Nota na coluna do secretário estadual para Assuntos da Copa do Mundo 2014, Mário Celso Cunha, no Paraná On-Line.
Marecia ganhar o Juca Pato, entregue ao intelectual do ano.
Simpatia
Para bicho de pé
Para acabar com o
bicho-de-pé faça uma compressa com papa de farinha de trigo e água.
Coloque sobre a pele e cubra com um esparadrapo. Deixe ali por dois dias
e depois retire tudo. O bicho de pé passará para a compressa.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Cáceres
Por Nilson Monteiro, cidadão do Paraná e da Extremadura
Uma reportagem familiar
Uma reportagem familiar
Ao espiar pela janela do trem indo de Lisboa as luzes
piscando na madrugada, senti o arrepio da infância e um sentimento novo de quem
sempre quis chegar àquela terra e só a conhecia nos sonhos e pelas fotos.
Acompanhado da Cleusa e dos meus cunhados Marcelo e Jacira, eu pisei o chão da
estação ferroviária de Cáceres, na Extremadura, como quem descobria o solo
lunar.
É aqui que está enterrado o umbigo familiar, martelava em
mim. E imaginei: quero experimentar as sensações de Militão, filho de Valeriano
Montero Granado e de Horta Cordeiro Acosta, e Josefa, filha de Pio Gallego
Streia e Joanna Aranda Torilha, nesta cidade, nos seus sítios, embora a saia da
noite não me deixasse enxergar nada de seus contornos além das lâmpadas de um bar,
na própria Ferroviária, que só abriria as portas às 6 horas.
Foi onde tomamos café e ensaiei frases em espanhol aprendido
de orelha com os avós e os tios mais velhos. E começaria a perceber que minha
ignorância não permitira que eu entendesse que não seria assim tão fácil de
desenterrar nosso passado em uma província das que formam a Comunidade Autônoma
de Extremadura que, com 1.768 quilômetros quadrados, é a maior província em
extensão territorial da Espanha e tem cerca de 200 povoados ou pueblos, como eles dizem. Em um deles
nasceram e cresceram meus avós, eu, porém, teimava, com a razão conferida pelos únicos documentos que
tinha em mãos. E sonhava encontrá-lo ou pelo menos saber em que pueblo. Sei que os sobrenomes, com a
vinda para cá, foram “abrasileirados”: Montero virou Monteiro e Gallego virou
Galiego.
Mas, voltando um pouco, a intenção era esta: eu queria
conhecer Cáceres a partir dos sonhos criados pelo imaginário infantil e sem o
didatismo dos livros. E foi assim que nela passamos uns dias neste abril,
tentando descobrir seus mistérios e o visgo que seu falar produz em minha alma.
Una
ciudad de pedra y fuego
Nela, senti o pulsar dos Monteiro e Galiego a todo instante.
Muito – ou tudo – tem a ver com esta gente que nasceu e foi criada no Brasil
pelos extremeños que deixaram aquele canto do mundo em situação adversa, fosse
pelas pragas que invadiam o campo ou pelo clima agudo que matava as plantações.
Um tanto frustrado, não descobri de qual povoado esses espanhóis saíram, de
qual porto zarparam em direção ao seu novo país. Eu e Cleusa procuramos por
inúmeros lugares – Prefeitura, Igreja, policias (tanto local como nacional),
Jusgado (que corresponde a uma espécie de Ministério da Justiça), listas
telefônicas etc. O problema é que não tínhamos o nome do povoado de nascimento
nem do vô e nem da vó. Talvez a tia Joana possa ter de memória.
Mas, a parte antiga da cidade tem a cara deles, o jeito
deles. Explico: a ciudad vieja foi
criada em 25 a.C e está absolutamente conservada, apesar das guerras entre
romanos, mouros, cristãos e do desenvolvimento, nas bordas de sua muralha, de
uma cidade nova. Somadas, em um só corpo, elas têm 98 mil habitantes. A cidade
nova tem tudo o que uma urbe moderna: prédios (embora todos com um padrão de
altura que não excede a cinco andares), avenidas, ruas, largas calçadas, lojas,
restaurantes, livrarias, correria etc.
Ficamos
hospedados no coração da ciudad vieja,
onde palpitam emoções que têm a ver com o nosso passado e presente. Cáceres, a vieja, é uma cidade de pedra e fogo,
como a definiu o escritor Juan Antonio Pérez Mateos. E de profundo encanto.
Um
dia, no meio da Plaza Mayor, liguei para tia Joana, falando de minha emoção de
estar no local onde nasceram seus pais e, consequentemente, toda nossa família.
A tia Joana é a mais velha dos irmãos vivos e a que traz, a meu ver, traços
vigorosos daquele lugar e de seu povo.
Ninhos de cegonha, um símbolo
No
ano 1000, os árabes fizeram alusão a ela com o nome Qâzrix, em história ainda
hoje escrita com castelos, torres, igrejas, praças, museus etc. Esta história
inclusive mostra peças e documentos do início de tudo, bem antes de Cristo,
guardados em seus museus. A conquista cristã do núcleo, em 1229, lhe dá
configurações interessantes: os telhados mais velhos da cidade são ornamentados
com crucifixos. Assim como os castelos e suas torres têm inscrições e brasões
de nobres que a dominaram.
Mas, o que os meus olhos viram, para
suspiros de minha alma e não raras lágrimas? Ao entrar-se na Ciudad Monumental
de Cáceres, como é conhecida a parte antiga, caminha-se por uma cidade
medieval, renascentista e barroca, com três praças – Santa Maria, São Jorge e
São Mateus –, que dominam a paisagem, ligadas por ruelas estreitas e carregadas
de segredos. Entre elas, está a Via de La Plata, que é mantida muito bem
conservada e liga, em outro destino, à estrada que vai a Santiago de
Compostela. E entre elas também está a Calle de Gallegos, onde fiz questão de
ser fotografado, todo metido. Mistura de Gallego e Montero.
Meus olhos viram mais: nas torres da Igreja
de São Mateus são mantidos, há séculos, ninhos de cegonhas, o símbolo da
cidade. Sua exposição ao sol ou sua brancura à noite são poemas silenciosos, ao
contrário da “gritaria” das golondrinas, pássaros a quem damos o nome, aqui, de
andorinhas, ao final dos dias.
A comida extremeña é pesada, à base de ovo e carne de jamón,
que é o nosso porco. Tudo tem jamón no meio – do café da manhã ao jantar. O
jamón ibérico é o preferido e mais caro. São porcos, à vezes cruzados com
javalis, que se criam em liberdade no pasto, comendo bellotas, que é uma
espécie de fruta. O costume de comer jamón (ou porco) resistiu na Extremadura,
apesar de 700 anos de dominação mulçumana na região.
Os
restaurantes, os bares, as ruas, tudo parece cheirar carne de porco. E isto,
parece-me, explica o grande gosto de nossa família por pratos preparados com
esta carne, especialmente o torresmo (ai, meu Deus!). Ah, sim, além de comer
jamón, eles gostam muito também do licor de bellota.
Além de jamón, em tudo há huevo. É ovo frito, cozido, em
todas as refeições. Um dos pratos preferidos é o “migas”, uma mistura de pão
com linguiça e, claro, ovo, além da gordura de porco. O vinho também é uma
preferência. Aliás, os cacereños produzem e bebem muito vinho. Bebem a ótima
cerveza San Miguel, amarga e densa, bebem licor, vinho, vinho, vinho.
Outra marca familiar: eles adoram doces. E muito doces. Hay
siempre dulce e mais dulce. A sopa também, como para os Monteiro e os Galiego,
é uma verdadeira obrigação. À noite, não adianta procurar por bares,
restaurantes, padarias etc. pois não se acha, nem por reza, uma tostada (pão e
manteiga) com café e leite. Em nenhum lugar da cidade, nem na Monumental e nem
na “Nueva”. Não há. Eles mostram o cardápio, sempre com três composições –
entrada (há sopas castellanas), prato principal (e lá vem o jamón) e sobremesa
(sempre um doce muito doce).
Brigas de galos e touradas
Descobri, logo no primeiro dia, no bar da Ferroviária, mais
um costume familiar: eles misturam sempre no pão manteguilla com mermelada. Ou
seja, o salgado e o doce. E isto ocorre em todos os lugares. Viram? Eu vejo
nisto um hábito nosso, cultivado pelos nossos pais e por vários de nós.
As marcas estão por todas as partes e me
emocionaram. Por exemplo, em um livro do Pérez Mateos que li no hotel: “Cáceres,
cruel y sangriento em lãs luchas de gallos – y lãs apuestas, uma vez levantada
la prohibiciòn del juego – y aquel personaje, Diego Regulo, que possue un gallo
tan triunfador...”. Pois é, as brigas de galos tão presentes nas vidas de
nossos pais, tios e nas nossas (dos primos mais velhos) também foram importadas
de lá. Sangram em nosso passado recente.
Sangram assim como as corridas de touros, que só acontecem em
maio na Plaza de Toros em Cáceres. Visitei uma delas, erguida em 1846. As
touradas, com sua matança, assim como seu caráter cultural, ainda são
permitidas e muito assistidas em Cáceres, Valência e Madrid. Olé!
Os porcos, os touros, os galos de briga, as paisagens nos
remetem sempre a uma herança rural, que temos muito forte dentro de nós e que
ainda geme, mesmo silente, com o badalar do sino com o Ângelus, nos finais dos
dias em Presidente Bernardes. É assim também com a religiosidade que se vê não
só em Cáceres, mas em toda a Espanha, profundamente católica. A religiosidade
de nossa família tem forte eco em nossos antecessores e nos locais onde
viveram.
Um
coração achado e perdido
As palavras, escritas ou faladas, não parecem dar conta do
que se tem para descrever da parte velha de Cáceres, uma cidadezinha que se
amiúda em nosso viver, espírito e alma. Nela, os dias passam mornos, sem o
tormento de automóveis ou os sons frenéticos da sua outra banda urbana ou de
todas as cidades modernas. O seu andar é íntimo e monótono, como convém a uma
cidade de pedra, com a história grudada em sua pele. Li, em algum lugar, por
lá, algo que define o que estou tentando dizer: “Los instantes, las lunes y las
sombras de muchos dias y muchas noches el la sentido la caricia de las manos
cálidas de um Cáceres único y eterno”.
Pensei em tudo isto na manhã da volta, muito cedo, na mesma
Ferroviária, em direção a Atocha, em Madrid. No caminho, embalado pelos sonhos
e sons dos trilhos da infância, houve onze paradas, das quais me lembro de
Cañaveral, Casas Millan, Miravete, Mirabel, Plasência, Trujillo, Talavera de la
Reina, Illescas, Oropesa, Torrijos e de outra,
cujo nome esqueci. São cidadezinhas de pedra, como Cáceres. A terra,
pelo campo, é empedrada. A vegetação é rasteira, quase linear. Mas, há uma
infinidade de oliveiras, parreirais e gado. As cercas são feitas de pedras,
assim como as habitações rurais. São paisagens de filmes ou guardadas em nossa
memória afetiva, cortada por estradazinhas brancas.
O
nome para a região, Extremadura, explicaram-me, vem das agruras do clima –
muito frio no inverno, com vários graus abaixo de zero, e muito quente no
verão, o calor é abrasador, além da dureza do chão. O trem segue, passando por
essas cidadezinhas, recolhendo poucos espanhóis e seu idioma forte, sem muitos
adornos, que soa familiar e agradável, apesar da velocidade da entonação.
Há um livro de coisas para eu contar. E há uma determinação
de achar o povoado onde esta família, que hoje passa das 160 pessoas, nasceu e
de onde se aventurou a viajar para o Brasil. O cordão umbilical é elástico.
Penso em Cáceres – te deixo com o coração rojo, achado e perdido,
sem bússolas, enterrado nas curvas do tempo, vapor de lágrimas e pedras nos
olhos.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
La ceguera moral
Fernando Vallejo, no El País
La foto impúdica que publicó EL PAÍS el domingo en primera plana del
rey Borbón y otro cazador, ambos con escopetas y atrás de ellos el
elefante que acababan de matar, me produjo, ¡otra vez!, un sentimiento
que en mí se ha vuelto recurrente: asco a la humanidad. Yo he visto de
niño las fotos de los decapitados de mi país, en hileras de decenas, y a
veces de centenares, de campesinos conservadores o liberales descalzos
(pues entonces no tenían ni con qué comprar zapatos) y con las cabezas
cortadas a machete y acomodadas a los cuerpos a la buena de Dios: eran
las del enfrentamiento entre el partido conservador y el partido liberal
colombianos, que a mediados del siglo que acaba de pasar se estaban
exterminando en esa guerra civil no declarada que conocimos como la
Violencia, así, con mayúscula como se pone en España el “Rey”, y que
incendió y devastó el campo de Colombia.
Ninguna de esas fotos me produjo tanto dolor, tanta perturbación como esta del periódico español. Tal vez porque desde niño no quiero a los seres humanos pero sí a los elefantes. O tal vez por lo que enmarca la foto: arriba el nombre del periódico, EL PAÍS, el único que ha llegado ser transnacional en nuestro idioma, pues ni La Nación de Buenos Aires, el diario de los Mitre, con lo grande que fue, lo logró: trascender las fronteras nacionales para ir a los cuatro rumbos del ámbito hispánico, por sobre el mismo mar. Y debajo de EL PAÍS el encabezado, el titular, insulso, banal, perverso: 'El Rey es operado de la cadera al caerse en un safari en Botsuana'.
La tragedia era esa, que el Rey con mayúscula se había roto la cadera en un safari, no que acababa de matar a un animal hermoso, inocente, que ningún daño le había hecho. Para EL PAÍS la matanza de animales grandes por diversión en África es un simple safari: para mí es un asesinato. Y adentro del periódico, llenando dos páginas, la crónica banal del percance y otra foto del Rey con el mismo cazador y adelante de ellos dos búfalos que acaban de matar. Un destino habitual para la caza mayor, dice el correspondiente titular. “España es de los países que más trofeos de grandes especies importa de África. Matar un elefante en Botsuana sale por más de 44.000 euros”. Y que “los médicos le han tenido que colocar al Rey una prótesis que sustituye la cabeza del fémur y la zona donde esta se ensambla con la pelvis”, etcétera, en ese tono neutro, imparcial, que es el que le corresponde a un gran periódico.
De entonces acá, en las horas que han pasado, ha venido la condena en las redes sociales de Internet de muchos españoles indignados porque el Rey se está gastando el dinero público en diversiones cuando España pasa por uno de sus peores momentos, o porque la Casa del Rey no le informó al presidente de su viaje, o por razones así. ¿Y es que alguna vez le informó a alguien cuando se iba a Rumanía a cazar osos con Ceausescu? Todavía en 2004, tiempo después de la caída del tirano, seguía yendo a lo mismo. El 12 de octubre de ese año el periódico Romania Libera de Bucarest informó de su cacería en la región rumana de Covasna, al pie de los Cárpatos, en que mató a escopetazos a nueve osos, una osa gestante y un lobo y dejó malheridos de bala a varios otros animales que medio centenar de ojeadores le iban poniendo a su alcance, de suerte que los pudiera abatir sin riesgo alguno. Varios miembros de la policía secreta rumana disfrazados de campesinos e infiltrados entre los ojeadores protegían de los osos y de cuanto peligro se pudiera presentar al distinguido personaje. La cacería o masacre tuvo lugar desde el viernes 8 de octubre al domingo 10 y la organizó la empresa Abies Hunting, experta en safaris. El Rey había llegado al aeropuerto Otopeni de Bucarest en su jet privado, y escoltado por 10 patrullas de la policía y varios vehículos de acompañamiento protocolario se había trasladado a las cabañas que tenía antes Ceausescu para sus cacerías en la región. Los lugareños de Covasna le depararon al Rey español un cálido recibimiento folclórico vestidos con trajes típicos y lo agasajaron con palinca, un aguardiente de ciruela.
Así que lo de matar animales grandes como el elefante y los búfalos de la semana pasada no es cosa nueva: le viene de lejos al Rey. Y se la va a dejar de herencia, junto con un dineral, a su nieto, quien se acaba de herir un pie por andar jugando con escopetas. ¿Qué irá a cazar este niño cuando crezca y le permitan sus padres ir de cacería? ¿Elefantes? ¿Osos? ¿Búfalos? Ya no van a quedar. Para entonces su abuelo habrá acabado con todos. Aunque las posibilidades que tiene el niño en cuestión de reemplazar andando el tiempo a su abuelo en su altísima dignidad son pocas, alguna hay. Estaría perfecto ahí, como fabricado a la medida del puesto. Es el Rey que se merece España, el país que despeña cabras desde los campanarios de sus pueblos para celebrar, con la bendición de la Iglesia, la fiesta del santo patrono.
Ninguna de esas fotos me produjo tanto dolor, tanta perturbación como esta del periódico español. Tal vez porque desde niño no quiero a los seres humanos pero sí a los elefantes. O tal vez por lo que enmarca la foto: arriba el nombre del periódico, EL PAÍS, el único que ha llegado ser transnacional en nuestro idioma, pues ni La Nación de Buenos Aires, el diario de los Mitre, con lo grande que fue, lo logró: trascender las fronteras nacionales para ir a los cuatro rumbos del ámbito hispánico, por sobre el mismo mar. Y debajo de EL PAÍS el encabezado, el titular, insulso, banal, perverso: 'El Rey es operado de la cadera al caerse en un safari en Botsuana'.
La tragedia era esa, que el Rey con mayúscula se había roto la cadera en un safari, no que acababa de matar a un animal hermoso, inocente, que ningún daño le había hecho. Para EL PAÍS la matanza de animales grandes por diversión en África es un simple safari: para mí es un asesinato. Y adentro del periódico, llenando dos páginas, la crónica banal del percance y otra foto del Rey con el mismo cazador y adelante de ellos dos búfalos que acaban de matar. Un destino habitual para la caza mayor, dice el correspondiente titular. “España es de los países que más trofeos de grandes especies importa de África. Matar un elefante en Botsuana sale por más de 44.000 euros”. Y que “los médicos le han tenido que colocar al Rey una prótesis que sustituye la cabeza del fémur y la zona donde esta se ensambla con la pelvis”, etcétera, en ese tono neutro, imparcial, que es el que le corresponde a un gran periódico.
De entonces acá, en las horas que han pasado, ha venido la condena en las redes sociales de Internet de muchos españoles indignados porque el Rey se está gastando el dinero público en diversiones cuando España pasa por uno de sus peores momentos, o porque la Casa del Rey no le informó al presidente de su viaje, o por razones así. ¿Y es que alguna vez le informó a alguien cuando se iba a Rumanía a cazar osos con Ceausescu? Todavía en 2004, tiempo después de la caída del tirano, seguía yendo a lo mismo. El 12 de octubre de ese año el periódico Romania Libera de Bucarest informó de su cacería en la región rumana de Covasna, al pie de los Cárpatos, en que mató a escopetazos a nueve osos, una osa gestante y un lobo y dejó malheridos de bala a varios otros animales que medio centenar de ojeadores le iban poniendo a su alcance, de suerte que los pudiera abatir sin riesgo alguno. Varios miembros de la policía secreta rumana disfrazados de campesinos e infiltrados entre los ojeadores protegían de los osos y de cuanto peligro se pudiera presentar al distinguido personaje. La cacería o masacre tuvo lugar desde el viernes 8 de octubre al domingo 10 y la organizó la empresa Abies Hunting, experta en safaris. El Rey había llegado al aeropuerto Otopeni de Bucarest en su jet privado, y escoltado por 10 patrullas de la policía y varios vehículos de acompañamiento protocolario se había trasladado a las cabañas que tenía antes Ceausescu para sus cacerías en la región. Los lugareños de Covasna le depararon al Rey español un cálido recibimiento folclórico vestidos con trajes típicos y lo agasajaron con palinca, un aguardiente de ciruela.
Así que lo de matar animales grandes como el elefante y los búfalos de la semana pasada no es cosa nueva: le viene de lejos al Rey. Y se la va a dejar de herencia, junto con un dineral, a su nieto, quien se acaba de herir un pie por andar jugando con escopetas. ¿Qué irá a cazar este niño cuando crezca y le permitan sus padres ir de cacería? ¿Elefantes? ¿Osos? ¿Búfalos? Ya no van a quedar. Para entonces su abuelo habrá acabado con todos. Aunque las posibilidades que tiene el niño en cuestión de reemplazar andando el tiempo a su abuelo en su altísima dignidad son pocas, alguna hay. Estaría perfecto ahí, como fabricado a la medida del puesto. Es el Rey que se merece España, el país que despeña cabras desde los campanarios de sus pueblos para celebrar, con la bendición de la Iglesia, la fiesta del santo patrono.
Fernando Vallejo es escritor. Autor de La virgen de los sicarios, ha ganado el último Premio FIL de la Feria del Libro de Guadalajara.
sábado, 14 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
A Globo censurou Chico Pinheiro?
É a pergunta que faz quem assistiu à última matéria do Bom Dia Brasil (a grafia correta é Bom-Dia) de hoje, quarta-feira, 04 de abril. A reportagem mostrou que nove entre dez sucessos da música (???) brasileira são sertanejos (breganejos ou sertanojos, se você preferir). E dá-lhe cantoria com os jacus.
Ao final, o apresentador Chico Pinheiro fez curto e incisivo discurso, do tipo "e o Brasil, que nos deu Ary Barroso e Chico Buarque? Agora é tcharara, tchururu".
A belísima Renata Vasconcelos ainda tentou consertar com um "mas tem espaço pra todos".
Chico Pinheiro, que apresenta um ótimo programa musical na Globo News, não se conteve, continuou puto da vida e repetiu: "É, tcharara, tchruru. Bom-dia."
E cadê a censura?
Assista à reprise da matéria em
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/v/brasileiros-sao-conquistados-pela-musica-sertaneja/1888098/
Cadê o comentário do Chico Pinheiro?
Sumiu no tcharara, tchururu.
Essa Globo é uma coisa.
Ampla solidariedade ao corajoso Chico Pinheiro.
Ao final, o apresentador Chico Pinheiro fez curto e incisivo discurso, do tipo "e o Brasil, que nos deu Ary Barroso e Chico Buarque? Agora é tcharara, tchururu".
A belísima Renata Vasconcelos ainda tentou consertar com um "mas tem espaço pra todos".
Chico Pinheiro, que apresenta um ótimo programa musical na Globo News, não se conteve, continuou puto da vida e repetiu: "É, tcharara, tchruru. Bom-dia."
E cadê a censura?
Assista à reprise da matéria em
http://globotv.globo.com/rede-globo/bom-dia-brasil/v/brasileiros-sao-conquistados-pela-musica-sertaneja/1888098/
Cadê o comentário do Chico Pinheiro?
Sumiu no tcharara, tchururu.
Essa Globo é uma coisa.
Ampla solidariedade ao corajoso Chico Pinheiro.
terça-feira, 3 de abril de 2012
Michael Jordan, há 30 anos
Roubado do El País
—¿Tú crees que ha sido un gran tiro? ¿Crees que la gente lo recordará?
—Michael, ha sido el tiro más importante que hayas metido jamás.
—Pero no ha sido sobre la bocina.
—Michael, será el más importante de tu carrera.
—Ya veremos...
El diálogo entre Michael Jordan y su excompañero Buzz Petersen, en los vestuarios del Superdome de Nueva Orleans donde el 29 de marzo de 1982 se disputó la final de la Liga Universitaria entre Carolina del Norte y Georgetown, revela la inopia de aquel chaval de 19 años en torno a lo que acababa de conseguir y, al mismo tiempo, su mayúscula ambición. La pasada madrugada, aquel episodio, del que se acaban de cumplir 30 años, habrá sido rememorado con ocasión de la final que enfrentaba esta vez a unas de las universidades con más títulos, Kentucky y Kansas.
“Aquel tiro dio inicio a la leyenda de Michael Jordan”, afirmó tiempo después John Thompson, el entrenador de Georgetown. Carolina del Norte venció por 63-62 gracias al lanzamiento en suspensión de Jordan, cuando faltaban 17 segundos para el final. Por entonces, en su segundo año universitario, era poco más que un telonero. Las estrellas de Carolina del Norte eran James Worthy, elegido MVP, y Sam Perkins; la de Georgetown, Patrick Ewing. Aunque Jordan ya había sido elegido el mejor jugador de primer año en la Conferencia del Atlántico, todavía no se esperaba tanto de él.
La igualdad presidió el partido. El marcador cambió hasta 15 veces de signo. A poco menos de un minuto para el final, Eric Sleepy Floyd, otra de las figuras en ciernes, adelantó a Georgetown, 61-62. Entonces, el entrenador de Carolina del Norte, Dean Smith, el mismo que había sermoneado durante meses a Jordan y le había amenazado con dejarle sin jugar si no pasaba más el balón, recurrió a su plan B. El A consistía en meter el balón dentro de la pintura para Worthy. Pero Thompson tenía más que cubierta esa opción, que caía por su propio peso.
Aquella jugada cambió la vida de Smith, que había llevado seis veces a Carolina del Norte a la final pero no había ganado ninguna, y, por supuesto, la de Michael Jordan. “No vi cómo entraba”, declaró poco después Jordan. “Simplemente recé para que acabara entrando. Nunca miré la bola”. Tiempo después, confesó que aquel tiro supuso el momento más crucial de su carrera.
Un año después fue elegido el mejor jugador universitario. A partir de ahí, fue dos veces campeón olímpico, ganó seis anillos en la NBA con los Bulls de Chicago, entre 1991 y 1998, y todavía mantiene, entre otros récords, los de mejores promedios anotadores a lo largo de su carrera tanto en la fase regular (30,21 puntos) como en los playoffs (33,45).
Nunca olvidó su aprendizaje en Carolina del Norte y por eso siempre jugó con una camiseta de la universidad bajo las dos que defendió como jugador de la NBA: Chicago (1984-1998) y Washington (2001-2003).
—Michael, ha sido el tiro más importante que hayas metido jamás.
—Pero no ha sido sobre la bocina.
—Michael, será el más importante de tu carrera.
—Ya veremos...
El diálogo entre Michael Jordan y su excompañero Buzz Petersen, en los vestuarios del Superdome de Nueva Orleans donde el 29 de marzo de 1982 se disputó la final de la Liga Universitaria entre Carolina del Norte y Georgetown, revela la inopia de aquel chaval de 19 años en torno a lo que acababa de conseguir y, al mismo tiempo, su mayúscula ambición. La pasada madrugada, aquel episodio, del que se acaban de cumplir 30 años, habrá sido rememorado con ocasión de la final que enfrentaba esta vez a unas de las universidades con más títulos, Kentucky y Kansas.
“Aquel tiro dio inicio a la leyenda de Michael Jordan”, afirmó tiempo después John Thompson, el entrenador de Georgetown. Carolina del Norte venció por 63-62 gracias al lanzamiento en suspensión de Jordan, cuando faltaban 17 segundos para el final. Por entonces, en su segundo año universitario, era poco más que un telonero. Las estrellas de Carolina del Norte eran James Worthy, elegido MVP, y Sam Perkins; la de Georgetown, Patrick Ewing. Aunque Jordan ya había sido elegido el mejor jugador de primer año en la Conferencia del Atlántico, todavía no se esperaba tanto de él.
La igualdad presidió el partido. El marcador cambió hasta 15 veces de signo. A poco menos de un minuto para el final, Eric Sleepy Floyd, otra de las figuras en ciernes, adelantó a Georgetown, 61-62. Entonces, el entrenador de Carolina del Norte, Dean Smith, el mismo que había sermoneado durante meses a Jordan y le había amenazado con dejarle sin jugar si no pasaba más el balón, recurrió a su plan B. El A consistía en meter el balón dentro de la pintura para Worthy. Pero Thompson tenía más que cubierta esa opción, que caía por su propio peso.
Aquella jugada cambió la vida de Smith, que había llevado seis veces a Carolina del Norte a la final pero no había ganado ninguna, y, por supuesto, la de Michael Jordan. “No vi cómo entraba”, declaró poco después Jordan. “Simplemente recé para que acabara entrando. Nunca miré la bola”. Tiempo después, confesó que aquel tiro supuso el momento más crucial de su carrera.
Un año después fue elegido el mejor jugador universitario. A partir de ahí, fue dos veces campeón olímpico, ganó seis anillos en la NBA con los Bulls de Chicago, entre 1991 y 1998, y todavía mantiene, entre otros récords, los de mejores promedios anotadores a lo largo de su carrera tanto en la fase regular (30,21 puntos) como en los playoffs (33,45).
Nunca olvidó su aprendizaje en Carolina del Norte y por eso siempre jugó con una camiseta de la universidad bajo las dos que defendió como jugador de la NBA: Chicago (1984-1998) y Washington (2001-2003).
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