Da Agência Fapesp
O Prêmio Nobel de Economia de 2010 foi concedido a três pesquisadores que formularam e desenvolveram uma teoria capaz de explicar por que há tanta gente sem emprego ao mesmo tempo em que as empresas não param de abrir postos de trabalho.
Pela criação de modelos matemáticos que explicam situações de mercado em que há ruídos ou imperfeições entre a demanda e a oferta de bens ou serviços, os norte-americanos Peter A. Diamond, de 70 anos, professor de economia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e Dale T. Mortensen, 71, da Universidade Northwestern, dividirão o prêmio com Christopher A. Pissarides, cidadão cipriota e inglês de 62 anos que dá aulas na London School of Economics and Political Science.
Os três dividirão o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,5 milhões), que receberão com diplomas e medalhas de ouro em cerimônia no dia 10 de dezembro, aniversário da morte de Alfred Bernhard Nobel (1833-1896), o inventor da dinamite.
“Felizmente, estava sentado e não estava dirigindo [quando recebi a notícia do Nobel]”, disse Diamond em entrevista coletiva no MIT. “É algo que tira o seu fôlego.”
Pissarides reagiu de forma semelhante ao anúncio do prêmio, concedido pela Real Academia Sueca de Ciências e o Sveriges Riksbank (o Banco Central da Suécia). Disse que sentiu um “misto de surpresa e alegria.”
O terceiro premiado, Mortensen, estava na Dinamarca, onde dá no momento aulas como professor visitante, e só soube que era um Nobel durante um almoço com colegas. “Eles sabem guardar segredo lá em Estocolmo. Não tinha ideia do prêmio”, comentou.
Os primeiros trabalhos dos economistas nesse campo datam dos anos 1970 e redundaram no chamado modelo Diamond-Mortensen-Pissarides (DMP), atualmente a ferramenta mais utilizada para analisar o desemprego, o mecanismo de formação de salários e o impacto das políticas públicas sobre nesse setor.
Embora o mercado de trabalho seja a área em que a teoria é mais empregada, o modelo também pode ser usado para entender o mercado imobiliário e outras esferas da economia.
Segundo a academia sueca, o mérito do trabalho dos economistas consiste em mostrar que a visão clássica do mercado perfeito não encontra amparo no mundo concreto.
A teoria tradicional defende a ideia de que compradores e vendedores de bens e serviços se encontram rapidamente no mercado, sem qualquer custo para as partes, e que todos estão bem informados sobre os preços das mercadorias. Não há oferta ou demanda em excesso de um produto e todos os recursos são usados em sua plenitude.
Nessa situação ideal, o preço de bens e serviço expressa a igualdade de oferta e da demanda. “Mas não é isso que ocorre no mundo real. Custos elevados são frequentemente associados às dificuldades dos compradores em encontrar vendedores. Mesmo depois de eles terem se encontrado, as mercadorias em questão podem não corresponder aos requerimentos do compradores. O comprador pode considerar o preço do vendedor muito alto, ou o vendedor pode achar a oferta do comprador muito baixa. Então, a transação não ocorre e as duas partes continuam a procurar (a mercadoria) em outro lugar”, destacou o comitê do Nobel.
Esse mecanismo é típico de muitos setores da economia, inclusive o mercado de trabalho.
Mais informações sobre o Nobel: http://nobelprize.org
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O drama dos mineiros
Ivan Lessa, no BBC Brasil
Há algumas semanas o metrô em que eu fazia meu trajeto humilde ficou parado entre duas estações. Poucas pessoas no vagão. Um aviso do condutor pelo alto-falante nos informou de que teríamos de esperar por um trem emperrado mais adiante. Passam-se os primeiros dez minutos. O cavalheiro à minha frente faz muxoxos repetidos de impaciência. Uma senhora se abana. A maior parte continua a ler os letreiros dos anúncios ou a se concentrar (sem sair da mesma página) no jornal aberto diante de si.
Eu, que não chego a ser apavorado com lugares fechados, mas sou impaciente, olho repetidamente o relógio e, para passar o tempo, vou tentando me lembrar da letra inteira de uma velha valsa de Orestes Barbosa. A situação era chata. Nada de muito grave. Aos 20 minutos, um cidadão se levantou e começou a dizer qualquer coisa em voz alta. Não ouvi. Meu coração batia um pouco mais rápido e eu empacara naquele trecho de Serenata que vem logo depois de “na serpente de seda de teus braços”. Estava, definitivamente, deflagrada uma crise.
A coisa – a crise – durou uns bons 40 minutos. A bem da verdade, uns horrendos 40 minutos. Enfim, a voz do condutor, segura de si, nos informou que a situação fora resolvida e iríamos seguir viagem. Assim foi. Que não seja nunca mais. Não tenho temperamento para essas coisas.
Por isso mesmo é que venho acompanhando o drama dos mineiros chilenos com o maior interesse. Deixei há algum tempo de ter o “maior interesse” em qualquer coisa. No entanto, por um desses mistérios insondáveis, os mineiros chilenos passaram a ocupar boa parte de minha vida acordado e, às vezes, sob a forma de pesadelo, dormindo também.
Estou do lado deles que chego ao ponto de quase mandar carta para a imprensa britânica quando não noticiam nada. Quero, porque quero, saber como vão as coisas. E como deverão ir.
Não acompanho visitas papais, recessões, greves no metrô (os metrôs ocultam perigos, digo para mim mesmo como um paraguaio paranóico), escândalos políticos. A mim, no momento, e até o futuro previsível – meu Deus, será mesmo só no Natal? – meu pensamento, meu sofrimento, minha solidariedade é com os 33 mineiros chilenos presos a 700 metros de profundidade no deserto de Atacama. O resto do mundo que continue na sua: que se vire.
Sei de cor dos planos e previsões e das medidas até agora tomadas. Fico torcendo, em vão, bem sei, para que um segundo milagre aconteça (não morrer ninguém e eles estarem vivos foi o primeiro) e a ciência, de mãos dadas à tecnologia, traga todos os 33 para o solo firme chileno, onde há sol, nuvens, árvores e mesmo que chova um pouco não faz mal.
Uma das coisas mais comoventes que vi este ano foi o desenho feito num guardanapo por um dos 33, o José Ojeda, um viúvo de 45 anos, e cuja especialidade é a broca e a dinamite. Na tela improvisada, que uma revista americana publicou, lá está o esboço de onde e como vivem desde 5 de agosto.
Fui de lupa, para melhor saber como vivem, se é essa a palavra. Lá está a rampa. O “quarto” central de 50 metros onde os mineiros se reúnem para as refeições, papo e companhia. Lá estão os túneis que os 33 usam para dormir naquela noite constante em que vêm vivendo. Lá está o local onde fazem suas “necessidades”. Lá assinalados os tubos por onde recebem comida e coisas essenciais: um buraco de nada com 15 centímetros de diâmetro.
Mais que tudo, de doer, é o cuidado de Ojeda em mostrar onde ficam a maior parte do tempo (não há muita escolha) seus companheiros e amigos. A simples menção de seus nomes, nos garatujos que o homem escrevinhou dá uma coisinha lá dentro: Jonny Barrio, Carlos Barrio, Jimmy Sanchez, Dick Vega, Claudio Acuña – e paro por aqui, que já estou ficando sem ar, talvez por solidariedade, que sei indevida.
Penso no que os noticiosos informam, quando não tem mais escândalo a expor. Quando chegar o tempo, por volta do Natal, dizem, cada um dos 33 será literalmente içado à superfície numa viagem de duas horas, depois de sedados (para manter a calma) e terem os olhos vedados. A operação toda levará cerca de três dias.
Não consigo deixar de pensar no último a fazer a dolorosa, inda que tão ansiada, viagem. Consolo-me de minha (inútil) aflição sabendo que, entre os livros que os mineiros chilenos estão lendo, está um Manual de Como Falar em Público.
Desta distância toda, e cá em cima no que me asseguram que é a superfície, não consigo deixar de dar um palpite: mineiros chilenos, deixem esse livro de lado, que não deveriam ter mandado, como não mandaram nem a bebida alcoólica nem os cigarros pedidos. Cá em cima, de volta ao mundo dos homens, sejam o que estão sendo: de uma sobre-humana naturalidade.
Há algumas semanas o metrô em que eu fazia meu trajeto humilde ficou parado entre duas estações. Poucas pessoas no vagão. Um aviso do condutor pelo alto-falante nos informou de que teríamos de esperar por um trem emperrado mais adiante. Passam-se os primeiros dez minutos. O cavalheiro à minha frente faz muxoxos repetidos de impaciência. Uma senhora se abana. A maior parte continua a ler os letreiros dos anúncios ou a se concentrar (sem sair da mesma página) no jornal aberto diante de si.
Eu, que não chego a ser apavorado com lugares fechados, mas sou impaciente, olho repetidamente o relógio e, para passar o tempo, vou tentando me lembrar da letra inteira de uma velha valsa de Orestes Barbosa. A situação era chata. Nada de muito grave. Aos 20 minutos, um cidadão se levantou e começou a dizer qualquer coisa em voz alta. Não ouvi. Meu coração batia um pouco mais rápido e eu empacara naquele trecho de Serenata que vem logo depois de “na serpente de seda de teus braços”. Estava, definitivamente, deflagrada uma crise.
A coisa – a crise – durou uns bons 40 minutos. A bem da verdade, uns horrendos 40 minutos. Enfim, a voz do condutor, segura de si, nos informou que a situação fora resolvida e iríamos seguir viagem. Assim foi. Que não seja nunca mais. Não tenho temperamento para essas coisas.
Por isso mesmo é que venho acompanhando o drama dos mineiros chilenos com o maior interesse. Deixei há algum tempo de ter o “maior interesse” em qualquer coisa. No entanto, por um desses mistérios insondáveis, os mineiros chilenos passaram a ocupar boa parte de minha vida acordado e, às vezes, sob a forma de pesadelo, dormindo também.
Estou do lado deles que chego ao ponto de quase mandar carta para a imprensa britânica quando não noticiam nada. Quero, porque quero, saber como vão as coisas. E como deverão ir.
Não acompanho visitas papais, recessões, greves no metrô (os metrôs ocultam perigos, digo para mim mesmo como um paraguaio paranóico), escândalos políticos. A mim, no momento, e até o futuro previsível – meu Deus, será mesmo só no Natal? – meu pensamento, meu sofrimento, minha solidariedade é com os 33 mineiros chilenos presos a 700 metros de profundidade no deserto de Atacama. O resto do mundo que continue na sua: que se vire.
Sei de cor dos planos e previsões e das medidas até agora tomadas. Fico torcendo, em vão, bem sei, para que um segundo milagre aconteça (não morrer ninguém e eles estarem vivos foi o primeiro) e a ciência, de mãos dadas à tecnologia, traga todos os 33 para o solo firme chileno, onde há sol, nuvens, árvores e mesmo que chova um pouco não faz mal.
Uma das coisas mais comoventes que vi este ano foi o desenho feito num guardanapo por um dos 33, o José Ojeda, um viúvo de 45 anos, e cuja especialidade é a broca e a dinamite. Na tela improvisada, que uma revista americana publicou, lá está o esboço de onde e como vivem desde 5 de agosto.
Fui de lupa, para melhor saber como vivem, se é essa a palavra. Lá está a rampa. O “quarto” central de 50 metros onde os mineiros se reúnem para as refeições, papo e companhia. Lá estão os túneis que os 33 usam para dormir naquela noite constante em que vêm vivendo. Lá está o local onde fazem suas “necessidades”. Lá assinalados os tubos por onde recebem comida e coisas essenciais: um buraco de nada com 15 centímetros de diâmetro.
Mais que tudo, de doer, é o cuidado de Ojeda em mostrar onde ficam a maior parte do tempo (não há muita escolha) seus companheiros e amigos. A simples menção de seus nomes, nos garatujos que o homem escrevinhou dá uma coisinha lá dentro: Jonny Barrio, Carlos Barrio, Jimmy Sanchez, Dick Vega, Claudio Acuña – e paro por aqui, que já estou ficando sem ar, talvez por solidariedade, que sei indevida.
Penso no que os noticiosos informam, quando não tem mais escândalo a expor. Quando chegar o tempo, por volta do Natal, dizem, cada um dos 33 será literalmente içado à superfície numa viagem de duas horas, depois de sedados (para manter a calma) e terem os olhos vedados. A operação toda levará cerca de três dias.
Não consigo deixar de pensar no último a fazer a dolorosa, inda que tão ansiada, viagem. Consolo-me de minha (inútil) aflição sabendo que, entre os livros que os mineiros chilenos estão lendo, está um Manual de Como Falar em Público.
Desta distância toda, e cá em cima no que me asseguram que é a superfície, não consigo deixar de dar um palpite: mineiros chilenos, deixem esse livro de lado, que não deveriam ter mandado, como não mandaram nem a bebida alcoólica nem os cigarros pedidos. Cá em cima, de volta ao mundo dos homens, sejam o que estão sendo: de uma sobre-humana naturalidade.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Código de Hamurábi
108. Se uma dona de taverna não aceitar grãos de acordo com o peso bruto em pagamento por bebida, mas aceitar dinheiro, e o preço da bebida for menor do que o dos grãos, ela deverá ser condenada e atirada na água.
109. Se conspiradores se encontrarem na casa de um dono de taverna, e estes conspiradores não forem capturados e levados à corte, o dono da taverna deverá ser condenado à morte.
110. Se uma irmã de um deus abrir uma taverna ou entrar numa taverna para beber, então esta mulher deverá ser condenada à morte.
111. Se uma estalajadeira fornecer sessenta ka de usakani (bebida) para... ela deverá receber cinqüenta ka de cereais na colheita.
109. Se conspiradores se encontrarem na casa de um dono de taverna, e estes conspiradores não forem capturados e levados à corte, o dono da taverna deverá ser condenado à morte.
110. Se uma irmã de um deus abrir uma taverna ou entrar numa taverna para beber, então esta mulher deverá ser condenada à morte.
111. Se uma estalajadeira fornecer sessenta ka de usakani (bebida) para... ela deverá receber cinqüenta ka de cereais na colheita.
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Erenice Brega
sábado, 11 de setembro de 2010
Microconto 12 de 100
Morena, estou morrendo. Sorva um gole de vinho, mas não engula: beije-me e despeje-o em minha boca amarga. Meu último porre, pelos lábios do meu primeiro amor.
O olhar de Capitu - décima segunda parte de um romance irretratável
Como se dará a execução deste parvo cigarro quase apagado?, indaga o monge anelar. Gera-se o polegar merceeiro secular, seguro de ser alveolar, como se fabricado em oxigenado laticínio, parido em estação farisaica auricular. Industrial, idolatrado quadricular calçado, lendo, modorrento, madrugueiro torneiro. Onde, onde?, provoca o cocainômano, espirrando, salgado, triangular manhã de peras e chaves-de-fenda.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Fidel diz que foi mal interpretado. E não desmente o entrevistador
Do El País digital
Enmienda a la totalidad. Fidel Castro ha asegurado hoy que el socialismo cubano sí tiene validez, lo que no funciona, a su juicio, es "el sistema capitalista" que "ya no sirve ni para Estados Unidos, ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis; que son cada vez más graves, globales y repetidas". El líder comunista no ha podido ser más rotundo al matizar sus recientes declaraciones al periodista norteamericano Jeffrey Goldberg, a quien dijo, en una larga entrevista para la revista The Atlantic, que "el modelo cubano no funciona ni siquiera para nosotros". Castro ha asegurado que el reportero no inventó la frase pero que le malinterpretó absolutamente.
El ex mandatario cubano, de 84 años, ha dado su versión de lo sucedido durante la entrevista durante la presentación de un segundo libro autobiográfico suyo en el Aula magna de La Habana. Según Castro, Goldberg le preguntó "si el modelo cubano era algo que aun valía la pena exportar". A su entender, la pregunta llevaba "implícita la teoría de que Cuba exportaba la revolución". Fue entonces cuando le respondió que "el modelo cubano" ya no les funcionaba ni a ellos.
"Se lo exprese sin amargura ni preocupación. Me divierto ahora al ver como él lo interpretó al pie de la letra y consultó con [la académica norteamericana] Julia Sweig que lo acompañó y elaboró la teoría que expuso", ha afirmado. Según Castro, "lo real" es que su "respuesta significaba exactamente lo contrario de lo que ambos periodistas norteamericanos interpretaron. "Mi idea, como todo el mundo conoce, es que el sistema capitalista ya no sirve ni para Estados Unidos, ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis, que son cada vez más graves, globales y repetidas, de las cuales no puede escapara". Y ha sentenciado: "¿Cómo podría servir semejante sistema para un país socialista como Cuba?"
El ex presidente cubano también ha desechado las interpretaciones de Goldberg sobre lo que le dijo sobre la crisis de los misiles. El periodista norteamericano le preguntó si había valido la pena haber pedido en 1962 al líder soviético Nikita Jruschov, durante la crisis de los misiles, que atacara a Estados Unidos con armas nucleares si era necesario. Según Fidel, le contestó textualmente: "después de haber visto lo que he visto y de haber sabido lo que ahora se, no valía la pena en lo absoluto".
Castro dijo que lo que él recomendó a Jruschov era que si "EEUU invadía Cuba", en ese momento con armas nucleares rusas, "no debía dejarse dar el primer golpe". El líder cubano ha explicado que la frase "de haber sabido lo que ahora se", era una "obvia referencia a la traición cometida por un presidente de la URSS que, saturado de sustancia etílica, entrego a EEUU los mas importantes secretos militares de aquel país".
Castro no ha acusado al periodista de manipulación sino de malinterpretarle, pero ha avisado que esperaba con "interés" las próximas entregas de la entrevista, que aparecerán en los próximos días en The Atlantic. El pequeño discurso de Castro ha terminado con una referencia al "imperio que se hunde". Vaya, por si alguien creía otra cosa, el Fidel Castro de toda la vida.
Enmienda a la totalidad. Fidel Castro ha asegurado hoy que el socialismo cubano sí tiene validez, lo que no funciona, a su juicio, es "el sistema capitalista" que "ya no sirve ni para Estados Unidos, ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis; que son cada vez más graves, globales y repetidas". El líder comunista no ha podido ser más rotundo al matizar sus recientes declaraciones al periodista norteamericano Jeffrey Goldberg, a quien dijo, en una larga entrevista para la revista The Atlantic, que "el modelo cubano no funciona ni siquiera para nosotros". Castro ha asegurado que el reportero no inventó la frase pero que le malinterpretó absolutamente.
El ex mandatario cubano, de 84 años, ha dado su versión de lo sucedido durante la entrevista durante la presentación de un segundo libro autobiográfico suyo en el Aula magna de La Habana. Según Castro, Goldberg le preguntó "si el modelo cubano era algo que aun valía la pena exportar". A su entender, la pregunta llevaba "implícita la teoría de que Cuba exportaba la revolución". Fue entonces cuando le respondió que "el modelo cubano" ya no les funcionaba ni a ellos.
"Se lo exprese sin amargura ni preocupación. Me divierto ahora al ver como él lo interpretó al pie de la letra y consultó con [la académica norteamericana] Julia Sweig que lo acompañó y elaboró la teoría que expuso", ha afirmado. Según Castro, "lo real" es que su "respuesta significaba exactamente lo contrario de lo que ambos periodistas norteamericanos interpretaron. "Mi idea, como todo el mundo conoce, es que el sistema capitalista ya no sirve ni para Estados Unidos, ni para el mundo, al que conduce de crisis en crisis, que son cada vez más graves, globales y repetidas, de las cuales no puede escapara". Y ha sentenciado: "¿Cómo podría servir semejante sistema para un país socialista como Cuba?"
El ex presidente cubano también ha desechado las interpretaciones de Goldberg sobre lo que le dijo sobre la crisis de los misiles. El periodista norteamericano le preguntó si había valido la pena haber pedido en 1962 al líder soviético Nikita Jruschov, durante la crisis de los misiles, que atacara a Estados Unidos con armas nucleares si era necesario. Según Fidel, le contestó textualmente: "después de haber visto lo que he visto y de haber sabido lo que ahora se, no valía la pena en lo absoluto".
Castro dijo que lo que él recomendó a Jruschov era que si "EEUU invadía Cuba", en ese momento con armas nucleares rusas, "no debía dejarse dar el primer golpe". El líder cubano ha explicado que la frase "de haber sabido lo que ahora se", era una "obvia referencia a la traición cometida por un presidente de la URSS que, saturado de sustancia etílica, entrego a EEUU los mas importantes secretos militares de aquel país".
Castro no ha acusado al periodista de manipulación sino de malinterpretarle, pero ha avisado que esperaba con "interés" las próximas entregas de la entrevista, que aparecerán en los próximos días en The Atlantic. El pequeño discurso de Castro ha terminado con una referencia al "imperio que se hunde". Vaya, por si alguien creía otra cosa, el Fidel Castro de toda la vida.
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