sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saudade da minha Ni Hao

Antes, muito antes da moda da Olimpíada de Pequim, comecei a aprender mandarim com a querida professora Thais, uma bela chinesinha da Taiwan que me ensinou as primeiras palavrinhas. Interrompi o curso por razões que aqui não cabem.
Mas aprendi que é um idioma belíssimo, como o nosso.
Programei-me para voltar ao glorioso mandarim a partir de outubro, mesmo que isso me arrebente o tempo e o orçamento. Azar da patroa.
Entonces, como aqui mando eu, publico (postar é coisa de açougueiro) um pequeno vocabulário mandarim que montei e estava decorando.
Mandarim e a mestra Thaís forévis. Em tempo: nada tenho, assim tipo um caso, com a mestra. Ela é bem casada e eu também. É só admiração de aluno.
Eis uma amostra do começo do meu dicionário. (o b tem som de pê)
--

VOCABULÁRIO

Bàba / pápa – pai
Ba – oito
Bù – não
b>i (um V sobre o i, que significa ascendente e descendente)
pà (phà) – temer
pá – rastejar
mama (- no primeiro a) – mãe
mèimei – irmã mais nova
mã – cavalo
ma – partícula interrogativa
fei (- sobre o e) – voar
dìdi – irmão mais velho
dà (ta) – grande
dui (tui) – certo
ta (- sobre o a) – ele, ela
tàitai – senhora, esposa
ni (v sobre o i) – você
nín – mais respeitoso
nimen (v sobre o i) – vocês
lái – vir
liù – seis
gege (- sobre o primeiro e) – irmão mais velho
kè – aula, lição
hão (v sobre o a) – bom, bem, boa
yi (- sobre o i) – um
wu (v sobre o u) - cinco
wo (v sobre o o) - eu, mim
womem (v sobre o o) - nós

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Na brasa do fumo

Adriano Codato - Núcleo de Ciências Sociais /UFPR

Os sofistas da liberdade liberal, os inimigos da ciência em causa própria e os bacaninhas de classe média, que não admitem qualquer regra de convivência minimamente civilizada (recorde-se a grita contra o Código de Trânsito, a limitação do consumo de álcool antes de dirigir e até mesmo a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança!), uniram-se para defender "os seus direitos".

Pois bem. O artigo abaixo é bastante desmistificador, até porque alinha só razões de bom senso a favor da proibição do consumo de tabaco em locais fechados.

Algumas sugestões para anotar na agenda de sociólogos e cientistas políticos, até para evitar a "profunda" discussão em torno de seu eu posso/não posso, quero/não quero, etc.:

- como a sociedade brasileira reage à imposição de regras;
- se os fumantes irão aderir imediatamente (ou um dia) à proibição;
(em Buenos Aires, na França e na Inglaterra a mudança de comportamento foi imediata. O que é uma questao sociológica interessantíssima);
- as relações entre os deputados e legisladores em geral com os lobbies: da saúde, dos defensores da Constituição e dos direitos ilimitados do Homem, da indústria do tabaco, da indústria dos bares, etc.

Fica a sugestão para pensarmos a coisa de maneira um pouco mais interessante, a meu ver.

artigo publicado na Folha de S. Paulo,
26 ago. 2009, p. A-3.

O "mito"(?) do fumo passivo

LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA

POR DÉCADAS a fio, a indústria do tabaco sustentou o argumento de que não havia comprovação científica sobre os malefícios do fumo passivo. Ao que parece, esse descalabro ainda ecoa, infelizmente, em nossa sociedade, não sei ao certo com que propósito ou na defesa de quais interesses. Certamente não são os da saúde pública.

Insistir nessa tese surrada, como no artigo "Até tu, São Paulo?", publicado nesta Folha no última dia 18 (Ilustrada), é o mesmo que desacreditar toda a comunidade médica mundial e os inúmeros trabalhos científicos que contribuíram para a OMS (Organização Mundial da Saúde) classificar o tabagismo passivo como a terceira causa de morte evitável do planeta.

Em 1993, a Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA publicou o primeiro estudo científico mostrando que a fumaça do cigarro no ambiente causa câncer. Encerrava-se aí a polêmica sobre os malefícios do fumo passivo.

Na década de 90 do século passado, a Associação Médica Americana publicou estudo demonstrando que a incidência de câncer no pulmão era 30% maior nas mulheres que, embora nunca tivessem fumado, tinham inalado fumaça do cigarro no ambiente em que viviam.
Aqui no Brasil, um estudo divulgado em 2008 pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer) revelou que pelo menos sete pessoas morrem diariamente por doenças provocadas pela exposição passiva à fumaça do cigarro, como câncer de pulmão, doenças isquêmicas do coração e derrames.
São inúmeras, portanto, as evidências científicas que mostram a relação entre tabagismo passivo, câncer e doenças cardiovasculares e que respaldaram, inclusive, a Convenção-Quadro para Controle do Tabaco, tratado internacional da OMS que recomenda a proibição do fumo em espaços coletivos.

Uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo com 50 garçons e clientes em casas noturnas da capital paulista revelou que basta uma noite em um ambiente fechado onde há muita fumaça de cigarro para que um não fumante atinja níveis de monóxido de carbono no pulmão equivalentes aos de fumantes. Houve medições em que, em uma hora, a taxa de monóxido de carbono chegou a aumentar seis vezes.

É de conhecimento de todos que a exposição aguda à poluição tabágica ambiental é suficiente para ocasionar irritação nasal e ocular, dores de cabeça e secura na garganta, entre outros sintomas. Não se trata, pois, de dogma ou mito, mas de realidade extremamente séria e relevante para a saúde pública paulista e nacional.

A lei antifumo de São Paulo não é propriamente uma novidade. Medidas similares já foram adotadas, com sucesso, nos países desenvolvidos. É, portanto, um avanço, não um retrocesso. Retroceder seria autorizar novamente o fumo em cinemas, aviões, elevadores ou mesmo nos consultórios médicos, como a série "Mad Men", citada pelo autor do artigo e que felizmente é apenas ficção.

O argumento de que a legislação antifumo fere a liberdade individual, além de raso, tenta induzir o leitor a erro. Primeiro porque, em São Paulo, ninguém ficou impedido de fumar, mas de consumir esses produtos em locais onde a imensa maioria -os não fumantes- tem o direito legítimo de não ser incomodada nem prejudicada pela fumaça nociva do cigarro.

Tampouco a lei ataca a propriedade privada. Só determina uma restrição voltada ao combate do tabagismo passivo. Da mesma forma que precisam cumprir as obrigações tributárias, trabalhistas, fiscais e previdenciárias, os empresários devem assegurar as devidas condições de saúde e higiene de seus estabelecimentos.

Por fim, é no mínimo contraditório querer rotular como policialesca, típica de "sociedades fechadas", a criação de canais para denúncias sobre descumprimento da nova lei. Não há nada mais democrático do que, uma vez aprovada a lei pelo Legislativo, o Executivo incentivar a participação popular na defesa de seus direitos. Isso se chama cidadania. Em prol da saúde de milhões de paulistas.

O mais importante, entretanto, é que a população de São Paulo entendeu o verdadeiro espírito da legislação, apoiando-a incondicionalmente, como demonstram as pesquisas de opinião pública e o baixíssimo número de estabelecimentos multados, que representam apenas 1% do total de locais visitados pela fiscalização.
[...]

LUIZ ROBERTO BARRADAS BARATA , 56, médico sanitarista, é secretário de Estado da Saúde de São Paulo.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Emilson Schafron

Será celebrada às 19 horas desta sexta-feira (11), na Igreja de Santo Estanislau (Rua Emiliano Perneta, 463, entre Visconde de Nácar e Visconde do Rio Branco), missa de 7.º dia de falecimento do advogado do Estado Emilson Schafron, morto no sábado, de infarto, aos 54 anos de idade. Aluno da turma que ingressou em 1974 na faculdade de direito da UFPR, Emilson trabalhava no jurídico do Centro de Observação e Triagem do Departamento Penitenciário do Estado. Desde os tempos de Colégio Estadual do Paraná, era admirado por sua ranzinzice e incomparável conhecimento de música, literatura e cinema. Chegou a ter, num apartamento onde viveu, no Tingui, um quarto só para guardar seus milhares de CDs. Era, também, louco pelo Coritiba. Deixa três filhos. Foi um dos meus melhores e mais verdadeiros amigos. Milton e Gracinha o embalam agora.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Patypatí, patypatá!

Divagando & Katilografando

Ninguém vai me pegar! – Com certeza, e eu até torci para isso seu Ribamar! Os seus atos secretos foram tão secretos que nem mesmo o “Esquilo Secreto” seria capaz de revelar. Os seus atos secretamente e redobradamente secretos jamais poderão ser descobertos. - Ufa! Que bom, Né? Sabe seu Ribamar? Eu até gostei que o senhor não tivesse sido punido por esses “atozinhos” secretos. – Calma gente! Muita calma nessa hora. Não fiquem aí pensando que eu compactuo com essas falcatruas, que nem foram tanto assim, elas (as “falcatruas”) estão pesando mesmo é no moral desses e daqueles “cães raivosos” que ladram enquanto a caravana passa; eles em verdade, não querem atingir o “nosso bravo” Senador, querem, outrossim, atingir o “Companheiro” e suas pretensões reeletivas; a sua candidata em 2010 e indispensável apoio do partido do “Senador” para as mesmas eleições; detonar de vez as aspirações de regulamentações do pré-sal antes das eleições vindouras. E é sobre isso que não compactuo mesmo!
Como pode um cidadão que pensa e tem capacidade de processar as informações que recebe crucificar um cidadão que sempre viveu, a despeito da sua vontade, liminarmente voltado aos interesses do povo que o elegeu? – Como pode, hein? Isso tudo deve ser inveja daqueles que jamais tiveram tanto despojamento... Não pensem que eu estou brincando! Como eu não brinco, devo me explicar da maneira mais simples possível.
É de se saber que o senado brasileiro teve a sua instituição no império (1826 – 1889) e depois, com o advento da proclamação da república (1889) a instituição permanece até os dias atuais. Queira me desculpar pela monotonia introduzida nesta parte do texto; mas, não foi por acaso, foi proposital. Então, um senado que existe há quase duzentos anos; será que foi só na gestão do Ribamar enquanto presidente que os atos secretos aconteceram e afloraram? – Ou melhor, afloraram sim! Modificarei a pergunta: será que foi só na presidência do seu Ribamar que os atos secretos aconteceram? – Com certeza, não! Os atos secretos são corriqueiros e institucionais, fazem parte da rotina da Instituição.
Nessa história toda o que conta mesmo são os interesses escusos de alguns segmentos políticos, econômicos e sociais. O PIG, – Rede Globo e seu conglomerado, Folha de São Paulo, Veja, Carta Capital e outros tablóidezinhos – os opositores do governo Lula viram no presidente do senado o seu “muro de arrimo e resistência”, dessa forma, resolveram minar o governo e sua candidata a sucessão e principalmente desestabilizar e desacreditar o Lula e seu partido PT da maneira mais indiretamente com viés de direta possível.
Patypatí, patypatei...! Jamais me entregarei! - É isso aí, “Seo” Ney! Se os outros fizeram tantos atos “top secret”, por que será que só ao senhor vão querer enquadrar? Dentro desse mesmo senado até assassinato a sangue frio já aconteceu, e o senhor foi testemunha; e o que vem serem uns atinhos secretinhos que a qualquer momento podem ser desfeitos, não é verdade? O chato “Seo” Ney, é que eles, como um “pum” no elevador saem secretamente, depois, tomam forma; um não denuncia o seu autor e também não pode ser desfeito (o pum), o outro fica a cara do seu dono e pode ser desfeito; não é verdade? Mas, ainda assim eu continuo achando bom que o senhor não tenha sido defenestrado de tão importante cargo no Congresso Nacional. Calma gente, novamente, peço calma gente! Eu não compactuo com nada disso, mas, nesses casos eu fico meio que torcedor daquele que está sozinho na jaula entregue a própria sorte (questão de justiça) e acabo tomando as dores. Já pensou se o “Seo” Ney sai, quem nós iríamos colocar lá? Questão de ordem pragmática; o novo ocupante que viesse ocupar a presidência do senado nós não saberíamos quais os defeitos ocultos dele (Código de Defesa do Consumidor); as virtudes vêm estampadas em letras garrafais com visível intenção de ludibriar o incauto consumidor. Lembra-se do impoluto senador Jefferson Peres? – Pois é; depois de sua morte alguma coisa mais ou menos podre e fétida apareceu para nos dizer que ele não era aquela coisa maravilhosa que sempre nos fez acreditar ser (o homem deixou uma pequena fortuna em Passagens Aéreas R$ 178 mil de espólio a sua viúva); o falecido Antonio Carlos Magalhães, para não ser cassado, renunciou ao senado com o dedo em riste do Jefferson Peres apontado para ele, fazendo-se o paladino da justiça, da ética e da moral.
Desculpe-me pela divagada acima, acabei saindo do estilo que iniciei esta crônica. Eu como todo brasileiro adoro ficar do lado mais fraco, – quando comecei a torcer pelo Fluminense ele não era o melhor time do Rio, não, e continua sendo! – gosto de torcer pelo ladrão nos filmes; aliás, tem um filme de 1973 estrelado por Ryan O’neal, Jacqueline Bisset e Warrem Oates “O ladrão que veio para jantar” que é o precursor e inspirador desse meu estranho sentimento. Na vida real teve um assaltante e sequestrador por nome Leonardo Pareja que eu torci para ele, embora soubesse que seria vã a minha torcida, (*26/05/1974 +09/12/1996) morreu! Patypatá, senhor Ribamar! Espero que o senhor depois desse meu “indispensável e precioso” apoio nos honre, - na contra mão dos interesses do seu escudeiro Lula - arrebanhando votos para um rotundo não às pretensões de implantação da tal CSS (antiga CPMF), afinal, como parte integrante da sua torcida “organizada”, eu fiquei de cá, no meu canto mudinho da silva (eu sou um Silva), não escrevi uma única linha que fosse depreciativa ou repeti como a “Maria vai com as outras” as “infâmias” que lhes eram dirigidas.
Não preciso, mas, ainda assim, quero deixar claro que só torço pelos ladrões nos filmes e nas boas tramas; todavia, procuro em análise profunda descobrir por que é que ainda, em mim persiste esse meu desejo de ter torcido por aquele assaltante que a polícia acabou prendendo, e seus colegas de prisão matando-o por inveja e ciúmes em uma prisão no estado de Goiás. Talvez, para justificar essa defesa e simpatia ao Pareja, a explicação tenha sido dada pelos seus próprios colegas de prisão, quando devem ter detectado nele (presumo) uma forte tendência oculta de vir a ser um “grande na vida pública e na política brasileira”. Patypatama...! Essa pode ser considerada uma boa trama!
Patypatí, patypatei, “Seo” Ney! Não quero aderir aos que acham que o petróleo não é mais nosso, a eles jamais me entregarei! Esse tal pré-sal no “arriba mar” “Seo” Ney, nunca é cedo demais para definirmos essas regras que nacionalizem definitivamente e irrefutem a nossa soberania sobre o que está no nosso subsolo e em nossas águas territoriais marinhas; fui claro senhor Ribamar? Está de acordo “Seo” Ney? Patypatí, patypaté! Não esmoreça, insista, resista e persista; e no Brasil, salvem-se quem puder, não é seu José?

Crônica enviada à Sua Excelência Senador José Sarney – sarney@senador.senado.gov.br

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Ao ciclista desconhecido

Enviada ao Blog do Zé Beto
Recorro a este blog porque, se você não o lê, alguém que você conhece deve ler e lhe transmitirá esta epístola. Também está no meu blog, mas este só eu leio.
Pois é, companheiro. Fui eu que hoje (sexta), por negligência e imprudência, por confiar na buzina e, instintivamente, pensar que seu instinto supera a razão, acabei por derrubá-lo de sua briosa bicicleta quando eu buscava entrar na garagem do prédio onde moro.
Escrevo esta para, sonoramente e em público, pedir-lhe desculpas.
Fui negligente, sim, e principalmente arrogante por achar – e não é o que realmente penso – que uma buzinada seria o bastante para que você diminuísse a velocidade a me deixasse passar.
Deixar por quê? Você trafegava à direita da pista, bem junto à guia, respeitoso com as regras do trânsito. Deve ter acreditado que eu, civilizadamente, frearia meu possante 1.0 e esperaria você passar para, em seguida, eu entrar na garagem.
Paguei o preço do que me livro todos os dias nessa Itupava que agora virou via rápida. Quando me aproximo de casa, dou sinal com a seta, coloco o braço pra fora e faço aqueles gestos de lei que ninguém mais usa e, ainda assim, ouço freadas e, vez ou outra, um filhodaputa pela orelha esquerda. Hoje tinha um carro colado atrás do meu e achei que dava tempo de te ultrapassar e encostar na entrada do prédio.
Errei, e errei feio, e é por isso que peço desculpas.
Isso não me absolve, por certo. Cometi uma infração de trânsito por agir com negligência e não respeitar o ciclista.
Mas, como aconteceu de eu subir para ligar para o corretor de seguros e você partir sob aplausos da multidão, resta-me falar com você por meio do glorioso Blog do Zé Beto.
Você e sua baique saíram ilesos da minha barbeiragem. Eu, logo que constatada minha culpa (tanto que subi e liguei para o corretor de seguros), faria questão de te indenizar, se dano houvesse. Como tudo não passou de um baita aborrecimento, principalmente para você, obviamente, restar-me-ia a vergonha do erro cometido em público e um contrito pedido de desculpas.
É o que faço agora, no meio da praça, para purgar o mal que lhe causei.
Mas entenda algumas coisas:
1 – Eu não estava a 190 km por hora, embriagado, apostando racha com um bacana ainda não-identificado;
2 – Aconteceu um lamentável, mas superável acidente de trânsito, felizmente sem ferimentos físicos e sem danos materiais;
3 – Você não precisava tentar me dar lição de moral e de cidadania em público, como se estivesse diante de um débil mental;
4 – Você não precisava bradar que queria ver o mesmo acontecendo com meu filho;
5 – Você, enfim, não precisava dar aquele show, bancando a vítima de um motorista insano, um cretino que não respeita o ciclista;
6 – Você, ciclista desconhecido, comportou-se como um motoboy, e até agora, preocupado, espero manifestação de ciclistas diante do meu prédio, chamando-me de assassino, bradando “nóis qué justiça” e coisa e tal;
7 – Você não é dono da verdade e bicicleta é veículo, portanto sujeita a acidentes – por certo, sempre lamentáveis.
De minha parte, quero lhe assegurar que, de agora em diante, redobrarei meus cuidados e frearei meu possante para deixar o ciclista passar (quando voltar a dirigir). É assim, na verdade, que me comporto no dia-a-dia- do trânsito.
Hoje, infelizmente, errei, pelo que me penitencio.
Ao final e afinal, peço-lhe desculpas mais uma vez, dou-lhe os parabéns pelo show e prometo ser um bom menino daqui por diante.
Se você for, por um acaso do destino, o ciclista filho do Jacques Brã, campeão mundial de ciclismo de rua e defensor das baiques, pergunte-lhe sobre mim e ele lhe dirá que eu, apesar de tudo, sou um bom sujeito.
Traumatizado pelo acidente e pela bronca, fui trabalhar a pé esta tarde e pretendo voltar a ser pedestre daqui por diante. Melhor assim.
E ai de você, ciclista desconhecido, se subir na calçada onde eu caminho ou, se eu estiver deitado na rua, me mandar sair da frente.
Aí serei eu o certo e você não escapará dos meus sopapos.
Boa sorte a você e aos demais ciclistas curitibanos.
Assinado: Jorjão, agora e de novo o pedestre-dono-de-todas-as-verdades, um ser superior aos motoristas, aos motociclistas e até aos ciclistas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Requião tem razão

Reproduzo abaixo release do Palácio das Araucárias sobre a proposta do governador de defender a indicação, ao STF, do paranaense (acho que ele é catarina, mas aqui estudado) Luiz Edson Fachin. Ele foi meu calouro na faculdade de direito da UFPR. Nos falamos uma, se muito duas vezes. Era de uma turma da qual saiu outro craque: Jacinto Nelson de Miranda Coutinho, catarina com certeza, aqui estudado, ex-namorado da Annamaria Marchesini e coxa doente. Fachin é civilista, Jacinto é um dos bambas do processo penal. Esses dois, junto com o professor René Dotti, que dispensa comentários, e o Marçal Justen Filho, administrativista, meu ex-contemporâneo no glorioso Colégio Estadual do Paraná e, anos depois, meu veterano na faculdade de direito, só honrariam o STF.
Desta vez o Requião tem razão. Vamos com ele para colocar o Fachin no STF. E depois o Marçal e o Jacinto (René, infelizmente, já estourou a idade).Até que enfim, hem, Requião?


O governador Roberto Requião defendeu, nesta quinta-feira (3), a nomeação do jurista paranaense Luiz Edson Fachin para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Duas vagas se abriram no STF devido à aposentadoria compulsória do ministro Eros Graus e da morte do ministro Carlos Alberto Direito, na madruga da última terça-feira (1º).

“É a oportunidade do Paraná pleitear uma vaga na suprema corte brasileira. Nós temos no nosso Estado um dos melhores juristas do país. Luiz Edson Fachin é preparado por todos os títulos e essa oportunidade não pode ser perdida”, disse Requião em pronunciamento oficial.

“Nós temos que unir a opinião jurídica do Paraná e levar nossa sugestão ao presidente Lula. Eu lanço essa campanha em nome do Governo do Estado, fazendo o apelo para que todos se unam por que é possível neste momento emplacar um ministro do STF paranaense”, acrescentou o governador.

Recentemente, Fachin foi designado pelo Governo Federal como membro da comissão sobre a Reforma do Poder Judiciário. O jurista também assessorou Requião, enquanto senador, no projeto do novo Código Civil brasileiro. E a pedido da então deputada Marta Suplicy emitiu parece, e fez a defesa na Câmara dos Deputados do projeto de lei da parceria civil de pessoas do mesmo sexo.

O pronunciamento gravado pelo governador está sendo transmitido pela TV e pela rádio Paraná Educativa e por diversas rádios do estado.

Fachin é professor de Direito Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (Puc-PR); mestre e doutor em Direito das Ralações Sociais pela PUC – SP; pós-doutorado no Canadá pelo Faculty Reseach Program do Ministério das Relações Exteriores do Canadá, professor convidado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), da PUC-RS, da Universidad Pablo de Olavide de Sevilha, Espanha; membro do corpo docente da Universitá Degli Studi di Salerno na Itália e membro da Associação Andrés Bello de juristas franco-latino-americanos, com sede em Paris.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Eu sou pobre, pobre...

Divagando & Katilografando

Pobre de marré, deci! Desci coisa alguma! Eu sou rico, rico, rico de marré, subi...! Subi na vida sim senhor! Eu nasci pobre. De mãe pobre e de pai perdulário. Quando eu nasci meu pai não tinha um vintém (esse é velho!), digo, um cruzeiro; ele estava na vala comum daqueles que muito teve e que perdeu tudo porque não soube preservar o que lhe deixou o seu pai (o meu avô).
Ter nascido pobre em um país onde a riqueza era (e continua sendo) o passaporte para uma vida e um futuro melhor, onde o governo não priorizava como o Lula prioriza em primeira instância e procura silenciar o ronco dos estômagos dos famintos; deixava há mais de quarenta anos os pais de família com uma cuia na mão, batendo de porta em porta a pedir esmolas. Um dia de trabalho de pedreiro (profissão escolhida pelos ex-ricos, os novos fracassados; nos dias de hoje, acabam virando corretores ilegais; veja o caso do eterno playboy Jorge Guinle, que nem precisa sair de casa para intermediar uma venda, os seus amigos é que o colocam na transação) em uma cidade de pouco avanço à época não valia quase nada quando se arranjava alguma coisa, alguma obra; quem salvava mesmo com seus parcos recursos a economia doméstica eram as mulheres, essas bravas trabalhadoras braçais que botavam a comida na mesa sob as duas formas: trabalhando, lavando roupa para ganhar o pão e literalmente cozinhando para sua família.
Os programas sociais do governo têm salvado uma parcela significativa da população brasileira; os miseráveis de hoje já não são tão miseráveis quanto os de antigamente; os pobres de hoje já não são tão pobres quanto eu experimentei ser. Os pobres de então, tem o seu lugar ao sol; saem como o Lula prometeu, pelo menos uma vez por mês para almoçar fora com a família; ir à praia – e como está indo, estão levando a sério! Os pobres que engrossam as estatísticas da popularidade do Lula, não raro, têm TV de LCD em casa, geladeira de última geração. Por falar em TV, eu tenho duas aqui em casa que eu quero me livrar, já são vintenárias e estão ótimas; caí na besteira de perguntar ao carrinheiro (homem ou mulher que recolhem o lixo que não é lixo) se ele não queria a ou as TV’s, ao que me respondeu educadamente e com certa ponta de indisfarçado orgulho: “moço, eu não tenho lugar para colocar essas TV’s lá em casa não, a nossa TV é de plasma!” - Sim senhor, viva a modernidade e viva a popularidade do seu Lula da Silva!
Os tempos mudaram; o povo rico não percebeu a quantas as mudanças operaram milagres nas vidas daqueles que outrora não tinham o que comer; os filhos dos pobres de outrora hoje são, no seu meio social, os mauricinhos (versão popularizada) de uma geração que sonha e realiza. As bolsas estudo, bolsa família, meu primeiro emprego e toda forma de assistencialismo do governo tem dado, nas devidas proporções, alguma dignidade aos pobres brasileiros. O povo pobre normalmente não tem dado a sua opinião sobre os benefícios recebidos; talvez, seja porque a imprensa não lhes dê espaço para dizer o que pensa, todavia, o grande termômetro desse silêncio popular entre em ebulição nas urnas nas próximas eleições.
Os intelectualóides de plantão e sem a menor sensibilidade costumam dizer que melhor que dar o peixe, é dar a vara e ensinar a pescar. O que podemos constatar dessa construção filosófica é que, diante de uma emergência como é o caso da fome, “enquanto se gasta tempo ensinando, o estômago vazio desconstrói o aprendizado” (essa construção filosófica é minha, ninguém tasca!); e o Lula, melhor do que ninguém é capaz de saber disso. Pois muito bem, as ações de governo tem realmente ajudado, mas, não tem sido suficientes para erradicar totalmente a fome e matar o desejo mais singelo de muitos; dos quais, insistem em sustentar a sua base de popularidade em uma flagrante demonstração de gratidão. Gratidão, aliás, que tem deixado roxo de raiva aqueles segmentos da base de oposição ao governo.
Se nos meus tempos de garoto, na minha tenra infância, nós tivéssemos tido um governo como é o governo do Lula, – falo do governo pessoa do Lula, do seu carisma e não o governo PT – com alguma margem de acerto eu acredito que hoje nós seríamos uma nação respeitada, já teríamos praticamente erradicado a pobreza que tanto tem preocupado os governantes sérios pelo mundo afora. Como a vida não é feita de “se” e sim da realidade, cumpre-nos enquanto cidadãos e contribuintes, fiscalizarmos as ações mais próximas dos nossos governantes, para que não caiam na tentação de desviar os recursos que são destinados aos nossos pobres e necessitados como foi o caso do vereador Alex Lopes de Sousa de Santa Cruz da Vitória que estava inscrito no programa bolsa família. Como sonhar não implica em fato gerador de impostos (tomara que jamais inventem um imposto para os sonhadores), continuarei sonhando que um dia e para sempre, a cantiguinha “Eu sou pobre, pobre, pobre de marré deci” seja substituída por: “EU SOU RICO, RICO, RICO DE MARRÉ; NESTE BRASIL EU VENCI!”.

Francisco Silva Filho – Curitiba-PR