Maranhão 66 é um documentário realizado por Glauber Rocha, por encomenda do então governador eleito do Maranhão José Sarney.
Produção de Barretão e Zelito Vianna, fotografia de Eduardo Escorel. Toda a equipe é de cobras.
Entraram nessa pela grana e só pela grana, acredito.
Mas está aí o belo resultado de seu trabalho.
Sarney já era uma pústula naqueles tempos.
É um poltrão, sabujo da ditadura, um homem (?) que transpira indignidade.
Vejam o filme e riam e chorem.
Acho que Glauber estava antevendo o que hoje envergonha todo um País.
http://www.youtube.com/watch?v=t0JJPFruhAA
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Sarney, um homem incomum
por Leandro Fortes, no blog Brasília eu Vi
>
> Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e
> repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao
> senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político,
> uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação
> e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso
> Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente
> como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos
> – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens.
> Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento
> absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e,
> ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores
> passeiam por certos setores da mídia.
>
> Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã
> político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão,
> estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam
> inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por
> ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o
> que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário
> nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores
> patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos
> públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao
> qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é
> utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para
> trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o
> bastante para garantir a derrubada do g overnador Jackson Lago, no
> início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo
> que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do
> lugar.
>
> José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da
> Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar
> e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos
> generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se
> anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa
> falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o
> último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que
> ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia
> mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista
> profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José
> Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que
> um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de
> 1985, após a mor te de Tancredo Neves.
>
> Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas
> brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial,
> erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o
> interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para
> estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do
> jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura
> movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros. Ao
> olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam
> visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as
> pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias
> gerações marcadas pela verminose crÿnica e pela subnutrição idem. Aí,
> saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e,
> desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto p ara, apesar de ser o
> desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.
>
> Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora
> pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um
> homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para
> trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo
> alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte
> coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se
> pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente,
> honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não
> será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e
> injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens
> políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em
> nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e
> imoral da qual se alimenta a escór ia da política brasileira, Lula,
> como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a
> gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.
>
> Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as
> mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu
> a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das
> enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado
> do poder. Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se
> tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno.
> Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno
> ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele
> município e de regiões próximas o sub-registro civil crÿnico, uma das
> máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado. Ao
> conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100%
> daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente
> tratada, até então, com o gado sarneyzista. Por conta disso, Jorge
> Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de
> Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos,
> concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da
> Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o
> sub-registro civil no País.
>
> Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais
> do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando,
> então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau – este um
> empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo
> Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de
> comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas.
> Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no
> Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de
> aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de
> Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas
> do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária. Em abril
> passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade.
> Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a
> desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José
> Sarney.
>
> Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado.
> Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com
> a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa
> velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de
> um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao
> terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de
> dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um
> personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto
> de goma.
>
> Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão.
>
> Há anos, nem me lembro mais quantos, os principais colunistas e
> repórteres de política do Brasil, sobretudo os de Brasília, reputam ao
> senador José Sarney uma aura divinal de grande articulador político,
> uma espécie de gênio da raça dotado do dom da ponderação, da mediação
> e do diálogo. Na selva de preservação de fontes que é o Congresso
> Nacional, estabeleceu-se entre os repórteres ali lotados que gente
> como Sarney – ou como Antonio Carlos Magalhães, em tempos não tão idos
> – não precisa ser olhada pelas raízes, mas apenas pelas folhagens.
> Esse expediente é, no fim das contas, a razão desse descolamento
> absurdo do jornalismo brasiliense da realidade política brasileira e,
> ato contínuo, da desenvoltura criminosa com que deputados e senadores
> passeiam por certos setores da mídia.
>
> Olhassem Sarney como ele é, um coronel arcaico, chefe de um clã
> político que há quatro décadas domina a ferro e fogo o Maranhão,
> estado mais miserável da nação, os jornalistas brasileiros poderiam
> inaugurar um novo tipo de cobertura política no Brasil. Começariam por
> ignorar as mentiras do senador (maranhense, mas eleito pelo Amapá), o
> que reduziria a exposição de Sarney em mais de 90% no noticiário
> nacional. No Maranhão, a família Sarney montou um feudo de cores
> patéticas por onde desfilam parentes e aliados assentados em cargos
> públicos, cada qual com uma cópia da chave do tesouro estadual, ao
> qual recorrem com constância e avidez. O aparato de segurança é
> utilizado para perseguir a população pobre e, não raras vezes, para
> trucidar opositores. A influência política de Sarney foi forte o
> bastante para garantir a derrubada do g overnador Jackson Lago, no
> início do ano, para que a filha, Roseana, fosse reentronizada no cargo
> que, por direito, imaginam os Sarney, cabem a eles, os donatários do
> lugar.
>
> José Sarney é uma vergonha para o Brasil desde sempre. Desde antes da
> Nova República, quando era um político subordinado à ditadura militar
> e um representante mais do que típico da elite brasileira eleita pelos
> generais para arruinar o projeto de nação – rico e popular – que se
> anunciava nos anos 1960. Conservador, patrimonialista e cheio dessa
> falsa erudição tão típica aos escritores de quinta, José Sarney foi o
> último pesadelo coletivo a nós impingido pela ditadura, a mesma que
> ele, Sarney, vergonhosamente abandonou e renegou quando dela não podia
> mais se locupletar. Talvez essa peculiaridade, a de adesista
> profissional, seja o que de mais temerário e repulsivo o senador José
> Sarney carregue na trouxa política que carrega Brasil afora, desde que
> um mau destino o colocou na Presidência da República, em março de
> 1985, após a mor te de Tancredo Neves.
>
> Ainda assim, ao longo desses tantos anos, repórteres e colunistas
> brasileiros insistiram na imagem brasiliense do Sarney cordial,
> erudito e mestre em articulação política. É preciso percorrer o
> interior do Maranhão, como já fiz em algumas oportunidades, para
> estabelecer a dimensão exata dessa visão perversa e inaceitável do
> jornalismo político nacional, alegremente autorizado por uma cobertura
> movida pelos interesses de uns e pelo puxa-saquismo de outros. Ao
> olhar para Sarney, os repórteres do Congresso Nacional deveriam
> visualizar as casas imundas de taipa e palha do sertão maranhense, as
> pústulas dos olhos das crianças subnutridas daquele estado, várias
> gerações marcadas pela verminose crÿnica e pela subnutrição idem. Aí,
> saberiam o que perguntar ao senador, ao invés de elogiar-lhe e,
> desgraçadamente, conceder-lhe salvo conduto p ara, apesar de ser o
> desastre que sempre foi, voltar à presidência do Senado Federal.
>
> Tem razão o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao afirmar, embora
> pela lógica do absurdo, que José Sarney não pode ser julgado como um
> homem comum. É verdade. O homem comum, esse que acorda cedo para
> trabalhar, que parte da perspectiva diária da labuta incerta pelo
> alimento e pelo sucesso, esse homem, que perde horas no transporte
> coletivo e nas muitas filas da vida para, no fim do mês, decidir-se
> pelo descanso ou pelas contas, esse homem comum é, basicamente,
> honesto e solidário. Sarney é o homem incomum. No futuro, Lula não
> será julgado pela História somente por essa declaração infeliz e
> injusta, mas por ter se submetido tão confortavelmente às chantagens
> políticas de José Sarney, a ponto de achá-lo intocável e especial. Em
> nome da governabilidade, esse conceito em forma de gosma fisiológica e
> imoral da qual se alimenta a escór ia da política brasileira, Lula,
> como seus antecessores, achou a justificativa prática para se aliar a
> gente como os Sarney, os Magalhães e os Jucá.
>
> Pelo apoio de José Sarney, o presidente entregou à própria sorte as
> mais de seis milhões de almas do Maranhão, às quais, desde que assumiu
> a Presidência, em janeiro de 2003, só foi visitar esse ano, quando das
> enchentes de outono, mesmo assim, depois que Jackson Lago foi apeado
> do poder. Teria feito melhor e engrandecido a própria biografia se
> tivesse descido em São Luís para visitar o juiz Jorge Moreno.
> Ex-titular da comarca de Santa Quitéria, no sertão maranhense, Moreno
> ficou conhecido mundialmente por ter conseguido erradicar daquele
> município e de regiões próximas o sub-registro civil crÿnico, uma das
> máculas das seguidas administrações da família Sarney no estado. Ao
> conceder certidão de nascimento e carteira de identidade para 100%
> daquela população, o juiz contaminou de cidadania uma massa de gente
> tratada, até então, com o gado sarneyzista. Por conta disso, Jorge
> Moreno foi homenageado pelas Nações Unidas e, no Brasil, viu o nome de
> Santa Quitéria virar nome de categoria do Prêmio Direitos Humanos,
> concedido anualmente pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da
> Presidência da República a, justamente, aqueles que lutam contra o
> sub-registro civil no País.
>
> Em seguida, Jorge Moreno denunciou o uso eleitoral das verbas federais
> do Programa Luz Para Todos pelos aliados de Sarney, sob o comando,
> então, do ministro das Minas e Energia Silas Rondeau – este um
> empregado da família colocado como ministro-títere dentro do governo
> Lula, mas de lá defenestrado sob a acusação, da Polícia Federal, de
> comandar uma quadrilha especializada em fraudar licitações públicas.
> Foi o bastante para o magistrado nunca mais poder respirar no
> Maranhão. Em 2006, o Tribunal de Justiça do Maranhão, infestado de
> aliados e parentes dos Sarney, afastou Moreno das funções de juiz de
> Santa Quitéria, sob a acusação de que ele, ao denunciar as falcatruas
> do clã, estava desenvolvendo uma ação político-partidária. Em abril
> passado, ele foi aposentado, compulsoriamente, aos 42 anos de idade.
> Uma dos algozes do juiz, a corregedora (?) do TRE maranhense, é a
> desembargadora Nelma Sarney, casada com Ronaldo Sarney, irmão de José
> Sarney.
>
> Há poucos dias, vi a cara do senador José Sarney na tribuna do Senado.
> Trêmulo, pálido e murcho, tentava desmentir o indesmentível. Pego com
> a boca na botija, o tribuno brilhante, erudito e ponderado, a raposa
> velha indispensável aos planos de governabilidade do Brasil virou, de
> um dia para a noite, o mascate dos atos secretos do Senado. Ao
> terminar de falar, havia se reduzido a uma massa subnutrida de
> dignidade, famélica, anêmica pela falta da proteína da verdade. Era um
> personagem bizarro enfiado, a socos de pilão, em um jaquetão coberto
> de goma.
>
> Na mesma hora, pensei no povo do Maranhão.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Mais de um bilhão de famintos
Texto retirado do El País, o melhor jornal do mundo
Por Miguel Mora, de Roma
El hambre en el mundo alcanzará un récord histórico este año. 1.020 millones de personas pasan ya hambre a diario, según los últimos datos publicados hoy por la Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO) en Roma. El incremento es consecuencia de la crisis económica mundial, que provoca una disminución de los ingresos y un incremento del paro. De este modo, se ha reducido el acceso de los pobres a los alimentos, señala la FAO.
"La mezcla explosiva de desaceleración económica y precios de los alimentos que siguen altos en muchos países ha empujado a unos 100 millones de personas más al hambre y a la pobreza", ha dicho el director general de la FAO, Jacques Diouf. "La crisis silenciosa del hambre -que afecta a uno de cada seis seres humanos- supone un serio riesgo para la paz y la seguridad mundiales", alerta Diouf.
Los países pobres, ha subrayado, "necesitan herramientas de desarrollo, económicas y políticas para impulsar su producción agrícola. Es necesario incrementar la inversión en agricultura, porque en la mayoría de países pobres un sector agrícola saludable es clave para vencer al hambre y la pobreza". Muchos de los que sufren miseria y hambre son pequeños campesinos de países en desarrollo. Pero esos grupos tienen potencial no sólo para cubrir sus necesidades, sino para colaborar en el crecimiento económico.
El presidente del Fondo Internacional de Desarrollo Agrícola (FIDA), Kanayo F. Nwanze, ha reclamado a la comunidad internacional que "proteja las inversiones clave en agricultura, de forma que los pequeños campesinos tengan acceso no sólo a semillas y fertilizantes, sino también a tecnología, infraestructuras, financiación rural y mercados". "En la mayoría de los países en desarrollo, invertir en los pequeños agricultores supone crear la red de seguridad más sostenible, en especial en tiempos de crisis", ha manifestado Nwanze.
"El rápido avance del hambre continúa provocando una enorme crisis humanitaria. El mundo necesita trabajar unido para garantizar que se atienden las emergencias y se busquen soluciones a largo plazo", ha señalado por su parte Josette Sheeran, directora ejecutiva del Programa Mundial de Alimentos (PMA). Los progresos para reducir el hambre crónica en los años ochenta y la primera mitad de los noventa se han revertido en la última década. El número de hambrientos se incrementó entre 1995-97 y 2004-2006 en todas las regiones del mundo, excepto en Latinoamérica y el Caribe. Pero incluso en esta última región los avances se han frenado.
Este año se espera que el número de víctimas del hambre aumente en conjunto cerca del 11%, según las previsiones de la FAO basadas en los análisis del Departamento de Agricultura de EE UU. Casi toda la población desnutrida del planeta vive en países en desarrollo. En Asia y el Pacífico se calcula que unos 642 millones de personas pasan hambre crónica. El resto se divide así: 265 millones en el África subsahariana, 53 millones en Latinoamérica y el Caribe, 42 millones en África del norte y Oriente Medio, y 15 millones en los países desarrollados.
Según la FAO, los pobres urbanos serán los que tengan más dificultades para hacer frente a la recesión, ya que el descenso de las exportaciones y la reducción de la inversión extranjera directa causarán un aumento del paro. Pero las zonas rurales tampoco se librarán, ya que millones de residentes urbanos se verán forzados a regresar al campo.
Algunos países en desarrollo sufren especialmente porque las remesas que los emigrantes envían a casa han bajado de forma notable este año. Eso y el recorte previsto en la ayuda oficial al desarrollo de los países ricos limitará aún más la posibilidad de mejora de los países pobres.
La crisis económica sigue en el tiempo a la crisis alimentaria y energética de 2006-2008. Aunque los precios de los alimentos han bajado de forma sustancial en los últimos meses en los mercados mundiales, a nivel doméstico estaban de media un 24% más caros a finales de 2008 que en 2006. Para los consumidores pobres, que gastan hasta un 60% más de sus ingresos en alimentos básicos, supone una drástica reducción del poder adquisitivo real.
Por Miguel Mora, de Roma
El hambre en el mundo alcanzará un récord histórico este año. 1.020 millones de personas pasan ya hambre a diario, según los últimos datos publicados hoy por la Organización de Naciones Unidas para la Agricultura y la Alimentación (FAO) en Roma. El incremento es consecuencia de la crisis económica mundial, que provoca una disminución de los ingresos y un incremento del paro. De este modo, se ha reducido el acceso de los pobres a los alimentos, señala la FAO.
"La mezcla explosiva de desaceleración económica y precios de los alimentos que siguen altos en muchos países ha empujado a unos 100 millones de personas más al hambre y a la pobreza", ha dicho el director general de la FAO, Jacques Diouf. "La crisis silenciosa del hambre -que afecta a uno de cada seis seres humanos- supone un serio riesgo para la paz y la seguridad mundiales", alerta Diouf.
Los países pobres, ha subrayado, "necesitan herramientas de desarrollo, económicas y políticas para impulsar su producción agrícola. Es necesario incrementar la inversión en agricultura, porque en la mayoría de países pobres un sector agrícola saludable es clave para vencer al hambre y la pobreza". Muchos de los que sufren miseria y hambre son pequeños campesinos de países en desarrollo. Pero esos grupos tienen potencial no sólo para cubrir sus necesidades, sino para colaborar en el crecimiento económico.
El presidente del Fondo Internacional de Desarrollo Agrícola (FIDA), Kanayo F. Nwanze, ha reclamado a la comunidad internacional que "proteja las inversiones clave en agricultura, de forma que los pequeños campesinos tengan acceso no sólo a semillas y fertilizantes, sino también a tecnología, infraestructuras, financiación rural y mercados". "En la mayoría de los países en desarrollo, invertir en los pequeños agricultores supone crear la red de seguridad más sostenible, en especial en tiempos de crisis", ha manifestado Nwanze.
"El rápido avance del hambre continúa provocando una enorme crisis humanitaria. El mundo necesita trabajar unido para garantizar que se atienden las emergencias y se busquen soluciones a largo plazo", ha señalado por su parte Josette Sheeran, directora ejecutiva del Programa Mundial de Alimentos (PMA). Los progresos para reducir el hambre crónica en los años ochenta y la primera mitad de los noventa se han revertido en la última década. El número de hambrientos se incrementó entre 1995-97 y 2004-2006 en todas las regiones del mundo, excepto en Latinoamérica y el Caribe. Pero incluso en esta última región los avances se han frenado.
Este año se espera que el número de víctimas del hambre aumente en conjunto cerca del 11%, según las previsiones de la FAO basadas en los análisis del Departamento de Agricultura de EE UU. Casi toda la población desnutrida del planeta vive en países en desarrollo. En Asia y el Pacífico se calcula que unos 642 millones de personas pasan hambre crónica. El resto se divide así: 265 millones en el África subsahariana, 53 millones en Latinoamérica y el Caribe, 42 millones en África del norte y Oriente Medio, y 15 millones en los países desarrollados.
Según la FAO, los pobres urbanos serán los que tengan más dificultades para hacer frente a la recesión, ya que el descenso de las exportaciones y la reducción de la inversión extranjera directa causarán un aumento del paro. Pero las zonas rurales tampoco se librarán, ya que millones de residentes urbanos se verán forzados a regresar al campo.
Algunos países en desarrollo sufren especialmente porque las remesas que los emigrantes envían a casa han bajado de forma notable este año. Eso y el recorte previsto en la ayuda oficial al desarrollo de los países ricos limitará aún más la posibilidad de mejora de los países pobres.
La crisis económica sigue en el tiempo a la crisis alimentaria y energética de 2006-2008. Aunque los precios de los alimentos han bajado de forma sustancial en los últimos meses en los mercados mundiales, a nivel doméstico estaban de media un 24% más caros a finales de 2008 que en 2006. Para los consumidores pobres, que gastan hasta un 60% más de sus ingresos en alimentos básicos, supone una drástica reducción del poder adquisitivo real.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Inglês clássico
James Joyce, cujo Ulisses rodou mais uma vez o mundo nesse 16 de junho, morreria de inveja do professor Joel Santana, técnico da seleção de futebol da África do Sul.
http://www.youtube.com/watch?v=TAeYfTsDzMo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=TAeYfTsDzMo&feature=related
Eu, jornalista
Coleguinhas, simpatizantes e antipatizantes não falam de outra coisa: caiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista; agora liberou geral; quem tem competência vai se estabelecer; talento não se ensina na escola; de outro lado, os picaretas vão tomar conta das redações (como se não existissem em multidões); os patrões vão achatar salários; políticos e empresários colocarão seus assessores nas redações (como se já não colocassem); estava em jogo a liberdade de expressão e comunicação; está em jogo a liberdade de informação.
Pois é. O Supremo. E dele o que vem de pronto à mente é a carantonha do ínclito Gilmar Mendes, o jurista de Poconé, o fazendeiro do Mato Grosso, o dono de cursinho em Brasília.
Tudo bem. Caiu o diploma, e nada disso me atinge. Mas atinge milhares de jovens bem intencionados, Brasil afora, em busca de preparo técnico e intelectual – além do diploma, é claro – para exercer dignamente a profissão. Uns, e não são poucos, sonhando em ser Pedro Bial, Caco Barcellos, Neide Duarte, Juca Kfoury etc. – todos, por sinal, ótimos jornalistas. Outros, a grande maioria, planejando ser bons profissionais, conscientes do papel social do jornalista e da imprensa, seja numa redação (rádio, TV, jornal, revista, site etc.), numa empresa de comunicação ou mesmo numa ONG.
Nada me atinge. Mas viajei no tempo e lembrei-me de 1975, quando já cursava direito na Federal e passei em Comunicação, na mesma Federal (na época podia), em honroso 2.º lugar, atrás apenas na bela Annamaria Marchesini, então namorada do hoje grande jurista Jacinto Coutinho, meu calouro.
Lembrei-me de quando tive de abandonar o curso de direito para terminar o de jornalismo, pois já trabalhava na profissão (rádio de manhã, jornal à tarde e à noite) e o sindicato andava à caça de quem não tivesse o registro definitivo. Só outro dia, 30 e tantos anos depois, consegui terminar o curso de direito, já meio quase com vontade de aposentar-me como jornalista. Mas vai ser difícil.
Hoje faço ou pouco de cada um. É curioso e gratificante exercitar a técnica de redação de um e de outro. O direito é maravilhoso, e fica muito difícil imaginar alguém exercendo a profissão sem ter puxado cinco anos de faculdade.
Saudosista, até hoje sem saber se o diploma é mesmo necessário para formar bons jornalistas, catei esta noite, numa pasta bem organizada, meu histórico escolar e comecei a ler as matérias que cursei. Não sei como está hoje, e talvez tenha mesmo melhorado bastante, mas na época o nosso curso, ainda que fracote que era, nos mandava estudar:
Sociologia Geral I e II, História dos Meios de Comunicação I e II, Estatística I e II, Introdução à Psicologia, Introdução à Antropologia Cultural, História da Arte I e II, Introdução às Técnicas dos Meios de Comunicação I e II, Pesquisa de Opinião e Mercadologia, Cultura Brasileira, História Econômica do Brasil, Ética e Legislação dos Meios de Comunicação, Orientação Bibliográfica, Problemas Sociais Contemporâneos, Problemas Fundamentais de Filosofia, Psicologia Social I e II, Estudos de problemas Brasileiros I e II e mais as matérias jornalísticas, etc. e tal.
Não sei, sinceramente, se o curso de jornalismo é dispensável, e são as dúvidas que movem um bom jornalista, nunca as certezas. Mas penso que a discussão está mal direcionada. Não se trata de discutir se um filósofo, médico, nutricionista, professor de judô, cientista político, ex-atleta profissional, diplomata, economista ou um joão ninguém pode ou não escrever em jornal, revista, portal ou comentar na TV, no rádio ou nos portais. Escrever, e bem, é obrigação de todo bom profissional. Que o digam os brilhantes Tostão, meu ex-orientador e cientista político Adriano Codato, a cientista política Lucia Hippolito, o professor Pasquale, o economista Paulo Nogueira Baptista Júnior, o médico Drauzio Varella e tantos outros.
Mas quero saber se essa gente e outros tantos e mais tantos que virão está capacitada a planejar uma edição, produzir uma pauta, conversar com um repórter, fazer uma reportagem de rua, editar uma foto, redigir a legenda, desenhar uma página, bater um título de 1 x 32, bolar uma manchete que venda e por aí afora. É por aí que o debate deveria caminhar.
Continuo sem saber se o curso de jornalismo é dispensável, mas a base intelectual que ele dá, mais a base profissionalizante (via as matérias jornalísticas mesmo), é essencial para termos profissionais capacitados a exercer a profissão. A partir disso – e aí concordo com os fogueteiros -, prevalecerão os mais esforçados, estudiosos, talentosos, os gênios, os santos da profissão.
Cursos como sociologia, direito ou economia, por exemplo, podem dar uma ótima base para formar bons jornalistas, mas as matérias profissionalizantes não podem ser desprezadas. Solte um economista recém-formado na rua e o mande produzir uma reportagem sobre o caos do trânsito de Curitiba. Ele terá, certamente, uma visão de economista.
Acho que aí está a diferença: o jornalista tem a visão de povo. Ou, como ouvi certa vez o grande Reynaldo Jardim definir: “O repórter é o povo na redação.”
Tudo bem. Jardim não tinha curso de jornalismo, mas cresceu dentro de uma redação. Também não têm diploma Janio de Freitas, Alberto Dines, Ricardo Kotscho, Augusto Nunes, meus amigos Zé Beto, Dirceu Pio, Luiz Augusto Xavier, Sílvio Andrade, Nilson Monteiro, Mussa José Assis, Francisco Camargo e tantos outros. Mas todos se fizeram jornalistas por opção de vida e pisaram numa redação como se desde sempre estivessem ali. Outros, de igual quilate, têm o diploma, como Clóvis Rossi, Nilson Laje, Luiz Amaral, Celso Kinjô, Antero Greco, Paulo Calçade, Adélia Lopes, Teresa Urban, Miriam Karam, Sandra Pacheco, Zeca Correia Leite, Laurentino Gomes (hoje escritor), Armindo Berri, Eduardo Sganzerla, Chico Duarte (futuro advogado), Analucia Veloso (minha sócia no escritório de advocacia), Luiz Claudio de Oliveira, Luiz Fernando Sá, Ana Cecília Pontes de Souza, Lorena Klenk e tantos e tantos outros.
Onde ficamos? Na mesma, creio. Ah, com a diferença de que, a partir de agora, cursará jornalismo quem quiser. Poderá ser como foi até os anos 60, quando um estudante de medicina ou engenharia trabalhava em jornal para pagar a faculdade, e muitos abraçavam ou se abraçavam à profissão. De dezenas de exemplos de que me recordo, fiquemos apenas com o do médico João Dedeus Freitas Neto, jornalista de primeira linha, além de herói na campanha da Itália.
Mas, com certeza, nos dias de hoje, não encontrarei ninguém que estude medicina para ser jornalista. E, obviamente, ninguém que estude jornalismo para ser médico.
Que se fortaleçam as boas faculdades e que se fechem as más. Acaba sendo um desafio, agora lançado pelo STF, mesmo contra a vontade da maioria dos jornalistas.
Ainda sem certeza do que devo achar disso tudo (mas sem ficar em cima do muro), acho que estamos diante de um caminhão de melancias. O tempo e o chacoalhar da viagem as acomodarão e cada qual encontrará o seu lugar.
Quem escreve é apenas uma velha melancia (com diploma). Que um dia já foi um orgulhoso foca.
Inté.
Pois é. O Supremo. E dele o que vem de pronto à mente é a carantonha do ínclito Gilmar Mendes, o jurista de Poconé, o fazendeiro do Mato Grosso, o dono de cursinho em Brasília.
Tudo bem. Caiu o diploma, e nada disso me atinge. Mas atinge milhares de jovens bem intencionados, Brasil afora, em busca de preparo técnico e intelectual – além do diploma, é claro – para exercer dignamente a profissão. Uns, e não são poucos, sonhando em ser Pedro Bial, Caco Barcellos, Neide Duarte, Juca Kfoury etc. – todos, por sinal, ótimos jornalistas. Outros, a grande maioria, planejando ser bons profissionais, conscientes do papel social do jornalista e da imprensa, seja numa redação (rádio, TV, jornal, revista, site etc.), numa empresa de comunicação ou mesmo numa ONG.
Nada me atinge. Mas viajei no tempo e lembrei-me de 1975, quando já cursava direito na Federal e passei em Comunicação, na mesma Federal (na época podia), em honroso 2.º lugar, atrás apenas na bela Annamaria Marchesini, então namorada do hoje grande jurista Jacinto Coutinho, meu calouro.
Lembrei-me de quando tive de abandonar o curso de direito para terminar o de jornalismo, pois já trabalhava na profissão (rádio de manhã, jornal à tarde e à noite) e o sindicato andava à caça de quem não tivesse o registro definitivo. Só outro dia, 30 e tantos anos depois, consegui terminar o curso de direito, já meio quase com vontade de aposentar-me como jornalista. Mas vai ser difícil.
Hoje faço ou pouco de cada um. É curioso e gratificante exercitar a técnica de redação de um e de outro. O direito é maravilhoso, e fica muito difícil imaginar alguém exercendo a profissão sem ter puxado cinco anos de faculdade.
Saudosista, até hoje sem saber se o diploma é mesmo necessário para formar bons jornalistas, catei esta noite, numa pasta bem organizada, meu histórico escolar e comecei a ler as matérias que cursei. Não sei como está hoje, e talvez tenha mesmo melhorado bastante, mas na época o nosso curso, ainda que fracote que era, nos mandava estudar:
Sociologia Geral I e II, História dos Meios de Comunicação I e II, Estatística I e II, Introdução à Psicologia, Introdução à Antropologia Cultural, História da Arte I e II, Introdução às Técnicas dos Meios de Comunicação I e II, Pesquisa de Opinião e Mercadologia, Cultura Brasileira, História Econômica do Brasil, Ética e Legislação dos Meios de Comunicação, Orientação Bibliográfica, Problemas Sociais Contemporâneos, Problemas Fundamentais de Filosofia, Psicologia Social I e II, Estudos de problemas Brasileiros I e II e mais as matérias jornalísticas, etc. e tal.
Não sei, sinceramente, se o curso de jornalismo é dispensável, e são as dúvidas que movem um bom jornalista, nunca as certezas. Mas penso que a discussão está mal direcionada. Não se trata de discutir se um filósofo, médico, nutricionista, professor de judô, cientista político, ex-atleta profissional, diplomata, economista ou um joão ninguém pode ou não escrever em jornal, revista, portal ou comentar na TV, no rádio ou nos portais. Escrever, e bem, é obrigação de todo bom profissional. Que o digam os brilhantes Tostão, meu ex-orientador e cientista político Adriano Codato, a cientista política Lucia Hippolito, o professor Pasquale, o economista Paulo Nogueira Baptista Júnior, o médico Drauzio Varella e tantos outros.
Mas quero saber se essa gente e outros tantos e mais tantos que virão está capacitada a planejar uma edição, produzir uma pauta, conversar com um repórter, fazer uma reportagem de rua, editar uma foto, redigir a legenda, desenhar uma página, bater um título de 1 x 32, bolar uma manchete que venda e por aí afora. É por aí que o debate deveria caminhar.
Continuo sem saber se o curso de jornalismo é dispensável, mas a base intelectual que ele dá, mais a base profissionalizante (via as matérias jornalísticas mesmo), é essencial para termos profissionais capacitados a exercer a profissão. A partir disso – e aí concordo com os fogueteiros -, prevalecerão os mais esforçados, estudiosos, talentosos, os gênios, os santos da profissão.
Cursos como sociologia, direito ou economia, por exemplo, podem dar uma ótima base para formar bons jornalistas, mas as matérias profissionalizantes não podem ser desprezadas. Solte um economista recém-formado na rua e o mande produzir uma reportagem sobre o caos do trânsito de Curitiba. Ele terá, certamente, uma visão de economista.
Acho que aí está a diferença: o jornalista tem a visão de povo. Ou, como ouvi certa vez o grande Reynaldo Jardim definir: “O repórter é o povo na redação.”
Tudo bem. Jardim não tinha curso de jornalismo, mas cresceu dentro de uma redação. Também não têm diploma Janio de Freitas, Alberto Dines, Ricardo Kotscho, Augusto Nunes, meus amigos Zé Beto, Dirceu Pio, Luiz Augusto Xavier, Sílvio Andrade, Nilson Monteiro, Mussa José Assis, Francisco Camargo e tantos outros. Mas todos se fizeram jornalistas por opção de vida e pisaram numa redação como se desde sempre estivessem ali. Outros, de igual quilate, têm o diploma, como Clóvis Rossi, Nilson Laje, Luiz Amaral, Celso Kinjô, Antero Greco, Paulo Calçade, Adélia Lopes, Teresa Urban, Miriam Karam, Sandra Pacheco, Zeca Correia Leite, Laurentino Gomes (hoje escritor), Armindo Berri, Eduardo Sganzerla, Chico Duarte (futuro advogado), Analucia Veloso (minha sócia no escritório de advocacia), Luiz Claudio de Oliveira, Luiz Fernando Sá, Ana Cecília Pontes de Souza, Lorena Klenk e tantos e tantos outros.
Onde ficamos? Na mesma, creio. Ah, com a diferença de que, a partir de agora, cursará jornalismo quem quiser. Poderá ser como foi até os anos 60, quando um estudante de medicina ou engenharia trabalhava em jornal para pagar a faculdade, e muitos abraçavam ou se abraçavam à profissão. De dezenas de exemplos de que me recordo, fiquemos apenas com o do médico João Dedeus Freitas Neto, jornalista de primeira linha, além de herói na campanha da Itália.
Mas, com certeza, nos dias de hoje, não encontrarei ninguém que estude medicina para ser jornalista. E, obviamente, ninguém que estude jornalismo para ser médico.
Que se fortaleçam as boas faculdades e que se fechem as más. Acaba sendo um desafio, agora lançado pelo STF, mesmo contra a vontade da maioria dos jornalistas.
Ainda sem certeza do que devo achar disso tudo (mas sem ficar em cima do muro), acho que estamos diante de um caminhão de melancias. O tempo e o chacoalhar da viagem as acomodarão e cada qual encontrará o seu lugar.
Quem escreve é apenas uma velha melancia (com diploma). Que um dia já foi um orgulhoso foca.
Inté.
Eu sou jonalista!!!
Eu sou sucesso!!! Se eu escrevo e você também Ezequiel, se o Paulo Ludovico escreve como também escreve Paulo Pires – e como escreve! – se todos nós escrevemos e publicamos os nossos escritos e eles são lidos, aplaudidos como também contestados, nós somos sucesso! Portanto, somos também jornalistas! Este é o exercício da lógica!
Anime-se João Melo! O diploma caiu, e o sol lhe sorriu, afinal, o sol sorri para todos, mas, nem todos estão aptos a perceber esse lindo e dourado sorriso do “Manezinho”! Sorria, sorria amigos da clandestinidade! Sorria sim, afinal, prá que diploma? Prá quê tantas baboseiras teóricas nos bancos da faculdade? Prá quê? Prá quê então termos que nos preocupar em estudar se, enquanto estudamos os “práticos” estão nas redações se tornando mestres no ofício? Prá quê?
Anime-se senhor (...)... É o senhor mesmo! O senhor que adora ser chamado jornalista e incentiva que todos o conheçam por tal! Agora você é jornalista! Mas, por favor! Escreva! Escreva alguma coisa e publique-a, dessa forma se consagrará! Eu até, de agora em diante passarei a chamar-lhe de jornalista! Ora, ora! Se não é o fim da picada; agora, aqueles que antes se submetiam a longas horas de estudo de análise sintática, morfológica, de ênclise e próclise, de conjugação verbal, de concordância nominal e verbo-nominal e depois de formados escreviam contrariando todas essas regras, agora estão livres para continuarem escrevendo errado! Vai ver que foi por essa causa que os “sábios” Ministros do STF resolveram dar “cabo” no diploma de jornalismo; vai ver que foi, ora se não foi!
Afinal, as chamativas e espalhafatosas manchetes todas vinham carregadas de injunções e erros primários da nossa ortografia; agora, mais do que nunca, estará liberado! Sorria, afinal, quando se ia para escola aprender e depois jogar na lata do lixo o que aprendeu para escrever errado carregando um diploma debaixo do braço ou pendurado na parede e o peito cheio de orgulho dizendo-se jornalista, agora não precisa mais! E a vida dos “Ombusdmans”? Será que os jornais continuarão precisando deles? Aliás, o Ombusdman da Folha de São Paulo deve me detestar; não foram poucas as reclamações que eu enviei à redação daquele Jornal reclamando dos “erros” em manchetes e até mesmo dentro da própria matéria veiculada; não suportando mais tanta indiferença deles, é que me decidi romper com a minha assinatura ainda em curso de dois anos. Sinceramente, não me faz qualquer falta!
Há alguns meses atrás, um amigo e colega (na área do direito), o Dr. Jorge Eduardo França Mosquéra que é formado de verdade em jornalismo pela UFPR, e também é formado em direito e advoga, ele me antecipou o resultado do julgamento de ontem; disse-me com toda convicção que o diploma em jornalismo cairia, o homem sabe das coisas! Sobre o assunto de se escrever as manchetes com “erros temporais” e de concordância, me adiantou o amigo Jorge Mosquéra que o jornalismo brasileiro seguia o Padrão Americano de Jornalismo, onde, eles desconhecem as formas verbais, de concordância e temporais; tais como exemplo desse erro primário lê-se uma notícia: SELEÇÃO BRASILEIRA SE APRESENTA NA QUARTA PARA TREINOS LEVES E JOGA NA QUINTA. Quando leio uma manchete dessa natureza eu fico arrepiado; o Anderson com o seu Blog já deve estar cheio até a “tampa” com as minhas interferências; aliás, por falar em Anderson, meu amigo, você também é jornalista! Agora, tá (gostou do “tá”?) liberado, pois, não poderá mais ser cobrado por escrever “errado” (no meu entender!), pois, agora, sabemos que por trás, nas redações tem gente que não precisa saber dessas coisas, pois, o importante é se comunicar, não importando a qualidade dessa comunicação!
Sabe duma coisa, turma do direito? E nessa eu me incluo! Vamos colocar a nossa barba de molho! Afinal, já andaram querendo derrubar o famigerado Exame de Ordem da OAB, e nesse eu passei com todos os méritos; vai lá que consigam derrubar, aí, o próximo passo será extinguir a obrigatoriedade do diploma de bacharel em direito. Já pensou? De uma coisa estou certo: a grana que eu gastei de quando iniciei o meu curso (faculdade particular) até aqui para ter a minha carteira da OAB, dá quase para comprar um Ômega “zero bala” lá na TOPVEL! Ah, eles que não me inventem uma cafajestada dessas... Bom, o meu diploma e a minha habilitação frente a OAB eles não tiram mais; e tem mais, se tentarem, eles verão com quantas “ações” eles terão que me devolver tudo, tudinho mesmo, Tintim por Tintim do quanto gastei material, emocional e moralmente!
Por falar em “ação”, quero neste ensejo, concitar os colegas Doutores Paulo Ludovico aí em Conquista e Jorge Eduardo França Mosquéra aqui em Curitiba a procurarem os atuais acadêmicos em jornalismo, para que eles ingressem na justiça pedindo “danos materiais”, haja vista, o que despenderam em gastos com faculdades particulares de jornalismo e até mesmo o tempo perdido em um curso que não tem mais qualquer finalidade. Quanto aos empresários do ensino particular, paciência! Afinal, o leite que se derramou nessa manobra não vai lhes causar tanto prejuízo assim, todavia, se quiserem “brigar” também, apresento-lhes os colegas Paulo Ludovico e o Jorge Mosquéra. Ah, amigos, Dr. Paulo Ludovico e Dr. Jorge Mosquéra, não se esqueçam de me retribuir! Não, não é me chamando de doutor, mas sim, arranjando também patrocínio para mim!
Viu como agora também sou jornalista? Procurem e também achará neste texto um monte de “injunções” e colocações inadequadas; pode ser que você pense que não achou, tudo bem! Na próxima eu me esforçarei para parecer mais com um jornalista; e até lá!
Francisco Silva Filho – Curitiba-PR
Anime-se João Melo! O diploma caiu, e o sol lhe sorriu, afinal, o sol sorri para todos, mas, nem todos estão aptos a perceber esse lindo e dourado sorriso do “Manezinho”! Sorria, sorria amigos da clandestinidade! Sorria sim, afinal, prá que diploma? Prá quê tantas baboseiras teóricas nos bancos da faculdade? Prá quê? Prá quê então termos que nos preocupar em estudar se, enquanto estudamos os “práticos” estão nas redações se tornando mestres no ofício? Prá quê?
Anime-se senhor (...)... É o senhor mesmo! O senhor que adora ser chamado jornalista e incentiva que todos o conheçam por tal! Agora você é jornalista! Mas, por favor! Escreva! Escreva alguma coisa e publique-a, dessa forma se consagrará! Eu até, de agora em diante passarei a chamar-lhe de jornalista! Ora, ora! Se não é o fim da picada; agora, aqueles que antes se submetiam a longas horas de estudo de análise sintática, morfológica, de ênclise e próclise, de conjugação verbal, de concordância nominal e verbo-nominal e depois de formados escreviam contrariando todas essas regras, agora estão livres para continuarem escrevendo errado! Vai ver que foi por essa causa que os “sábios” Ministros do STF resolveram dar “cabo” no diploma de jornalismo; vai ver que foi, ora se não foi!
Afinal, as chamativas e espalhafatosas manchetes todas vinham carregadas de injunções e erros primários da nossa ortografia; agora, mais do que nunca, estará liberado! Sorria, afinal, quando se ia para escola aprender e depois jogar na lata do lixo o que aprendeu para escrever errado carregando um diploma debaixo do braço ou pendurado na parede e o peito cheio de orgulho dizendo-se jornalista, agora não precisa mais! E a vida dos “Ombusdmans”? Será que os jornais continuarão precisando deles? Aliás, o Ombusdman da Folha de São Paulo deve me detestar; não foram poucas as reclamações que eu enviei à redação daquele Jornal reclamando dos “erros” em manchetes e até mesmo dentro da própria matéria veiculada; não suportando mais tanta indiferença deles, é que me decidi romper com a minha assinatura ainda em curso de dois anos. Sinceramente, não me faz qualquer falta!
Há alguns meses atrás, um amigo e colega (na área do direito), o Dr. Jorge Eduardo França Mosquéra que é formado de verdade em jornalismo pela UFPR, e também é formado em direito e advoga, ele me antecipou o resultado do julgamento de ontem; disse-me com toda convicção que o diploma em jornalismo cairia, o homem sabe das coisas! Sobre o assunto de se escrever as manchetes com “erros temporais” e de concordância, me adiantou o amigo Jorge Mosquéra que o jornalismo brasileiro seguia o Padrão Americano de Jornalismo, onde, eles desconhecem as formas verbais, de concordância e temporais; tais como exemplo desse erro primário lê-se uma notícia: SELEÇÃO BRASILEIRA SE APRESENTA NA QUARTA PARA TREINOS LEVES E JOGA NA QUINTA. Quando leio uma manchete dessa natureza eu fico arrepiado; o Anderson com o seu Blog já deve estar cheio até a “tampa” com as minhas interferências; aliás, por falar em Anderson, meu amigo, você também é jornalista! Agora, tá (gostou do “tá”?) liberado, pois, não poderá mais ser cobrado por escrever “errado” (no meu entender!), pois, agora, sabemos que por trás, nas redações tem gente que não precisa saber dessas coisas, pois, o importante é se comunicar, não importando a qualidade dessa comunicação!
Sabe duma coisa, turma do direito? E nessa eu me incluo! Vamos colocar a nossa barba de molho! Afinal, já andaram querendo derrubar o famigerado Exame de Ordem da OAB, e nesse eu passei com todos os méritos; vai lá que consigam derrubar, aí, o próximo passo será extinguir a obrigatoriedade do diploma de bacharel em direito. Já pensou? De uma coisa estou certo: a grana que eu gastei de quando iniciei o meu curso (faculdade particular) até aqui para ter a minha carteira da OAB, dá quase para comprar um Ômega “zero bala” lá na TOPVEL! Ah, eles que não me inventem uma cafajestada dessas... Bom, o meu diploma e a minha habilitação frente a OAB eles não tiram mais; e tem mais, se tentarem, eles verão com quantas “ações” eles terão que me devolver tudo, tudinho mesmo, Tintim por Tintim do quanto gastei material, emocional e moralmente!
Por falar em “ação”, quero neste ensejo, concitar os colegas Doutores Paulo Ludovico aí em Conquista e Jorge Eduardo França Mosquéra aqui em Curitiba a procurarem os atuais acadêmicos em jornalismo, para que eles ingressem na justiça pedindo “danos materiais”, haja vista, o que despenderam em gastos com faculdades particulares de jornalismo e até mesmo o tempo perdido em um curso que não tem mais qualquer finalidade. Quanto aos empresários do ensino particular, paciência! Afinal, o leite que se derramou nessa manobra não vai lhes causar tanto prejuízo assim, todavia, se quiserem “brigar” também, apresento-lhes os colegas Paulo Ludovico e o Jorge Mosquéra. Ah, amigos, Dr. Paulo Ludovico e Dr. Jorge Mosquéra, não se esqueçam de me retribuir! Não, não é me chamando de doutor, mas sim, arranjando também patrocínio para mim!
Viu como agora também sou jornalista? Procurem e também achará neste texto um monte de “injunções” e colocações inadequadas; pode ser que você pense que não achou, tudo bem! Na próxima eu me esforçarei para parecer mais com um jornalista; e até lá!
Francisco Silva Filho – Curitiba-PR
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Ex-vendedora do Baú da Felicidade será indenizada por danos causados pelo sol
10/06/2009
Uma ex-vendedora de carnês do “Baú da Felicidade” - título de capitalização comercializado pelo Grupo Sílvio Santos cujo resgate é feito mediante a entrega de mercadorias – receberá indenização correspondente a um ano de salário, acrescida de férias e décimo terceiro, em razão de ter sido reconhecido judicialmente seu direito à estabilidade provisória no emprego em virtude de doença ocupacional. A vendedora desenvolveu manchas na pele do rosto por trabalhar o dia inteiro exposta à radiação solar no estande do Baú montado em frente a um hospital de Porto Alegre (RS).
O relator do recurso, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, manteve o direito à conversão do período de estabilidade provisória em indenização, mas acolheu o recurso da empresa BF Utilidades Domésticas Ltda. quanto à condenação relativa ao pagamento de honorários advocatícios da parte contrária. Segundo ele, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) que impôs a condenação à empresa apenas com base no princípio da sucumbência violou a jurisprudência do TST que exige, para a condenação ao pagamento de honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, que a parte esteja assistida por sindicato, que comprove receber salário inferior ao dobro do mínimo legal ou esteja em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo de seu sustento ou de sua família.
Fotografias juntadas aos autos demonstram que ao ingressar no setor de vendas do Baú da Felicidade, em 8 de setembro de 2003, a moça não tinha manchas no rosto. A perícia concluiu que o escurecimento da pele (melasma) teve relação direta com o trabalho executado, pois a vendedora passava o dia inteiro sob o sol no estande montado em frente ao Hospital Conceição. Na ação, ela informou que a empresa não fornecia protetor solar, embora fosse uma de suas reivindicações. Além disso, exigia que ela usasse maquiagem, o que teria agravado o problema. A moça afirmou que seu salário mensal (R$ 650,00) não comportava despesas com protetor solar.
A sentença da 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre reconheceu o direito à estabilidade provisória prevista na Lei 8.213/91, que assegura a manutenção do contrato de trabalho pelo prazo mínimo de 12 meses ao empregado vítima de acidente de trabalho ou de doença a este equiparada. O pedido de indenização por danos materiais foi negado porque a vendedora não juntou aos autos comprovantes dos valores que teria despendido em decorrência da patologia, como tratamentos dermatológicos para a cura da lesão. A alegação da empresa de que não se trata de doença que produza incapacidade para o trabalho e que não foram observados os requisitos legais para se deferir estabilidade (afastamento do trabalho e concessão de benefício previdenciário) foi rejeitada em primeiro grau.
O TRT/RS manteve a sentença sob o argumento de que, para que seja equiparada a acidente de trabalho, a doença deve ter relação de causa e efeito com a atividade desenvolvida, o que foi demonstrado pelo laudo pericial. O Regional acrescentou ainda que o fato de não ter recebido o auxílio-doença-acidentário pelo INSS não pode prejudicar o trabalhador. No recurso ao TST, a defesa da empresa insurgiu-se contra a condenação aos honorários advocatícios e contra a indenização correspondente ao período estabilitário. Afirmou que o direito foi concedido em contrariedade à Súmula 378 do TST. O item II da súmula dispõe que são pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego.
Segundo o ministro Vieira de Mello Filho, a decisão regional está correta e, ao contrário do alegado pela parte, está em perfeita sintonia com a jurisprudência do TST. “Conforme se observa, a decisão regional fundamenta-se na premissa de que, reconhecido o nexo causal entre a moléstia e o trabalho realizado, conforme atestado pela perícia, enquadra-se a reclamante na previsão do art. 20 da Lei nº 8.213/91. Ademais, o TST já sedimentou jurisprudência no sentido de que, uma vez reconhecida a doença profissional por meio de constatação do nexo de causalidade, desnecessário que o reclamante encontre-se em gozo de auxílio-doença e/ou esteja afastado por período superior a 15 dias”, concluiu. ( RR 116/2007-030-04-00.3)
(Virginia Pardal)
Esta matéria tem caráter informativo, sem cunho oficial.
Permitida a reprodução mediante citação da fonte
Assessoria de Comunicação Social
Tribunal Superior do Trabalho
Tel. (61) 3043-4404
imprensa@tst.gov.br
Uma ex-vendedora de carnês do “Baú da Felicidade” - título de capitalização comercializado pelo Grupo Sílvio Santos cujo resgate é feito mediante a entrega de mercadorias – receberá indenização correspondente a um ano de salário, acrescida de férias e décimo terceiro, em razão de ter sido reconhecido judicialmente seu direito à estabilidade provisória no emprego em virtude de doença ocupacional. A vendedora desenvolveu manchas na pele do rosto por trabalhar o dia inteiro exposta à radiação solar no estande do Baú montado em frente a um hospital de Porto Alegre (RS).
O relator do recurso, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, manteve o direito à conversão do período de estabilidade provisória em indenização, mas acolheu o recurso da empresa BF Utilidades Domésticas Ltda. quanto à condenação relativa ao pagamento de honorários advocatícios da parte contrária. Segundo ele, a decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (RS) que impôs a condenação à empresa apenas com base no princípio da sucumbência violou a jurisprudência do TST que exige, para a condenação ao pagamento de honorários advocatícios na Justiça do Trabalho, que a parte esteja assistida por sindicato, que comprove receber salário inferior ao dobro do mínimo legal ou esteja em situação econômica que não lhe permita demandar sem prejuízo de seu sustento ou de sua família.
Fotografias juntadas aos autos demonstram que ao ingressar no setor de vendas do Baú da Felicidade, em 8 de setembro de 2003, a moça não tinha manchas no rosto. A perícia concluiu que o escurecimento da pele (melasma) teve relação direta com o trabalho executado, pois a vendedora passava o dia inteiro sob o sol no estande montado em frente ao Hospital Conceição. Na ação, ela informou que a empresa não fornecia protetor solar, embora fosse uma de suas reivindicações. Além disso, exigia que ela usasse maquiagem, o que teria agravado o problema. A moça afirmou que seu salário mensal (R$ 650,00) não comportava despesas com protetor solar.
A sentença da 30ª Vara do Trabalho de Porto Alegre reconheceu o direito à estabilidade provisória prevista na Lei 8.213/91, que assegura a manutenção do contrato de trabalho pelo prazo mínimo de 12 meses ao empregado vítima de acidente de trabalho ou de doença a este equiparada. O pedido de indenização por danos materiais foi negado porque a vendedora não juntou aos autos comprovantes dos valores que teria despendido em decorrência da patologia, como tratamentos dermatológicos para a cura da lesão. A alegação da empresa de que não se trata de doença que produza incapacidade para o trabalho e que não foram observados os requisitos legais para se deferir estabilidade (afastamento do trabalho e concessão de benefício previdenciário) foi rejeitada em primeiro grau.
O TRT/RS manteve a sentença sob o argumento de que, para que seja equiparada a acidente de trabalho, a doença deve ter relação de causa e efeito com a atividade desenvolvida, o que foi demonstrado pelo laudo pericial. O Regional acrescentou ainda que o fato de não ter recebido o auxílio-doença-acidentário pelo INSS não pode prejudicar o trabalhador. No recurso ao TST, a defesa da empresa insurgiu-se contra a condenação aos honorários advocatícios e contra a indenização correspondente ao período estabilitário. Afirmou que o direito foi concedido em contrariedade à Súmula 378 do TST. O item II da súmula dispõe que são pressupostos para a concessão da estabilidade o afastamento superior a 15 dias e a consequente percepção do auxílio-doença acidentário, salvo se constatada, após a despedida, doença profissional que guarde relação de causalidade com a execução do contrato de emprego.
Segundo o ministro Vieira de Mello Filho, a decisão regional está correta e, ao contrário do alegado pela parte, está em perfeita sintonia com a jurisprudência do TST. “Conforme se observa, a decisão regional fundamenta-se na premissa de que, reconhecido o nexo causal entre a moléstia e o trabalho realizado, conforme atestado pela perícia, enquadra-se a reclamante na previsão do art. 20 da Lei nº 8.213/91. Ademais, o TST já sedimentou jurisprudência no sentido de que, uma vez reconhecida a doença profissional por meio de constatação do nexo de causalidade, desnecessário que o reclamante encontre-se em gozo de auxílio-doença e/ou esteja afastado por período superior a 15 dias”, concluiu. ( RR 116/2007-030-04-00.3)
(Virginia Pardal)
Esta matéria tem caráter informativo, sem cunho oficial.
Permitida a reprodução mediante citação da fonte
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