vozinha: se você quiser dar, dê só dois reais, olha só quanta gente passa por ele e dá dinheiro; no final de um dia ele já terá ganhado muito mais do que você ganhava por um dia de trabalho no Banco do Brasil, não seja perdulário! - Entre o embate da voz e da vozinha, venceu a vozinha. Decidi que daria os R$ 2, mas, antes de ir lá fazer a doação fiquei a observar e cronometrar a periodicidade com que ele ganhava as “esmolas”. Eu sabia que não levava nem dois minutos entre uma e outra, mas, a minha atenção sempre esteve dividida durante aquele período entre outros fatos, então, agora eu havia decidido que não desviaria a minha atenção até que eu tivesse uma estatística real.
A primeira alma “caridosa” que apareceu no instante em que eu estava fazendo a estatística real agachou-se e deu o dinheiro, levantou-se e foi embora; menos de um minuto depois, acintosamente, não se agachando um cidadão apresentou-lhe dois reais, o “pedinte” demorou-se um pouco – momento em que eu pensei: o cara está pedindo troco! – depois, recebeu como troco aos R$ 2 um monte de fitas de lembrança de Nova Trento. Barbaridade! O quê que eu ia fazer, camarada? Que mico eu ia pagar? Já pensou, se eu vou lá e me faço de uma alma acintosamente “caridosa” e dou uma esmola? – Bom, as gafes normalmente acontecem e, se eu cometesse tal e qual, com certeza eu não seria o único. O que me facilitou pensar que ele estivesse pedindo esmolas foi o fato de estar sempre em posição de retaguarda ao pedinte, portanto, eu não via o que acontecia à sua frente. Minutos depois do ocorrido chegaram até mim o responsável pela delegação ou romaria – não acostumo com o termo – o Fernando e logo depois a minha patroa e as crianças, e eu os coloquei a par do acontecido; e assim ficamos a observar o “pedinte vendedor”. O primeiro a ilustrar o que seria a minha gafe não se demorou a aparecer; um cidadão de reconhecida elegância estirou a mão e deu os “cincão” que me fora aconselhado a não dar, e logo foi se retirando. O “pedinte vendedor” bradou com voz educada: “Senhor! Volte aqui, por favor! Estás esquecendo a mercadoria! Eu não estou pedindo esmolas, estou trabalhando! Desculpe-me senhor...!”. - Bom, depois de me safar dessa, eu me aproximei e perguntei se eu poderia escolher as cores das fitas, e o “grande vendedor” de fitas abriu uma mochila cheia delas e disse que estava à vontade para as minhas escolhas. Eita Sul de Brasil maravilhoso, até para se pedir esmolas tem que se ter classe!

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR