sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Morreu o dr. Abdo Aref Kudry

Quem herdará aquela vaga "de estacionamento" desenhada na calçada em frente ao Diarinho, ali na Rua XV, onde ele acintosamente deixava seu Jaguar?
Até nisso Abdo Kudry era temido.
Foram-se Chico Beleza, João Milanez, Abdo Kudry.
Paulo Pimentel é o último representante do baronato de uma imprensa que não tinha função social nenhuma, negociava proteção, mordia e assoprava, bajulava e atacava, mostrava e escondia, alternava lamentáveis e belos momentos de um jornalismo que anda cada vez mais cada vez.
Abdo Kudry, o poderoso chefão do sindicato dos patrões, tem, porém, algumas belas linhas em sua biografia: ter cedido redação, máquinas e papel para fazer o jornal da greve dos jornalistas nos anos 60. Belo e inesquecível gesto.
Ao que consta, não deixou Abdinhos.
Tomara que o Diarinho não feche.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O Sindicalismo e o Consenso de Washington

Divagando & Katilografando

As voltas que o mundo deu desde 1989, ano em que John Williamson criou a cartilha chamada de Consenso de Washington, foram suficientes para aniquilar um movimento que, era o “fundo moral” garantidor das conquistas obtidas pelo trabalhador brasileiro. O sindicalismo nacional era na realidade – assim eu comparo – o nosso “supremo tribunal”, aquele que vela pela nossa CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas, assim como, o verdadeiro Supremo Tribunal é o guardião da nossa Constituição.
O Consenso de Washington desde a sua criação foi um tsunami na vida dos países emergentes, e, os trabalhadores foram essencialmente as vítimas dessa “Carta de Washington”, onde, o Brasil foi um signatário da mesma sem sequer abrir uma página para ver se nós poderíamos ou não seguir os seus preceitos; assinou-a no escuro. O referido “consenso” por seu criador quis significar "o mínimo denominador comum de recomendações de políticas econômicas que estavam sendo cogitadas pelas instituições financeiras baseadas em Washington D.C. que deveriam ser aplicadas nos países da América Latina, tais como eram suas economias em 1989." A partir de então, a “cartilha” foi usada pelos governantes com um único objetivo que era o de abrigar as políticas chamadas neoliberais que assim as justificassem; todavia o seu criador Williamson disse jamais concordou.
O tal “consenso” ou Carta de Washington trazia dez regras básicas a serem implementadas nos países à época chamados de “subdesenvolvidos”. As regras que se fizeram clássicas foram: Disciplina fiscal; Redução de gastos públicos; Reforma tributária; Juros de mercados; Câmbio de mercado; Abertura comercial; Investimento estrangeiro direto, com eliminação de restrições; Privatização das estatais; Desregulamentação – essa significa afrouxamento das leis econômicas e trabalhistas; e Direito a propriedade intelectual. A Argentina na América do Sul foi a sua primeira e fiel seguidora, e por isso, pagou caro; quebrou pelo menos três vezes em período compreendido à sua adesão desde 1989 a 2004.
O nosso sindicalismo, a reboque dos acontecimentos da nossa adesão, viu a Força Sindical que foi cooptada pelos interesses das volumosas contribuições estatais para defender o projeto que era o de privatização. Das dez regras, as que mais foram e continuam sendo colocadas em prática são as que privatizam e desregulamentam as leis econômicas e trabalhistas. As leis trabalhistas por suas flexibilizações – principal objetivo da “Carta de Washington” – tem trazido aos trabalhadores, bem como, aos sindicatos de classes uma total confusão. Aos trabalhadores uma total insegurança; aos sindicatos, uma desvirtuação da sua principal atividade.
Quanto à desregulamentação a que o consenso receitou, muito bem se apegou o patronato brasileiro; a criação de terceirizadas e de cooperativas de trabalho veio causar desestabilização no contrato de trabalho tradicional. O trabalhador que antes via no sindicato de sua classe um “porto seguro” e representante dos seus direitos, hoje o vê simplesmente como um agenciador de situações entre patrão e empregado que nada tem a ver com o sindicalismo contestador e representativo da classe. É verdade que o movimento sindical perdeu a sua grande força de mobilização e de contestação muito bem exibidos na década de 80 e parte da década de 90, e isso lhe deixa na defensiva. Como a desregulamentação e flexibilização das leis trabalhistas continuam foco do “falecido” Consenso de Washington – aliás, esse “consenso” já foi sepultado em todos os países de mediana inteligência, inclusive, os Estados Unidos jamais o levou a sério; a Malásia se fez signatária e colocou-o de ponta cabeça, e fez tudo ao contrário que o dito cujo preceituava e hoje é uma potência, moral da história; jogou-o na lata do lixo! – restam aos sindicatos o papel de guardar com o máximo rigor a nossa combalida CLT, pois assim, estará de forma indireta resguardando os direitos e as conquistas sociais conseguidas com muito suor, muita resistência, protesto e revolta.
A legislação trabalhista não foi e não deve ser considerada uma dádiva do Estado Novo getulista, como os setores trabalhistas tem afirmado - a CLT era e é uma cópia da Carta Del Lavoro, de Benito Mussolini, e implementada na sua essência pelo ditador brasileiro da época, Getúlio Vargas. Contrariando alguns setores a sua implementação importada, foi resultado das grandes greves operárias que tomou conta do país no início do século XX e da adesão do Brasil à Organização Internacional do Trabalho (OIT), outra conquista dos trabalhadores brasileiros. A CLT nada mais é como o seu próprio nome diz, do que uma consolidação, em lei única, de todas as conquistas sociais dos trabalhadores.

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sábado, 8 de agosto de 2009

Pro Jaime Lechinski

Poeminha curitibano

Em Curitiba
Todo mundo jogou bola com o Dirceu
Fez música com o Paulo Leminski
Comeu a Isadora Ribeiro
--
Et coetera...

Aviso aos amigos e inimigos

Não esqueço os amigos.
Reconheço-os num campo de batalha. Se estiverem do lado oposto, neles não atirarei. Se estiverem do meu lado, por eles lutarei.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Depois de 1808

Nosso amigo Laurentino Gomes, ex-jornalista, agora escritor de sucesso (1808 é um retumbante e lhe deu dinheiro até para emprestar aos amigos), está escrevendo 1822, uma obra histórica sobre a Independência. Ele vem colocando suas observações no tuíter e nos convida a acompanhá-lo. Então, vamos: www.twitter.com/laurentinogomes

Qualquer forma de política vale a pena?

Retirado do Blog do Noblat

Houve um tempo em que se dizia: "O PMDB de Ulysses Guimarães". Ou então: "O PMDB de Tancredo Neves".

O que se ouve hoje é: "O PMDB de Renan Calheiros".

Quem pode garantir que no futuro não se ouvirá: "O PT de Fernando Collor".

Absurdo? Provocação?

Collor pagou uma pequena fortuna para que a enfermeira Míriam Cordeiro, mãe de Lurian, filha de Lula, disssse na televisão, a poucos dias do segundo turno da eleição presidencial de 1989, que Lula lhe oferecera dinheiro para abortar a filha.

Míriam mentiu. Lula perdeu votos preciosos.

Collor foi o único presidente da República afastado do cargo por denúncias de corrupção.

Lula e Collor são hoje aliados. E estão cada vez mais íntimos.

Isso não soaria absurdo há 20 anos? Há 10? Há cinco?

Collor perdeu alguma coisa ao se aproximar de um presidente aprovado por 80% dos brasileiros?

Lula ganhou o quê ao se aproximar de Collor? Um voto no Senado? O futuro palanque de Dilma em Maceió?

A essa altura, o que ao fim e ao cabo distingue Lula de Collor? E os dois de Sarney a quem tanto combateram antes?

A preocupação com os pobres?

Perguntem a Sarney e a Collor se eles não assinariam embaixo do Bolsa-Família e dos demais programas sociais? Perguntem a qualquer outro político.

Por fim: qualquer forma de política vale a pena?

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Deus, um delírio

Deixem Jesus em paz
Por Juca Kfoury (retirado da Folha desta quinta, 30)

MEU PAI , na primeira vez em que me ouviu dizer que eu era ateu, me disse para mudar o discurso e dizer que eu era agnóstico: "Você não tem cultura para se dizer ateu", sentenciou.
Confesso que fiquei meio sem entender. Até que, nem faz muito tempo, pude ler "Em que Creem os que Não Creem", uma troca de cartas entre Umberto Eco e o cardeal Martini, de Milão, livro editado no Brasil pela editora Record.
De fato, o velho tinha razão, motivo pelo qual, ele mesmo, incomparavelmente mais culto, se dissesse agnóstico, embora fosse ateu.
Pois o embate entre Eco e Martini, principalmente pelos argumentos do brilhante cardeal milanês, não é coisa para qualquer um, tamanha a profundidade filosófica e teológica do religioso. Dele entendi, se tanto, uns 10%. E olhe lá.
Eco, não menos brilhante, é mais fácil de entender em seu ateísmo.
Até então, me bastava com o pensador marxista, também italiano, Antonio Gramsci, que evoluiu da clássica visão que tratava a religião como ópio do povo para vê-la inclusive com características revolucionárias, razão pela qual pregava a tolerância, a compreensão, principalmente com o catolicismo.
E negar o papel de resistência e de vanguarda de setores religiosos durante a ditadura brasileira equivaleria a um crime de falso testemunho, o que me levou, à época, a andar próximo da Igreja, sem deixar de fazer pequenas provocações, com todo respeito.
Respeito que preservo, apesar de, e com o perdão por tamanha digressão, me pareça pecado usar o nome em vão de quem nada tem a ver com futebol, coisa que, se bem me lembro de minhas aulas de catecismo, está no segundo mandamento das leis de Deus.
E como o santo nome anda sendo usado em vão por jogadores da seleção brasileira, de Kaká ao capitão Lúcio, passando por pretendentes a ela, como o goleiro Fábio, do Cruzeiro, e chegando aos apenas chatos, como Roberto Brum.
Ninguém, rigorosamente ninguém, mesmo que seja evangélico, protestante, católico, muçulmano, judeu, budista ou o que for, deveria fazer merchan religioso em jogos de futebol nem usar camisetas de propaganda demagógicas e até em inglês, além de repetir ameaças sobre o fogo eterno e baboseiras semelhantes, como as da enlouquecida pastora casada com Kaká, uma mocinha fanática, fundamentalista ou esperta demais para tentar nos convencer que foi Deus quem pôs dinheiro no Real Madrid para contratar seu jovem marido em plena crise mundial. Ora, há limites para tudo.
É um tal de jogador comemorar gol olhando e apontando para o céu como se tivesse alguém lá em cima responsável pela façanha, um despropósito, por exemplo, com os goleiros evangélicos, que deveriam olhar também para o alto e fazer um gesto obsceno a cada gol que levassem de seus irmãos...
Ora bolas!
Que cada um faça o que bem entender de suas crenças nos locais apropriados para tal, mas não queiram impingi-las nossas goelas abaixo, porque fazê-lo é uma invasão inadmissível e irritante.
Não mesmo é à toa que Deus prefere os ateus...



Concordo absolutamente com tudo.
Nunca é demais lembrar que Levir Culpi proíbe essas manifestações ridículas - e desrespeitosas com ateus, agnósticos e praticantes de religiões diversas das dos boleiros - no vestiário e em campo.
O que fariam os cartolas no dia em que um artilheiro erguesse a camisa do time ao comemorar um gol e sob ela aparecesse uma camiseta com as inscrições "Deus, um delírio"?