É O CAMINHO DO SHINOBU.
SHINOBU É A SABEDORIA DO ATAERU, KANGAERU E TAERU.
SHINOBU É A BONDADE DO YURUSSU E SUKUU.
ATAERU- PRESENTEAR, FICAR À DISPOSIÇÃO
KANGAERU- PENSAR,PESQUISAR
TAERU- SUPORTAR, PERSISTIR
YURUSSU- PERDOAR
SUKUU- APOIAR, AJUDAR.
sexta-feira, 14 de maio de 2010
Microconto 4 de 100
Não, Mário. Não aqui. Guarde o teu. Agora, aperte, morda, até babe. Pare um pouquinho só. O filme já começou, amor.
Código de Hamurábi
3. Se alguém trouxer uma acusação de um crime frente aos anciões, e este alguém não trouxer provas, se for pena capital, este alguém deverá ser condenado à morte.
4. Se ele satisfizer aos anciões em termos de Ter de pagar uma multa de cereais ou dinheiro, ele deverá receber a multa que a ação produzir.
5. Um juiz deve julgar um caso, alcançar um veredito e apresentá-lo por escrito. Se erro posterior aparecer na decisão do juiz, e tal juiz for culpado, então ele deverá pagar doze vezes a pena que ele mesmo instituiu para o caso, sendo publicamente destituído de sua posição de juiz, e jamais sentar-se novamente para efetuar julgamentos.
4. Se ele satisfizer aos anciões em termos de Ter de pagar uma multa de cereais ou dinheiro, ele deverá receber a multa que a ação produzir.
5. Um juiz deve julgar um caso, alcançar um veredito e apresentá-lo por escrito. Se erro posterior aparecer na decisão do juiz, e tal juiz for culpado, então ele deverá pagar doze vezes a pena que ele mesmo instituiu para o caso, sendo publicamente destituído de sua posição de juiz, e jamais sentar-se novamente para efetuar julgamentos.
O livro jamais acabará
Pela Associated Press, retirado do Valor Econômico.
O escritor italiano Umberto Eco é um entusiasmado estudioso do erro. "Sou fascinado pelo erro, pela má-fé e pela estupidez", diz. Já escreveu um livro, "A Guerra do Falso", inédito no Brasil, dedicado aos museus americanos de reproduções de obras de arte. Criou, com "Os Limites da Interpretação", uma teoria da falsificação. Baudolino, um de seus personagens mais célebres, é um sofisticado falsário. O erro sempre aponta para algo que não devemos esquecer.
Entre as obsessões de Eco está o combate a uma das mais celebradas falsificações de nossos dias: aquela que, cheia de argumentos e certezas, anuncia a morte do livro. A disseminação do computador, desdobrada agora nos livros eletrônicos, é o argumento principal dos que desempenham o papel de coveiros. Umberto Eco crê, ao contrário, que a informática e o avanço tecnológico nos trouxeram de volta à era alfabética. "Se um dia acreditamos ter entrado na civilização das imagens, eis que o computador nos reintroduz na Galáxia de Gutemberg", argumenta. Já que, com o advento do computador e da web, "todo mundo vê-se obrigado a ler".
Eco defende sua tese com ênfase em "Não Contem com o Fim dos Livros", longo diálogo com o escritor e ensaísta francês Jean-Claude Carrière (organização e mediação de Jean-Philippe de Tonnac, tradução de André Telles, Record, 272 págs., R$ 39,00). Os que apostam na morte dos livros - seja como um sinal da era das imagens, seja como uma oportunidade de novos negócios - devem colocar suas barbas de molho, os dois alertam. Por um motivo simples: o livro não vai morrer.
Eco observa que o livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Instrumentos que, uma vez inventados, não podemos aprimorar. "Você não pode fazer uma colher melhor que uma colher", diz. Do mesmo modo, e para o mesmo uso, não podemos fazer algo melhor que o próprio livro. Ao longo dos séculos, muitos se esforçaram para matar o livro. Censura, ignorância, imbecilidade, inquisição, negligência, incêndio são, apenas, alguns de seus inimigos, lembra o prefaciador Jean-Philippe de Tonnac. Muita coisa, por certo, se perdeu, o que leva Tonnac a construir uma sedutora tese sobre a cultura. "A cultura é muito precisamente o que resta quando tudo foi esquecido." O livro é o guardião desse grande resto que nos constitui.
Eco sempre diz que o homem é metade gênio, metade imbecil. Os livros não poderiam escapar desse destino e por isso sua história também é, muitas vezes, lamentável e cheia de impurezas. Nada de glorificar o livro, nada de elevá-lo acima das contingências humanas. Como qualquer artefato humano, ele tem uma história oscilante e pode, com a mesma facilidade com que nos eleva, também nos enganar e afundar.
Feita essa ressalva, e ainda assim, o livro não morrerá, Eco e Carrière garantem. Não podemos usar um computador sem saber ler e escrever, eles lembram. Para Eco, a escrita é "um prolongamento da mão e, nesse sentido, é quase biológica". Ele medita: "Quando você inventa uma coisa dessas, não pode mais dar para trás".
A escrita sempre terá seus lapsos, nenhuma tecnologia a livrará deles. Essa condição invade até mesmo o universo dos livros sagrados. Muitos especialistas acreditam que existiu um "Evangelho" original, conhecido com "Q." - evangelho-fonte, batizado a partir da palavra alemã "Quelle". As primeiras palavras de Buda só foram transcritas em "O Sermão de Benares", trabalho de um discípulo, Ananda. A cultura é cheia de lapsos, ausência e furos. Muita coisa boa - mas também muita coisa ruim - se perdeu e se perderá. Nem o computador, que parece tão preciso e poderoso, nos serve de garantia.
É verdade, eles admitem, a velocidade tecnológica transforma nossos hábitos mentais. "Foi preciso quase um século para as galinhas aprenderem a não atravessar a rua", Eco recorda. "A espécie terminou por se adaptar às novas condições de circulação." Mas nós, humanos, não dispomos desse tempo. Nos filmes de ação americanos de hoje, nenhum plano deve durar mais de três segundos, ele lembra. O mundo contemporâneo não admite a lentidão.
Sim, agora temos o e-book - mais ágil, mais rápido, mais limpo. A partir dessa notável invenção, passamos, porém, a vaticinar a morte do livro. Ocorre que "a grande qualidade do futuro é ser perpetuamente surpreendente", lembra Carrière. O futuro não procede do conhecido, mas do desconhecido. Não é uma repetição, mas uma revelação. Matar o livro por antecedência, como um assassino que acredita que basta planejar uma morte para que ela aconteça, é, em consequência, inútil. Inútil e estúpido.
O próprio passado não é bem o que pensamos. Imaginamos, por exemplo, que o século XIX foi muito mais lento que o nosso. Um dia, visitando a biblioteca de José Mindlin, em São Paulo, Jean-Claude Carrière teve a chance de ver uma edição de "Os Miseráveis", de Victor Hugo, publicada e impressa no Rio, em português, em 1862. Isto é, no mesmo ano em que o livro foi publicado em Paris, só dois meses depois! O ensaísta descobriu, então, que, enquanto Hugo escrevia, Hetzel, seu editor, despachava o livro, capítulo após capítulo, aos editores estrangeiros. A rapidez de sua primeira tradução brasileira ultrapassa a velocidade dos atuais best-sellers.
"Às vezes é útil relativizar nossas pretensas proezas técnicas", Carrière sugere.
Muito de nosso mundo virtual foi, de certa forma sutil, antecipado pelos clássicos. Carrière cita o exemplo da "Eneida", em que Virgílio, no famoso "Livro VI", já descia não só ao inferno, mas a algo que se assemelhava ao mundo virtual. "Todos os personagens com que você se depara nesse mundo foram alguém ou têm a possibilidade de ser alguém um dia", ele rememora. "Como se Virgílio tivesse tido a intuição das tecnologias de que nos vangloriamos." Se for assim, nada mais fizemos do que cumprir suas profecias. O computador, quem sabe, começou com Virgílio!
No mundo de hoje, mais do que as supostas ameaças ao livro, o que mais impressiona Carrière é "a completa extinção do presente". De um lado, vivemos obcecados pelo futuro - que é sempre incerto. De outro, "o passado nos alcança a toda velocidade". Entre o futuro e o passado, o presente se estreita, se comprime, é quase nada. Mais do que a possibilidade do fim do livro, Carrière se assombra com o fim do presente. Pergunta: "Onde enfiaram o presente? O maravilhoso momento que estamos vivendo e que diversos conspiradores tentam nos roubar?"
O grande problema trazido pela web, entendem os dois amigos, é uma inundação de detalhes e de caminhos, que nos afogam, sem que tenhamos como filtrá-los. Cada página da web nos lança em um desfiladeiro. Cada vez mais, precisamos decidir o que ler - precisamos escolher. Nesse aspecto, o livro ganha ainda mais importância. Em um mundo acelerado e atulhado, impõe-se a necessidade de uma "edição do presente". Carrière compara a web ao panteão dos deuses hindus, com suas 36 mil divindades principais. Para se movimentar nessa teia de deuses, e embora compartilhem as mesmas crenças, cada indiano elege suas divindades prediletas. Diante da tela do computador, precisamos fazer o mesmo. Nesse aspecto, o livro é nosso melhor parceiro.
Bibliófilos apaixonados, Eco e Carrière têm seus sonhos impossíveis. Eco, por exemplo, gostaria de encontrar outro exemplar da "Bíblia" de Gutemberg. Também gostaria de ter em sua biblioteca as tragédias gregas perdidas que Aristóteles cita na "Poética" e que, se descobertas, poderiam colocar em risco, quem sabe, reputações respeitáveis como as de Sófocles e de Eurípides. Já Carrière diz que subiria nas nuvens caso descobrisse um códice maia desconhecido. Ambos se espelham em Paul Pelliot, o explorador e linguista francês que, em 1911, descobriu, em uma caverna, 70 mil manuscritos do século X. Hoje eles formam o acervo Pelliot na Biblioteca Nacional de Paris.
Por que alguns livros sobrevivem e outros não? Quantos grandes autores existiram a respeito dos quais nada sabemos? Muitas vezes, grandes livros estão bem ao nosso lado, mas somos incapazes de vê-los. "Cada leitura modifica o livro, assim como os acontecimentos que atravessamos", Carrière comenta. Semanas antes da conversa com Eco, ele abrira o "Quixote" em sua última parte, a que é menos lida. Nela, Sancho, de volta para casa, diz uma frase espantosa: "Em lugar nenhum encontramos a acolhida almejada por nosso infortúnio". Resume Carrière: "Atualidade de um grande livro: nós o abrimos, ele nos fala de nós". Não precisamos de mais nada.
Flaubert dizia, nos lembram os dois amigos, que a burrice é querer concluir. Umberto Eco sugere: "A burrice é uma forma de administrar a estupidez com orgulho e assiduidade". Afirma Carrière que o imbecil pode chegar por si mesmo a soluções peremptórias e impressionantes. "Ele quer encerrar para sempre uma determinada questão." Esta é a única garantia que o livro nos dá: questões não podem ser encerradas sem se converter em tolices. Os que perguntam se o livro vai morrer buscam uma resposta que encerre a pergunta, que a extermine e liquide. Eles, sim, pretendem matar o livro.
O escritor italiano Umberto Eco é um entusiasmado estudioso do erro. "Sou fascinado pelo erro, pela má-fé e pela estupidez", diz. Já escreveu um livro, "A Guerra do Falso", inédito no Brasil, dedicado aos museus americanos de reproduções de obras de arte. Criou, com "Os Limites da Interpretação", uma teoria da falsificação. Baudolino, um de seus personagens mais célebres, é um sofisticado falsário. O erro sempre aponta para algo que não devemos esquecer.
Entre as obsessões de Eco está o combate a uma das mais celebradas falsificações de nossos dias: aquela que, cheia de argumentos e certezas, anuncia a morte do livro. A disseminação do computador, desdobrada agora nos livros eletrônicos, é o argumento principal dos que desempenham o papel de coveiros. Umberto Eco crê, ao contrário, que a informática e o avanço tecnológico nos trouxeram de volta à era alfabética. "Se um dia acreditamos ter entrado na civilização das imagens, eis que o computador nos reintroduz na Galáxia de Gutemberg", argumenta. Já que, com o advento do computador e da web, "todo mundo vê-se obrigado a ler".
Eco defende sua tese com ênfase em "Não Contem com o Fim dos Livros", longo diálogo com o escritor e ensaísta francês Jean-Claude Carrière (organização e mediação de Jean-Philippe de Tonnac, tradução de André Telles, Record, 272 págs., R$ 39,00). Os que apostam na morte dos livros - seja como um sinal da era das imagens, seja como uma oportunidade de novos negócios - devem colocar suas barbas de molho, os dois alertam. Por um motivo simples: o livro não vai morrer.
Eco observa que o livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Instrumentos que, uma vez inventados, não podemos aprimorar. "Você não pode fazer uma colher melhor que uma colher", diz. Do mesmo modo, e para o mesmo uso, não podemos fazer algo melhor que o próprio livro. Ao longo dos séculos, muitos se esforçaram para matar o livro. Censura, ignorância, imbecilidade, inquisição, negligência, incêndio são, apenas, alguns de seus inimigos, lembra o prefaciador Jean-Philippe de Tonnac. Muita coisa, por certo, se perdeu, o que leva Tonnac a construir uma sedutora tese sobre a cultura. "A cultura é muito precisamente o que resta quando tudo foi esquecido." O livro é o guardião desse grande resto que nos constitui.
Eco sempre diz que o homem é metade gênio, metade imbecil. Os livros não poderiam escapar desse destino e por isso sua história também é, muitas vezes, lamentável e cheia de impurezas. Nada de glorificar o livro, nada de elevá-lo acima das contingências humanas. Como qualquer artefato humano, ele tem uma história oscilante e pode, com a mesma facilidade com que nos eleva, também nos enganar e afundar.
Feita essa ressalva, e ainda assim, o livro não morrerá, Eco e Carrière garantem. Não podemos usar um computador sem saber ler e escrever, eles lembram. Para Eco, a escrita é "um prolongamento da mão e, nesse sentido, é quase biológica". Ele medita: "Quando você inventa uma coisa dessas, não pode mais dar para trás".
A escrita sempre terá seus lapsos, nenhuma tecnologia a livrará deles. Essa condição invade até mesmo o universo dos livros sagrados. Muitos especialistas acreditam que existiu um "Evangelho" original, conhecido com "Q." - evangelho-fonte, batizado a partir da palavra alemã "Quelle". As primeiras palavras de Buda só foram transcritas em "O Sermão de Benares", trabalho de um discípulo, Ananda. A cultura é cheia de lapsos, ausência e furos. Muita coisa boa - mas também muita coisa ruim - se perdeu e se perderá. Nem o computador, que parece tão preciso e poderoso, nos serve de garantia.
É verdade, eles admitem, a velocidade tecnológica transforma nossos hábitos mentais. "Foi preciso quase um século para as galinhas aprenderem a não atravessar a rua", Eco recorda. "A espécie terminou por se adaptar às novas condições de circulação." Mas nós, humanos, não dispomos desse tempo. Nos filmes de ação americanos de hoje, nenhum plano deve durar mais de três segundos, ele lembra. O mundo contemporâneo não admite a lentidão.
Sim, agora temos o e-book - mais ágil, mais rápido, mais limpo. A partir dessa notável invenção, passamos, porém, a vaticinar a morte do livro. Ocorre que "a grande qualidade do futuro é ser perpetuamente surpreendente", lembra Carrière. O futuro não procede do conhecido, mas do desconhecido. Não é uma repetição, mas uma revelação. Matar o livro por antecedência, como um assassino que acredita que basta planejar uma morte para que ela aconteça, é, em consequência, inútil. Inútil e estúpido.
O próprio passado não é bem o que pensamos. Imaginamos, por exemplo, que o século XIX foi muito mais lento que o nosso. Um dia, visitando a biblioteca de José Mindlin, em São Paulo, Jean-Claude Carrière teve a chance de ver uma edição de "Os Miseráveis", de Victor Hugo, publicada e impressa no Rio, em português, em 1862. Isto é, no mesmo ano em que o livro foi publicado em Paris, só dois meses depois! O ensaísta descobriu, então, que, enquanto Hugo escrevia, Hetzel, seu editor, despachava o livro, capítulo após capítulo, aos editores estrangeiros. A rapidez de sua primeira tradução brasileira ultrapassa a velocidade dos atuais best-sellers.
"Às vezes é útil relativizar nossas pretensas proezas técnicas", Carrière sugere.
Muito de nosso mundo virtual foi, de certa forma sutil, antecipado pelos clássicos. Carrière cita o exemplo da "Eneida", em que Virgílio, no famoso "Livro VI", já descia não só ao inferno, mas a algo que se assemelhava ao mundo virtual. "Todos os personagens com que você se depara nesse mundo foram alguém ou têm a possibilidade de ser alguém um dia", ele rememora. "Como se Virgílio tivesse tido a intuição das tecnologias de que nos vangloriamos." Se for assim, nada mais fizemos do que cumprir suas profecias. O computador, quem sabe, começou com Virgílio!
No mundo de hoje, mais do que as supostas ameaças ao livro, o que mais impressiona Carrière é "a completa extinção do presente". De um lado, vivemos obcecados pelo futuro - que é sempre incerto. De outro, "o passado nos alcança a toda velocidade". Entre o futuro e o passado, o presente se estreita, se comprime, é quase nada. Mais do que a possibilidade do fim do livro, Carrière se assombra com o fim do presente. Pergunta: "Onde enfiaram o presente? O maravilhoso momento que estamos vivendo e que diversos conspiradores tentam nos roubar?"
O grande problema trazido pela web, entendem os dois amigos, é uma inundação de detalhes e de caminhos, que nos afogam, sem que tenhamos como filtrá-los. Cada página da web nos lança em um desfiladeiro. Cada vez mais, precisamos decidir o que ler - precisamos escolher. Nesse aspecto, o livro ganha ainda mais importância. Em um mundo acelerado e atulhado, impõe-se a necessidade de uma "edição do presente". Carrière compara a web ao panteão dos deuses hindus, com suas 36 mil divindades principais. Para se movimentar nessa teia de deuses, e embora compartilhem as mesmas crenças, cada indiano elege suas divindades prediletas. Diante da tela do computador, precisamos fazer o mesmo. Nesse aspecto, o livro é nosso melhor parceiro.
Bibliófilos apaixonados, Eco e Carrière têm seus sonhos impossíveis. Eco, por exemplo, gostaria de encontrar outro exemplar da "Bíblia" de Gutemberg. Também gostaria de ter em sua biblioteca as tragédias gregas perdidas que Aristóteles cita na "Poética" e que, se descobertas, poderiam colocar em risco, quem sabe, reputações respeitáveis como as de Sófocles e de Eurípides. Já Carrière diz que subiria nas nuvens caso descobrisse um códice maia desconhecido. Ambos se espelham em Paul Pelliot, o explorador e linguista francês que, em 1911, descobriu, em uma caverna, 70 mil manuscritos do século X. Hoje eles formam o acervo Pelliot na Biblioteca Nacional de Paris.
Por que alguns livros sobrevivem e outros não? Quantos grandes autores existiram a respeito dos quais nada sabemos? Muitas vezes, grandes livros estão bem ao nosso lado, mas somos incapazes de vê-los. "Cada leitura modifica o livro, assim como os acontecimentos que atravessamos", Carrière comenta. Semanas antes da conversa com Eco, ele abrira o "Quixote" em sua última parte, a que é menos lida. Nela, Sancho, de volta para casa, diz uma frase espantosa: "Em lugar nenhum encontramos a acolhida almejada por nosso infortúnio". Resume Carrière: "Atualidade de um grande livro: nós o abrimos, ele nos fala de nós". Não precisamos de mais nada.
Flaubert dizia, nos lembram os dois amigos, que a burrice é querer concluir. Umberto Eco sugere: "A burrice é uma forma de administrar a estupidez com orgulho e assiduidade". Afirma Carrière que o imbecil pode chegar por si mesmo a soluções peremptórias e impressionantes. "Ele quer encerrar para sempre uma determinada questão." Esta é a única garantia que o livro nos dá: questões não podem ser encerradas sem se converter em tolices. Os que perguntam se o livro vai morrer buscam uma resposta que encerre a pergunta, que a extermine e liquide. Eles, sim, pretendem matar o livro.
quarta-feira, 12 de maio de 2010
Microconto 3 de 100
O menino de castigo, trancado no armário da escada. Rasga o pacote de açúcar para o rato com fome e com ele conversa sobre a vida no escuro.
Código de Hamurábi
2. Se alguém fizer uma acusação a outrem, e o acusado for ao rio e pular neste rio, se ele afundar, seu acusador deverá tomar posse da casa do culpado, e se ele escapar sem ferimentos, o acusado não será culpado, e então aquele que fez a acusação deverá ser condenado à morte, enquanto que aquele que pulou no rio deve tomar posse da casa que pertencia a seu acusador.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O cachorro antissistema
Retirado do El País (on-line), o melhor jornal do mundo.
Lo descubrió el periódico británico The Guardian. Bajo el título Kanelos, el perro griego manifestante, el diario publicó un amplio despliegue fotográfico sobre el curioso protagonismo de un cuadrúpedo mil razas, de tamaño medio y collar azul que acostumbra a enseñar los dientes a los hombres del MAT (antidisturbios) y no se arredra ni siquiera ante los botes de humo, en casi todas las manifestaciones que desde hace dos años sacuden el centro de Atenas. Sólo que Kanelos -en alusión al color de su pelaje- no atiende a ese nombre, sino al de Lukánikos (salchicha).
Los disturbios por la muerte de un joven a manos de un policía se recrudecen en Grecia
La cuarta huelga general en Grecia desde febrero se cobra tres muertos
Grecia
A FONDO
Capital: Atenas.Gobierno:República.Población:10,722,816 (est. 2008)La noticia en otros webs
•webs en español
•en otros idiomas
El reportaje del Guardian llamó la atención de otros medios de comunicación extranjeros, donde, todo hay que decirlo, Lukánikos, Luk para los amigos, chupa más cámara que en Grecia, pese a que hoy le dedica una página entera Ta Nea (centro-izquierda), un diario nada sospechoso de sensacionalismo. Tras el Guardian, se han fijado en Luk los diarios italianos Il Corriere della Sera y La Repubblica, el semanario estadounidense Newsweek, el periódico francés Libération, el canadiense Globe and Mail, o el sueco Aftonbladet.
La presencia de Luk en las manifestaciones -la mayoría de las veces pacíficas, pero con derivas violentas- no es de extrañar. El centro de Atenas está plagado de perros callejeros, absolutamente inofensivos, que pasan las horas tumbados a la bartola bajo un árbol o sobre el pavimento. Si el suelo es de mármol, mejor que mejor: por ejemplo, el de la explanada del Parlamento, en la plaza Sintagma. Así ocurre en invierno y en verano. Los griegos son amables con los animales -también con los miles de gatos diseminados por doquier- y siempre hay un alma generosa que les acerca las sobras de una taberna, o un poco de pienso de supermercado. El Ayuntamiento se encarga de vacunarlos y esterilizarlos, indicándolo con un collar azul para los machos y uno rojo para las hembras.
Pero lo de Lukánikos ha batido todos los récords. Aparte de su presencia en medios de comunicación internacionales, el perro, "la mascota de los griegos, el que siempre está en primera línea" -escribe Ta Nea-, ha saltado a la Red, donde protagoniza varios vídeos colgados en YouTube, tiene su propio blog y otros con entradas dedicadas al animal. También disfruta de sus propios grupos de amigos en Facebook. Riot Dog, una de las páginas dedicadas a él de esa red social, tiene cerca de 10.000 seguidores. Tiene otro, Kanellos, con cerca de 2.800 fans.
Este último nombre, utilizado por el Guardian era una referencia al perro de un grupo antisistema radicado en el barrio de Exarjia -la zona de marcha de Atenas, en el más amplio sentido de la palabra: desde refriegas con los antidisturbios a infinidad de bares y clubes-, donde murió en julio de 2008 a los 17 años de edad; todo un símbolo del movimiento antisistema, que también tiene su propio blog. Lukánikos, su sucesor, hizo su debú en el mundo radical en diciembre de ese año, en los disturbios que siguieron a la muerte del joven Alexis Grigorópulos, de 15 años, por un disparo de la policía. Hay cierta confusión mediática y cibernética, por lo que el mismo perro (por lo menos en apariencia) aparece en blogs y noticias bautizado tanto como Kanelos como Lukánikos.
El chucho le cogió afición a los gases lacrimógenos, al parecer, porque desde entonces no se ha perdido ninguna manifestación que tenga la bronca asegurada. Una nueva raza de manifestante, le llama hoy el diario Ta Nea. Aunque, a saber, entre las decenas de perros callejeros que hay en Atenas, cuántos clones tiene ahora mismo Lukánikos, o incluso el difunto Kanelos.
Lo descubrió el periódico británico The Guardian. Bajo el título Kanelos, el perro griego manifestante, el diario publicó un amplio despliegue fotográfico sobre el curioso protagonismo de un cuadrúpedo mil razas, de tamaño medio y collar azul que acostumbra a enseñar los dientes a los hombres del MAT (antidisturbios) y no se arredra ni siquiera ante los botes de humo, en casi todas las manifestaciones que desde hace dos años sacuden el centro de Atenas. Sólo que Kanelos -en alusión al color de su pelaje- no atiende a ese nombre, sino al de Lukánikos (salchicha).
Los disturbios por la muerte de un joven a manos de un policía se recrudecen en Grecia
La cuarta huelga general en Grecia desde febrero se cobra tres muertos
Grecia
A FONDO
Capital: Atenas.Gobierno:República.Población:10,722,816 (est. 2008)La noticia en otros webs
•webs en español
•en otros idiomas
El reportaje del Guardian llamó la atención de otros medios de comunicación extranjeros, donde, todo hay que decirlo, Lukánikos, Luk para los amigos, chupa más cámara que en Grecia, pese a que hoy le dedica una página entera Ta Nea (centro-izquierda), un diario nada sospechoso de sensacionalismo. Tras el Guardian, se han fijado en Luk los diarios italianos Il Corriere della Sera y La Repubblica, el semanario estadounidense Newsweek, el periódico francés Libération, el canadiense Globe and Mail, o el sueco Aftonbladet.
La presencia de Luk en las manifestaciones -la mayoría de las veces pacíficas, pero con derivas violentas- no es de extrañar. El centro de Atenas está plagado de perros callejeros, absolutamente inofensivos, que pasan las horas tumbados a la bartola bajo un árbol o sobre el pavimento. Si el suelo es de mármol, mejor que mejor: por ejemplo, el de la explanada del Parlamento, en la plaza Sintagma. Así ocurre en invierno y en verano. Los griegos son amables con los animales -también con los miles de gatos diseminados por doquier- y siempre hay un alma generosa que les acerca las sobras de una taberna, o un poco de pienso de supermercado. El Ayuntamiento se encarga de vacunarlos y esterilizarlos, indicándolo con un collar azul para los machos y uno rojo para las hembras.
Pero lo de Lukánikos ha batido todos los récords. Aparte de su presencia en medios de comunicación internacionales, el perro, "la mascota de los griegos, el que siempre está en primera línea" -escribe Ta Nea-, ha saltado a la Red, donde protagoniza varios vídeos colgados en YouTube, tiene su propio blog y otros con entradas dedicadas al animal. También disfruta de sus propios grupos de amigos en Facebook. Riot Dog, una de las páginas dedicadas a él de esa red social, tiene cerca de 10.000 seguidores. Tiene otro, Kanellos, con cerca de 2.800 fans.
Este último nombre, utilizado por el Guardian era una referencia al perro de un grupo antisistema radicado en el barrio de Exarjia -la zona de marcha de Atenas, en el más amplio sentido de la palabra: desde refriegas con los antidisturbios a infinidad de bares y clubes-, donde murió en julio de 2008 a los 17 años de edad; todo un símbolo del movimiento antisistema, que también tiene su propio blog. Lukánikos, su sucesor, hizo su debú en el mundo radical en diciembre de ese año, en los disturbios que siguieron a la muerte del joven Alexis Grigorópulos, de 15 años, por un disparo de la policía. Hay cierta confusión mediática y cibernética, por lo que el mismo perro (por lo menos en apariencia) aparece en blogs y noticias bautizado tanto como Kanelos como Lukánikos.
El chucho le cogió afición a los gases lacrimógenos, al parecer, porque desde entonces no se ha perdido ninguna manifestación que tenga la bronca asegurada. Una nueva raza de manifestante, le llama hoy el diario Ta Nea. Aunque, a saber, entre las decenas de perros callejeros que hay en Atenas, cuántos clones tiene ahora mismo Lukánikos, o incluso el difunto Kanelos.
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