quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Primeira aulinha de Wing Chun

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Esta frase é sua?

A campanha relativa à defesa das vagas de estacionamento para deficientes, criada pela Getz, do meu amigo Maurício Ramos, tem como bordão principal “esta vaga não é sua nem por um minuto”. Campanha bonita, por sinal, que vem de ser encampada pelo governo federal.
Estranhei, porém, que a citada frase está há quase dois anos no estacionamento do supermercado Casa Fiesta do Alto da XV. A diferença é que esta fala "minutinho".

Plágio? Aproveitamento de ideia anterior? Família, como na literatura?
O que diz o Maurício, e aqui dou por encerrado o assunto:

"Quanto à frase 'Esta vaga não é sua nem por um minuto', não tem dono que seja conhecido pois é uma frase utilizada pelo segmento das instituições ligadas aos deficientes há muito tempo. Assim como o símbolo que também é universal. A criatividade e senso de oportunidade esteve no fato de arrumar a frase e a imagem num novo layout (um pouco mais bonitinho talvez) e sugerir que as pessoas usassem como sua imagem avatar no Facebook e twitter, como forma de dizer que não concordavam com o que aconteceu com a Mirella. Mais do que isto, nosso trabalho foi tornar uma idéia do próprio movimento dos deficientes conhecida e popular.
Fizemos muitas peças e colocamos num site a disposição de quem quisesse usar (adesivo, Cartazes, follhetos esclarecendo as diferenças das vagas especiais, e-mail-mkt, banners...idéias que vão além da frase.). O filme também extrapola muito a marca, propondo uma troca de papeis muito divertida (ja tem mais de 1 milhão de views!!!). Levamos pra Brasilia para propor um projeto de governo para a acessibilidade (ja estava em andamento mas será acelerado) e vamos levar para a ONU em breve para que conheçam nosso case de mobilização. Legal o Fiesta ter a frase no estacionamento, mas ela em si não é a campanha, compreende? Muitas instituições tem. A gente deu sentido e adesão pra coisa. Sensibilizamos."

Este é que é prefeito

Na Lituânia

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Lucian Freud


Morreu ontem em Londes, aos 88 amos, o pintor Lucian Freud. Nascido alemão, era neto de Sigmund Freud. A família fugiu para a Alemanha em 1933, com a ascensão de Hitler. Na ilha Freud estudou artes e tornou-se, até ontem, o maior pintor vivo (creio que desde Picasso, quando este era vivo, óbvio). O quadro "Autorretrato com olho negro" (tradução literal) mostra sua cara. Vale milhões.

Tyson, vegano


A foto (roubada do blog da Rosana Jatobá, no G1) ilustra a campanha pela alimentação vegana, mais radical que o vegetarianismo. Os veganos não comem alimento que tenha origem animal - até mesmo gelatina diet (cujo colágeno tem tutano bovino) e, pasmem!, mel. Mike Tyson disse em entrevista que se arrepende de ter tido como alimento carnes e produtos de origem animal. Os veganos não comem nem ovo cozido e camarão à milanesa.
Já fui vegetariano e me senti bem mais leve. Essa do veganismo é uma. Vou experimentar. A cerveja não tem nada de animal, só os(as) cervejeiros(as).

terça-feira, 19 de julho de 2011

A águia ferida


Do El País digital
Es como un águila herida, como si tuviera un cacho de palo entablillando el ala para reducir la fractura, pero que le impide echar a volar

Circula por ahí estos días una dramática -y curiosa- foto de Tem Dam que impresiona por su crudeza. En ella se ve a un corredor que trata de terminar la etapa como buenamente puede después de una dura caída. El maillot manchado y roto, rodillas y codos raspados y con pequeños cortes, los guantes y el manillar impregnados en sangre, y, lo que más llama la atención y añade aún más dramatismo a la escena, la cara vendada a la altura de la nariz como si de una máscara se tratase.

Ocurrió hace unos días, el pasado sábado en la etapa de Plateau de Beille, mientras bajaban el Coll de Agnes. Laurens bajaba tranquilamente en el grupo de los favoritos, y en una curva a derechas, se fue hacia el exterior y se salió a la hierba. Trató de controlar la bici y circuló unos metros por la cuneta, pero se encontró con un agujero o una piedra, y salió despedido violentamente golpeando con fuerza con la cara sobre la tierra. La foto refleja lo ocurrido e impresiona. Laurens, con ese look que tiene con barba de unos días -estilo Jesucristo superstar, le decíamos los compañeros-, y con la mirada perdida de sus ojos claros, en brusco contraste con la sangre y la suciedad que le cubre el rostro. Y con ese aparatoso vendaje que desde la nuca le da vueltas por la nariz para taponar la hemorragia.

Pero Laurens, duro como una roca que es, sigue en carrera y muestra lo mejor de su carácter, esto es, su sentido del humor. Ha recibido ocho puntos de sutura en la nariz y lo que dice es: Bueno, 25 menos que Johnny, en referencia a los 33 de Hoogerland.

Laurens es un corredor holandés que cumplirá 31 años el próximo noviembre y que destaca por sus características como escalador. Corre en el Rabobank desde 2008, aunque ya de joven lo hizo en el equipo amateur. Y aunque según su palmarés su victoria más importante sea una etapa en Criterium Internacional, tiene una buena colección de puestos de honor en carreras importantes. No es un ganador nato, pero es un tío duro que aguanta y aguanta como un jabato, y solo los mejores escaladores pueden con él.

En este Tour, después de las caídas de Gesink, se mostró como la mejor alternativa del equipo holandés para la clasificación general, pero el topetazo del otro día desbarató sus planes. Otra caída una vez más, una constante en su carrera deportiva, menos mal que se lo toma con el buen humor que le caracteriza.

¿Y qué animal podría ser el bueno de Laurens? Pues después de ver esa foto, no me venía otra cosa a la cabeza: es un águila herida. Esa águila que nos podemos encontrar un día en un centro de rehabilitación de animales heridos, con un cacho de palo entablillando el ala para reducir la fractura. Un animal que instintivamente da pena, pues se ve incapacitado para hacer lo que le pide su naturaleza, esto es, volar. Eso es lo que me imaginé al ver tu foto, Laurens, tomándome las cosas con buen humor, a tu mismo estilo.

Suerte en este Tour, dorsal 48. Sé que hasta ahora no la has tenido, así que a ver si aparece algo en lo que queda. Por lo menos parece que no tienes nada fracturado. Y enhorabuena por tu valor, que simplemente el hecho de seguir en carrera en esas condiciones es ya toda una victoria. Como Johnny y Flecha, menudo club que habéis formado de supervivientes.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Meu filho, você não merece nada

Coluna de Eliane Brum, na Época On-line

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.