sábado, 25 de julho de 2009

Patadas

Dilma Russeff, brizolista sem jeito que virou petista com jeito de centralismo democrático, escoiceia pra tudo que é lado.
A mitologia não falou em gênero, mas podemos adaptar a companheira ao Requião.
Dilma é uma centaura, pelos coices: metade cavala (no mau sentido) e metade também.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Um banco 30 horas de ignorância

O Unibanco, pertencente a uma família de intelectuais antes de ser fundido ao Itaú (o fundador, embaixador Walther Moreira Salles, os filhos João e Walther e outros), passou dos limites hoje (sexta) no atendimento telefônico a este pobre coitado, procurador de sua pobre mãe. “De que cidade está falando, senhor?”, perguntou uma daquelas Jéssica Caroline, atendente baseada sei lá onde, São Paulo ou Vila dos Remédios. “De Curitiba”, respondi. “Em que Estado fica Curitiba, senhor?”, arrematou a Jéssica.

O Unibanco poderia dedicar algumas de suas propaladas 30 horas num curso de conhecimentos gerais a seus atendentes. A burrice não é só da Jéssica Caroline.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Uma mentira que já perdura 40 anos

Divagando & Katilografando

Difícil foi para nós estudantes do curso ginasial no ano de 1969 refutarmos a idéia de que Neil Armstrong não havia dado o primeiro passo do homem na Lua. Ele deu o primeiro o segundo e outros passos na Lua; nenhum de nós estudantes da segunda série ginasial (hoje sexta série do ensino fundamental) tinha ou tivemos qualquer dúvida. O meu companheiro de equipe de trabalho escolar o Dirvam Guimarães, filho da dona Zuleima e do seu Dirvam dos Correios, era um gênio no desenho, o nosso trabalho escolar sobre “O Homem e a Conquista do Espaço” foi notável, obtivemos a nota máxima.
Em casa, os meus pais e principalmente a minha mãe em complô com a dona Antonia esposa do seu Matias, que acabavam de ficar avós da pequena Márcia (hoje minha esposa) que nascera dois dias antes do “Homem” pisar na Lua, encabeçavam a lista dos incrédulos; para eles, o que Deus fez, não foi dado autorização para que o homem fosse lá profanar território sagrado, pois, a Lua, o Sol e as Estrelas eram campo de visitação só de Deus, o Supremo Criador do Universo. Já que eles são bons nisso, por que é que eles não vão ao Sol? Diziam em desafio os meus pais e amigos incrédulos. Não preciso dizer que eu ficava roxo de raiva; todo esse argumento para mim não passava da mais pura declaração de ignorância (no sentido chulo do termo), falta de credo no Deus que fez o Homem a sua imagem e semelhança; ora, para mim, se nós éramos de fato a imagem e semelhança do nosso Supremo Criador, não haveria sentido refutar o feito que os americanos em transmissão de TV para todo o mundo inteiro mostravam no dia 20 de julho de 1969, o “Homem” dando um passo histórico para a humanidade.
É verdade, para alguns seres inteligentes, longe dos “ignorantes” e, embasados cientificamente, cinco anos mais tarde escreveu um livro que é conhecido como a “Teoria da Conspiração” "We Never Went to the Moon" ("Nunca fomos à Lua", 1974) foi o livro que catapultou Kaysing como escritor e o elevou à categoria de "pai" da teoria da farsa lunar. Na obra, o engenheiro de formação reúne uma série de argumentos, todos usados até hoje pelos defensores da teoria. Na verdade, no ano de 1974 eu não tinha maturidade e nem acesso a uma leitura tão especializada com essa; por isso mesmo, eu, ainda a essa época continuava no firme propósito de acreditar naquela “viagem fantástica”. Bill Kaysing não foi para mim, anos mais tarde (ano 1989), o mentor intelectual para a minha hoje irrefutável descrença de tal feito.
Após a série de reportagens que se alongaram no decorrer do início do ano de 1989 sobre o naufrágio do Barco Bateau Mouche (31/12/1988), meio que saturado com tantas notícias distorcidas, resolvi decididamente a mudar de canal de TV, elegi a TV E como a minha fonte de informação sobre o que acontecia pelo mundo. Certo dia de domingo daquele início de ano (março ou abril de 1989), assistindo ao Programa National Geografic daquela TV estatal, em umas entrevistas a algumas pessoas pelo mundo sobre o vigésimo ano do “Homem” andando pela Lua, uma desdentada camponesa indiana disse não acreditar que o homem tivesse chegado e muito menos pisado na Lua. Surpreso, o repórter lhe perguntou o que a fazia pensar daquela maneira; a resposta foi surpreendente. Foi surpreendente principalmente para mim que, durante vinte anos não havia sequer dado o trabalho de rever as fotos que documentavam o “heróico” feito dos americanos. Para a camponesa indiana, destituída de qualquer conhecimento da física – pelo menos foi o que achei -, ela deu uma aula de conhecimentos que até os fraudadores da viagem não contavam que os estudiosos pelo mundo afora pudesse. Ela não se apegou a detalhes que os doutores em uma tese com certeza se apegariam para confirmar ou negar; ela foi taxativa: “a bandeira dos Estados Unidos fixada no solo lunar estava pendurada em retângulo, sem a tradicional caída que toda bandeira desfraldada apresenta; e foi mais adiante, disse que o mastro da bandeira estava em “L” de ponta cabeça para que, favorecesse no caso como o de enfiar um elástico no calção, a bandeira tinha essa borda para que o “pé” do “L” entrasse na borda da bandeira americana e, no “I” do mastro, a bandeira foi amarrada tal como se amarra por exemplo, o cadarço dos sapatos. Na verdade, esse detalhe da bandeira em retângulo era para confirmar a falta de gravidade na Lua e por isso mesmo, segundo a tese deles, uma bandeira lá deveria ficar assim se fosse lá desfraldada, não cairia como aqui cai e fica ao sabor do vento.
Foi preciso que uma pessoa de supostos poucos conhecimentos dissesse de maneira mais brejeira possível para que eu viesse a me despertar sobre o que foi a fraude aplicada pelo Sr. Richard Nixon, que teve como principal objetivo refrear os ímpetos da União Soviética na chamada “Guerra Fria” e apagar o desastre frente ao mundo que foi a Guerra do Vietnam. O Nixon para dar contornos de realidade a “Farsa Lunar” usou dos serviços do naquela época “Spielberg” que era nada mais nada menos que o diretor Stanley Kubrick ("2001 - Uma Odisséia no Espaço"). A viúva Stanley Kubrick dá um depoimento, que daí saiu a ideia de que o diretor americano foi convidado por Nixon para criar a farsa do homem caminhando na superfície lunar.
Nos tempos atuais fica bem mais fácil entender o que aconteceu; naquela época o super computador que a NASA tinha ocupava dois enormes prédios, se formos planificar o super computador de então, ele caberia em uma quadra de 200m X 200m. Esse era o trunfo americano que desenvolveu a capacidade daquela nação ir à Lua. Nos tempos atuais, aquele “super computador” é facilmente carregado por qualquer pessoa em uma valise para qualquer lugar que deseje, todavia, esse Laptop ou Note Book não tem qualquer grande tecnologia que nos faça fazer uma viagem espacial, a não ser, um bom programa de simulador de vôo. É evidente que eu acredito que o homem pode ir à Lua, ir até mesmo a Marte e quem sabe até mesmo fora do nosso sistema solar, eu acredito sinceramente. Agora, que ficou feio para os Estados Unidos mandar atualmente homens somente até no máximo 450 quilômetros de altitude, isso ficou! E o pior, é ter que se calar frente às evidências gritantes que se apresentam pelo mundo científico sobre a mentira que a cada ano fica mais evidente.
Ora, se quarenta anos atrás os Estados Unidos se disseram viajantes ao nosso satélite lunar, como se explica agora eles estarem desenvolvendo tecnologia para, somente em 2.020 mandar um “Homem” (novamente?) à Lua? Como se explica isso? Qual foi a tecnologia usada quarenta anos atrás que fez com que os americanos fossem à Lua e hoje não se aplica mais? Será que os americanos cretinos acreditavam que a tecnologia utilizada fosse eterna? Por que será que todos os astronautas envolvidos naquela viagem do Apollo 11 e até mesmo os da Apollo 10 ficaram todos com distúrbios mentais e assim morreram sem qualquer recuperação? Também isso não tem resposta. Muito bem, na verdade a tecnologia utilizada foi a aposta na burrice do resto do mundo, a falta de conhecimento e o desinteresse pelos assuntos que, só eram aos EUA lícito ter é que davam àqueles farsantes a tecnologia precisa para que eles posassem de viajantes espaciais; nessa história toda, a União Soviética (URSS), que alardeava ter mandado lá Lua um macaco, se calou! Por que se calou, calou-se, porque naquele episódio ficaram cúmplices na mesma mentira. Você, amigo (a) que me dá o prazer desta leitura, acredita que o Homem foi à Lua? Eu, há vinte anos não acredito, antes tarde do que nunca!

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sábado, 18 de julho de 2009

Cartinha de sábado

Meus caros amigos:
A maioria de vocês era muito jovem em 1989 (Gustavo, meu filho, tinha dez anos; imaginem minha idade) quando o País viveu sua primeira eleição direta para presidente da República (não custa lembrar que a palavra vem de res publica, do latim, coisa pública, do povo).
Aos fatos.
Era eleitor e, por sorte do destino, acompanhei o candidato Lula no segundo turno daquela eleição. Conheci boa parte do Brasil graças à besteira do jornal onde trabalhava, que me achou indicado como um sujeito capaz de equilibrar a cobertura, esta sempre pró-Collor. Não acho que tenha feito um belo trabalho, pois não tinha fontes fora daqui, era secado, não tinha esperteza et coetera. Mas fiz um trabalho decente.
Como eleitor, no primeiro turno votei, e não me arrependo, no candidato do Partido Comunista, o sr. Roberto Freire, hoje um notório malandro que jogou sua biografia ao lixo e coisa e tal. Votei no partido. Veio de Freire o PPS, mas ficou o velho Partidão, que continuo respeitando.
No segundo turno, votei com orgulho no candidato que viera do povo, o metalúrgico Lula. Perdeu para Fernando Collor de Mello, como se sabe, por artimanhas da política e resistência da sociedade, a imprensa inclusive.
Votei em Lula de novo na eleição seguinte, já no primeiro turno, mesmo simpatizando com o professor Fernando Henrique, e votei de novo em Lula e de novo até ele se eleger como representante do povo, e, depois, se reeleger.
Não, não me arrependo do voto que dei na época. Até agora Lula foi melhor, muito melhor que FHC.
Mas as artes da política - e a política é antes de tudo uma arte, assim definida pelo craque Nicolau Maquiavel - mudaram nosso companheiro.
Ao longo de dois mandatos, a pretexto de governar, com e para o povo, o companheiro Lula se afastou do povo, produziu (ele mesmo, sim) acordos espúrios, chutou a Constituição com suas medidas provisórias, acertou-se com o que há de pior no Congresso, nomeou o que há de mais nojento para alguns ministérios (Temporão, da Saúde, e Haddad, da Educação, não o absolvem), enfim, repetiu práticas de república bananeira.
Cansei-me, caros amigos.
A palha nas costas do camelo que sou, a gota d´água, o que restava de paciência foi se esgotando (como fadiga do material compreensão política) com vários episódios, até culminar com o caso Sarney, um notório bandido (vejam no You Tube: Maranhão 66, só pra começar).
Por fim, derrubado fiquei com a ida do companheiro às Alagoas, onde ele, patife político, abraçou-se, enlevou-se com Renan e - ele mesmo - Fernando Collor, o maior pulha da história da República brasileira. E olhem que conheço um pouco de história. Só não fiquei com saudade dos milicos porque deles não se deve ter saudade, apenas distância histórica. E que se mantenha distância deles.
Anfã, como diziam os árabes. Na alvorada da terceira idade, eu, velho sonhador, estou muito triste.
Um governante num sistema presidencialista precisa do Congresso para governar, mesmo obrigado a fazer certos e incertos acordos, concordo. Mas não pode se afastar do povo, pelo qual e para o qual existe.
Em nome do povo, nós, o companheiro Lula cuspiu em sua e na nossa biografia, chutou nossa inteligência, sentou-se em nossa paciência.
Não merecemos isso, "esse País" não merece.
Isso não é um choro arrependido nem declaração de voto no tucano Serra, que talvez agisse igualmente.
É só para dizer que o companheiro aceitou de vez o abraço do afogado com Sarney, Renan, Collor, PMDB e todos os seus picaretas.
É para dizer que Lula me deixa envergonhado.
O camarada Lênin o teria passado nas baionetas.
Não foi para isso que nossos irmãozinhos morreram nas ruas e nas matas, não foi para isso que nossos tios foram cassados e caçados, não foi para isso que muitos de nós demos muitos anos de nossa juventude, não é por isso que continuamos construindo nossa democracia.
É chato citar a Revolução dos Bichos, de Orwell (publicado aqui pelo milicos - traduzido pelo chefe de gabinete do Golbery, o capitão Heitor de Aquino Ferreira -, mas que depois voltou-se contra eles), mas hoje não sei mais quem é porco e quem é gente.
Prefiro lembrar o capitão Lamarca, de quem muita gente não gosta: Ousar lutar, ousar vencer.
Vamos que vamos.
Sonhar sempre vale a pena.
Grande abraço,
do amigo Jorjão, em homenagem a quem nos abraçou um dia e sempre, gente da estirpe do Graciliano Ramos, do Luiz Carlos Prestes, do marechal Floriano Peixoto, do Getúlio, do Dutra do "livrinho", do Juscelino, do Jango, do Gregório Bezerra, do Marighela, dos amigos do Araguaia, da Marina Silva, da Heloísa Helena, do Chico Mendes, do dr. Miguel "Arraia", do Francisco Julião, dos professores Sérgio Buarque, Chico de Oliveira, Florestan Fernandes, do dr. Walter Pecoits, dos doutores Vieira Neto, René Dotti, Raymundo Faoro, Lamartine Correia de Oliveira, José Carlos Dias, Heleno Fragoso, do dr. Ulisses Guimarães, dos democratas em geral e dos sonhadores em particular.
Suerte.

Ruy Castro, na Folha deste sábado (18)

Belo texto. Em minha modesta opinião, código penal chinês nessa gente.
Vamos esvaziar as prisões. Botar os pobres na rua. E chumbo nessa gente que nos rouba dinheiro e cidadania.

Que nem amebas
RIO DE JANEIRO - Antes dos Sarney, um clã notório por formação de quadrilha, digo, formação de família, foi o dos irmãos Frank e Jesse James, no velho oeste americano. O cinema os imortalizou em vários bangue-bangues.
Sim, eles eram apenas dois, mas a família se compunha também dos irmãos Quantrill e Ford, três ou quatro de cada um. Juntos, usando máscara e aquelas sugestivas capas de viagem chamadas guarda-pó, eles assaltavam trens, bancos e diligências -não para dar aos pobres, mas para dar para eles mesmos, que também eram pobres, até que, com tantos assaltos, deixaram de ser.
Os Sarney, compostos do patriarca Ribamar e vários filhos, se expandem numa legião de netos, sobrinhos, genros, noras e cunhados, todos com gordos empregos públicos. Como as amebas, que se dividem e se multiplicam, os Sarney incluem também as namoradas deles e até os irmãos delas, numa insaciável fome de vagas no Senado -vagas essas que, uma vez ocupadas, tornam-se "da família".
Embora pudessem se nomear uns aos outros, a dita conquista de espaços passa pelo crivo do Sarney mor, o qual cuida de que a família tenha também gente de fora, tipo cafeteiras e agaciéis, para garantir o funcionamento da ciranda. Que não se destina, evidentemente, à conservação desses empreguinhos, mas ao uso deles para o bom andamento dos negociões.
Um dia, Jesse James, o chefe da família, digo, da quadrilha, resolveu se aposentar. Sua cabeça estava a prêmio, e a recompensa por quem o entregasse, vivo ou morto, era polpuda. Bob Ford, um de seus asseclas, estava na pindaíba. Sabendo onde o ex-chefe morava, foi até lá e, disparando pela janela, matou-o pelas costas enquanto ele pendurava um quadro. Se Jesse tivesse se aferrado ao posto, conservando sua majestade, ninguém o trairia.

sábado, 11 de julho de 2009

Leitura obrigatória

JOÃO SAMPAIO (na Folha de S. Paulo deste sábado (11/07)

Nem tudo o que reluz é ouro

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O Plano Agrícola não contém medidas eficazes sequer para facilitar e flexibilizar o acesso dos produtores ao crédito
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O NÚMERO -R$ 107,5 bilhões- é vistoso, assim como o ato político no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o Plano Agrícola e Pecuário para a safra 2009/2010. Entretanto, conferindo atualidade ao velho ditado de que "nem tudo o que reluz é ouro", o volume dos recursos e o aumento de 37,7% em relação ao programa anterior não escondem as lacunas do pacote.
Não se abordou com devido empenho o seguro rural e se insistiu em tratar com diferenças a agricultura empresarial e a familiar. Olhando pragmaticamente os interesses do Brasil, não cabem distinções sob o prisma ideológico. Ambas são fundamentais.
A agricultura empresarial, voltada à exportação de commodities, é responsável pelo superávit comercial e pelas reservas cambiais, que nos permitem navegar com certa tranquilidade no mar revolto da crise mundial.
A agricultura familiar, mais focada na produção de alimentos, é fiadora da segurança do abastecimento e da estabilidade dos preços.
Outra falha foi a ausência de um conjunto de medidas eficazes para melhorar o crédito rural. Ação urgente seria a diminuição dos juros cobrados nos Recursos Obrigatórios (RO), que não têm acompanhado a queda da Selic (taxa básica de juros).
Também é preciso lembrar que os produtores tiveram o seu grau de risco aumentado pelos agentes financeiros em decorrência de renegociações de dívidas antigas. Quanto mais elevado o risco, maior o "spread" e menor a possibilidade de se obter o crédito.
Medida para solucionar já a questão seria revisar a resolução 3.499, do Conselho Monetário Nacional (CMN), relativa à reclassificação de risco das operações de crédito rural.
É premente viabilizar a produção dos agropecuaristas endividados (a dívida rural já supera R$ 140 bilhões). O ideal seria que o produtor com mais de um empréstimo no mesmo banco não tivesse, como ocorre, todos os contratos enquadrados como de alto risco.
Há uma proposta alterando essa distorção, encaminhada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) à equipe econômica do governo federal, mas a morosidade da análise gera insegurança.
É importante deixar claro que, por lei, 25% dos depósitos à vista e 65% da poupança devem ser aplicados pelas instituições financeiras no crédito rural, mas há imensa contradição na mesa do gerente do banco. No Banco do Brasil, cerca de 30% da carteira agrícola está comprometida com operações prorrogadas.
Ora, o BB não pode agir como instituição privada, afastando-se do seu papel histórico como fomentador da agropecuária e abrindo mais espaço à formação de oligopólio de "trading companies" multinacionais, que já controlam a maior parte do financiamento da safra das principais commodities brasileiras.
Em suma, o pacote não contém medidas eficazes sequer para facilitar e flexibilizar o acesso ao crédito, e é preciso desonerar os produtores. Sem isso, o efeito pirotécnico do lançamento do plano será muito maior do que seu real impacto positivo. O próprio volume dos recursos, embora muito valorizado na retórica oficial do Planalto (já em prematura campanha eleitoral para 2010), ficou aquém do esperado.
A frustração somente não produz insegurança maior porque a crise econômica encarregou-se de diminuir o custeio da produção. A inquietação persiste no campo, onde há todo um Brasil, muitas vezes esquecido, à espera de soluções concretas para cumprir sua profecia de celeiro do mundo.

JOÃO SAMPAIO, economista, é secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e presidente do Consea (Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável).

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Das barrancas do Rio Gavião: Chico e Elomar, Elomar e Chico, Elomar e Jadher Assunção

Título ininteligível, aqui nas araucárias.
Explico.
Tive como colega em um curso de processo do trabalho (sim, somos operadores do direito, né?), hoje amigo véio, o Francisco Silva, baiano de Vitória da Conquista - terra do fotógrafo Alberto Baiano Viana, de quem já sabia ser primo do Cara abaixo -, que volta e volta escreve neste blog.
Num dos intervalos de aula o Chico me disse de onde era e eu, mania de localizar, identifiquei-o: "Terra de Elomar".
Chico arregalou os olhos, como se identificasse alguém próximo, mas desconhecido, por aí.
Daí começa nossa amizade de infância.
Pois bem.
O dr. Francisco, o Chico, me escreve de Vitória da Conquista para contar que está em casa de Elomar e o pessoal, meio que admirado, gosta da lembrança deste curitiboca.
Mas quem sou eu?
E não é que Elomar e família gostaram de saber que em Curitiba tem macaca de auditório do Bode?
Pois tinha sempre e ainda tem.
Lembro-me do querido amigo Aramis Millarch (consultem www.millarch.org), o primeiro aqui por estas bandas a saudar o grande Elomar.
Se não me engano, outro querido amigo, o Luiz Augusto Xavier, que na época escrevia sobre música, também escreveu sobre Elomar.
Não me lembro de quem peguei carona, se de um deles, se do Kubrusly (na época, na Som 3, acho eu), e lá fui eu, pobre criança, atrás do Elomar, nas lojas de discos.
Achei o seminal "Nas barrancas do Rio Gavião".
Meu amigo Roberto José da Silva, irmão siamês com quem compartilho gostos idênticos, mas algumas diferenças ideológicas (ele é tucano, eu sou khmer vermelho), vinha também de Elomar (não lembro se no mesmo tempo, mas consideremos que foi).
É ele, mesmo, o Zé Beto do blog do Zé Beto, embora goste mais de chamá-lo de Roberto.
Quando, enfim, começo dos anos 80, Elomar vem a Curitiba, com Xangai, num dos encontros batizados de Parcerias Impossíveis (idéia e execução da querida professora e amiga Lúcia Camargo, hoje em São Paulo), no Teatro Paiol, tendo como "parceiro" o gigante Fausto Wolff (Aramis deve ter informado o nome certo dele, data de nascimento, livros publicados etc.), lá fui eu correndo. E lá foi o Roberto José da Silva. Não o vi lá, que me lembre, mas tenho certeza que o xipófago lá estava.
Foi inesquecível.
Como o blog é meu, posso me alongar, e quem não gostar, desligue.
Soube depois por um assessor do prefeito Jaime Lerner que Elomar ficou preocupado com Fausto, que bebeu o frigobar dele e de todos. "Por que você bebe tanto?", perguntou o Bode, na primeira noite do hotel. "Estou com câncer e vou morrer logo", respondeu o Fausto. E continuou tomando o que estava e o que não estava no trato, no hotel e no Paiol. Pero lúcido, sempre.
O fato é que Fausto Wolff só morreu agora e aquela noite foi genial.
Elomar (Xangai encheu o saco) fez um show inesquecível.
Elomar, pelo menos para mim, é como um daqueles mestres de artes marciais que descobriram o caminho e se recolheram.
Quem quiser que vá procurá-lo no seu terreiro. Ele ensina se o candidato merecer.
Eu era muito jovem (hoje sou um senhor) quando ouvi e depois vi Elomar Figueira (de) Mello, arquiteto (com diploma), criador de bodes, violeiro, criticando os urbanóides.
Eu queria ser escritor, viver longe dessa loucura, dessa palhaçada (no mau sentido) que é a cidade grande. Escrever minhas bobagens, ler muito, ouvir Elomar e muito jazz, esta a música de minha alma, fora Bach e Beethoven - o resto, no bom sentido, vem depois: Beatles, Stones, Weather Report, Mozart, Chico, Noel, Rosinha (de Valença), Caetano, Gil, Gal, Elis, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Astor Piazzolla, Hermeto (um Elomar da cidade), Egberto (um Elomar do mundo) etc. e tal.
Como já falei demais, reproduzo, com muito orgulho, o bilhete do Francisco, meu amigo Chico, que me escreve da casa (digamos que sim) de Elomar.
Depois encontrei o duplo (LP, moçada) "Na quadrada das águas perdidas", genial. Deve estar na biblioteca do Congresso dos EUA. Na minha discoteca também está.
Conclamo meu amigo Roberto, o Zé Beto temido do blog, a trazermos - às custas de outros, por óbvio - o Elomar a Curitiba. Até para tocar em minha casa (onde já há um espaço para Rosa Passos e João Gilberto).
O Chico traz (viu o verbo no presente, Chico?)o Santo Bode amarrado.
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Leiam, depois do bilhete, que me deixou muito feliz, artigo de um garoto, o Jadher, cujo texto tem leves tintas euclidianas, um pouquinho (mas só um pouquinho) de confusão adolescente sobre música e mundo, sobre Elomar Figueira de Mello. O guri é gênio, só tem 17 - aos quais queremos volver.
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Neste sábado, quando instalar um novo equipamento de som aqui em casa (agora quase um em cada cômodo, minha casa musical), que ganhei de meu cunhado Paulo(toca-discos Garrard, amplificador Polivox, seus despeitados!!!), vou tocar Nas barrancas do Rio Gavião.
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Longa vida a Elomar.
Longa vida a todos nós para que possamos ouvi-lo.
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Leiam o recado do Chico, direto de Vitória da Conquista, da casa de Elomar.
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E pesquem no link o belíssimo texto de um guri de 17 anos, o Jhader, - cracaço.
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Amigo Jorge Mosquéra,
Estou neste momento me dando ao desfrute de visitar e ser convidado para almoçar na casa do Elomar Figueira. Falei de você e do fã que é do Elomar. Ficaram todos muito satisfeitos, e para mostrar o quanto nós não estamos sós nesse fã clube, abaixo está um site que tem uma matéria de um garoto de 17 anos de Salvador tecendo os mais elogiosos comentário ao velho "Bode" assim como ele o chama.
Abraços,
Francisco Silva Filho
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Eis o guri:

http://www.mandacarudaserra.com.br/noticias/2009/helomar.html