36. O campo, o jardim e a casa do capitão, do homem ou de outrém, não podem ser vendidos.
37. Se comprar o campo, o jardim e a casa do capitão, ou deste homem, a tábua de contrato deve ser quebrada (declarada inválida) e a pessoa perderá dinheiro. O campo, jardim e casa devem retornar a seus donos.
38. Um capitão, homem ou alguém sujeito a despejo não pode responsabilizar por a manutenção do campo, jardim e casa a sua esposa ou filha, nem pode usar este bem para pagar um débito.
39. Ele pode, entretanto, assinalar um campo, jardim ou casa que comprou e que mantém como sua propriedade, para sua esposa ou filha e dar-lhes como débito.
40. Ele pode vender campo, jardim e casa a um agente real ou a qualquer outro agente público, sendo que o comprador terá então o campo, a casa e o jardim para seu usufruto.
41. Se fizer uma cerca ao redor do campo, jardim e casa de um capitão ou soldado, quando do retorno destes, a campo, jardim e casa deverão retornar ao proprietário.
42. Se alguém trabalhar o campo, mas não obtiver colheita dele, deve ser provado que ele não trabalhou no campo, e ele deve entregar os grãos para o dono do campo.
43. Se ele não trabalhar o campo e deixá-lo pior, ele deverá retrabalhar a terra e então entregá-la de volta ao seu dono.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Os tuiteiros e as marcas de olho nos tuiteiros
Publicado pela metaAnálise
Análise conduzida pela Predicta durante o Mundial de Futebol da FIFA avaliou a percepção dos tuiteiros a respeito das marcas participantes do evento e mostra o ranking das marcas mais admiradas, lembradas e populares.
Ao contrário do que se fala ou imagina, as pessoas estão cada vez mais atentas às ações publicitárias. Durante o Mundial da África do Sul percebeu-se um comportamento curioso nos intervalos dos jogos da Seleção Brasileira, quando os tuiteiros aproveitavam para postar mensagens sobre as marcas que investiram em ações de marketing ou patrocínio na competição.
Essas e outras conclusões foram obtidas a partir da análise realizada pela Predicta, consultoria especializada no comportamento do consumidor nos meios digitais, durante o principal evento esportivo do ano. A Copa das Marcas (www.copadasmarcas.com.br) foi um estudo exploratório do comportamentos dos usuários no Twitter, com o objetivo de compreender como as grandes marcas seriam percebidas pelos brasileiros no microblog durante o Mundial.
Segundo André Freitas, Diretor de Novos Negócios da Predicta, a análise foi um grande exercício para a consultoria e para as marcas conhecerem mais sobre sua ressonância das redes sociais no mundo comtemporâneo. “O grande apredizado que tiramos desse estudo é que, cada vez mais, as organizações precisam estar atentas à importância do crossmedia”, afirma Freitas. O executivo aponta que na análise foi possível perceber que as campanhas de TV das marcas eram
constantemente comentadas pelos tuiteiros, assim como anúncios na mídia impressa.
Enquanto os demais meios de comunicação são uma via de mão única, onde as pessoas apenas recebem informação passivamente, as redes sociais permitem que as pessoas interajam com o conteúdo, possibilitando assim que as empresas estabelçam um diálogo em tempo real com estas pessoas. “Tendo em vista essa realidade, é imprescindível que as empresas estejam atentas ao que estão falando sobre elas nas redes sociais, para terem a capacidade de agir rapidamente quando preciso”, analisa Freitas.
Um bom exemplo de crossmedia pôde ser percebido ao longo da Copa. Como o caso do Extra, em que o presidente Abílio Diniz usou o Twitter para dar seu parecer sobre a publicação equivocada de um anúncio publicitário da marca na mídia impressa. A marca rapidamente percebeu a quantidade de pessoas que comentaram sobre o assunto na internet, e agiu rapidamente para que sua credibilidade não fosse ferida, esclarecendo o ocorrido no mesmo dia.
Isso comprova que utilizar o Twitter como fonte de informação para avaliar a percepção das pessoas sobre sua marca, produto, serviço ou campanha publicitária, por exemplo, é uma estratégia acertada por parte das empresas. “O Twitter traz ondas de informações. Se a empresa tem condições de aproveitar essas ondas que aparecem, certamente terão um retorno positivo”, destaca.
Outra percepção obtida com o estudo foi em relação aos tweets durante os intervalos dos jogos da Seleção Brasileira. As menções sobre as marcas nesses períodos foram maiores que durante a partida. Após o jogo de eliminação do Brasil, o volume de menções sobre as marcas foi ainda maior; os usuários utilizaram a rede social para reclamar sobre o fato de as empresas já terem os anúncios da eliminação prontos. “Sabemos que nas fases eliminatórias a produção de campanhas para a vitória e para a eliminação são comuns. Porém, durante esse Mundial conseguimos perceber o quanto essa prática do mercado publicitário incomoda as pessoas, que encararam o fato como um 'agouro' e utilizarm as redes sociais para reclamar”, afirma Freitas.
A ação
A consultoria uniu duas áreas de expertise: produtos e inteligência para realizar a medição. A captura dos tweets foi realizada diariamente por intermediário da ferramenta Radian6. Na sequência, o setor de inteligência avaliou o material, racionalizou e categorizou os dados. Foi necessário criar indicadores específicos para ponderar o volume de tweets, as características de cada um e a afinidade com a campanha veiculada. No total, foram analisados, ao longo de um mês, cerca de 300 mil tweets que mencionavam as marcas monitoradas. O ranking final com as marcas admiradas, lembradas e populares ficou assim:
Marcas Mais Amadas
1 - Adidas 95,26%
2 - Visa 94,81%
3 - Coca-Cola 93,16%
4 - Sony 91,95%
5 - Brahma 91,09%
6 - McDonald’s 86,40%
7 - Pepsi 86,24%
8 - Seara 82,43%
9 - Volkswagen 79,59%
10 - Itaú 70,53%
Share of Voice
1 - Coca-Cola 20,73%
2 - Nike 13,97%
3 - McDonald’s 9,67%
4 - Sony 9,55%
Marcas Mais Populares
1 - Seara 41,76%
2 - Vivo 17,26%
3 - Adidas 14,29%
4 - Itaú 12,27%
Análise conduzida pela Predicta durante o Mundial de Futebol da FIFA avaliou a percepção dos tuiteiros a respeito das marcas participantes do evento e mostra o ranking das marcas mais admiradas, lembradas e populares.
Ao contrário do que se fala ou imagina, as pessoas estão cada vez mais atentas às ações publicitárias. Durante o Mundial da África do Sul percebeu-se um comportamento curioso nos intervalos dos jogos da Seleção Brasileira, quando os tuiteiros aproveitavam para postar mensagens sobre as marcas que investiram em ações de marketing ou patrocínio na competição.
Essas e outras conclusões foram obtidas a partir da análise realizada pela Predicta, consultoria especializada no comportamento do consumidor nos meios digitais, durante o principal evento esportivo do ano. A Copa das Marcas (www.copadasmarcas.com.br) foi um estudo exploratório do comportamentos dos usuários no Twitter, com o objetivo de compreender como as grandes marcas seriam percebidas pelos brasileiros no microblog durante o Mundial.
Segundo André Freitas, Diretor de Novos Negócios da Predicta, a análise foi um grande exercício para a consultoria e para as marcas conhecerem mais sobre sua ressonância das redes sociais no mundo comtemporâneo. “O grande apredizado que tiramos desse estudo é que, cada vez mais, as organizações precisam estar atentas à importância do crossmedia”, afirma Freitas. O executivo aponta que na análise foi possível perceber que as campanhas de TV das marcas eram
constantemente comentadas pelos tuiteiros, assim como anúncios na mídia impressa.
Enquanto os demais meios de comunicação são uma via de mão única, onde as pessoas apenas recebem informação passivamente, as redes sociais permitem que as pessoas interajam com o conteúdo, possibilitando assim que as empresas estabelçam um diálogo em tempo real com estas pessoas. “Tendo em vista essa realidade, é imprescindível que as empresas estejam atentas ao que estão falando sobre elas nas redes sociais, para terem a capacidade de agir rapidamente quando preciso”, analisa Freitas.
Um bom exemplo de crossmedia pôde ser percebido ao longo da Copa. Como o caso do Extra, em que o presidente Abílio Diniz usou o Twitter para dar seu parecer sobre a publicação equivocada de um anúncio publicitário da marca na mídia impressa. A marca rapidamente percebeu a quantidade de pessoas que comentaram sobre o assunto na internet, e agiu rapidamente para que sua credibilidade não fosse ferida, esclarecendo o ocorrido no mesmo dia.
Isso comprova que utilizar o Twitter como fonte de informação para avaliar a percepção das pessoas sobre sua marca, produto, serviço ou campanha publicitária, por exemplo, é uma estratégia acertada por parte das empresas. “O Twitter traz ondas de informações. Se a empresa tem condições de aproveitar essas ondas que aparecem, certamente terão um retorno positivo”, destaca.
Outra percepção obtida com o estudo foi em relação aos tweets durante os intervalos dos jogos da Seleção Brasileira. As menções sobre as marcas nesses períodos foram maiores que durante a partida. Após o jogo de eliminação do Brasil, o volume de menções sobre as marcas foi ainda maior; os usuários utilizaram a rede social para reclamar sobre o fato de as empresas já terem os anúncios da eliminação prontos. “Sabemos que nas fases eliminatórias a produção de campanhas para a vitória e para a eliminação são comuns. Porém, durante esse Mundial conseguimos perceber o quanto essa prática do mercado publicitário incomoda as pessoas, que encararam o fato como um 'agouro' e utilizarm as redes sociais para reclamar”, afirma Freitas.
A ação
A consultoria uniu duas áreas de expertise: produtos e inteligência para realizar a medição. A captura dos tweets foi realizada diariamente por intermediário da ferramenta Radian6. Na sequência, o setor de inteligência avaliou o material, racionalizou e categorizou os dados. Foi necessário criar indicadores específicos para ponderar o volume de tweets, as características de cada um e a afinidade com a campanha veiculada. No total, foram analisados, ao longo de um mês, cerca de 300 mil tweets que mencionavam as marcas monitoradas. O ranking final com as marcas admiradas, lembradas e populares ficou assim:
Marcas Mais Amadas
1 - Adidas 95,26%
2 - Visa 94,81%
3 - Coca-Cola 93,16%
4 - Sony 91,95%
5 - Brahma 91,09%
6 - McDonald’s 86,40%
7 - Pepsi 86,24%
8 - Seara 82,43%
9 - Volkswagen 79,59%
10 - Itaú 70,53%
Share of Voice
1 - Coca-Cola 20,73%
2 - Nike 13,97%
3 - McDonald’s 9,67%
4 - Sony 9,55%
Marcas Mais Populares
1 - Seara 41,76%
2 - Vivo 17,26%
3 - Adidas 14,29%
4 - Itaú 12,27%
Camone
Varissimo, retirado do Estadão de hoje
Não deixa de ser irônico que o analista econômico mais à esquerda - se é que cabe o termo - da grande imprensa brasileira seja um americano. Paul Krugman é publicado no Brasil porque ganhou um Nobel e escreve bem, mas está na contramão do pensamento econômico dominante do seu país, que é a opinião dominante por aqui também.
Critica o monetarismo clássico, os preceitos da escola de Chicago e os mitos do mercado autorregulador e ultimamente tem batido muito na opção da União Europeia de vencer sua crise atual com medidas de austeridade e cortes em gastos públicos - segundo ele um exemplo da velha prática perversa de fazer os pobres pagarem pelas lambanças dos ricos.
Krugman defende a ação dos governos para estimular economias e desobediência a todas as receitas de autoflagelação vendidas aos pobres como "responsabilidade fiscal" e sacrifício depurador. Quer dizer, é um estranho em dois mundos, o dos economistas ortodoxos americanos que ainda ditam a política do país, mesmo no governo do Baraca, e o dos economistas locais que seguem a linha americana. Sem falar na estranheza de vê-lo publicado nos nossos principais jornais conservadores, no que também pode ser visto como uma admirável demonstração de pluralismo de enfoques.
Mas me lembrei de quando eu era guri e brincava de "mocinho", ou caubói, com outros garotos da vizinhança, todos com reluzentes revólveres de espoleta metidos em seus coldres, até os sacarmos para matar bandidos ou índios. Eu tinha morado nos Estados Unidos e sabia inglês mas o máximo que os outros sabiam era enrolar a língua e fingir que falavam como nos filmes. Seu vocabulário era "Camone" e pouco mais, mas não importava. Nos comunicávamos naquele inglês imaginário, e vivíamos juntos a glória de ser americanos. Ninguém tinha a pontaria de um americano. Ninguém brigava a socos e saía da briga sem uma marca no rosto como um americano.
Um americano era perfeito. Um americano podia tudo. Depois, claro, crescemos e descobrimos que nem todo americano era "mocinho". Mas daquele tempo ficou a ideia inconsciente de que ser americano é credencial suficiente, de que basta dizer "camone" para dispensar qualquer outro tipo de aferição.
O que tudo isto tem a ver com o Paul Krugman? Talvez o fato de ser americano tenha facilitado sua entrada nas páginas econômicas sem que checassem suas convicções. Tudo teria a ver com a infância de todos nós.
Não deixa de ser irônico que o analista econômico mais à esquerda - se é que cabe o termo - da grande imprensa brasileira seja um americano. Paul Krugman é publicado no Brasil porque ganhou um Nobel e escreve bem, mas está na contramão do pensamento econômico dominante do seu país, que é a opinião dominante por aqui também.
Critica o monetarismo clássico, os preceitos da escola de Chicago e os mitos do mercado autorregulador e ultimamente tem batido muito na opção da União Europeia de vencer sua crise atual com medidas de austeridade e cortes em gastos públicos - segundo ele um exemplo da velha prática perversa de fazer os pobres pagarem pelas lambanças dos ricos.
Krugman defende a ação dos governos para estimular economias e desobediência a todas as receitas de autoflagelação vendidas aos pobres como "responsabilidade fiscal" e sacrifício depurador. Quer dizer, é um estranho em dois mundos, o dos economistas ortodoxos americanos que ainda ditam a política do país, mesmo no governo do Baraca, e o dos economistas locais que seguem a linha americana. Sem falar na estranheza de vê-lo publicado nos nossos principais jornais conservadores, no que também pode ser visto como uma admirável demonstração de pluralismo de enfoques.
Mas me lembrei de quando eu era guri e brincava de "mocinho", ou caubói, com outros garotos da vizinhança, todos com reluzentes revólveres de espoleta metidos em seus coldres, até os sacarmos para matar bandidos ou índios. Eu tinha morado nos Estados Unidos e sabia inglês mas o máximo que os outros sabiam era enrolar a língua e fingir que falavam como nos filmes. Seu vocabulário era "Camone" e pouco mais, mas não importava. Nos comunicávamos naquele inglês imaginário, e vivíamos juntos a glória de ser americanos. Ninguém tinha a pontaria de um americano. Ninguém brigava a socos e saía da briga sem uma marca no rosto como um americano.
Um americano era perfeito. Um americano podia tudo. Depois, claro, crescemos e descobrimos que nem todo americano era "mocinho". Mas daquele tempo ficou a ideia inconsciente de que ser americano é credencial suficiente, de que basta dizer "camone" para dispensar qualquer outro tipo de aferição.
O que tudo isto tem a ver com o Paul Krugman? Talvez o fato de ser americano tenha facilitado sua entrada nas páginas econômicas sem que checassem suas convicções. Tudo teria a ver com a infância de todos nós.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Os 80 anos de Plínio de Arruda Sampaio
http://www.youtube.com/projetosocialista#p/p/B26E7F0C3A0F605B/10/igVZ6BlnXFM
A vida e a morte de John Lennon
Ainda bem que ninguém lê esta merda. Errei nas contas da morte do John Lennon. Em 8 de dezembro serão 30 e não 20 anos. O texto está agora corrigido. Se alguém já leu, não me critique, desculpe-me. Herrar é umano. Abraço.
John Lennon da Rocha, 20 anos, auxiliar, filho de Inês da Rocha. Sep. ontem.
A nota, breve como a vida do John Lennon curitibano, está publicada na lista de falecimentos da Gazeta do Povo de hoje - aquele rol de mortos da cidade dantes chamado Obituário.
John Lennon da Rocha nasceu dez anos depois da morte de John Winston Lennon (a 8 de dezembro), em 1980, na porta do edifício Dakota, em Nova York, cidade onde vivia feliz com a mulher, Yoko, e o (segundo) filho Sean.
John Lennon da Rocha tinha metade da idade do John Winston Lennon morto. Este se foi aos 40 anos, no auge da felicidade e da criatividade. O nosso (nosso porque curitibano e porque toda morte compunge) morreu aos 20 anos, no auge ou no fundo do poço de alguma coisa.
Obviamente, sua mãe, Inês da Rocha, deveria gostar muito do John Lennon original. Ou, talvez, nem curtisse os Beatles ou John sozinho. Mas era um cara importante, melhor que os Máicons e Suellens da nossa terra. Ela talvez tenha tentado passar ao filho algo de bom que John deixou às artes e aos corações e mentes de seres humanos de todo o planeta.
Não procurei no noticiário policial para saber se algum John Lennon da periferia foi morto pela PM ou num acerto de contas com traficantes. Talvez tenha sido levado por uma doença incontrolável, por um acidente de trânsito ou, pior, um acidente de trabalho, desses que vitimam tantos brasileiros todos os dias.
Pela nota do jornal, sabe-se que John Lennon da Rocha, 20 anos, filho de Inês da Rocha, era solteiro e auxiliar. E só.
Seria auxiliar de escritório, de depósito, de serviços gerais? A rigor, era apenas mais um auxiliar, provavelmente um pobre sujeito que tinha um emprego, mas sem ter concluído o ensino médio, sem chance de ser algo mais que auxiliar.
Sabe-se também que foi criado pela mãe, já que não consta da nota o nome do pai.
Quase igual ao John Lennon inglês, criado sem pai e quase sem mãe, mais perto da tia Mimi. Quando era um Beatle, o pai, Alfred, tentou uma reaproximação, mas foi repelido.
O pai de John Lennon da Rocha, se é que um sabia da existência do outro, nunca o procurou, ou, se o fez, não lhe emprestou o nome para a carteira de identidade.
Assim morreu John Lennon da Rocha, 20 anos, sem pai, filho de Inês da Rocha, solteiro, auxiliar.
Foi sepultado ontem.
Só isso.
John Lennon da Rocha, 20 anos, auxiliar, filho de Inês da Rocha. Sep. ontem.
A nota, breve como a vida do John Lennon curitibano, está publicada na lista de falecimentos da Gazeta do Povo de hoje - aquele rol de mortos da cidade dantes chamado Obituário.
John Lennon da Rocha nasceu dez anos depois da morte de John Winston Lennon (a 8 de dezembro), em 1980, na porta do edifício Dakota, em Nova York, cidade onde vivia feliz com a mulher, Yoko, e o (segundo) filho Sean.
John Lennon da Rocha tinha metade da idade do John Winston Lennon morto. Este se foi aos 40 anos, no auge da felicidade e da criatividade. O nosso (nosso porque curitibano e porque toda morte compunge) morreu aos 20 anos, no auge ou no fundo do poço de alguma coisa.
Obviamente, sua mãe, Inês da Rocha, deveria gostar muito do John Lennon original. Ou, talvez, nem curtisse os Beatles ou John sozinho. Mas era um cara importante, melhor que os Máicons e Suellens da nossa terra. Ela talvez tenha tentado passar ao filho algo de bom que John deixou às artes e aos corações e mentes de seres humanos de todo o planeta.
Não procurei no noticiário policial para saber se algum John Lennon da periferia foi morto pela PM ou num acerto de contas com traficantes. Talvez tenha sido levado por uma doença incontrolável, por um acidente de trânsito ou, pior, um acidente de trabalho, desses que vitimam tantos brasileiros todos os dias.
Pela nota do jornal, sabe-se que John Lennon da Rocha, 20 anos, filho de Inês da Rocha, era solteiro e auxiliar. E só.
Seria auxiliar de escritório, de depósito, de serviços gerais? A rigor, era apenas mais um auxiliar, provavelmente um pobre sujeito que tinha um emprego, mas sem ter concluído o ensino médio, sem chance de ser algo mais que auxiliar.
Sabe-se também que foi criado pela mãe, já que não consta da nota o nome do pai.
Quase igual ao John Lennon inglês, criado sem pai e quase sem mãe, mais perto da tia Mimi. Quando era um Beatle, o pai, Alfred, tentou uma reaproximação, mas foi repelido.
O pai de John Lennon da Rocha, se é que um sabia da existência do outro, nunca o procurou, ou, se o fez, não lhe emprestou o nome para a carteira de identidade.
Assim morreu John Lennon da Rocha, 20 anos, sem pai, filho de Inês da Rocha, solteiro, auxiliar.
Foi sepultado ontem.
Só isso.
Internet pode transformar os humanos em dementes
Da Galileu
Nas décadas de 1970 e 1980, o neurocientista norte-americano Michael Merzenich conduziu uma série de experimentos em cérebros de primatas que revelaram como os circuitos neurais e sinapses dos animais mudavam rapidamente de acordo com sua experiência ou atividade. Merzenich reorganizou os nervos na mão de um macaco, e, como resposta, as células neurais do córtex sensorial do animal rapidamente se organizaram para criar um novo mapa mental daquela mão. “Da mesma maneira, um fenômeno cultural recente como a internet pode alterar o funcionamento das nossas cabeças por funcionar como um mediador”, diz.
Segundo Merzenich, a web está treinando o cérebro dos usuários a tentar fazer várias coisas simultanteamente, enquanto ignora os circuitos neurais responsáveis pela reflexão e pensamento aprofundado – mesmo quando estamos longe de um computador. Ele disse a Galileu que a internet deverá atrapalhar o desenvolvimento intelectual da humanidade a longo prazo, podendo até causar uma “epidemia futura de senilidade”. Confira a conversa:
Nossos cérebros são remodelados pelo uso intenso de internet?
Eles mudam com a evolução da cultura, isso está acontecendo agora, com o jeito que absorvemos quantidades elevadas de informação na internet. É claro que o cérebro de cada um é diferente, e a pessoa comum que tem essa dose pesada de informação tem mais tendência a mudar. Há milhares de anos, a leitura universal não estava espalhada, e agora nós passamos uma boa parte dos nossos dias lendo. Os nossos cérebros se especializaram nisso, e estão muito diferentes do cérebro de uma pessoa normal há milhares de anos. Da mesma maneira, o cérebro de uma pessoa que usa muita internet é diferente do cérebro de alguém há 10 ou 20 anos.
Isso é bom ou ruim?
Há algo incrivelmente positivo sobre a internet, temos uma quantidade enorme de informação com aquisição muito mais eficiente. É um recurso incrível, como se tivéssemos todas as bibliotecas do mundo perto das nossas mãos. Carregar seu cérebro com bastante informação dá várias maneiras dela ser usada, integrada ou afeta sua imaginação, criatividade e atenção.
Por outro lado, a internet muda a maneira que você usa seu cérebro para adquirir informação. O internauta não precisa enfrentar uma luta pessoal para encontrar o que precisa. Agora, ele lida com uma tabela prática de referências, e não precisa mais raciocinar tanto. Passou a usar uma estratégia de pesquisa e busca, e deixou de exercitar várias habilidades cognitivas. É muito fácil resolver qualquer problema olhando sua resposta em vez de tentar resolvê-lo com inteligência e raciocínio. Esse é o perigo real, porque envolve uma manipulação de informação muito menos agressiva, do uso de suas habilidades cognitivas.
Agora, nós olhamos para outra pessoa para fazermos um julgamento, para comprar uma viagem ou produto. Não estamos pensando neles. Procuramos uma conclusão tomada por alguém, para escolhermos a direção em que pularemos. Muita gente está tão imersa nisso que não percebe o que está acontecendo.
E qual seria o efeito a longo prazo?
O internauta, enquanto consome informação, terá que lidar com uma série de dados desnecessários, de “ruídos”, que podem afetar o cérebro. Em um experimento, se acostumarmos o cérebro de um animal a um ambiente continuamente “ruidoso”, visual ou auditivo, seu desempenho é degradado. Tem mais dificuldade em realizar suas tarefas e parece ter vivenciado menos coisas. Há diferenças até em seus hábitos e brincadeiras.
É um engano pensar o excesso de informação é inofensivo. Toda ação que contribui para as operações do seu cérebro ficarem “ruidosas” aumentará o risco de você ter uma saúde mental ruim no futuro. Alguns outros experimentos apontam que a senilidade tem relação com o comportamento cerebral “ruidoso” da pessoa quando ela ainda é jovem. A internet talvez possa contribuir para uma epidemia futura de senilidade. Há dados que mostram um crescimento enorme de indivíduos senis. Não há uma conexão comprovada e direta com a internet, mas creio que há demonstrações indiretas disso.
Qual é a melhor coisa que podemos fazer a respeito? Precisamos balancear o uso da internet com a leitura de livros?
É preciso lembrar que a vida cultural moderna é bem bizarra. Não fomos construídos para ler. Na verdade, a leitura é uma aventura. O mesmo serve para estas ferramentas que nos permitem passar todo esse tempo na internet. Há muito pouco a fazer em relação ao que realmente fomos feitos para fazer – operarmos em ambientes reais, físicos, tomando decisões rápidas e táticas sobre o que estamos vendo e sentindo.
Agora evoluímos para estes comportamentos complicados e abstratos. Certamente haverá consequências neurológicas nisso. É importante pensar num balanço não somente em termos de leitura. Em um senso geral, talvez devêssemos operar em um mundo sem máquinas, pensando em uma humanidade fundamental, para voltarmos a ter a saúde original do cérebro. Mas isso é um pouco complicado.
Ainda temos tempo para mudar?
A humanidade provavelmente perceberá as consequências do uso da internet quando elas ficarem mais visíveis. Isso porque somos muito ignorantes para compreender os riscos que estamos passando agora. Uma das coisas básicas que as pessoas não entendem é que nosso cérebro é plástico, e essa plasticidade é bidirecional.
Posso pegar qualquer outra pessoa e destruir sua habilidade de entender o que falo, degradar sua capacidade de controlar as mãos ou de compreender o que está vendo. Assim como posso treiná-lo para refinar sua habilidade de usar suas mãos, entender melhor o que está vendo. As pessoas não entendem que o que elas fazem mudam seu cérebro, suas características operacionais e de performance. O ideal seria que elas soubessem das consequências neurológicas antes delas começarem a acontecer.
Nas décadas de 1970 e 1980, o neurocientista norte-americano Michael Merzenich conduziu uma série de experimentos em cérebros de primatas que revelaram como os circuitos neurais e sinapses dos animais mudavam rapidamente de acordo com sua experiência ou atividade. Merzenich reorganizou os nervos na mão de um macaco, e, como resposta, as células neurais do córtex sensorial do animal rapidamente se organizaram para criar um novo mapa mental daquela mão. “Da mesma maneira, um fenômeno cultural recente como a internet pode alterar o funcionamento das nossas cabeças por funcionar como um mediador”, diz.
Segundo Merzenich, a web está treinando o cérebro dos usuários a tentar fazer várias coisas simultanteamente, enquanto ignora os circuitos neurais responsáveis pela reflexão e pensamento aprofundado – mesmo quando estamos longe de um computador. Ele disse a Galileu que a internet deverá atrapalhar o desenvolvimento intelectual da humanidade a longo prazo, podendo até causar uma “epidemia futura de senilidade”. Confira a conversa:
Nossos cérebros são remodelados pelo uso intenso de internet?
Eles mudam com a evolução da cultura, isso está acontecendo agora, com o jeito que absorvemos quantidades elevadas de informação na internet. É claro que o cérebro de cada um é diferente, e a pessoa comum que tem essa dose pesada de informação tem mais tendência a mudar. Há milhares de anos, a leitura universal não estava espalhada, e agora nós passamos uma boa parte dos nossos dias lendo. Os nossos cérebros se especializaram nisso, e estão muito diferentes do cérebro de uma pessoa normal há milhares de anos. Da mesma maneira, o cérebro de uma pessoa que usa muita internet é diferente do cérebro de alguém há 10 ou 20 anos.
Isso é bom ou ruim?
Há algo incrivelmente positivo sobre a internet, temos uma quantidade enorme de informação com aquisição muito mais eficiente. É um recurso incrível, como se tivéssemos todas as bibliotecas do mundo perto das nossas mãos. Carregar seu cérebro com bastante informação dá várias maneiras dela ser usada, integrada ou afeta sua imaginação, criatividade e atenção.
Por outro lado, a internet muda a maneira que você usa seu cérebro para adquirir informação. O internauta não precisa enfrentar uma luta pessoal para encontrar o que precisa. Agora, ele lida com uma tabela prática de referências, e não precisa mais raciocinar tanto. Passou a usar uma estratégia de pesquisa e busca, e deixou de exercitar várias habilidades cognitivas. É muito fácil resolver qualquer problema olhando sua resposta em vez de tentar resolvê-lo com inteligência e raciocínio. Esse é o perigo real, porque envolve uma manipulação de informação muito menos agressiva, do uso de suas habilidades cognitivas.
Agora, nós olhamos para outra pessoa para fazermos um julgamento, para comprar uma viagem ou produto. Não estamos pensando neles. Procuramos uma conclusão tomada por alguém, para escolhermos a direção em que pularemos. Muita gente está tão imersa nisso que não percebe o que está acontecendo.
E qual seria o efeito a longo prazo?
O internauta, enquanto consome informação, terá que lidar com uma série de dados desnecessários, de “ruídos”, que podem afetar o cérebro. Em um experimento, se acostumarmos o cérebro de um animal a um ambiente continuamente “ruidoso”, visual ou auditivo, seu desempenho é degradado. Tem mais dificuldade em realizar suas tarefas e parece ter vivenciado menos coisas. Há diferenças até em seus hábitos e brincadeiras.
É um engano pensar o excesso de informação é inofensivo. Toda ação que contribui para as operações do seu cérebro ficarem “ruidosas” aumentará o risco de você ter uma saúde mental ruim no futuro. Alguns outros experimentos apontam que a senilidade tem relação com o comportamento cerebral “ruidoso” da pessoa quando ela ainda é jovem. A internet talvez possa contribuir para uma epidemia futura de senilidade. Há dados que mostram um crescimento enorme de indivíduos senis. Não há uma conexão comprovada e direta com a internet, mas creio que há demonstrações indiretas disso.
Qual é a melhor coisa que podemos fazer a respeito? Precisamos balancear o uso da internet com a leitura de livros?
É preciso lembrar que a vida cultural moderna é bem bizarra. Não fomos construídos para ler. Na verdade, a leitura é uma aventura. O mesmo serve para estas ferramentas que nos permitem passar todo esse tempo na internet. Há muito pouco a fazer em relação ao que realmente fomos feitos para fazer – operarmos em ambientes reais, físicos, tomando decisões rápidas e táticas sobre o que estamos vendo e sentindo.
Agora evoluímos para estes comportamentos complicados e abstratos. Certamente haverá consequências neurológicas nisso. É importante pensar num balanço não somente em termos de leitura. Em um senso geral, talvez devêssemos operar em um mundo sem máquinas, pensando em uma humanidade fundamental, para voltarmos a ter a saúde original do cérebro. Mas isso é um pouco complicado.
Ainda temos tempo para mudar?
A humanidade provavelmente perceberá as consequências do uso da internet quando elas ficarem mais visíveis. Isso porque somos muito ignorantes para compreender os riscos que estamos passando agora. Uma das coisas básicas que as pessoas não entendem é que nosso cérebro é plástico, e essa plasticidade é bidirecional.
Posso pegar qualquer outra pessoa e destruir sua habilidade de entender o que falo, degradar sua capacidade de controlar as mãos ou de compreender o que está vendo. Assim como posso treiná-lo para refinar sua habilidade de usar suas mãos, entender melhor o que está vendo. As pessoas não entendem que o que elas fazem mudam seu cérebro, suas características operacionais e de performance. O ideal seria que elas soubessem das consequências neurológicas antes delas começarem a acontecer.
O pescoço da evolução
Da Agência Fapesp
Aquele pequeno pedaço do corpo entre a cabeça e os ombros foi mais importante para a evolução humana do que se pensava. Segundo um novo estudo, o pescoço deu ao homem tamanha liberdade de movimentos que teve papel fundamental na evolução.
A conclusão deriva da análise genética do homem e de peixes e foi publicada nesta terça-feira (27) na revista on-line Nature Communications, em artigo com acesso livre.
Cientistas achavam que as nadadeiras peitorais em peixes e os membros superiores (braços e mãos) em humanos fossem inervados (recebessem nervos) a partir dos mesmos neurônios. Afinal, nadadeiras e braços parecem estar no mesmo local no corpo.
Não exatamente. De acordo com a pesquisa, durante a transição ocorrida entre peixes e animais que passaram a caminhar sobre a terra – que deu origem aos mamíferos –, a fonte dos neurônios que controlam diretamente os membros superiores se deslocou do cérebro para a medula espinhal, à medida que o tronco se distanciou da cabeça e entrou em cena o pescoço.
Os braços no homem, assim como as asas de aves e morcegos, separaram-se da cabeça e ficaram posicionados no tronco, abaixo do pescoço, indica o estudo feito por Andrew Bass, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e colegas.
“O pescoço possibilitou o avanço em movimentos e na destreza em ambientes terrestres e aéreos. Essa inovação em biomecânica ocorreu simultaneamente a mudanças no modo em que o sistema nervoso controla os membros”, disse Bass.
De acordo com o pesquisador, o surgimento desse nível de plasticidade evolutiva provavelmente é responsável pela grande variedade de funções dos membros superiores, do voo em aves e do nadar em baleias e golfinhos às habilidades humanas.
O artigo Ancestry of motor innervation to pectoral fin and forelimb (doi:10.1038/ncomms1045), de Andrew Bass e outros, pode ser lido na Nature Communications em www.nature.com/ncomms/journal/v1/n4/full/ncomms1045.html.
Aquele pequeno pedaço do corpo entre a cabeça e os ombros foi mais importante para a evolução humana do que se pensava. Segundo um novo estudo, o pescoço deu ao homem tamanha liberdade de movimentos que teve papel fundamental na evolução.
A conclusão deriva da análise genética do homem e de peixes e foi publicada nesta terça-feira (27) na revista on-line Nature Communications, em artigo com acesso livre.
Cientistas achavam que as nadadeiras peitorais em peixes e os membros superiores (braços e mãos) em humanos fossem inervados (recebessem nervos) a partir dos mesmos neurônios. Afinal, nadadeiras e braços parecem estar no mesmo local no corpo.
Não exatamente. De acordo com a pesquisa, durante a transição ocorrida entre peixes e animais que passaram a caminhar sobre a terra – que deu origem aos mamíferos –, a fonte dos neurônios que controlam diretamente os membros superiores se deslocou do cérebro para a medula espinhal, à medida que o tronco se distanciou da cabeça e entrou em cena o pescoço.
Os braços no homem, assim como as asas de aves e morcegos, separaram-se da cabeça e ficaram posicionados no tronco, abaixo do pescoço, indica o estudo feito por Andrew Bass, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e colegas.
“O pescoço possibilitou o avanço em movimentos e na destreza em ambientes terrestres e aéreos. Essa inovação em biomecânica ocorreu simultaneamente a mudanças no modo em que o sistema nervoso controla os membros”, disse Bass.
De acordo com o pesquisador, o surgimento desse nível de plasticidade evolutiva provavelmente é responsável pela grande variedade de funções dos membros superiores, do voo em aves e do nadar em baleias e golfinhos às habilidades humanas.
O artigo Ancestry of motor innervation to pectoral fin and forelimb (doi:10.1038/ncomms1045), de Andrew Bass e outros, pode ser lido na Nature Communications em www.nature.com/ncomms/journal/v1/n4/full/ncomms1045.html.
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