sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Código de Hamurábi

137. Se um homem quiser se separar de uma mulher ou esposa que lhe deu filhos, então ele deve dar de volta o dote de sua esposa e parte do usufruto do campo, jardim e casa, para que ela possa criar os filhos. Quando ela tiver criado os filhos, uma parte do que foi dado aos filhos deve ser dada a ela, e esta parte deve ser igual a de um filho. A esposa poderá então se casar com quem quiser.
138. Se um homem quiser se separar de sua esposa que lhe deu filhos, ele deve dar a ela a quantia do preço que pagou por ela e o dote que ela trouxe da casa de seu pai, e deixá-la partir.
139. Se não tiver havido preço de compra, ele deverá dar a ela uma mina em ouro como presente de libertação.
140. Se ele for um homem livre, deverá dar a ela 1/3 de uma mina em ouro.

O olhar de Capitu - 21.º capítulo de um romance inexpugnável

E ela, mas ela? Disse-me, disse-nos, há nós, há nós, nós e o plural de nó, há nozes, há nós, nós, nós vários, vozes e vocês, há voz, há vós, avós. Chega, pare, paro. Nada mais digo nem direi nem farei, fariseu, farisei, farei. Há nossos antepassados, repassados dignos de nota, notas musicais. Há dós, rés e mis. E sóis. E o sol que rutila nauseabundantemente sobre nossas janelas e cinzeiros e altaneiros arrebóis. E a ressaca do mar e dos olhos sem fim de Capitu. E ela, e ela? Diamantes aos porcos, donde se conclui que, que, que, gaguejadamente se fazem abluções sobre letras e litros de palavras, lavras de pensatas. Pasta dental, flanelas, prateleiras, panelas altaneiras, lojas de amebas sensatas, silvos de tratados de sábios e nefelibatas.

Seres humanos

Do Diário da Região, de Rio Preto, cedido pelo amigão Montezuma Cruz.

A família de três angolanas economizou dinheiro durante três anos, atravessou o oceano Atlântico e viajou sete mil quilômetros até Rio Preto com apenas um objetivo: evitar a morte precoce. As africanas - duas meninas, de 7 e 9 anos, e uma jovem de 20 - sofrem de anemia falciforme, uma doença hereditária que causa dores pelo corpo, fraqueza, quadro anêmico persistente, acidente vascular cerebral (AVC) e pode, nos casos mais severos, matar. Em Angola, país africano colonizado por Portugal, até existem hematologistas, mas faltam medicamentos para tratar adequadamente a doença.

As angolanas descobriram Rio Preto depois que um conterrâneo, que sofre do mesmo mal, tratou-se na cidade e apresentou importante melhora na saúde. O caso ganhou repercussão na província de Zaire, a 400 km da capital, Luanda, onde moram. A dona de casa Isabel Antônio Helena, 44, conta que acredita, com todas as suas forças, em uma solução. Ela é mãe de Silvia Gisela Rosa, 20, e de Rosana Helena Silva, 9. As duas têm a doença e nunca passaram por acompanhamento médico. Sofrem dores fortes na cabeça e nas articulações e ficam, até duas semanas, sem frequentar a escola. A fraqueza limita até a ida ao banheiro - às vezes, são carregadas no colo pelos pais.

“Dói tanto que não consigo fazer nada”, relata Silvia, que cursa o equivalente ao oitavo ano do ensino fundamental brasileiro. Ela é pequena para a idade. Uma das complicações da doença é justamente o déficit de crescimento. “Quero ser advogada.” Silvia não tem o braço esquerdo, amputado na infância após uma sucessão de erros médicos. O membro foi fraturado em uma queda. Silvia revela que a família faz um esforço gigante na esperança de melhorar a vida dela e de Rosana. “O esforço não é só financeiro. Passamos noites inteiras acordadas cuidando delas. O meu sonho é vê-las em melhor estado. Quero que estudem e tenham uma vida normal”, diz Isabel.

Ela é mãe de mais duas meninas (que não sofrem da anemia) e tem parentes com a mesma doença. Estima gastar quase R$ 15 mil com a viagem. Somente as passagens aéreas custaram R$ 2 mil (ida e volta) para cada. Mas, como disse, não se arrepende. Maria João Fernandez, 31, também trouxe a filha Jaquelina João, 7, para se tratar em Rio Preto. A menina sente dores no peito com frequência. A dona de casa bateu na porta de inúmeros hospitais e clínicas angolanas, mas não conseguiu nada. Agora, está confiante em melhorar a saúde da filha. “Temos esperanças em fazer essa conquista.”

A doença da filha obrigou Maria João a parar de amamentar o filho, de 1 ano, para vir ao Brasil. O menino ficou sob os cuidados de uma irmã e da mãe. “Isso foi o mais difícil. Mas tenho que ajudar Jaquelina.” A família vai gastar R$ 10 mil. As cinco devem ir embora em duas semanas. O tratamento é feito em uma clínica particular de Rio Preto, sob comando do hematologista Flávio Naoum. Ele é sincero ao avaliar a falta de tratamento das angolanas até então. “Tiveram muita sorte. Correram risco de contrair infecções graves e de sofrer lesões permanentes em vários órgãos.”

O especialista já as medicou com vacinas e antibióticos, fez exames e vai indicar um tratamento para ser feito em Angola. Todo o procedimento das três vai custar R$ 1 mil. “Com essas medidas terão mais qualidade de vida. A cura, no entanto, só é possível com transplante de medula óssea.” As duas famílias estão hospedadas na casa de uma angolana, estudante da Unesp de Rio Preto, mas procuram casa para alugar. É que a moradia tem apenas dois cômodos e falta espaço para acomodar as visitas.

Teste do pezinho detecta a doença

A anemia falciforme é uma doença comum entre os negros. “Ela surgiu na África. Como uma defesa natural contra a malária. Foi introduzida no Brasil no período em que ocorreu tráfico de escravos”, afirma o hematologista Flávio Naoum. “Mas, hoje, também é comum em brancos e pardos brasileiros, em razão da miscigenação da população.” Segundo Naoum, a expectativa de vida de uma pessoa portadora de anemia falciforme é de 50 anos. “Com os novos tratamentos, é possível prolongar. Cada pessoa reage de uma forma à doença.”

Desde 2001, a doença é descoberta no Brasil com o teste do pezinho, após o nascimento da criança. Assim que constatada, o tratamento é iniciado. O uso preventivo de antibióticos ocorre até os cinco anos de idade da criança. Depois, é necessário acompanhamento regular com especialista. A taxa de óbito, diz Naoum, é de 20% em crianças de até cinco anos, que não realizam tratamento com prevenção de infecção. Em São Paulo, a proporção da doença é de um caso para cada 4 mil nascimentos.

A anemia falciforme pode causar acidente vascular cerebral (AVC) em crianças. Para quem apresenta esse quadro é recomendado a transfusão de sangue uma vez por mês. A manifestação clínica mais comum é a ocorrência de crises de dor, que atingem principalmente pés, mãos, braços, tórax, cabeça, abdômen e pernas. Além de AVC, há casos de úlcera de pernas, necrose do fêmur, retinopatia e déficit de crescimento.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Kirshner

Para que não nos esqueçamos, repito um belo poema español:

Un alemán es una cerveza
Dos alemanes son un ejército
Tres alemanes son una guerra

Un francés es una champaña
Dos franceses son una pareja haciendo el amor
Tres franceses son una orgía

Un inglés es un whisky
Dos ingleses son un club
Tres ingleses son un imperio

Un americano es un martini
Dos americanos son una corporación
Tres americanos son una invasión

Un mejicano es un tequila
Dos mejicanos son muchos hijos
Tres mejicanos son un mariachi

Un brasileño es un café
Dos brasileños son un partido de fútbol
Tres brasileños son un mundial

Un colombiano es un aguardiente
Dos colombianos son una porrada
Tres colombianos son un cartel

Un argentino es un hijo de puta
Dos argentinos son dos hijos de puta
Tres argentinos son tres hijos de puta

O Paraná 247 vem aí

Mal traço linhas neste troço. Meu espoço, hic, meu espaço este aqui.

Comunico aos meus 38 (deus e zeus dos céus, são 38) seguidores que a partir de novembro estarei de volta ao espaço, a rigor ao espaço virtual do jornalismo combativo e interpretativo.

Sempre imparcial, mas neutro, jamé.

Falo da versão paranaense, logo chamada Paraná 247 do Brasil 247 (confira lá em 3 dabliús Brasil 247.com.br), primeiro jornal eletrônico do país que nasce sem os traumas do JB e do Estado do Paraná e sem os prudridos dos jornalões.

Foi criado pelo Leo Attuch (Veja, Isto É, O Estado de Minas) para brigar na rede.

Quebra, de cara, dois paradigmas, um puxando o outro: 1, não tem, nunca terá papel como suporte; 2, entrega conteúdo gratuito, de graça mesmo, contradizendo uma "tendência" brasileira (Folha, Estadão e tal) e mundial (NY Times e tal). Vai ser de graça, mesmo.

O tal suporte foi criado para tablets (prefiro tabuletas), do iPad aos demais, e smart phones que rodem no Android.

Você tem? Genial. Abra e veja que bacana.

Não tem ainda? Veja na internet a versão convencional. Bacana também. Manchetão, foto aberta. Role a página.

O Brasil 247 já tem 2,5 milhões de acessos por dia, bebê.

Compete peito a peito com as versões web do Globo, Folha, Estadão e tal. Mas ganha, porque o conteúdo, integral, é grátis.

Assim como o Huffington Post.

Mas não é cópia deste nem daqueles.

Aqui, no Paraná 247, estamos começando pequenos. Mas temos o melhor time. Não somos o Barça, com o Messi. Mas nosso futsal tem o Falcão, aliás, falcões e falconas.

Vamos cobrir política, cidades, negócios, esportes, cultura e tudo o mais, com competência e imparcialidade. Mas neutralidade jamais. E emoção, sempre.

Faço o comercial porque neste projeto está um novo pedaço da minha biografia e da dos meus colegas amigos.

Você, raro leitor, vai curtir também nossos articulistas.

Falarão de agricultura, direito, medicina, economia,governo, futebol, MMA...

Como diz nosso editor de fotografia, Leandro Taques, cuidado com a louça.

Gostamos do que somos e do que fazemos. E gostamos mais ainda do que faremos.

Esperamos você no Paraná 247.

Como diz nossa musa Torloni, vai ser roquenrrol, bebê.

Inté.

Mulherões de ouro no México

domingo, 16 de outubro de 2011

O Carlão tinha razão