sábado, 17 de abril de 2010
Microcosmo
Não, Daisy, não vou com você. Posso até atirar, mas sem pacto nem nada. Fico aqui mesmo, vivinho da silva.
Leitura necessária
Sérgio Besserman presidiu o IBGE, é irmão do falecido Bussunda (só pra constar) e intelectual atento à questão urbana. A entrevista a seguir, retirada de Veja desta semana, é oportuna e muito importante para quem vê o Estado banana, leniente, preguiçoso. Sua análise vale para as favelas curitibanas, onde o Estado coloca alguns benefícios, mas não ataca o problema. Não podemos conviver com um Estadinho dentro do Estado. É a oficialização da desigualdade. A leitura é instigante.
Poucos especialistas falam com tanta autoridade sobre a favelização nas metrópoles brasileiras quanto o economista carioca Sérgio Besserman, 52 anos. As últimas estatísticas disponíveis sobre as favelas no país foram produzidas sob sua gestão (1999-2002) como presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Suas opiniões sobre o assunto dão aquele banho de racionalidade que costuma desconcertar o senso comum. Besserman sustenta que retirar os barracos dos morros no Rio de Janeiro é uma solução que, se implementada, vai trazer ganhos econômicos e sociais para toda a população. Diz ele: "A questão precisa ser discutida com rigor lógico, a salvo das influências de ideologias e do romantismo".
A prefeitura e o governo do estado do Rio de Janeiro começaram, na semana passada, a retirar barracos de áreas de risco. Por que nenhum governante fez isso a tempo de evitar tragédias?
Por um misto de incompetência e demagogia. No Rio de Janeiro, a remoção de favelas passou a ser um grande tabu, sustentado por um assistencialismo barato segundo o qual o estado deve prover tudo aos pobres dos morros - ainda que sua permanência ali possa pôr a própria vida em risco e acarretar prejuízos à cidade como um todo. A ideia absurda embutida nesse raciocínio é a de que quem vive em favela é um cidadão especial, que não precisa se submeter nem à Constituição e não tem os mesmos deveres dos outros brasileiros. Sob essa ótica obtusa, remover favelas é visto como uma afronta aos direitos dos mais necessitados. Essa bobagem demagógica tem suas raízes no populismo que há décadas contamina a política fluminense. O inchaço das favelas do Rio é resultado da combinação desses fatores.
Como o populismo contribuiu para a proliferação das favelas?
Historicamente, ele foi a mola propulsora das favelas fluminenses, tendo como seu principal expoente o governador Leonel Brizola, na década de 80, quando se chegou ao auge de proibir a entrada de policiais nas favelas. O resultado foi um surto de ocupações irregulares. Sem polícia, foi dado o sinal verde para o banditismo. Sob o pretexto absurdo de que havia uma dívida social a ser quitada, foram concedidos aos moradores das favelas direitos inacessíveis aos demais brasileiros pobres ou ricos. Enquanto isso, os populistas iam esparramando nos morros seus currais eleitorais, ganhando votos em troca de tijolos, cimento, dentaduras e bicas-d’água. Isso explica a perpetuação dessa classe de políticos em uma sociedade que se pretende moderna. Eles e as favelas estão aí como símbolos do atraso. Quando alguém fala em remoção de barracos, são justamente eles os primeiros a levantar a voz contra. Claro, não querem perder seus currais eleitorais.
A quem mais interessam a perpetuação e o crescimento das favelas no Rio?
Os políticos são apenas os tentáculos mais visíveis de uma enorme rede de ilegalidades que sustenta milhares de pessoas. Prospera no Rio de Janeiro uma indústria da favelização. No braço imobiliário há, de um lado, os grileiros, que invadem terrenos para vender depois, e, do outro, pessoas de fora das favelas que constroem barracos e os alugam. Os bandidos dominam a vida nas favelas. Eles controlam o comércio de botijões de gás e vendem acessos clandestinos às redes de TV a cabo. Os bandidos cobram até uma taxa a título de oferecer proteção aos moradores. É grande, portanto, o grupo dos que lucram com a existência das favelas. Infelizmente, aos poucos a sociedade foi deixando de se espantar com essa aberração urbana, a despeito das atrocidades cometidas a toda hora em plena luz do dia por um estado paralelo.
Por que a aberração foi assimilada?
Isso se deve, em boa medida, a uma visão romântica e evidentemente deturpada sobre as favelas, que começou a ser propagada por parte da esquerda ainda nos anos 70. Essa corrente passou a difundir a ideia de que a convivência entre a cidade formal e o mundo da ilegalidade não apenas era aceitável como deveria ser pacífica. Acabou resultando numa glamourização da bandidagem. Nessa ótica distorcida, criminosos são tratados como líderes populares e toda e qualquer favela ganha apelido de comunidade, ainda que as pessoas vivam ali sob o jugo dos bandidos e à margem da lei. Isso tudo fez do Rio de Janeiro um péssimo exemplo de tolerância e benevolência com o mundo do crime no Brasil. Também não ajudou a combater o surgimento das favelas. Ao contrário: do ponto de vista cultural, só lhes deu legitimidade.
Como reverter a situação em um cenário em que a população das favelas cresce até quatro vezes mais rapidamente do que a da cidade como um todo?
É preciso fazer primeiro o básico do básico: o estado deve recuperar o monopólio da força nos territórios hoje dominados pelos bandidos. As favelas são lugares em que milhões de pessoas vivem sob outras leis que não a do estado de direito democrático. Na prática, elas não estão sob a órbita da Constituição brasileira. Essa ausência de poder público é um padrão que se dissemina também por outras regiões metropolitanas do Brasil, como São Paulo e Brasília - mas em nenhum outro lugar do país o estado deixou tamanho vácuo. Não é viável almejar uma democracia digna e condizente com os avanços do século XXI sem equacionar essa grande anomalia. O estado moderno surgiu, afinal, para garantir a segurança e a paz social. É justamente o oposto da brutalidade que grassa nas favelas do Rio.
O senhor considera a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas cariocas (em que os traficantes são expulsos e a polícia passa a ocupar permanentemente os morros) uma maneira eficaz de o estado retomar o controle dos territórios em questão?
Diria que o princípio não apenas é acertado como, daqui para a frente, o estado não tem mais o direito de retroceder dessa iniciativa. Finalmente, as autoridades entraram em algumas favelas e retomaram o poder, primeiro passo de um processo civilizatório que precisa continuar.
Por que a remoção de barracos é uma solução?
Em contradição com a opinião dominante, acho que há muitos casos em que a remoção se justifica. Antes de tudo, é preciso começar a tratar essa questão com a objetividade que ela requer, longe da sombra da ideologia e dos interesses escusos. Não há como discordar da ideia de que alguém que tenha seu barraco fincado sobre os restos de um antigo lixão, como é o caso de dezoito favelas no Rio, deve ser retirado imediatamente de lá. O mesmo vale para quem tem a casa espetada à beira de um precipício, em flagrante situação de risco. Até aí, prevalece um relativo consenso. No entanto é preciso ir além, encarando uma questão de fundo econômico que é central mas foi posta de lado no debate: as áreas favelizadas provocam uma acentuada degradação da paisagem da cidade, um ativo cujo valor é incalculável. Portanto, quando uma análise de custo-benefício revelar que a realocação de uma favela trará retorno financeiro e social elevado, por que razões não cogitar sua remoção?
Como exatamente a economia da cidade se beneficia de uma remoção?
A Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da Zona Sul carioca, é um caso emblemático dos aspectos positivos que podem se seguir a uma remoção. Quando uma favela foi retirada dali, em 1970, os imóveis da região, cujos valores vinham sendo depreciados, inverteram a curva e passaram a se valorizar, aumentando a riqueza do bairro e da cidade, em benefício de todos. A riqueza é destruída no mesmo ritmo em que a favelização se alastra. Os mais pobres também perdem quando a riqueza deixa de ser criada ou é destruída. Os mais pobres são sempre os mais vulneráveis economicamente. Não tenho dúvida de que a política de remoção de favelas, que muitos ideólogos por aí definem como elitista, pode ser inclusiva, proporcionando mais benefícios do que prejuízos à maioria. O discurso da não remoção é um discurso antipobre.
Por que o estado chegou tão perto de remover certas favelas do Rio, mas acabou voltando atrás?
Além de toda aquela gente que se beneficia da indústria da favelização e faz pressão contra, a ação de pessoas bem-intencionadas também atrapalhou. Veja o que aconteceu no Morro Dona Marta, em Botafogo, outro endereço valorizado da Zona Sul. Na década de 60, quando ali havia uns poucos barracos, o governo anunciou que faria a remoção. Mas setores ligados à Igreja, sob a liderança do então bispo auxiliar do Rio, Dom Helder Câmara, se insurgiram. O resultado foi previsível. A resistência incentivou a vinda de mais e mais moradores, e o Rio perdeu mais uma vez.
O que fazer no caso daqueles morros que já atingiram dezenas de milhares de habitantes, como a Rocinha?
Feitas as contas, existe um consenso de que é muito mais simples e barato urbanizar essas favelas do que removê-las. A ideia central não é apenas prover os serviços nos moldes do velho assistencialismo, mas cobrar por eles, o que é natural com a inclusão dessas pessoas na economia formal da cidade. É preciso ter em mente que 1,3 milhão de habitantes do Rio pertencem ao mundo informal dos morros - o que representa um de cada cinco moradores. A entrada desse contingente na economia formal teria efeito muito positivo para a cidade. Isso depende da implantação de uma política habitacional séria, área em que os governos brasileiros em todos os níveis são tradicionalmente omissos.
Há algum sinal de melhora nesse cenário?
Do ponto de vista das políticas públicas, não houve nenhuma novidade relevante nos últimos anos. Mas é preciso reconhecer que o atual ambiente macroeconômico aumenta as chances de avanço. A começar pelo fato de que não existe mais aquele cenário de inflação galopante, que inviabilizava o acesso ao crédito imobiliário para todos os estratos de renda. Habitação é o tipo de demanda que não pode ficar insatisfeita: se o governo não tem uma boa política, as pessoas dão o seu jeito, como tem ocorrido nas favelas brasileiras desde a década de 50. Instalar-se nelas pode até ter sido uma solução boa individualmente para quem não tinha um teto sob o qual morar - mas para as grandes cidades em todo o país significou um verdadeiro desastre.
Como mensurar isso?
A experiência internacional mostra - e o caso brasileiro confirma - que a presença maciça de favelas afeta o ambiente de negócios e faz reduzir as chances de uma cidade competir globalmente. Está comprovado que um cartão-postal degradado e grandes áreas tomadas pela informalidade e pela violência são fatores decisivos para prejudicar a dinâmica econômica e afugentar investidores. Olhe o que está acontecendo no México, onde os cartéis da droga passaram a controlar grandes territórios e se tornaram um dos principais obstáculos ao aumento da competitividade do país. O Brasil ainda não chegou a esse ponto, mas caminhará para isso se não der fim ao controle territorial exercido por bandidos nas regiões metropolitanas.
Há perspectivas de que as favelas deixem de existir a longo prazo?
Para mim, a melhor de todas as definições de favela é a que a descreve como um território à margem das leis que regem o restante da cidade. Elas começarão a deixar de ser favelas quando o estado se livrar de seus vícios populistas paralisantes e derrotar a bandidagem que exerce poder efetivo sobre o cotidiano de milhões de brasileiros.
Poucos especialistas falam com tanta autoridade sobre a favelização nas metrópoles brasileiras quanto o economista carioca Sérgio Besserman, 52 anos. As últimas estatísticas disponíveis sobre as favelas no país foram produzidas sob sua gestão (1999-2002) como presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Suas opiniões sobre o assunto dão aquele banho de racionalidade que costuma desconcertar o senso comum. Besserman sustenta que retirar os barracos dos morros no Rio de Janeiro é uma solução que, se implementada, vai trazer ganhos econômicos e sociais para toda a população. Diz ele: "A questão precisa ser discutida com rigor lógico, a salvo das influências de ideologias e do romantismo".
A prefeitura e o governo do estado do Rio de Janeiro começaram, na semana passada, a retirar barracos de áreas de risco. Por que nenhum governante fez isso a tempo de evitar tragédias?
Por um misto de incompetência e demagogia. No Rio de Janeiro, a remoção de favelas passou a ser um grande tabu, sustentado por um assistencialismo barato segundo o qual o estado deve prover tudo aos pobres dos morros - ainda que sua permanência ali possa pôr a própria vida em risco e acarretar prejuízos à cidade como um todo. A ideia absurda embutida nesse raciocínio é a de que quem vive em favela é um cidadão especial, que não precisa se submeter nem à Constituição e não tem os mesmos deveres dos outros brasileiros. Sob essa ótica obtusa, remover favelas é visto como uma afronta aos direitos dos mais necessitados. Essa bobagem demagógica tem suas raízes no populismo que há décadas contamina a política fluminense. O inchaço das favelas do Rio é resultado da combinação desses fatores.
Como o populismo contribuiu para a proliferação das favelas?
Historicamente, ele foi a mola propulsora das favelas fluminenses, tendo como seu principal expoente o governador Leonel Brizola, na década de 80, quando se chegou ao auge de proibir a entrada de policiais nas favelas. O resultado foi um surto de ocupações irregulares. Sem polícia, foi dado o sinal verde para o banditismo. Sob o pretexto absurdo de que havia uma dívida social a ser quitada, foram concedidos aos moradores das favelas direitos inacessíveis aos demais brasileiros pobres ou ricos. Enquanto isso, os populistas iam esparramando nos morros seus currais eleitorais, ganhando votos em troca de tijolos, cimento, dentaduras e bicas-d’água. Isso explica a perpetuação dessa classe de políticos em uma sociedade que se pretende moderna. Eles e as favelas estão aí como símbolos do atraso. Quando alguém fala em remoção de barracos, são justamente eles os primeiros a levantar a voz contra. Claro, não querem perder seus currais eleitorais.
A quem mais interessam a perpetuação e o crescimento das favelas no Rio?
Os políticos são apenas os tentáculos mais visíveis de uma enorme rede de ilegalidades que sustenta milhares de pessoas. Prospera no Rio de Janeiro uma indústria da favelização. No braço imobiliário há, de um lado, os grileiros, que invadem terrenos para vender depois, e, do outro, pessoas de fora das favelas que constroem barracos e os alugam. Os bandidos dominam a vida nas favelas. Eles controlam o comércio de botijões de gás e vendem acessos clandestinos às redes de TV a cabo. Os bandidos cobram até uma taxa a título de oferecer proteção aos moradores. É grande, portanto, o grupo dos que lucram com a existência das favelas. Infelizmente, aos poucos a sociedade foi deixando de se espantar com essa aberração urbana, a despeito das atrocidades cometidas a toda hora em plena luz do dia por um estado paralelo.
Por que a aberração foi assimilada?
Isso se deve, em boa medida, a uma visão romântica e evidentemente deturpada sobre as favelas, que começou a ser propagada por parte da esquerda ainda nos anos 70. Essa corrente passou a difundir a ideia de que a convivência entre a cidade formal e o mundo da ilegalidade não apenas era aceitável como deveria ser pacífica. Acabou resultando numa glamourização da bandidagem. Nessa ótica distorcida, criminosos são tratados como líderes populares e toda e qualquer favela ganha apelido de comunidade, ainda que as pessoas vivam ali sob o jugo dos bandidos e à margem da lei. Isso tudo fez do Rio de Janeiro um péssimo exemplo de tolerância e benevolência com o mundo do crime no Brasil. Também não ajudou a combater o surgimento das favelas. Ao contrário: do ponto de vista cultural, só lhes deu legitimidade.
Como reverter a situação em um cenário em que a população das favelas cresce até quatro vezes mais rapidamente do que a da cidade como um todo?
É preciso fazer primeiro o básico do básico: o estado deve recuperar o monopólio da força nos territórios hoje dominados pelos bandidos. As favelas são lugares em que milhões de pessoas vivem sob outras leis que não a do estado de direito democrático. Na prática, elas não estão sob a órbita da Constituição brasileira. Essa ausência de poder público é um padrão que se dissemina também por outras regiões metropolitanas do Brasil, como São Paulo e Brasília - mas em nenhum outro lugar do país o estado deixou tamanho vácuo. Não é viável almejar uma democracia digna e condizente com os avanços do século XXI sem equacionar essa grande anomalia. O estado moderno surgiu, afinal, para garantir a segurança e a paz social. É justamente o oposto da brutalidade que grassa nas favelas do Rio.
O senhor considera a experiência das Unidades de Polícia Pacificadora nas favelas cariocas (em que os traficantes são expulsos e a polícia passa a ocupar permanentemente os morros) uma maneira eficaz de o estado retomar o controle dos territórios em questão?
Diria que o princípio não apenas é acertado como, daqui para a frente, o estado não tem mais o direito de retroceder dessa iniciativa. Finalmente, as autoridades entraram em algumas favelas e retomaram o poder, primeiro passo de um processo civilizatório que precisa continuar.
Por que a remoção de barracos é uma solução?
Em contradição com a opinião dominante, acho que há muitos casos em que a remoção se justifica. Antes de tudo, é preciso começar a tratar essa questão com a objetividade que ela requer, longe da sombra da ideologia e dos interesses escusos. Não há como discordar da ideia de que alguém que tenha seu barraco fincado sobre os restos de um antigo lixão, como é o caso de dezoito favelas no Rio, deve ser retirado imediatamente de lá. O mesmo vale para quem tem a casa espetada à beira de um precipício, em flagrante situação de risco. Até aí, prevalece um relativo consenso. No entanto é preciso ir além, encarando uma questão de fundo econômico que é central mas foi posta de lado no debate: as áreas favelizadas provocam uma acentuada degradação da paisagem da cidade, um ativo cujo valor é incalculável. Portanto, quando uma análise de custo-benefício revelar que a realocação de uma favela trará retorno financeiro e social elevado, por que razões não cogitar sua remoção?
Como exatamente a economia da cidade se beneficia de uma remoção?
A Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da Zona Sul carioca, é um caso emblemático dos aspectos positivos que podem se seguir a uma remoção. Quando uma favela foi retirada dali, em 1970, os imóveis da região, cujos valores vinham sendo depreciados, inverteram a curva e passaram a se valorizar, aumentando a riqueza do bairro e da cidade, em benefício de todos. A riqueza é destruída no mesmo ritmo em que a favelização se alastra. Os mais pobres também perdem quando a riqueza deixa de ser criada ou é destruída. Os mais pobres são sempre os mais vulneráveis economicamente. Não tenho dúvida de que a política de remoção de favelas, que muitos ideólogos por aí definem como elitista, pode ser inclusiva, proporcionando mais benefícios do que prejuízos à maioria. O discurso da não remoção é um discurso antipobre.
Por que o estado chegou tão perto de remover certas favelas do Rio, mas acabou voltando atrás?
Além de toda aquela gente que se beneficia da indústria da favelização e faz pressão contra, a ação de pessoas bem-intencionadas também atrapalhou. Veja o que aconteceu no Morro Dona Marta, em Botafogo, outro endereço valorizado da Zona Sul. Na década de 60, quando ali havia uns poucos barracos, o governo anunciou que faria a remoção. Mas setores ligados à Igreja, sob a liderança do então bispo auxiliar do Rio, Dom Helder Câmara, se insurgiram. O resultado foi previsível. A resistência incentivou a vinda de mais e mais moradores, e o Rio perdeu mais uma vez.
O que fazer no caso daqueles morros que já atingiram dezenas de milhares de habitantes, como a Rocinha?
Feitas as contas, existe um consenso de que é muito mais simples e barato urbanizar essas favelas do que removê-las. A ideia central não é apenas prover os serviços nos moldes do velho assistencialismo, mas cobrar por eles, o que é natural com a inclusão dessas pessoas na economia formal da cidade. É preciso ter em mente que 1,3 milhão de habitantes do Rio pertencem ao mundo informal dos morros - o que representa um de cada cinco moradores. A entrada desse contingente na economia formal teria efeito muito positivo para a cidade. Isso depende da implantação de uma política habitacional séria, área em que os governos brasileiros em todos os níveis são tradicionalmente omissos.
Há algum sinal de melhora nesse cenário?
Do ponto de vista das políticas públicas, não houve nenhuma novidade relevante nos últimos anos. Mas é preciso reconhecer que o atual ambiente macroeconômico aumenta as chances de avanço. A começar pelo fato de que não existe mais aquele cenário de inflação galopante, que inviabilizava o acesso ao crédito imobiliário para todos os estratos de renda. Habitação é o tipo de demanda que não pode ficar insatisfeita: se o governo não tem uma boa política, as pessoas dão o seu jeito, como tem ocorrido nas favelas brasileiras desde a década de 50. Instalar-se nelas pode até ter sido uma solução boa individualmente para quem não tinha um teto sob o qual morar - mas para as grandes cidades em todo o país significou um verdadeiro desastre.
Como mensurar isso?
A experiência internacional mostra - e o caso brasileiro confirma - que a presença maciça de favelas afeta o ambiente de negócios e faz reduzir as chances de uma cidade competir globalmente. Está comprovado que um cartão-postal degradado e grandes áreas tomadas pela informalidade e pela violência são fatores decisivos para prejudicar a dinâmica econômica e afugentar investidores. Olhe o que está acontecendo no México, onde os cartéis da droga passaram a controlar grandes territórios e se tornaram um dos principais obstáculos ao aumento da competitividade do país. O Brasil ainda não chegou a esse ponto, mas caminhará para isso se não der fim ao controle territorial exercido por bandidos nas regiões metropolitanas.
Há perspectivas de que as favelas deixem de existir a longo prazo?
Para mim, a melhor de todas as definições de favela é a que a descreve como um território à margem das leis que regem o restante da cidade. Elas começarão a deixar de ser favelas quando o estado se livrar de seus vícios populistas paralisantes e derrotar a bandidagem que exerce poder efetivo sobre o cotidiano de milhões de brasileiros.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
EUA: cisco no olho alheio
Por Deisy Francis Mexidor. Retirado do portal Socialismo e Liberdade.
Havana (PL) - Os Estados Unidos continuam sendo o primeiro país consumidor e produtor de drogas no mundo, enquanto seu governo se dedica a condenar os outros.
Isso é um segredo a boca pequena que a Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE) corroborou num informe publicado no último 24 de fevereiro.
De acordo com o informe, essa nação leva a dianteira no consumo de cocaína e é o principal produtor de maconha, incluindo variedades transgênicas do alucinógeno.
A JIFE, instância subsidiária da ONU que monitora o comportamento da denominada luta antidroga internacionalmente, sinalizou que a obtenção desse narcótico alcança ali umas 10 mil toneladas anuais.
Tal cifra oferece dividendos maiores que produtos alimentícios como o trigo, o feno, os vegetais e outras rubricas.
Mas resulta mais impactante ainda o dado de que em 2008 se detectaram ao redor de 5,3 milhões de consumidores de cocaína e seus derivados entre todos os indivíduos de 12 ou mais anos de idade, ou quase 2,1% da população estadunidense.
Além disso, só nesse alcalóide, os norte-americanos são depositários de um terço da produção mundial, publicou um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os números demonstram que o lamentável vínculo com as drogas se extende pelo território nacional e mais de 72 milhões de habitantes admitem haver provado estupefacientes alguma vez.
Do mesmo modo, o fizeram 41% dos jovens em distintos níveis de ensino, enquanto 62% dos estudantes secundaristas estudam em centros onde se trafica com narcóticos, assegura a OMS.
O suculento e mortal negócio deixa excelentes lucros: mais de 100 bilhões de dólares anuais se movem numa sociedade onde o consumo se anota como base do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Entretanto, as autoridades confiscam apenas 1% de todo o torturante negócio.
As granjas da droga
O jornal colombiano El Tiempo publicou há um ano que o estado da Califórnia é território praticamente livre para cultivar, vender e fumar maconha.
Os condados de Mendocino, Chino, Trinity e Humboldt vivem desta planta e o mais interesante é que várias normas facilitam sua prosperidade.
Uma delas autoriza o emprego médico do produto, pretexto sob o qual crescem e circulam milhares de quilos do estupefaciente anualmente.
O sítio digital Só opiniões descreve num artigo do dia 4 de março passado que não muito longe das cascatas de Yosemite e justamente no meio do Parque Nacional Redwood, no denominado Estado Dorado, os carteis da droga se apropriam de terras para plantar maconha com a ajuda de imigrantes ilegais.
Neste negócio, a cada ano, as autoridades estaduais e federais encontram ao redor de um milhão de plantas a mais do que em igual período prévio, enquanto se estima que até 90% das estâncias dedicadas a este negócio se relacionam com grupos de narcotraficantes mexicanos.
Segundo analistas, cultivar a erva do lado norte-americano evita aos tratantes de droga os riscos de introduzir o alucinógeno pela fronteira comum e, por suposto, lhes permite ter essas colheitas mais próximas do principal mercado a que estão dirigidas.
Outros sítios onde crescem as colheitas são o Parque Nacional Sequoya e as Montanhas da Serra Nevada.
Inclusive o legislador Tom Ammiano chegou a impulsionar um projeto para fixar à maconha 50 dólares de imposto por onça, o que equivale a legalizá-la e, de passagem, obter ao ano milhões de dólares dos contribuintes que a consomem por qualquer razão.
Uma reportagem do diário The New Yorker de julho de 2008 revelou que só na Califórnia crescem 20 milhões de plantas de cannabis e que sua manufatura se multiplicou por 10 entre 1981 e 2006.
É hoje "o produto agrícola de venda ao varejo mais importante" do país, acima até mesmo da mandioca, sublinha o jornal da Colômbia.
Em 29 de março, a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, em declarações à CTV, do Canadá, reconheceu que em termos de narcotráfico "muitos dos problemas do México se devem a nós. Somos um mercado de drogas, temos a demanda".
A Clinton, assistiu uma reunião de dois dias de ministros de Assuntos Exteriores do G8 e em sua intervenção pública assinalou que "pela primeira vez, os Estados Unidos estão dizendo que somos parte do problema, assim que temos que ser parte da solução".
Em 5 de março, durante um périplo por países da América Latina, a chefa da diplomacia estadunidense também admitiu num encontro com jornalistas na Guatemala que seu país é o maior consumidor de drogas da região.
Segundo resenharam os repórteres noticiosos, a funcionária do governo de Barack Obama ficou muda quando lhe preguntaram acerca do que faz seu país para reduzir a demanda de estupefacientes.
A única coisa que repetiu feito um disco arranhado: "Os Estados Unidos são parte do problema do narcotráfico na América Latina e devem reduzir a demanda de drogas", nada mais.
De maneira que resultam ilógicos e incongruentes os continuos informes de Washington em que se levantam acusações sobre o tema da droga contra outros países.
A Casa Branca joga o cisco no olho alheio e justifica assim a proliferação de bases militares do Pentágono na América Latina, para uma suposta luta antidrogas.
Sem embargo, o principal problema o têm em casa. De fato, pilotos do Departamento Antidrogas (DEA), citados por uma cadeia de televisão, expressaram que "ninguém produz maconha tão boa como a que se cultiva aqui" (nos Estados Unidos).
Deisy Francis Mexidor é jornalista da Redação América do Norte da Prensa Latina.
Havana (PL) - Os Estados Unidos continuam sendo o primeiro país consumidor e produtor de drogas no mundo, enquanto seu governo se dedica a condenar os outros.
Isso é um segredo a boca pequena que a Junta Internacional de Fiscalização de Estupefacientes (JIFE) corroborou num informe publicado no último 24 de fevereiro.
De acordo com o informe, essa nação leva a dianteira no consumo de cocaína e é o principal produtor de maconha, incluindo variedades transgênicas do alucinógeno.
A JIFE, instância subsidiária da ONU que monitora o comportamento da denominada luta antidroga internacionalmente, sinalizou que a obtenção desse narcótico alcança ali umas 10 mil toneladas anuais.
Tal cifra oferece dividendos maiores que produtos alimentícios como o trigo, o feno, os vegetais e outras rubricas.
Mas resulta mais impactante ainda o dado de que em 2008 se detectaram ao redor de 5,3 milhões de consumidores de cocaína e seus derivados entre todos os indivíduos de 12 ou mais anos de idade, ou quase 2,1% da população estadunidense.
Além disso, só nesse alcalóide, os norte-americanos são depositários de um terço da produção mundial, publicou um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Os números demonstram que o lamentável vínculo com as drogas se extende pelo território nacional e mais de 72 milhões de habitantes admitem haver provado estupefacientes alguma vez.
Do mesmo modo, o fizeram 41% dos jovens em distintos níveis de ensino, enquanto 62% dos estudantes secundaristas estudam em centros onde se trafica com narcóticos, assegura a OMS.
O suculento e mortal negócio deixa excelentes lucros: mais de 100 bilhões de dólares anuais se movem numa sociedade onde o consumo se anota como base do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
Entretanto, as autoridades confiscam apenas 1% de todo o torturante negócio.
As granjas da droga
O jornal colombiano El Tiempo publicou há um ano que o estado da Califórnia é território praticamente livre para cultivar, vender e fumar maconha.
Os condados de Mendocino, Chino, Trinity e Humboldt vivem desta planta e o mais interesante é que várias normas facilitam sua prosperidade.
Uma delas autoriza o emprego médico do produto, pretexto sob o qual crescem e circulam milhares de quilos do estupefaciente anualmente.
O sítio digital Só opiniões descreve num artigo do dia 4 de março passado que não muito longe das cascatas de Yosemite e justamente no meio do Parque Nacional Redwood, no denominado Estado Dorado, os carteis da droga se apropriam de terras para plantar maconha com a ajuda de imigrantes ilegais.
Neste negócio, a cada ano, as autoridades estaduais e federais encontram ao redor de um milhão de plantas a mais do que em igual período prévio, enquanto se estima que até 90% das estâncias dedicadas a este negócio se relacionam com grupos de narcotraficantes mexicanos.
Segundo analistas, cultivar a erva do lado norte-americano evita aos tratantes de droga os riscos de introduzir o alucinógeno pela fronteira comum e, por suposto, lhes permite ter essas colheitas mais próximas do principal mercado a que estão dirigidas.
Outros sítios onde crescem as colheitas são o Parque Nacional Sequoya e as Montanhas da Serra Nevada.
Inclusive o legislador Tom Ammiano chegou a impulsionar um projeto para fixar à maconha 50 dólares de imposto por onça, o que equivale a legalizá-la e, de passagem, obter ao ano milhões de dólares dos contribuintes que a consomem por qualquer razão.
Uma reportagem do diário The New Yorker de julho de 2008 revelou que só na Califórnia crescem 20 milhões de plantas de cannabis e que sua manufatura se multiplicou por 10 entre 1981 e 2006.
É hoje "o produto agrícola de venda ao varejo mais importante" do país, acima até mesmo da mandioca, sublinha o jornal da Colômbia.
Em 29 de março, a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton, em declarações à CTV, do Canadá, reconheceu que em termos de narcotráfico "muitos dos problemas do México se devem a nós. Somos um mercado de drogas, temos a demanda".
A Clinton, assistiu uma reunião de dois dias de ministros de Assuntos Exteriores do G8 e em sua intervenção pública assinalou que "pela primeira vez, os Estados Unidos estão dizendo que somos parte do problema, assim que temos que ser parte da solução".
Em 5 de março, durante um périplo por países da América Latina, a chefa da diplomacia estadunidense também admitiu num encontro com jornalistas na Guatemala que seu país é o maior consumidor de drogas da região.
Segundo resenharam os repórteres noticiosos, a funcionária do governo de Barack Obama ficou muda quando lhe preguntaram acerca do que faz seu país para reduzir a demanda de estupefacientes.
A única coisa que repetiu feito um disco arranhado: "Os Estados Unidos são parte do problema do narcotráfico na América Latina e devem reduzir a demanda de drogas", nada mais.
De maneira que resultam ilógicos e incongruentes os continuos informes de Washington em que se levantam acusações sobre o tema da droga contra outros países.
A Casa Branca joga o cisco no olho alheio e justifica assim a proliferação de bases militares do Pentágono na América Latina, para uma suposta luta antidrogas.
Sem embargo, o principal problema o têm em casa. De fato, pilotos do Departamento Antidrogas (DEA), citados por uma cadeia de televisão, expressaram que "ninguém produz maconha tão boa como a que se cultiva aqui" (nos Estados Unidos).
Deisy Francis Mexidor é jornalista da Redação América do Norte da Prensa Latina.
O papa e o ateu
Por Ivan Lessa, no portal BBC Brasil.
E no oitavo dia Deus criou Richard Dawkins. Sendo que Richard Dawkins viu que isso era bom e logo se declarou o maior ateísta vivo.
Em suas peregrinações, Richard Dawkins, além de professor para a Compreensão Pública da Ciência, na Universidade de Oxford, tornou-se afamado etologista, biólogo evolucionário e divulgador científico, além de ser tido como um dos mais importantes acadêmicos britânicos. Dawkins insiste no fato de que religião, criacionismo e tudo aquilo que se assemelhe a uma ou outra coisa é pura “pseudociência”. Seu livro, A Ilusão de Deus, vendeu milhões de exemplares e qualquer coisa que tenha uma “inteligência superior” a designar e criar nossos destinos é prontamente atacada por ele em texto mais que virulento.
Richard Dawkins agora está nas primeiras páginas dos jornais, pois se há uma coisa em que ele acredita piamente, se assim se pode dizer, é no poder da imprensa. Juntamente com o jornalista britânico expatriado para os Estados Unidos Christopher Hitchens, Dawkins veio a público – mas muito público mesmo – para anunciar que, no decorrer da já marcada visita do papa Bento 16 às cidades de Glasgow e Cantuária, nestas ilhas, em setembro próximo, o Sumo Pontífice receberá voz de prisão, conforme divulgou o advogado de ambos os ateístas, Mark Stephens.
“Teja preso, seu papa!”, dirá Dawkins? Que argumentou ainda que, do ponto de vista jurídico, o papa não tem direito à proteção oferecida a outros soberanos em visita a este país, uma vez que a estada papal é classificada como estatal e o papa não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas. Trata-se do mesmo raciocínio e princípio legal que levou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet a ser preso quando de sua passagem pelo Reino Unido em 1998.
Causa da prisão, segundo a dupla e seu advogado: o papa teria acobertado os crimes de abuso sexual ocorridos dentro da Igreja Católica. Pedofilia desenfreada, para tratar do assunto, digamos assim, sem papas na língua.
No fim de semana que passou, o Papa se viu envolvido em nova controvérsia em vista da divulgação de uma carta, por ele assinada, em que, no ano de 1985, manifestava-se contra a excomunhão de um padre norte-americano que teria cometido violências sexuais contra dois meninos. À época, o papa estava encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé (que já teve, há um bom tempo, o nome de Suprema e Sacra Consagração da Inquisição Universal), que, justamente, lida com casos de abusos sexuais.
Christopher Hitchens, autor de um livro muito popular intitulado Deus Não é Grande, declarou que o Papa “não se encontra nem acima nem fora do alcance da lei. A supressão institucionalizada de estupro infantil é um crime diante de qualquer lei e exige algo mais que uma cerimônia pública de arrependimento ou pagamentos financiados pela Igreja: exige justiça e punição.”
Acrescentou ainda Mark Stephens, o advogado de ambos ativistas ateus: “Os tribunais examinarão as reivindicações de imunidade. No meu entender, no entanto, acredito que um tribunal inglês as rejeitará.”
Richard Dawkins, no domingo passado, lá estava na primeira página de mais de um jornal: “Eu vou prender o papa”.
O Vaticano, até o momento em que estas linhas foram batidas, não respondera e a visita continua de pé.
E no oitavo dia Deus criou Richard Dawkins. Sendo que Richard Dawkins viu que isso era bom e logo se declarou o maior ateísta vivo.
Em suas peregrinações, Richard Dawkins, além de professor para a Compreensão Pública da Ciência, na Universidade de Oxford, tornou-se afamado etologista, biólogo evolucionário e divulgador científico, além de ser tido como um dos mais importantes acadêmicos britânicos. Dawkins insiste no fato de que religião, criacionismo e tudo aquilo que se assemelhe a uma ou outra coisa é pura “pseudociência”. Seu livro, A Ilusão de Deus, vendeu milhões de exemplares e qualquer coisa que tenha uma “inteligência superior” a designar e criar nossos destinos é prontamente atacada por ele em texto mais que virulento.
Richard Dawkins agora está nas primeiras páginas dos jornais, pois se há uma coisa em que ele acredita piamente, se assim se pode dizer, é no poder da imprensa. Juntamente com o jornalista britânico expatriado para os Estados Unidos Christopher Hitchens, Dawkins veio a público – mas muito público mesmo – para anunciar que, no decorrer da já marcada visita do papa Bento 16 às cidades de Glasgow e Cantuária, nestas ilhas, em setembro próximo, o Sumo Pontífice receberá voz de prisão, conforme divulgou o advogado de ambos os ateístas, Mark Stephens.
“Teja preso, seu papa!”, dirá Dawkins? Que argumentou ainda que, do ponto de vista jurídico, o papa não tem direito à proteção oferecida a outros soberanos em visita a este país, uma vez que a estada papal é classificada como estatal e o papa não é um chefe de estado reconhecido pelas Nações Unidas. Trata-se do mesmo raciocínio e princípio legal que levou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet a ser preso quando de sua passagem pelo Reino Unido em 1998.
Causa da prisão, segundo a dupla e seu advogado: o papa teria acobertado os crimes de abuso sexual ocorridos dentro da Igreja Católica. Pedofilia desenfreada, para tratar do assunto, digamos assim, sem papas na língua.
No fim de semana que passou, o Papa se viu envolvido em nova controvérsia em vista da divulgação de uma carta, por ele assinada, em que, no ano de 1985, manifestava-se contra a excomunhão de um padre norte-americano que teria cometido violências sexuais contra dois meninos. À época, o papa estava encarregado da Congregação para a Doutrina da Fé (que já teve, há um bom tempo, o nome de Suprema e Sacra Consagração da Inquisição Universal), que, justamente, lida com casos de abusos sexuais.
Christopher Hitchens, autor de um livro muito popular intitulado Deus Não é Grande, declarou que o Papa “não se encontra nem acima nem fora do alcance da lei. A supressão institucionalizada de estupro infantil é um crime diante de qualquer lei e exige algo mais que uma cerimônia pública de arrependimento ou pagamentos financiados pela Igreja: exige justiça e punição.”
Acrescentou ainda Mark Stephens, o advogado de ambos ativistas ateus: “Os tribunais examinarão as reivindicações de imunidade. No meu entender, no entanto, acredito que um tribunal inglês as rejeitará.”
Richard Dawkins, no domingo passado, lá estava na primeira página de mais de um jornal: “Eu vou prender o papa”.
O Vaticano, até o momento em que estas linhas foram batidas, não respondera e a visita continua de pé.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Caras de Curitiba: mulheres
A nota abaixo nominou alguns homens que são a cara de Curitiba. E as mulheres? A elas, pois. In memoriam: Odelair Rodrigues, Helena Kolody, Fanchette Rischbieter e Fani Lerner. Deste mundo, alguns exemplos: Maristela Quarenghi de Mello e Silva, Adélia Lopes, Rogéria Holtz (cantando Imobiliária Noruega no rádio é muito divertido), Regina Bastos, Tonica (está em Nova York, mas continua a cara de Curitiba), Mara do Kapelle, Alice Ruiz (volta, Alice), Lina Faria, as irmãs Teixeira, as irmãs Jayne e Carminha Sunyé, Oksana Boruczenko, Mônica Rischbieter, Miriam Karam, Roberta Canetti (a voz de Curitiba no rádio), a Borboleta 33 (está agora na Zacarias). Vai pensando que tem mais.
Para Ivo, da Blindagem
Retirado do Blog do Zé Beto (www.jornale.com.br)
Antes dele: Ivo, como Paulo Leminski, Mazza, Kruger e Sicupira, Dalton, Chaim e uns poucos, era a cara de Curitiba. Falando nisso, o Paulinho Teixeira tá a cara do Tommy Lee Jones (preste atenção na figura). Paulinho, por sinal, é outra cara de Curitiba. Longa vida à Blindagem.
Ivo era a voz. A voz do rock paranaense. Não se conhece outra. Porque tinha a força da música. Se houvesse carteirinha para roqueiro, ele teria a de número um. Foi assim até se despedir nesta madrugada. Como roqueiro, também atravessou outras fronteiras. Para experimentar. Para viver. Há um limite tênue entre o que a mente pensa e o que o corpo aguenta. Há uma confusão perigosa entre o talento que se tem, um dom divino, e o que se imagina alcançar em vôos perigosos. Tive poucos contato com Ivo. Antes de me esborrachar e sobreviver, encontrei-o numa chácara. Não voamos juntos naquela ocasião. Mas quase. Sempre o ouvi. De vez em quanto via sua cabeleira transitando pelas ruas desta cidade nestas três décadas. Lá vai um grande roqueiro, pensava. E blueseiro. Mas o que gostava mesmo é quando ele soltava a voz nas baladas cantando coisas daqui, da terra, da gente paranaense. E vinha imagem, cheiro, emoção embalada na doçura que sempre saiu daquela alma. Rock rural? Sei lá! Era o talento puro de um eterno menino que vai fazer falta. Amém.
Antes dele: Ivo, como Paulo Leminski, Mazza, Kruger e Sicupira, Dalton, Chaim e uns poucos, era a cara de Curitiba. Falando nisso, o Paulinho Teixeira tá a cara do Tommy Lee Jones (preste atenção na figura). Paulinho, por sinal, é outra cara de Curitiba. Longa vida à Blindagem.
Ivo era a voz. A voz do rock paranaense. Não se conhece outra. Porque tinha a força da música. Se houvesse carteirinha para roqueiro, ele teria a de número um. Foi assim até se despedir nesta madrugada. Como roqueiro, também atravessou outras fronteiras. Para experimentar. Para viver. Há um limite tênue entre o que a mente pensa e o que o corpo aguenta. Há uma confusão perigosa entre o talento que se tem, um dom divino, e o que se imagina alcançar em vôos perigosos. Tive poucos contato com Ivo. Antes de me esborrachar e sobreviver, encontrei-o numa chácara. Não voamos juntos naquela ocasião. Mas quase. Sempre o ouvi. De vez em quanto via sua cabeleira transitando pelas ruas desta cidade nestas três décadas. Lá vai um grande roqueiro, pensava. E blueseiro. Mas o que gostava mesmo é quando ele soltava a voz nas baladas cantando coisas daqui, da terra, da gente paranaense. E vinha imagem, cheiro, emoção embalada na doçura que sempre saiu daquela alma. Rock rural? Sei lá! Era o talento puro de um eterno menino que vai fazer falta. Amém.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Messi se merienda al Arsenal
Retirado do El País (versão on-line), o melhor jornal do mundo.
RAMON BESA - Barcelona - 06/04/2010
Messi apenas habla y cuando abre la boca no siempre se sabe lo que ha dicho. La revista norteamericana Time ni siquiera le ha incluido en la lista de los 200 personajes más famosos del mundo porque se supone que no tiene gancho mediático para competir con figuras como Tiger Woods. Tampoco se pone el brazalete porque las funciones de capitán le distraerían de su condición de futbolista: nadie se le imagina firmando el acta arbitral ni sorteando el campo. A Messi sólo le gusta jugar a fútbol y marcar goles. No tiene envoltorio. Nadie sabe si le estimula que le comparen con Maradona, con Ronaldo y con Higuaín. Tampoco hay noticias sobre cómo le afecta que los demás discutan sobre su progresión y reinado, y claro está, por las causas de su difícil encaje con Argentina.. No hay dudas, en cambio, de que a Messi sólo le interesa el recreo, momento en que se pide la pelota, se vuelve competitivo y resuelve el partido más difícil. Los niños no preguntan sino que solamente salen a jugar al patio.
Los silencios de Messi son tan difíciles de interpretar como sus muecas. El secreto está en generar las mejores condiciones para que sólo se ocupe de jugar a fútbol, y Guardiola le ha encontrado el mejor sitio para su triunfo en el Barcelona. Ayer le tenía ganas al Arsenal, sobre todo porque los ingleses no le tienen todavía muy bien considerado, o al menos le sitúan un peldaño por debajo de Rooney, como si no fuera un jugador completo porque se escapa de la lógica del fútbol y de las leyes del juego británico. No tiene épica. Messi es sobre todo Messi FC. Anoche se merendó al Arsenal con un monólogo espectacular por sus jugadas, por sus goles, por su ascendente sobre un equipo rebajado por las bajas, exigido por el calendario, necesitado de una figura como la de Messi. La noche pedía un redentor en tiempos de resurrección y apareció la pulga con un póker de goles.
Al Barcelona le resultó muy difícil jugar la vuelta como equipo después del impacto que provocó su juego en la ida. Una ronda que tenía que haber quedado resuelta en un cuarto de hora se alargaba hora y media en el Camp Nou para suerte del Arsenal, feliz por disponer de una segunda oportunidad tras salvar el pellejo en su cancha, dispuesto a corregirse y protagonizar la sorpresa frente al favorito y campeón. El factor campo pudo condicionar además la alineación del Barça. Lesionado Ibrahimovic, jugar en casa abonó seguramente la presencia de Bojan, que se ha ganado a la hinchada por el absentismo de Henry, mientras que la titularidad de Márquez se imponía por las ausencias de Piqué y Puyol.
El Arsenal no sólo leyó bien la formación del Barça sino que aprendió mucho del encuentro de Londres. Los ingleses dejaron la pelota en terreno barcelonista y bloquearon la salida de los zagueros y medios con una buena presión y organización. Tapadas las líneas de pase y abatido Xavi de forma reiterada con faltas tácticas, era muy difícil filtrar el balón en el campo del Arsenal, parapetado en los pies de Almunia y confiado en la velocidad de Walcott, desequilibrante en la transición. No salía ni llegaba el agarrotado Barça de tan pequeño como quedó el campo. El partido se puso peligroso para los azulgrana. No había manera de tocar, de combinar y, a cambio, cada pérdida de balón era un riesgo.
Milito se extralimitó en la conducción, Diaby le rebanó el cuero con la anuencia arbitral y profundizó para Walcott, cuyo centro fue doblemente rematado por Bendtner a la red. Avalado por su superioridad física, manifiesta en el cuerpo a cuerpo, el Arsenal estaba decidido a explotar cada pelota dividida para armar la contra con rapidez. Nadie le exigía al fin y al cabo que atacara ni se le reprochará que renunciara a su estilo. Y menos ante las ausencias de Cesc, de Song, de Arshavin, de Gallas. El fin justificaba los medios frente al Barça. A los azulgrana no les quedó más remedio que inventar un nuevo partido después que los ingleses hubieran dado con el antídoto. Al rescate acudió Messi, imposible de defender cuando se pone en marcha.
El Barça fue más que nunca el Messi FC. El 10 monopolizó el partido. Los seis tiros del equipo azulgrana antes del descanso fueron suyos y dejó tres goles espectaculares, igualmente bellos, especialmente celebrados. Messi enganchó un zurdazo desde la frontal del área tras un rebote de Silvestres, después cruzó con la derecha una asistencia de Pedro y más tarde picó sobre la salida del portero un balón en profundidad servido por Keita. Tres maneras diferentes de golear en un partido difícil, de palabras mayores. Messi estuvo tan preciso como intenso: alcanzados los 38 tantos en 43 partidos, Messi se dio un respiro y el Arsenal volvió a anudar el partido. El segundo acto nunca remontó el vuelo por el impacto que había provocado Messi. El argentino estuvo muy por encima del encuentro y nadie discutió su protagonismo, ni los rivales ni sus compañeros, que estuvieron serios y agresivos Guardiola siempre le mantiene en el campo porque si lo sustituyera sería como mandarle a por el pan. Messi siempre garantiza que puede pasar algo maravilloso, y ayer volvió a suceder: metió un cuarto gol, el 39, después de un doble remate cuando el partido expiraba, la mejor manera de sellar el pase del Barça a las semifinales por tercer año consecutivo. Messi es un genio del fútbol. Acabada la jornada, recogió el balón y no será noticia hasta el próximo partido. Que nadie le pregunte nada ni busque sus palabras. La pulga solo se explica en el patio de recreo. No tiene épica sino encanto.
Barcelona 4 - Arsenal 1
Barcelona: Valdés; Alves, Márquez, Milito, Abidal (Maxwell, m. 53); Xavi, Busquets; Messi; Pedro (Iniesta, m. 86), Bojan (Touré, m. 56) y Keita. No utilizados: Pinto; Fontás, Henry y Jeffren.
Arsenal: Almunia; Sagna, Vermaelen, Silvestre (Eboué, m. 63), Clichy; Denilson, Diaby; Walcott, Nasri, Rosicky (Eduardo, m. 73); y Bendtner. No utilizados: Fabiansky; Traoré, Mérida, Campbell y Eastmond.
Goles: 0-1. M. 18. Bendtner. 1-1. M. 21. Messi. 2-1. M. 37. Messi. 3-1. M. 42. Messi. 4-1. M. 88. Messi.
Árbitro: Wolfgang Stark (Alemania). Amonestó a Denilson, Rosicky y Eboué.
93.330 espectadores en el Camp Nou. El Barça se clasifica por un global de 6-3.
RAMON BESA - Barcelona - 06/04/2010
Messi apenas habla y cuando abre la boca no siempre se sabe lo que ha dicho. La revista norteamericana Time ni siquiera le ha incluido en la lista de los 200 personajes más famosos del mundo porque se supone que no tiene gancho mediático para competir con figuras como Tiger Woods. Tampoco se pone el brazalete porque las funciones de capitán le distraerían de su condición de futbolista: nadie se le imagina firmando el acta arbitral ni sorteando el campo. A Messi sólo le gusta jugar a fútbol y marcar goles. No tiene envoltorio. Nadie sabe si le estimula que le comparen con Maradona, con Ronaldo y con Higuaín. Tampoco hay noticias sobre cómo le afecta que los demás discutan sobre su progresión y reinado, y claro está, por las causas de su difícil encaje con Argentina.. No hay dudas, en cambio, de que a Messi sólo le interesa el recreo, momento en que se pide la pelota, se vuelve competitivo y resuelve el partido más difícil. Los niños no preguntan sino que solamente salen a jugar al patio.
Los silencios de Messi son tan difíciles de interpretar como sus muecas. El secreto está en generar las mejores condiciones para que sólo se ocupe de jugar a fútbol, y Guardiola le ha encontrado el mejor sitio para su triunfo en el Barcelona. Ayer le tenía ganas al Arsenal, sobre todo porque los ingleses no le tienen todavía muy bien considerado, o al menos le sitúan un peldaño por debajo de Rooney, como si no fuera un jugador completo porque se escapa de la lógica del fútbol y de las leyes del juego británico. No tiene épica. Messi es sobre todo Messi FC. Anoche se merendó al Arsenal con un monólogo espectacular por sus jugadas, por sus goles, por su ascendente sobre un equipo rebajado por las bajas, exigido por el calendario, necesitado de una figura como la de Messi. La noche pedía un redentor en tiempos de resurrección y apareció la pulga con un póker de goles.
Al Barcelona le resultó muy difícil jugar la vuelta como equipo después del impacto que provocó su juego en la ida. Una ronda que tenía que haber quedado resuelta en un cuarto de hora se alargaba hora y media en el Camp Nou para suerte del Arsenal, feliz por disponer de una segunda oportunidad tras salvar el pellejo en su cancha, dispuesto a corregirse y protagonizar la sorpresa frente al favorito y campeón. El factor campo pudo condicionar además la alineación del Barça. Lesionado Ibrahimovic, jugar en casa abonó seguramente la presencia de Bojan, que se ha ganado a la hinchada por el absentismo de Henry, mientras que la titularidad de Márquez se imponía por las ausencias de Piqué y Puyol.
El Arsenal no sólo leyó bien la formación del Barça sino que aprendió mucho del encuentro de Londres. Los ingleses dejaron la pelota en terreno barcelonista y bloquearon la salida de los zagueros y medios con una buena presión y organización. Tapadas las líneas de pase y abatido Xavi de forma reiterada con faltas tácticas, era muy difícil filtrar el balón en el campo del Arsenal, parapetado en los pies de Almunia y confiado en la velocidad de Walcott, desequilibrante en la transición. No salía ni llegaba el agarrotado Barça de tan pequeño como quedó el campo. El partido se puso peligroso para los azulgrana. No había manera de tocar, de combinar y, a cambio, cada pérdida de balón era un riesgo.
Milito se extralimitó en la conducción, Diaby le rebanó el cuero con la anuencia arbitral y profundizó para Walcott, cuyo centro fue doblemente rematado por Bendtner a la red. Avalado por su superioridad física, manifiesta en el cuerpo a cuerpo, el Arsenal estaba decidido a explotar cada pelota dividida para armar la contra con rapidez. Nadie le exigía al fin y al cabo que atacara ni se le reprochará que renunciara a su estilo. Y menos ante las ausencias de Cesc, de Song, de Arshavin, de Gallas. El fin justificaba los medios frente al Barça. A los azulgrana no les quedó más remedio que inventar un nuevo partido después que los ingleses hubieran dado con el antídoto. Al rescate acudió Messi, imposible de defender cuando se pone en marcha.
El Barça fue más que nunca el Messi FC. El 10 monopolizó el partido. Los seis tiros del equipo azulgrana antes del descanso fueron suyos y dejó tres goles espectaculares, igualmente bellos, especialmente celebrados. Messi enganchó un zurdazo desde la frontal del área tras un rebote de Silvestres, después cruzó con la derecha una asistencia de Pedro y más tarde picó sobre la salida del portero un balón en profundidad servido por Keita. Tres maneras diferentes de golear en un partido difícil, de palabras mayores. Messi estuvo tan preciso como intenso: alcanzados los 38 tantos en 43 partidos, Messi se dio un respiro y el Arsenal volvió a anudar el partido. El segundo acto nunca remontó el vuelo por el impacto que había provocado Messi. El argentino estuvo muy por encima del encuentro y nadie discutió su protagonismo, ni los rivales ni sus compañeros, que estuvieron serios y agresivos Guardiola siempre le mantiene en el campo porque si lo sustituyera sería como mandarle a por el pan. Messi siempre garantiza que puede pasar algo maravilloso, y ayer volvió a suceder: metió un cuarto gol, el 39, después de un doble remate cuando el partido expiraba, la mejor manera de sellar el pase del Barça a las semifinales por tercer año consecutivo. Messi es un genio del fútbol. Acabada la jornada, recogió el balón y no será noticia hasta el próximo partido. Que nadie le pregunte nada ni busque sus palabras. La pulga solo se explica en el patio de recreo. No tiene épica sino encanto.
Barcelona 4 - Arsenal 1
Barcelona: Valdés; Alves, Márquez, Milito, Abidal (Maxwell, m. 53); Xavi, Busquets; Messi; Pedro (Iniesta, m. 86), Bojan (Touré, m. 56) y Keita. No utilizados: Pinto; Fontás, Henry y Jeffren.
Arsenal: Almunia; Sagna, Vermaelen, Silvestre (Eboué, m. 63), Clichy; Denilson, Diaby; Walcott, Nasri, Rosicky (Eduardo, m. 73); y Bendtner. No utilizados: Fabiansky; Traoré, Mérida, Campbell y Eastmond.
Goles: 0-1. M. 18. Bendtner. 1-1. M. 21. Messi. 2-1. M. 37. Messi. 3-1. M. 42. Messi. 4-1. M. 88. Messi.
Árbitro: Wolfgang Stark (Alemania). Amonestó a Denilson, Rosicky y Eboué.
93.330 espectadores en el Camp Nou. El Barça se clasifica por un global de 6-3.
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