sábado, 17 de julho de 2010

Lindo blue - Walter Franco

É bom
Poder cantar
Em qualquer tom
É muito bom
Saber voar
Além do mar
Além do som
É muito, muito bom

Faz bem
Faz muito bem
Mergulhar
Em pleno ar
Em plena luz

Faz bem
Faz muito, muito bem
Sentir o céu
Se transformar
Num lindo blue

Eu que só

Faz tempo
Que não me imponho
A mim mesmo
Mas sou assim
Vivo e morro
A esmo

Código de Hamurábi

34. Se um . . . ou um . . . danificar a propriedade de um capitão, ferir o capitão, ou tirar deste presentes dados a ele pelo rei, então o.... ou .... devem ser condenados à morte.
35. Se alguém comprar o gado ou ovelhas que o rei fez por bem dar aos seus capitães, este alguém perderá seu dinheiro.
36. O campo, o jardim e a casa do capitão, do homem ou de outrém, não podem ser vendidos.
37. Se comprar o campo, o jardim e a casa do capitão, ou deste homem, a tábua de contrato deve ser quebrada (declarada inválida) e a pessoa perderá dinheiro. O campo, jardim e casa devem retornar a seus donos.
38. Um capitão, homem ou alguém sujeito a despejo não pode responsabilizar por a manutenção do campo, jardim e casa a sua esposa ou filha, nem pode usar este bem para pagar um débito.
39. Ele pode, entretanto, assinalar um campo, jardim ou casa que comprou e que mantém como sua propriedade, para sua esposa ou filha e dar-lhes como débito.
40. Ele pode vender campo, jardim e casa a um agente real ou a qualquer outro agente público, sendo que o comprador terá então o campo, a casa e o jardim para seu usufruto.
41. Se fizer uma cerca ao redor do campo, jardim e casa de um capitão ou soldado, quando do retorno destes, a campo, jardim e casa deverão retornar ao proprietário.
42. Se alguém trabalhar o campo, mas não obtiver colheita dele, deve ser provado que ele não trabalhou no campo, e ele deve entregar os grãos para o dono do campo.
43. Se ele não trabalhar o campo e deixá-lo pior, ele deverá retrabalhar a terra e então entregá-la de volta ao seu dono.
44. Se alguém tomar conta de um campo que não estiver sendo usado e fizer dele terra arável, ele deverá trabalhar a terra, e no quarto ano dá-la de volta a seu proprietário, pagando por cada dez gan (uma medida de área) dez gur de cereais.
45. Se um homem arrendar sua terra por um preço fixo, e receber o preço do aluguel, mas mau tempo prejudicar a colheita, o prejuízo irá cair sobre quem trabalhou o solo.
46. Se ele não receber um preço fixo pelo aluguel de seu campo, mas alugá-lo em metade ou um terço do que colher, os cereais do campo deverá ser dividido proporcionalmente entre o proprietário e aquele que trabalhou a terra.

Microconto 12 de 100

Leda, não enche.
Já temos idade demais.
Eu de paciente em coma, vá lá.
Mas você de estagiária de enfermagem, lambendo...
Tenha dó.

O olhar de Capitu - nona parte de um romance imensurável

E então o asmático do pomo-de-adão feito pedra, feito Pedro, se esquiva da esquina, do beco à breca. Estaca diante do que se professa adiante, como se na estiva estivesse a sapatear rutilante, nau tonitruante do imperador enregelado e estereofônico, algo sinfônico, celular e serial. Ali, ali, acolá o salto do ázimo caixote se encaixa feito vespa na tulha do ervanário. Ah, as tralhas, as trolhas do dicionário sob e sobre a tempestade amarelada, as mulas atoladas nas axilas e nas micoses das charretes idolatradas.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Livros e publicidade

Da Agência Fapesp.
No século 19 debutou no Brasil um novo gênero literário, o romance, responsável pela popularização da literatura no país. Discriminado como “gênero menor” frente às epopeias e outros gêneros poéticos da época, o romance se difundiu graças ao interesse dos leitores, mas também ao esforço de livreiros ávidos em vender seus produtos.

Para levantar essa história, Regiane Mançano analisou no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) três jornais do século 19, o Correio Braziliense, publicado em Londres, e os cariocas Gazeta do Rio de Janeiro e Jornal do Commercio.

Como não havia seções de crítica literária nos periódicos na época, Regiane utilizou os anúncios de romances pagos por livreiros como medidor da penetração dessas obras junto aos leitores. O trabalho resultou na dissertação Livros à venda: presença de romances em anúncios de jornais, que foi apresentada e aprovada em fevereiro e para a qual contou com apoio da FAPESP por meio de uma Bolsa de Mestrado.

O estudo surgiu do Projeto Temático Caminhos do Romance no Brasil – séculos 18 e 19, apoiado pela FAPESP e coordenado pela professora Márcia Azevedo de Abreu, do Departamento de Teoria Literária do IEL.

O Temático procurou investigar a consolidação do gênero romanesco no Brasil e teve caráter multidisciplinar, contando com a participação de professores e estudantes da área de letras e de história da Unicamp, da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Minas Gerais.

O projeto de Regiane levantou informações importantes e alguns detalhes inusitados dos anúncios publicitários. “A autoria não era valorizada e muitos anúncios nem traziam o nome do escritor. No lugar, estampavam comentários morais e outras características sobre o livro”, disse à Agência FAPESP.

Na época, era comum o anúncio ressaltar que a história do livro moralizava os leitores pelos exemplos dos personagens. “Os textos diziam que a história apresentava personagens virtuosas e punia os vícios, por exemplo, passando uma ideia de aprendizado pela leitura”, disse.

Esse caráter moralizador e educativo era reforçado pelo perfil do público alvo explicitado nos anúncios: mulheres e jovens. Uma frase frequente nas peças publicitárias era “adequado para moças”, segundo explicou a professora Márcia Abreu.

“A preocupação era mostrar que o livro não seria um perigo para as mulheres no sentido de difundir comportamentos inadequados para a época”, disse.

Um desses comportamentos tidos como impróprios era, por exemplo, casar por amor. “O cônjuge era uma escolha do pai e não respeitá-la significava colocar em risco a autoridade paterna”, indicou Márcia.

Por conta disso, os livros eram considerados bons se apresentassem conteúdo moralizador, como histórias de punição para atos considerados inadequados e de recompensa para os que agissem de acordo com os padrões vigentes. O caráter educacional era destacado da mesma forma. “A ideia era que se podia aprender pela leitura e ao mesmo tempo se entreter”, disse Regiane.

Como recurso de reforço dessas mensagens, as histórias eram anunciadas como se tivessem realmente ocorrido. “Alguns anúncios afirmavam que o livro era uma transcrição de manuscritos encontrados com um moribundo, ou de cartas encontradas pelo autor”, disse.

Ao preço de uma calça

Outro ponto destacado pelos anunciantes no século 19 eram as características físicas dos livros, ou seja, o tipo de encadernação, quantidade de figuras ilustrativas, qualidade da capa e número de volumes – romances mais longos chegavam a ter 12 volumes.

Esses aspectos ajudavam a valorizar a obra e a justificar o seu preço. “Quanto mais imagens tivesse um livro, por exemplo, mais caro ele seria”, contou Regiane. Para comparar com parâmetros atuais de valores, ela apurou que o preço médio de um romance, na época, equivalia ao valor de uma calça de brim.

Também investigou a origem dos primeiros romances comercializados no Brasil. Os textos eram majoritariamente franceses, seguidos por portugueses, ingleses, espanhóis e alemães. As obras em língua estrangeira eram traduzidas em Portugal e chegavam ao Brasil pelo Rio de Janeiro.

Entre os títulos mais recorrentes anunciados nos jornais analisados três se destacaram: Aventuras de Telêmaco, Paulo e Virginia e Aventuras de Gil Blas. “O impressionante é que esses livros foram escritos nos séculos 17 e 18, venderam durante todo o século 18 e estavam presentes nos anúncios do século 19, mas hoje nem sequer ouvimos falar deles”, disse Regiane.

Outra peculiaridade eram os locais de vendas de livros. Na primeira metade do século 19, eles não estavam restritos às livrarias e poderiam ser encontrados em lojas de armarinhos, em vendas particulares nas residências ou mesmo em leilões. A Impressão Régia e a Gazeta do Rio de Janeiro tinham lojas próprias para vender periódicos e livros. Havia ainda o comércio de obras usadas, dirigido pelos alfarrabistas.

Consolidação do romance

Segundo Regiane, parte do sucesso de público conquistado pelo gênero se deveu à atuação publicitária dos vendedores, sobretudo dos livreiros. Ela detectou, entre os anos de 1808 e 1844, um considerável aumento no espaço publicitário ocupado pelos livros.

“Ao buscar ampliar sua margem de lucro, os livreiros aturam como agentes difusores do gênero romanesco na cidade do Rio de Janeiro no período, contribuindo para a consolidação do gosto pelos romances”, disse.

Márcia conta que, em seus primórdios, o gênero tinha uma faceta muito mais comercial do que aquela que conhecemos hoje. “O romance não era considerado uma obra elevada do espírito. Ele estava muito mais associado a um produto comercial, assim como nos dias de hoje é visto o cinema”, apontou.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Viva (agora e para sempre e sempre) o Dante Mendonça

Do blog do Zé Beto (www.jornale.com.br)
O cartunista, colunista e escritor Dante Mendonça acaba de ser informado por José Carlos Veiga Lopes, presidente da Academia Paranaense de Letras, que foi eleito para a Cadeira Número Um, cujos antecedentes foram Antônio Vieira dos Santos (Patrono), José Francisco Rocha Pombo (Fundador) e Valfrido Pilotto (1º Ocupante). Foram 23 os votantes e o chapa foi eleito por unanimidade. Agora ele é imortal, como o outro chapa, Laurentino Gomes.

E eu acrescento mais quatro coleguinhas acadêmicos: Adherbal Fortes de Sá Júnior, Apollo Taborda França, Luiz Geraldo Mazza e Ernani Buchmann. Sem falar no professor René Ariel Dotti, que foi crítico teatral do Diário do Paraná e ainda publica artigos nos jornais da terrinha (um segredo: Dotti advoga de graça para coleguinhas, mas não abuse dele. Nunca precisei, mas... Lembro-me que, quando estudava direito, reprovei de propósito em direito penal, com outro professor, só para ter aulas com René).
Falta agora o professor João Féder naquela casa de highlanders.
E cadê o Tezza? Cadê o Tezza?
Pena não se terem lembrado, em tempo, do Manoel Carlos Karam - que, por sinal, nunca foi candidato, mas que gostaria de ter sido indicado por alguém, ah, isso gostaria.
Assim, de cabeça, Dante e Ernani (como Karam) são catarinas e podem figurar também na Academia de lá, vishti?
E queremos o Laurentino Gomes ("1808" e, logo, "1922"), o nosso José Murilo de Carvalho de bom humor, na Academia Brasileira de Letras. Que me lembre, só tivemos lá o nosso grande parnaguara - como minha bisa Balbina - Emílio de Menezes, o "dr. Mosquito" (não sei se é de lá ou do Rio, onde ele ficou famoso, mas parnanguara sem apelido não é de lá).
Está a caminho da nossa Academia o Luiz Henrique Pellanda, boa amizade construída - e a ser consolidada com o tempo - no falecido jornal Primeira Hora. Baita jornalista da área cultural e, agora, ótimo contista.
Na área acadêmica, defendo os professores de ciência política e sociologia política(doutores e tal, mas quietinhos em suas belas pesquisas e ótimos livros) Adriano Codato e Renato Monseff Perissinotto; na bica, o coleguinha e professor (também doutor, e dos craques) Emerson Urizzi Cervi.
Que ninguém vá morrendo assim, à toa, mas vamos escalando o time.
É bobagem isso de Academia? O poeta Ferreira Gullar, gigante da língua portuguesa, desdenha a ABL mas quer comprar e, quando se falou, e agora se fala de novo em Prêmio Nobel, arrepia-se todo, aos 80 anos de uma vida e obra brasileiríssima e admirável.
Voltemos, viajei.
São estes os titulares da Academia Paranaense de Letras, de acordo com o saite da dita cuja (http://www.academiapr.org.br/content/acad%C3%AAmicos):
Poderia comentar quase todos, mas fico nos de quem conheci a aura.

1 Dante José Mendonça (já taí)
2 Ernani Lopes Buchmann (ótimo; gente fina; belo amigo; seu "Quando o futebol andava de trem", só este, sem citar os demais, já vale a cadeira pela pesquisa e trabalho final)
3 René Ariel Dotti (fui aluno e sou eterno admirador)
4 Eduardo Rocha Virmond (escreve super bem, sabe tudo de jazz, ópera e tal; vivia no Estadão; sou amigo do filho, Eduardo, perdido na bruma dos anos, com quem ouvia muito, nos tempos de faculdade de direito, o imenso Bill Evans)
5 Leopoldo Scherner
6 Oriovisto Guimarães (fui seu aluno num cursinho onde só dormia, mas acordava em suas aulas; até hoje sei algo de determinantes e conto aos pequeninos a história de Gauss, que um dia, quando acordei, aprendi numa aula oriovistiana: 1 + 59 = 60, 2 + 58 = 60; etc e tal.)
7 Vaga
8 Rafael Valdomiro Greca de Macedo (trabalhei em sua secretaria da comunicação; não tem só verniz cultural, é lido e escreve bem e tal, embora goste de chutar de fora da área; gente boa)
9 Ário Taborda Dergint
10 Flora Munhoz da Rocha
11 João Manuel Simões
12 Ernani Costa Straube (filho de Guido Straub, foi meu diretor no glorioso Colégio Estadual do Paraná; na minha visão de moleque, o mais democrático de todos, naqueles tempos de ditadura e tal)
13 Rui Cavallin Pinto
14 José Carlos Veiga Lopes
15 Adélia Maria Woellner
16 Alceo Ariosto Bocchino (grande maestro; já cantei em coro regido por ele; craque)
17 Clemente Ivo Juliatto
18 Laurentino Gomes (meu colega na UFPR, no Estadinho, no Estadão, no JT e na Veja, muitas vezes preocupado comigo; é querido amigo de mais de 30 anos)
19 Carlos Alberto Sanches
20 Luiz Geraldo Mazza (amigo querido de quem fui colega de jornal, companheiro de bar e de futebol; ainda por cima é coxa e irmão do Mazzinha e, principalmente, da inesquecível Albinha, amiga querida)
21 Albino de Brito Freire
22 Metry Bacila
23 Vaga
24 Chloris Casagrande Justen
25 Vaga
26 Léo de Almeida Neves
27 Noel Nascimento
28 Belmiro Valverde Jobim Castor (grande professor, boa fonte, amigo de meu irmão Carlos)
29 Leonilda Hilgenberg Justus
30 Adherbal Fortes de Sá Jr. (grande figura, mestre de alguns dos meus professores de jornalismo na prática; leal, tipo amigo desde a mais tenra infância)
31 Lauro Grein Filho
32 José Wanderlei Resende
33 Vaga
34 Antônio Celso Mendes
35 Ricardo Pasquini
36 Apollo Taborda França (belo e simpático professor de planejamento de empresas de comunicação social na Federal; obviamente, nem se lembra de muá)
37 Clotilde de Lourdes Branco Germiniani
38 Carlos Roberto Antunes dos Santos
39 Vaga
40 Valério Hoerner Júnior
Eterna vida aos nossos imortais.