Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.
Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina Graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meus inimigos.
Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza e que, debaixo das patas de seu fiel ginete, meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.
Assim seja, com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge, rogai por nós !
sábado, 12 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Karate
Dojo kun
É o conjunto de cinco preceitos (kun) que são normalmente recitados no começo e no fim das aulas de caratê no dojo (local de treinamento). Estes preceitos representam os ideais filosóficos do caratê e são atribuídos a um grande mestre da arte do século XVIII, chamado Tode Sakugawa.
• Hitotsu jinkaku kansei ni tsutomuru koto
o Esforçar-se para a formação do caráter.
• Hitotsu makoto no michi o mamoru koto
o Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
• Hitotsu do ryoku no seishin o yashinau koto
o Cultivar o intuito do esforço.
• Hitotsu reigi o omonzuru koto
o Respeito acima de tudo.
• Hitotsu keki no yu o imashimeru koto
o Conter o espírito de agressão.
É o conjunto de cinco preceitos (kun) que são normalmente recitados no começo e no fim das aulas de caratê no dojo (local de treinamento). Estes preceitos representam os ideais filosóficos do caratê e são atribuídos a um grande mestre da arte do século XVIII, chamado Tode Sakugawa.
• Hitotsu jinkaku kansei ni tsutomuru koto
o Esforçar-se para a formação do caráter.
• Hitotsu makoto no michi o mamoru koto
o Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
• Hitotsu do ryoku no seishin o yashinau koto
o Cultivar o intuito do esforço.
• Hitotsu reigi o omonzuru koto
o Respeito acima de tudo.
• Hitotsu keki no yu o imashimeru koto
o Conter o espírito de agressão.
CORITIBA
O Coritiba Football Club desce de novo aos infernos como se fosse novidade. Não é. Sua queda eterna começou em 1965 quando começou a subir um estádio gigantesco para seu tamanho: o Belfort Duarte, hoje Couto Pereira.
No Alto da Glória.
Os imigrantes e seus descendentes que o fundaram, em 1909, criaram um clube de futebol. Só isso. Não para ser o maior nem o melhor. Era para ser um clube que representasse aquelas famílias e seus filhos, cujo time de futebol enfrentasse com galhardia os de antanho. Pura competição. Brancos de canela fina, ruins de bola, bons de correria.
Quem era bom de bola então?
O Coritiba, cujo O seguia o O da cidade de então, poderia ter sido Curitiba Futebol Clube.
Mas não: seguiu sendo o Coritiba Football Club, em inglês, mesmo.
Assim, jogou o football e cresceu.
Cresceu e ganhou tudo.
De uma costela nasceu e depois surgiu seu rival Atlético, pequenino que se desenvolveu e suplantou o rival Clube Atlético Ferroviário.
O maior clássico até os anos 60, era o Cori-Caf.
Eram todos pequenos, afinal, como pequena era a Curitiba daqueles anos 60.
Quando vinha um time grande jogar aqui, o trio de ferro formava um time imbatível para o enfrentar.
Foi assim com o Ferroviário no Robertão e, marcante, o Coritiba com o ponta (fantástico, inesquecível) Humberto diante da seleção da Hungria. Isso mesmo, seleção da Hungria, que havia derrotado o Brasil na copa de 66. O Coritiba venceu, claro, gol do parnanguara Oromar.
Mas pouco antes disso o Coritiba se achou gigante e começou a construir um estádio enorme, o Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Não precisava, não deveria.
Aí entra minha memória.
Tinha 9 anos e lembro que a obra parou. De minha parte, subia aquele esqueleto de concreto (como havia conhecido o Guairão e o HC, este explorado por mim e por meus amigos de rua como egiptólogos do novo) e mandava no gigante que se erguia.
Eu conheci cada pedaço do estádio que subia. Tinha, repito, 9 anos, e parecia que tinha 90, pois sabia tudo daquela engenharia. Sem rima, intuía que não precisávamos daquela obra toda, daquela gigantesca estrutura fria.
Enfim, aos 9, entrava sem pagar para ver o Coritiba jogar. Aos 9, aos 10, 11 e em diante, amava tanto o futebol que, mesmo louco pelo Coxa, ia a pé até a Baixada para ver o Atlético. E lá eu vi Charrão, Pedrinho, Renatinho, Pedro Alves, Valter. E depois Sicupira, tio-avô dos muus sobrinhos, que fui ver, sim.
Ia a pé à Vila Capanema para ver o Ferroviário. E lá eu vi Paulista, Caçula, Natálio e João Carlos, depois Villela e Madureira.
Ia a pé ao Taboão para ver o Primavera. E lá eu vi Zé Augusto, Carlito, Victor (que foi campeão no Cruzeiro), Ricardo, Altair, Almirzinho e Fiuza.
Meu pai me levava de fusca à Vila Guaira (era muito longe e éramos sócios do clube pr causa das piscinas, essa coisa babaca da burguesia) e de lá eu voltava a pé depois de ver o Água Verde jogar. E lá eu vi Teteu e Natal, Zé Carlos, Titure...
Fui mais de uma vez a pé ao Guabirotuba para ver o Britânia jogar. E lá eu vi Rocha.
Ia e voltava a pé, é onde hoje está o Big. Você encara? Hoje se fala fácil, mas a pé?
Eu era louco por futebol. Eu era o hino do Grêmio. Até a pé nós iremos...
Para me tirar do futebol, só as sessões duplas (a troco de um só ingresso) no Cine Guarani, ali perto da Biblioteca, ou do maldito – porque entulhado de pobres – Cine Curitiba, que meus pais não recomendavam.
Depois vieram todos os cinemas, o Rivoli, o São João, o Ópera, mas aí eu já tinha crescido e começava a escolher entre futebol e cinema. Eram escolhas dolorosas, mas depois eu consegui conciliar futebol e cinema. Assim como livros e peladas. Eu tinha todo o tempo do mundo.
Mas o Coritiba era meu cinema e meu futebol, ao mesmo tempo.
Não sei como, mas tinha tempo. Eu passava as tardes na seção juvenil da Biblioteca Pública. Li tudo que lá havia. Tim Tim, Monteiro Lobato, historinhas e historionas. Juro, moí tudo, do que me orgulho.
Não perdia os filmes, até os do Cine Clube Santa Maria.
Passavam uns na Reitoria e lá estava eu. Por sinal, ali vi “O balão vermelho”, um clássico que procuro para ter em minha casa.
E jogava bola. Meia boca. Com os mais velhos, da turma de meu primo Ciso, ficava invariavelmente no gol. Tinha muita sorte, pegava tudo, até que me rebelei. Havia disputa de pênaltis para pegar no gol, ou seja, quem perdia, ia pra debaixo dos paus. Pois quando me rebelei, aos 13,14 aninhos, comecei a jogar igual aos caras e comecei a fazer um gol atrás do outro. Respeitaram-me, ou não muito. Passei, como o meu amigo Mauri, a jogar com meu pessoal e com os mais velhos.
Tentava ser intelectual com eles. Impossível.
Um dia comentei sobre Let it be, Beatles, e levei uma mijada de um velho: “Fala ledbi”. Coitado. Já morreu.
De volta ao Coritiba.
Voltou pra segundona quando decidiu ser o grandão. Não precisava. Seria o maior de todos os tempos, mas ao construir o estádio, começou a afundar sem precisar.
Estádio esqueleto, presidente Lincoln Hey, a casa caindo, Evangelino assume.
Se eu estiver errado, o fraco time de 65 ou 66 é:
Erol; Vivi, Nico, Bequinha e Antero; Lucas e Orlando; Tião, David, Kruger e Edson.
Estou ficando velho.
Mas a dupla Nico e Bequinha era genial.
Nico e Berto, vindo do Londrina, seria a dupla campeã em 68.
Lucas era o volante.
E tinha Kruger.
Você viu Kruger jogar?
Eu vi.
E assim o Coritiba subiu mais do que deveria.
Ganhou tudo depois daí e...
Fez um estádio em vez de um teatro, um Guairão.
Não precisava.
Poderia ter sido o Glorioso do Alto da Glória, com a torcida do Alto da Glória, Juvevê, Ahú, Bacacha, Boa Vista, Hugo Lange, Cristo Rei e essa região da cidade.
O estádio e a aproximação da periferia, com suas implicações sociológicas e tudo que vem por conta disso, e até o preconceito, eu conto quando der vontade.
O Coritiba alemão é o clube da periferia, dos comandos, da pobreza sem lazer, das fraldas da cidade onde não há nada, só a perspectiva de vir ao Alto da Glória.
Quero falar sobre a mudança da cidade, do bairro, do Coritiba, de mim vendendo refrigerantes em garrafas, das agressões às mulheres que iam ao estádio – a todos os estádios – assim que tiver tempo e saco de escrever.
Voltarei aos meus 9 anos.
No Alto da Glória.
Os imigrantes e seus descendentes que o fundaram, em 1909, criaram um clube de futebol. Só isso. Não para ser o maior nem o melhor. Era para ser um clube que representasse aquelas famílias e seus filhos, cujo time de futebol enfrentasse com galhardia os de antanho. Pura competição. Brancos de canela fina, ruins de bola, bons de correria.
Quem era bom de bola então?
O Coritiba, cujo O seguia o O da cidade de então, poderia ter sido Curitiba Futebol Clube.
Mas não: seguiu sendo o Coritiba Football Club, em inglês, mesmo.
Assim, jogou o football e cresceu.
Cresceu e ganhou tudo.
De uma costela nasceu e depois surgiu seu rival Atlético, pequenino que se desenvolveu e suplantou o rival Clube Atlético Ferroviário.
O maior clássico até os anos 60, era o Cori-Caf.
Eram todos pequenos, afinal, como pequena era a Curitiba daqueles anos 60.
Quando vinha um time grande jogar aqui, o trio de ferro formava um time imbatível para o enfrentar.
Foi assim com o Ferroviário no Robertão e, marcante, o Coritiba com o ponta (fantástico, inesquecível) Humberto diante da seleção da Hungria. Isso mesmo, seleção da Hungria, que havia derrotado o Brasil na copa de 66. O Coritiba venceu, claro, gol do parnanguara Oromar.
Mas pouco antes disso o Coritiba se achou gigante e começou a construir um estádio enorme, o Belfort Duarte, hoje Couto Pereira. Não precisava, não deveria.
Aí entra minha memória.
Tinha 9 anos e lembro que a obra parou. De minha parte, subia aquele esqueleto de concreto (como havia conhecido o Guairão e o HC, este explorado por mim e por meus amigos de rua como egiptólogos do novo) e mandava no gigante que se erguia.
Eu conheci cada pedaço do estádio que subia. Tinha, repito, 9 anos, e parecia que tinha 90, pois sabia tudo daquela engenharia. Sem rima, intuía que não precisávamos daquela obra toda, daquela gigantesca estrutura fria.
Enfim, aos 9, entrava sem pagar para ver o Coritiba jogar. Aos 9, aos 10, 11 e em diante, amava tanto o futebol que, mesmo louco pelo Coxa, ia a pé até a Baixada para ver o Atlético. E lá eu vi Charrão, Pedrinho, Renatinho, Pedro Alves, Valter. E depois Sicupira, tio-avô dos muus sobrinhos, que fui ver, sim.
Ia a pé à Vila Capanema para ver o Ferroviário. E lá eu vi Paulista, Caçula, Natálio e João Carlos, depois Villela e Madureira.
Ia a pé ao Taboão para ver o Primavera. E lá eu vi Zé Augusto, Carlito, Victor (que foi campeão no Cruzeiro), Ricardo, Altair, Almirzinho e Fiuza.
Meu pai me levava de fusca à Vila Guaira (era muito longe e éramos sócios do clube pr causa das piscinas, essa coisa babaca da burguesia) e de lá eu voltava a pé depois de ver o Água Verde jogar. E lá eu vi Teteu e Natal, Zé Carlos, Titure...
Fui mais de uma vez a pé ao Guabirotuba para ver o Britânia jogar. E lá eu vi Rocha.
Ia e voltava a pé, é onde hoje está o Big. Você encara? Hoje se fala fácil, mas a pé?
Eu era louco por futebol. Eu era o hino do Grêmio. Até a pé nós iremos...
Para me tirar do futebol, só as sessões duplas (a troco de um só ingresso) no Cine Guarani, ali perto da Biblioteca, ou do maldito – porque entulhado de pobres – Cine Curitiba, que meus pais não recomendavam.
Depois vieram todos os cinemas, o Rivoli, o São João, o Ópera, mas aí eu já tinha crescido e começava a escolher entre futebol e cinema. Eram escolhas dolorosas, mas depois eu consegui conciliar futebol e cinema. Assim como livros e peladas. Eu tinha todo o tempo do mundo.
Mas o Coritiba era meu cinema e meu futebol, ao mesmo tempo.
Não sei como, mas tinha tempo. Eu passava as tardes na seção juvenil da Biblioteca Pública. Li tudo que lá havia. Tim Tim, Monteiro Lobato, historinhas e historionas. Juro, moí tudo, do que me orgulho.
Não perdia os filmes, até os do Cine Clube Santa Maria.
Passavam uns na Reitoria e lá estava eu. Por sinal, ali vi “O balão vermelho”, um clássico que procuro para ter em minha casa.
E jogava bola. Meia boca. Com os mais velhos, da turma de meu primo Ciso, ficava invariavelmente no gol. Tinha muita sorte, pegava tudo, até que me rebelei. Havia disputa de pênaltis para pegar no gol, ou seja, quem perdia, ia pra debaixo dos paus. Pois quando me rebelei, aos 13,14 aninhos, comecei a jogar igual aos caras e comecei a fazer um gol atrás do outro. Respeitaram-me, ou não muito. Passei, como o meu amigo Mauri, a jogar com meu pessoal e com os mais velhos.
Tentava ser intelectual com eles. Impossível.
Um dia comentei sobre Let it be, Beatles, e levei uma mijada de um velho: “Fala ledbi”. Coitado. Já morreu.
De volta ao Coritiba.
Voltou pra segundona quando decidiu ser o grandão. Não precisava. Seria o maior de todos os tempos, mas ao construir o estádio, começou a afundar sem precisar.
Estádio esqueleto, presidente Lincoln Hey, a casa caindo, Evangelino assume.
Se eu estiver errado, o fraco time de 65 ou 66 é:
Erol; Vivi, Nico, Bequinha e Antero; Lucas e Orlando; Tião, David, Kruger e Edson.
Estou ficando velho.
Mas a dupla Nico e Bequinha era genial.
Nico e Berto, vindo do Londrina, seria a dupla campeã em 68.
Lucas era o volante.
E tinha Kruger.
Você viu Kruger jogar?
Eu vi.
E assim o Coritiba subiu mais do que deveria.
Ganhou tudo depois daí e...
Fez um estádio em vez de um teatro, um Guairão.
Não precisava.
Poderia ter sido o Glorioso do Alto da Glória, com a torcida do Alto da Glória, Juvevê, Ahú, Bacacha, Boa Vista, Hugo Lange, Cristo Rei e essa região da cidade.
O estádio e a aproximação da periferia, com suas implicações sociológicas e tudo que vem por conta disso, e até o preconceito, eu conto quando der vontade.
O Coritiba alemão é o clube da periferia, dos comandos, da pobreza sem lazer, das fraldas da cidade onde não há nada, só a perspectiva de vir ao Alto da Glória.
Quero falar sobre a mudança da cidade, do bairro, do Coritiba, de mim vendendo refrigerantes em garrafas, das agressões às mulheres que iam ao estádio – a todos os estádios – assim que tiver tempo e saco de escrever.
Voltarei aos meus 9 anos.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Botafogo, Botafogo...
Geminiano, fiquei enciumado.
Filho do rádio, ouvi e depois vi o Santos.
Concordo.
Mas e o Botafogo?
Não vivo lá, mas onde estiver meu coração estará com o Botafogo.
Também pelo rádio.
O Fogão.
O timaço que encarava o Santos.
Garrincha, Quarentinha etc.
Quando moleque imitava o Gerson (afinal, imitar Pelé seria ridículo).
Afinal, pra encarar o Santos, só o Botafogo.
Que tal:
Manga; Moreira, Zé Carlos, Leônidas (gênio, quase Domingos) e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César.
Que time, hem?
Filho do rádio, ouvi e depois vi o Santos.
Concordo.
Mas e o Botafogo?
Não vivo lá, mas onde estiver meu coração estará com o Botafogo.
Também pelo rádio.
O Fogão.
O timaço que encarava o Santos.
Garrincha, Quarentinha etc.
Quando moleque imitava o Gerson (afinal, imitar Pelé seria ridículo).
Afinal, pra encarar o Santos, só o Botafogo.
Que tal:
Manga; Moreira, Zé Carlos, Leônidas (gênio, quase Domingos) e Valtencir; Carlos Roberto e Gerson; Rogério, Roberto, Jairzinho e Paulo César.
Que time, hem?
Meu Santos
Hoje o Santos joga. Só joga. Não cai nem sobe.
O Santos não é o Santos.
Quem joga no Santos não joga no Santos.
Lembra do filme "Campo dos sonhos"?
Eu basicamente ouvi o Santos, nas ondas do rádio.
E depois vi o Santos.
Sabe como o Santos se apresentava à torcida?
Vi e nunca mais me esqueci.
O time, todo de branco, cheio daqueles negrões geniais, curvava-se, feito músicos de uma orquestra sinfônica.
Eu vi.
O Santos era uma sinfônica.
O Santos jogando era uma sinfonia.
Gilmar, Carlos Alberto, Dalmo, Calvet, Ramos Delgado, Lima, Rildo, Clodoaldo, Mengálvio (quem se chama Mengálvio neste mundo de meu Deus?), Zito, Dorval, Pelé (Ele, um a mais), Coutinho, Pepe e por aí vai. Lembrei agora do Pagão, ídolo do Chico Buarque.
O Santos era a Filarmônica de Berlim.
Saudade do Santos.
Só isso.
Saudade.
O Santos não é o Santos.
Quem joga no Santos não joga no Santos.
Lembra do filme "Campo dos sonhos"?
Eu basicamente ouvi o Santos, nas ondas do rádio.
E depois vi o Santos.
Sabe como o Santos se apresentava à torcida?
Vi e nunca mais me esqueci.
O time, todo de branco, cheio daqueles negrões geniais, curvava-se, feito músicos de uma orquestra sinfônica.
Eu vi.
O Santos era uma sinfônica.
O Santos jogando era uma sinfonia.
Gilmar, Carlos Alberto, Dalmo, Calvet, Ramos Delgado, Lima, Rildo, Clodoaldo, Mengálvio (quem se chama Mengálvio neste mundo de meu Deus?), Zito, Dorval, Pelé (Ele, um a mais), Coutinho, Pepe e por aí vai. Lembrei agora do Pagão, ídolo do Chico Buarque.
O Santos era a Filarmônica de Berlim.
Saudade do Santos.
Só isso.
Saudade.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Víctor Jara forévis
Te Recuerdo Amanda
Texto y música de Víctor Jara
Canción-vals
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada,
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada,
ibas a encontarte con él.
Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos. La vida es eterna en cinco minutos.
Suena la sirena. De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada
ibas a encontrarte con él.
Con él, con él, con él, con él.
que partió a la sierra,
que nunca hizo daño. Que partió a la sierra,
y en cinco minutos quedó destrozado.
Suena la sirena, de vuelta al trabajo
muchos no volvieron, tampoco Manuel.
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada,
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
Texto y música de Víctor Jara
Canción-vals
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada,
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada,
ibas a encontarte con él.
Con él, con él, con él, con él.
Son cinco minutos. La vida es eterna en cinco minutos.
Suena la sirena. De vuelta al trabajo
y tœ caminando lo iluminas todo,
los cinco minutos te hacen florecer.
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
La sonrisa ancha,
la lluvia en el pelo,
no importaba nada
ibas a encontrarte con él.
Con él, con él, con él, con él.
que partió a la sierra,
que nunca hizo daño. Que partió a la sierra,
y en cinco minutos quedó destrozado.
Suena la sirena, de vuelta al trabajo
muchos no volvieron, tampoco Manuel.
Te recuerdo, Amanda,
la calle mojada,
corriendo a la fábrica
donde trabajaba Manuel.
Victor Jara, hoje sepultado
Leia tudo sobre Victor Jara em www.elmercurio.ch, de onde tirei as principais informações datadas do que está abaixo; o resto é dessa cabeça de velho mesmo.
A Praça Brasil, no centro de Santiago, está ocupada por milhares de pessoas desde o começo desta sexta-feira. Há com intermitência silêncio e cantos. Velhos, famílias, crianças e artistas - como Angel Parra e outros músicos - gente do cinema, alunos e professores, intelectuais de todas as áreas e a ministra da cultura, Paulina Urritia.
Chamemos todos de povo.
O povo chileno, gente de Santiago e vinda de várias partes do país, acompanha o velório de Victor Jara, cantor e compositor que projetou ao mundo a música chilena e, ao morrer fuzilado, há 36 anos, lançou os olhos do mundo a sanguinária ditadura de Pinochet e seus asseclas.
Eu não gostaria, mas queria estar lá para me despedir de Victor Jara.
Victor (Víctor, com acento, no castelhano), será enterrado neste sábado no Cemitério Geral de Santiago, belíssima cidade que conheci em 1991. A visão da cordilheira é emocionante.
Victor Jara era assim, se vale a comparação, o Geraldo Vandré do Chile. Vandré, cantor e compositor de “protesto” escapou da sanha de nossos assassinos e, em 1968 (ou terá sido 1969, doutor Alois?), refugiou-se no Chile e depois na Europa (“Das terras de Benvirá” é tão seminal como esquecido pela nossa MPB).
Vandré foi salvo, pasmem, escondido no carro do – noves fora minha rala memória, em relação ao cargo – então governador Roberto de Abreu Sodré, direitaço, mas humano.
Não houve quem salvasse Victor Jara. Como outros irmãos chilenos, foi tirado de sua família, torturado e executado.
No dia 15 de setembro de 1973, Jara morreu assassinado no estádio Chile (não, não foi no estádio Nacional, o que eu também pensei durante muito tempo, e quando no Nacional me senti mal, mas lá muita gente também foi sacrificada), atingido com 44 tiros de fuzil, na cabeça, nos braços, em todo o corpo.
Quarenta e quatro tiros.
Chegou até nós, garotos de então, que ele tivera as mãos cortadas e mesmo assim continuara tocando seu violão e cantando, até ser executado. Lendas são lendas, mas seu sacrifício não foi menos cruel – e não foi menos em vão.
Entre junho e novembro, autópsias realizadas em ossadas desenterradas no cemitério geral identificaram o mais popular cantor e compositor chileno, legítimo representante de seu povo e de seus sonhos. Os exames identificaram a fuzilaria de que foi vítima. Não se sabe se lenta, o que é bem possível e é o que diziam. Um depois do outro, lentamente.
Também não se identificou a bala que o matou, mas seus assassinos, noves fora Pinochet, sim.
José Paredes Márquez, de 54 anos, foi seu executor. É confesso e comprovadamente lúcido, apontaram exames psiquiátricos.
Eu era garoto quando Victor Jara foi morto em 1973.
Márquez também.
O assassino tem a mesma idade que eu.
Tínhamos 18 anos em 1973. Certamente, ele conhecia mais do que eu sobre Victor Jara. E, como eu, já era bem crescidinho para distinguir entre o certo e o errado, mesmo pressionado.
José Paredes Márquez, hoje um senhor, deve ter dado uma de Adolf Eichmann - na sensível e sempre oportuna narração de Hannah Harendt sobre o julgamento do burocrata nazista em Jerusalém.
Neste sábado – quantos anos depois? -, Victor Jara ganhará sepultura num humano cemitério de Santiago. Quantos ganharam ou ganharão sete palmos nos cemitérios da Argentina, do Uruguai, da Bolívia, do Peru, do Paraguai, do Brasil?
A história é implacável: examina, julga e condena ou absolve. Só no Brasil essa anistia, esse esquecimento que dói em milhares de famílias – de ambos os lados, concordo, porém muito mais do lado dos perdedores -, restou como aquela mancha que vai incomodar para sempre.
O Brasil, essa pátria de panos quentes com os crimes da ditadura, com a corrupção, com o jeitinho, a malandragem, a falta de caráter, chega a ser um país patológico política e socialmente falando.
Nossos vizinhos não esquecem.
Aqui, a história, essa senhora implacável, não nos absolverá.
Tenho um LP de Victor Jara e umas coletâneas – tudo no velho e bom vinil – com ele e outros chilenos bons como o vinho, as frutas e o povo de verdade desse belo país. Ouço sempre “Te recuerdo Amanda”, uma bela canção de amor de um casal de trabalhadores (“1.º de Maio”, de Chico e Milton, fala desse amor, em outro contexto).
Por falar nisso, há muitos anos desapareceu de minha coleção de LPs – quem foi o filhodaputa?, ou será que o troquei com o querido amigo Emilson Schafron, que me deixou este ano? – um do Ivan Lins, belíssimo, em que ele toca e canta “Te Recuerdo Amanda”, com o baixo acústico, de chorar, de Paulo Russo. Quem puder, baixe da internet, que lá deve ter. Quem tiver, aceito a doação.
Victor Jara não era só o Geraldo Vandré do Chile. Era o Bob Dylan, o Neil Young, o Bruce Springsteen, o Bono, o Sting, o Kurt Weill, o Brecht, o Sérgio Ricardo, o Zé Keti, o Georges Moustaki, o Garcia Lorca, o João do Vale, o cara que rabiscou Allonsanfan, o Fernando Arrabal, o ...
Victor Jara era tudo e ainda é todos, mas basicamente era e é o Chile, era e é o Brasil.E era e sempre será essa nossa amada América Latina.
Victor Jara éramos todos nós em 1973 e eu e esse menino de 1973 chamado José Paredes Márquez.
Tenho orgulho de Victor Jara.
A José Paredes Márquez, dileto filho de Pinochet e seus oficiais, que desfechou os 44 tiros, os 44 mil tiros, o único tiro e escolheu o outro lado da história - como Eichmann, esse animal destituído de senso moral -, que matou Victor Jara, o democrata Salvador Allende, os pais, mães e irmãozinhos chilenos, meu nada.
Ou, melhor, em bom português: foda-se.
Pra encerrar, copio e colo aqui a canção mais marcante de Victor Jara.
É não apenas uma canção – é conto, romance, peça teatral, filme. Volta e meia me lembro de Amanda.
Victor Jara forévis.
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
São cinco minutos. A vida é eterna em cinco minutos.
Soa a sirene. De volta ao trabalho
E tu caminhando iluminas tudo,
Os cinco minutos te fazem florescer
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
Que partiu para a serra
Que nunca cometeu erros. Que partiu para a serra,
E em cinco minutos foi destruído
Soa a sirene, de volta ao trabalho.
Muitos não voltarão, tampouco Manuel.
Te recordo, Amanda
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
A Praça Brasil, no centro de Santiago, está ocupada por milhares de pessoas desde o começo desta sexta-feira. Há com intermitência silêncio e cantos. Velhos, famílias, crianças e artistas - como Angel Parra e outros músicos - gente do cinema, alunos e professores, intelectuais de todas as áreas e a ministra da cultura, Paulina Urritia.
Chamemos todos de povo.
O povo chileno, gente de Santiago e vinda de várias partes do país, acompanha o velório de Victor Jara, cantor e compositor que projetou ao mundo a música chilena e, ao morrer fuzilado, há 36 anos, lançou os olhos do mundo a sanguinária ditadura de Pinochet e seus asseclas.
Eu não gostaria, mas queria estar lá para me despedir de Victor Jara.
Victor (Víctor, com acento, no castelhano), será enterrado neste sábado no Cemitério Geral de Santiago, belíssima cidade que conheci em 1991. A visão da cordilheira é emocionante.
Victor Jara era assim, se vale a comparação, o Geraldo Vandré do Chile. Vandré, cantor e compositor de “protesto” escapou da sanha de nossos assassinos e, em 1968 (ou terá sido 1969, doutor Alois?), refugiou-se no Chile e depois na Europa (“Das terras de Benvirá” é tão seminal como esquecido pela nossa MPB).
Vandré foi salvo, pasmem, escondido no carro do – noves fora minha rala memória, em relação ao cargo – então governador Roberto de Abreu Sodré, direitaço, mas humano.
Não houve quem salvasse Victor Jara. Como outros irmãos chilenos, foi tirado de sua família, torturado e executado.
No dia 15 de setembro de 1973, Jara morreu assassinado no estádio Chile (não, não foi no estádio Nacional, o que eu também pensei durante muito tempo, e quando no Nacional me senti mal, mas lá muita gente também foi sacrificada), atingido com 44 tiros de fuzil, na cabeça, nos braços, em todo o corpo.
Quarenta e quatro tiros.
Chegou até nós, garotos de então, que ele tivera as mãos cortadas e mesmo assim continuara tocando seu violão e cantando, até ser executado. Lendas são lendas, mas seu sacrifício não foi menos cruel – e não foi menos em vão.
Entre junho e novembro, autópsias realizadas em ossadas desenterradas no cemitério geral identificaram o mais popular cantor e compositor chileno, legítimo representante de seu povo e de seus sonhos. Os exames identificaram a fuzilaria de que foi vítima. Não se sabe se lenta, o que é bem possível e é o que diziam. Um depois do outro, lentamente.
Também não se identificou a bala que o matou, mas seus assassinos, noves fora Pinochet, sim.
José Paredes Márquez, de 54 anos, foi seu executor. É confesso e comprovadamente lúcido, apontaram exames psiquiátricos.
Eu era garoto quando Victor Jara foi morto em 1973.
Márquez também.
O assassino tem a mesma idade que eu.
Tínhamos 18 anos em 1973. Certamente, ele conhecia mais do que eu sobre Victor Jara. E, como eu, já era bem crescidinho para distinguir entre o certo e o errado, mesmo pressionado.
José Paredes Márquez, hoje um senhor, deve ter dado uma de Adolf Eichmann - na sensível e sempre oportuna narração de Hannah Harendt sobre o julgamento do burocrata nazista em Jerusalém.
Neste sábado – quantos anos depois? -, Victor Jara ganhará sepultura num humano cemitério de Santiago. Quantos ganharam ou ganharão sete palmos nos cemitérios da Argentina, do Uruguai, da Bolívia, do Peru, do Paraguai, do Brasil?
A história é implacável: examina, julga e condena ou absolve. Só no Brasil essa anistia, esse esquecimento que dói em milhares de famílias – de ambos os lados, concordo, porém muito mais do lado dos perdedores -, restou como aquela mancha que vai incomodar para sempre.
O Brasil, essa pátria de panos quentes com os crimes da ditadura, com a corrupção, com o jeitinho, a malandragem, a falta de caráter, chega a ser um país patológico política e socialmente falando.
Nossos vizinhos não esquecem.
Aqui, a história, essa senhora implacável, não nos absolverá.
Tenho um LP de Victor Jara e umas coletâneas – tudo no velho e bom vinil – com ele e outros chilenos bons como o vinho, as frutas e o povo de verdade desse belo país. Ouço sempre “Te recuerdo Amanda”, uma bela canção de amor de um casal de trabalhadores (“1.º de Maio”, de Chico e Milton, fala desse amor, em outro contexto).
Por falar nisso, há muitos anos desapareceu de minha coleção de LPs – quem foi o filhodaputa?, ou será que o troquei com o querido amigo Emilson Schafron, que me deixou este ano? – um do Ivan Lins, belíssimo, em que ele toca e canta “Te Recuerdo Amanda”, com o baixo acústico, de chorar, de Paulo Russo. Quem puder, baixe da internet, que lá deve ter. Quem tiver, aceito a doação.
Victor Jara não era só o Geraldo Vandré do Chile. Era o Bob Dylan, o Neil Young, o Bruce Springsteen, o Bono, o Sting, o Kurt Weill, o Brecht, o Sérgio Ricardo, o Zé Keti, o Georges Moustaki, o Garcia Lorca, o João do Vale, o cara que rabiscou Allonsanfan, o Fernando Arrabal, o ...
Victor Jara era tudo e ainda é todos, mas basicamente era e é o Chile, era e é o Brasil.E era e sempre será essa nossa amada América Latina.
Victor Jara éramos todos nós em 1973 e eu e esse menino de 1973 chamado José Paredes Márquez.
Tenho orgulho de Victor Jara.
A José Paredes Márquez, dileto filho de Pinochet e seus oficiais, que desfechou os 44 tiros, os 44 mil tiros, o único tiro e escolheu o outro lado da história - como Eichmann, esse animal destituído de senso moral -, que matou Victor Jara, o democrata Salvador Allende, os pais, mães e irmãozinhos chilenos, meu nada.
Ou, melhor, em bom português: foda-se.
Pra encerrar, copio e colo aqui a canção mais marcante de Victor Jara.
É não apenas uma canção – é conto, romance, peça teatral, filme. Volta e meia me lembro de Amanda.
Victor Jara forévis.
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
São cinco minutos. A vida é eterna em cinco minutos.
Soa a sirene. De volta ao trabalho
E tu caminhando iluminas tudo,
Os cinco minutos te fazem florescer
Te recordo, Amanda,
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
O sorriso largo
A chuva no cabelo
Não importava nada
Você foi ao encontro dele
Com ele, com ele, com ele, com ele.
Que partiu para a serra
Que nunca cometeu erros. Que partiu para a serra,
E em cinco minutos foi destruído
Soa a sirene, de volta ao trabalho.
Muitos não voltarão, tampouco Manuel.
Te recordo, Amanda
A rua molhada
Correndo à fábrica
Onde trabalhava Manuel.
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