Feliz Natal, putada, e um ótimo 2013.
Comportem-se e tudo estará bem para todos.
Não parece difícil.
Não olhem pro céu quando fizerem um gol ou quando tomarem um frango na vida. Terão sido vocês e mais ninguém.
Acertos e erros são humanos, não são divinos.
Não transfiram.
Não agradeçam e não atribuam.
O que lhes escapou, fugiu, paciência.
Vida que segue.
Só uma dica (minha, claro) de quem erra todo dia: caprichem.
Namorem suas mulheres e maridos, cuidem bem dos filhos e netos e respeitem os animais.
Só isso e mais o pouco e o muito que todos sabem sobre respeito ao próximo - e ao distante - e tal.
E um pouquinho de sorte, que sem ela, como dizia Nelson Rodrigues, não se atravessa uma rua ou se chupa um Chica-Bom.
Sejam felizes.
Beijos,
Jorjão.
O jornal francês “Le Monde” o chamava de “mulato hercúleo”,
a revista Time fantasiou olhos verdes – eram castanhos –, a CIA
(Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) o descreveu em
relatórios como “sucessor de Guevara” e inspirador de movimentos
revolucionários na América Latina. Deputado da constituinte de 1946,
cassado quando o partido foi declarado ilegal, o baiano Carlos
Marighella aderiu à luta armada durante a ditadura militar, instituída
em 1964.
Fundou e comandou a maior organização do
gênero, a ALN (Ação Libertadora Nacional), e passou a “inimigo público
número 1”, nas palavras do ministro da Justiça, Gama e Silva. Marighella
viveu e sofreu quatro das décadas mais intensas da política nacional.
Desarmado, sem seguranças e de peruca, sua vida acabou
com quatro tiros, em novembro de 1969, ao tentar alcançar o veneno que
levava na pasta, em um “ponto” da ALN, na Alameda Casa Branca, em São
Paulo. Organizada pelo temido delegado do Dops (Departamento de Ordem
Política e Social) paulista Sérgio Paranhos Fleury, que lhe deu voz de
prisão antes da fuzilaria, a operação tinha mais de 30 policiais.
“Matamos Carlos Marighella”, contou uma agente à mãe, por telefone.
Figura notória na ditadura, quando estampou duas capas da
revista Veja, Marighella passou a um nome esquecido da História
brasileira, quase ausente nos livros escolares e desconhecido da
juventude. O jornalista Mário Magalhães, 48, dedicou nove anos – mais de
um terço de sua carreira de 26 anos – para resgatar a história “de
cinema” desse neto de escravos e filho de italiano em 732 páginas no
livro “Marighella – O Guerrilheiro que incendiou o mundo”, da Companhia
das Letras (R$ 56,50). Invisível nos livros de História Polícia SP/ Divulgação biografia
Marighella fichado pela polícia política, em 1939, em São Paulo
“De todos os brasileiros, a vida que
identifiquei como a mais fascinante a ser contada foi a de Marighella.
Pode-se não gostar dele, mas é impossível ficar indiferente a ele. É um
gigante da História do Brasil e um dos brasileiros com maior projeção no
exterior. A ausência dele nos livros de História é uma desonestidade
intelectual – seria o equivalente a tirar Carlos Lacerda. Não defendo
que o promovam, mas não podem omiti-lo”, disse Mário Magalhães ao
iG
.
Tendo passado boa parte de sua atividade
política na clandestinidade, Marighella dificultou o trabalho de seu
biógrafo, não tendo deixado diários ou agendas. Para escrever sua
reportagem predileta, Magalhães entrevistou 256 pessoas, consultou
bibliografia de 600 livros e pesquisou em 32 arquivos públicos – no
Brasil, Rússia, República Tcheca, Estados Unidos e Paraguai.
A obstinação – quase obsessão – de Mário
Magalhães pela comprovação da prova jornalística o levou a fazer 2580
notas. “A vida de Marighella é tão espetacular que daria margem ao
leitor imaginar que havia ficção em um livro que só narra fatos reais.
Além disso, é direito do leitor saber a origem de cada informação”,
justificou.
Pelo projeto de contar a história “de um brasileiro
maldito”, “tido como meio amalucado até por amigos próximos”, Magalhães
deixou um confortável emprego na Folha de S.Paulo, onde tinha sido
ombudsman e trilhara carreira de destaque e prêmios. Ateu no candomblé e doações de artistas Divulgação/Biografia Marighella
Após ser baleado no cinema no Rio, é levado preso
Na pesquisa, foram ouvidos da professora no
Ginásio da Bahia ao policial que o revistou logo após a morte e revelou
que o guerrilheiro não estava armado – refutando a versão policial, que
ficou registrada na História. As descobertas do autor corrigiram lendas,
como essa, e revelaram histórias pitorescas.
Mulato baiano da Fonte Nova, Marighella não bebia, não
fumava e, embora se declarasse ateu, Magalhães descobriu que o filho de
mãe carola iniciou-se no candomblé, e se descobriu “filho de Oxóssi”.
Amante da poesia – no colégio, respondeu uma prova de física com versos
–, o guerrilheiro mais procurado do País encontrou tempo para, na
clandestinidade, escrever, imprimir e distribuir um livro de versos, boa
parte deles eróticos. Inspirou artistas como o catalão Joan Miró e os
cineastas Jean-Luc Godard e Luchino Visconti a fazer doações a sua
causa. Tortura Divulgação biografia Marighella
Marighella, aos 24 anos, após três semanas de tortura, no Rio
Pela tortura, passou uma vez, em 1936, sob
Getúlio Vargas, nunca durante a ditadura militar iniciada em 64. Foram
22 dias de suplícios nas mãos da polícia. Socos no estômago, golpes com
canos de borracha nas plantas dos pés, foi açoitado nos rins, costas e
nádegas. Pontas de cigarro eram apagadas no seu corpo. Com um alfinete
tirado da gravata, um policial enfiou-lhe o metal sob as unhas, dedo por
dedo.
Tornou-se liderança do Partido Comunista Brasileiro nos
anos 40, década que dividiu entre presídios em locais paradisíacos, como
Fernando de Noronha (PE) e Ilha Grande (RJ), e a Assembleia
Constituinte, no Rio. Após ser libertado da prisão política pelo regime
de Getúlio Vargas, no pós-guerra, elegeu-se deputado pela Bahia, na
bancada comunista que incluía o escritor conterrâneo Jorge Amado. O
“Cavaleiro da Esperança” e líder máximo do PCB Luís Carlos Prestes, foi
eleito senador pelo Distrito Federal.
O deputado tinha três ternos, doados, e amarrava as
mangas da camisa com cordinhas; o cinto partiu-se e adaptou outra corda,
qual capoeirista. Homem de partido, destinava 92% do seus 15 mil
cruzeiros mensais – equivalente a R$ 20.926, em valor corrigido pelo
IGP-DI – ao PCB. Vivia com 1200 cruzeiros – R$ 1674 – por mês, e dividia
o apartamento com uma família e um amigo. Acabou cassado em 47, com o
voto do futuro presidente Juscelino Kubitschek, depois de o TSE pôr o
PCB na ilegalidade. Terrorista Divulgação/ Biografia Marighella
Marighella deputado, com um dos seus três ternos
Nos anos 50, organizou greves, foi à China e à
União Soviética. Veio a ditadura em abril de 64, e em julho quiseram
prendê-lo em um cinema na Tijuca. Reagiu, levou um tiro e foi levado no
camburão. Mais adiante, passou à luta armada, quando Moscou era contra e
rompeu com o PCB. Criou a ALN e aparecia nos cartazes de “terroristas
procurados” do regime militar.
Homem de ação, escreveu o “Minimanual do
Guerrilheiro Urbano”, apanhado de erros e acertos da ALN que se tornou
um sucesso na esquerda internacional. Em “Ditadura Escancarada”, o
jornalista Elio Gaspari diz que o “guerrilheiro urbano de Marighella é
algo mais que um super-homem”. A descrição é a de, no mínimo, um James
Bond, o 007 dos filmes e livros de Ian Fleming.
“É muito importante aprender a conduzir um
automóvel, pilotar um avião, dirigir um barco a motor ou a vela”, [o
guerrilheiro] deve “conhecer a arte de se disfarçar”, ter “conhecimento
de química e de combinação de cores, fabricação de carimbos, o perfeito
conhecimento de caligrafia e de imitação das escritas”, “ser um grande
tático e um bom atirador”. O próprio Marighella falharia em cumprir uma
das mais prosaicas “exigências”: não dirigia. A peruca do disfarce
tampouco enganou a polícia na noite de sua morte.
Divulgação / biografia Marighella
Capa da biografia de Marighella, de Mário Magalhães
Magalhães afirma que, apesar de se definir como
“terrorista” e guerrilheiro, Marighella condenava atentados contra
alvos civis e usava a concepção de “terror” da Resistência francesa à
ocupação nazista na 2ª Guerra Mundial.
Na ilegalidade, o protagonista do livro recebeu
dinheiro da União Soviética e o autor revela até um “mensalinho” do
insuspeito governador de São Paulo Adhemar de Barros – cujo cofre, após a
morte, abasteceria outra organização armada, a VAR-Palmares, que o
roubou no Rio.
O famoso “ouro de Moscou”, entregue ao PCB no
início dos anos 1960, equivaleria hoje a algo entre US$ 752 mil e US$
1,13 milhão pagos anualmente e superava, para efeito de comparação, o
arrecadado em 30 roubos pela ALN em 1968. Antes chamado de “traidor” por
Marighella, Adhemar de Barros lhe pagava um “mensalinho” de cerca de
US$ 10 mil, em apoio ao PCB clandestino. “Esse mensalinho não lustra a
biografia de ninguém”, disse Mário Magalhães.
Fez curso de guerrilha em Cuba e mandou guerrilheiros
para lá, comandou assaltos, teve amantes – dizia que “o adultério é tão
inevitável como a morte” – e foi espionado pela CIA e o KGB. Mesmo
dirigente máximo da ALN, organização de luta armada que fundou, foi “o
último a saber” do mais audacioso golpe da guerrilha no Brasil: o
sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em setembro de 69.
Foi ação da DI-GB (Dissidência Comunista da Guanabara), com o apoio da
ALN. “Cutucaram a onça com vara curta”, pressentiu Marighella. Morte Divulgação/ Biografia Marighella
Mário Magalhães levou nove anos para escrever a biografia de Marighella
Foi morto exatos dois meses depois, pela equipe do
policial Sergio Fleury, cujos métodos de tortura superavam os do nazista
Klaus Barbie, o “Açougueiro de Lyon” da 2ª Guerra Mundial, na avaliação
de um ex-membro da Resistência francesa, sobrevivente do suplício
físico nos dois lugares.
Diferentemente do que a polícia alardeou à época, estava
desarmado e sem seguranças. Segundo o autor, Marighella só portava seu
revólver calibre 32 ou sua pistola 9mm em ações, o que não ocorria já
havia algum tempo.
O guerrilheiro – ou terrorista, dependendo do ponto de vista – mais procurado do País morreu sozinho, cercado de inimigos.
Lançado no fim de outubro, no ano seguinte ao
centenário de nascimento do protagonista, o livro já teve 27 mil
exemplares impressos (a tiragem inicial foi de 12 mil) e recebeu o
Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes, como melhor
biografia de 2012.
O autor disse ter recebido três sondagens
para adaptações para o cinema. “A dúvida é se o ator principal será
Denzel Washington ou Wesley Snipes. As mulheres preferem Washington”,
brinca.
Do El País digital
Cuando Kaitlin Roig,
de 29 años, se despidió de sus padres como cada mañana para recorrer
los 20 kilómetros que separan su casa, en una tranquila zona rodeada de
robles en Danbury, Connecticut, de la escuela de primaria Sandy Hook,
donde desde hace cinco años imparte clases a alumnos de primer grado
(equivalente a primero de Primaria de la ESO), no podía imaginar que en
unas horas su determinación iba a impedir que sus 14 alumnos se contaran
entre las víctimas de una de las mayores tragedias que se recuerdan en Estados Unidos. Además de la directora, murieron una psicóloga y cuatro maestras del centro.
Roig se encerró en el baño con sus alumnos y
trató de tranquilizar a los menores advirtiéndoles de que se quedaran
callados y recordándoles lo mucho que los quería
Roig se percató inmediatamente de que los ruidos que escuchó
alrededor de las 9.30 de la mañana eran el sonido de disparos.
Inmediatamente, según relató el mismo día de la matanza a la cadena ABC
–la única a la que ha hecho declaraciones-, se encerró en el baño con
sus alumnos, colocó una estantería para bloquear la puerta y trató de
tranquilizar a los menores advirtiéndoles de que se quedaran callados y
recordándoles lo mucho que los quería. “Pensé en lo que me gustaría que
me dijeran a mí si tuviera seis años y estuviera en una situación así”,
explicó. Roig creía que el tirador aparecería de un momento a otro en su
clase. “Era el primer aula desde la puerta de entrada, era lo lógico”.
Cuando la policía llamó a la puerta, ella no se fió de que quienes
estaban allí “fueran los buenos”, como les aseguraba constantemente a
los niños para calmarlos. “Les pedí que me enseñaran las placas y que si
de verdad eran agentes, que abrieran ellos mismos la puerta. Es lo que
hicieron”, contó.
24 horas después de la tragedia, Roig se ve incapaz de rememorar de
nuevo cómo logró poner a salvo a sus alumnos. “No estoy segura de querer
recordarlo, es muy duro”, indicó a este periódico desde el umbral de su
casa, parapetada tras su madre. La comunidad de Newtown la considera
una heroína. En Facebook se han abierto varios perfiles para agradecerle
su entrega. “Ojalá nunca hubieran tenido que crearlos”, se lamentaba su
madre. Ayer, en la iglesia metodista de Danbury, de cuya publicación
mensual Roig es la encargada, no podían asegurar si la joven acudiría a
rezar.
Cuando Adam Lanza se asomó por allí armado con
su fusil de repetición, Soto le aseguró que los niños se encontraban
haciendo ejercicios en la cancha
Instinto, altruismo valentía, un punto de temeridad… Es difícil
determinar cuál es la aleación con la que se forjan los héroes. En la
espiral de disparos, caos y terror en la que se convirtieron los
pasillos de la escuela de Sandy Hook en la mañana del viernes, cualquier
reacción parece justificada. Pero aquellas conductas, como la de Roig,
dominadas por la generosidad y el sacrificio desinteresado están
destinadas a convertirse en gestas, máxime cuando el corazón de la
comunidad de Newtown necesita más que nunca de ejemplos épicos para hacer frente a la sinrazón de una matanza indiscriminada de niños.
Como Roig, Victoria Soto,
de 27 años y origen portorriqueño, que este año comenzaba su tercer
curso en Sandy Hook, también se apresuró a ocultar a sus alumnos de
primaria en las taquillas y en un armario del gimnasio del colegio para
protegerlos de los disparos. Cuando Adam Lanza
se asomó por allí armado con su fusil de repetición, Soto le aseguró
que los niños se encontraban haciendo ejercicios en la cancha. Acto
seguido, Lanza disparó a la maestra, pero pasó de largo en su vorágine
asesina. 11 menores sobrevivieron a la matanza, gracias al coraje de la
profesora.
El sábado, Nick Phelps, el padre de uno de los menores que Soto ayudó
a salvar, agradecía entre lágrimas la valentía de la profesora a la
salida de una de las muchas vigilias en honor a las víctimas que cada
tarde, desde el pasado viernes, se suceden en Newtown. “Es un privilegio
saber que los maestros quieren tanto a nuestros hijos que están
dispuestos a dar su vida por ellos”, afirmó. A unos 30 kilómetros de
allí, en Stratford, de donde Soto era originaria, la ciudad participaba
en otro acto en homenaje a su vecina. “Definitivamente, Victoria es de
esas personas que se habría sacrificado por sus alumnos en cualquier
circunstancia”, reconoció en conversación telefónica, Julie-Lis Marks, compañera de promoción de Soto.
El cadáver de Murphy fue encontrado en un aula cubriendo el cuerpo de varios alumnos
Anne Marie Murphy, una profesora de educación especial de 52 años,
también será recordada como una de las heroínas de Sandy Hook. Su
cadáver fue encontrado en un aula cubriendo el cuerpo de varios alumnos.
La policía contó a sus padres, Hugh y Alice McGowan, un matrimonio de
86 años que reside en la localidad neoyorquina de Katonah, que Murphy
falleció mientras protegía a los niños de las ráfagas asesinas de Lanza.
“Anne Marie era una gran persona”, reconoció a este periódico un
familiar en conversación telefónica.
Carlee una de las hermanas de Soto, pidió a los asistentes a la
vigilia que acudieran con algo verde, el color preferido de la
profesora. El verde es sinónimo de esperanza y esperanza es a lo que se
aferran desesperadamente los vecinos de Newtown para poder sobreponerse a una tragedia
que nadie parece ser capaz de asimilar. “Fe, esperanza, amor”, es
precisamente lo que se lee en un cartel con luces de neón a la entrada
de la ciudad. Es uno de los muchos que se han colocado en todos los
accesos a la localidad.
¿Solo la victoria cuenta? ¿Estamos seguros?
En La soledad del corredor de fondo, la novela y la película, el
protagonista, un chaval de un reformatorio, un fenómeno del campo a
través, se deja ganar en un cross por el representante de un colegio
pijo. Lo hace como gesto de rebeldía, de libertad, para fastidiar a su
carcelero-entrenador-profesor. Una acción hermosa que, dicen los
entendidos en atletismo, es puramente peliculera, imposible en la vida
real, añaden, pues un atleta, uno bueno, nunca se dejaría ganar.
Quizás la vida real ya no es lo que era. O el cross. Pero no el
valor, o la rebeldía. O la necesidad de los gestos valientes, hermosos,
esperanzadores.
Hace un par de semanas, el 2 de diciembre, Iván Fernández Anaya,
atleta vitoriano de 24 años, se negó a ganar el cross de Burlada, en
Navarra. “No merecía ganarlo. Hice lo que tenía que hacer”, dice
Fernández Anaya, quien, cuando iba segundo, bastante distanciado del
primero, en la última recta de la carrera, observó cómo el seguro
ganador, el keniano Abel Mutai (un muy buen atleta: medallista de bronce
en los 3.000 metros obstáculos de los Juegos de Londres) se equivocaba
de línea de meta y se paraba una decena de metros antes de la pancarta.
Fernández Anaya le alcanzó con rapidez, pero en vez de aprovechar la
situación para acelerar y ganar, se quedó a su espalda y con gestos y
casi empujándole le llevó hasta la meta, dejándole pasar por delante.
“Él era el justo vencedor. Me sacaba una distancia que ya no podía haber
superado si no se equivoca. Desde que vi que se paraba sabía que no iba
a pasarle”.
“Yo no lo habría hecho”, admite su entrenador, Martín Fiz
A Fernández Anaya, que estudia un módulo de FP pues no piensa que en
el futuro se pueda vivir del atletismo, le entrena en Vitoria Martín
Fiz. Lo hace en el mismo lugar, el Prado, en la misma senda física que
no filosófica, en la que el famoso vitoriano sumó kilómetros y
kilómetros para llegar a proclamarse campeón de Europa y del mundo de
maratón. “Fue un gesto de honradez muy bueno”, dice Fiz. “Un gesto de
los que ya no se hacen. Mejor dicho, un gesto de los que nunca se han
hecho. Un gesto que yo mismo no habría tenido. Yo sí que me habría
aprovechado para ganar”.
Cuenta Fiz que el detalle le honra a su pupilo. “El gesto le ha hecho
ser mejor persona pero no mejor atleta. Ha desaprovechado una ocasión.
Ganar te hace siempre más atleta. Se sale siempre a ganar. Hay que salir
a ganar”, dice Fiz, quien recuerda cómo en el Mundial del 97 en Atenas él fue tirando todo el maratón
y no pudo despegar a Abel Antón, quien en los últimos metros le atacó y
le ganó con facilidad después de haberse aprovechado de su trabajo. “Y
yo sabía que iba a pasar eso. Sabía que a menos que se le subiera un
gemelo o le pasara un percance, Antón me ganaría. Pero la competición es
así. No habría sido lógico que Antón me dejara ganar”.
“En los tiempos que corren, vienen bien gestos de honradez”, dice Iván Fernández
Fernández Anaya se entrena en el Prado todos los días y cuando se lo
permiten los estudios, unos tres días a la semana, en sesión doble. Los
técnicos dicen que está a un paso de la elite española del cross, y ya
figura entre los que mejor marca tienen en 5.000 metros. Dicen que no le
falta nada para llegar al menos a la selección española para el Mundial
de cross, que es su objetivo esta temporada, aunque, según su propio
entrenador, le puede la presión. “En las grandes competiciones se
atenaza”, dice Fiz. “Le falta saber superar la presión, que es lo que
diferencia a los campeones. Si no, habría estado en el reciente
Europeo”.
“En el cross de Burlada apenas había nada en juego, ni tampoco mucho
dinero, aparte del poder decir que había ganado a un medallista
olímpico”, dice Fernández Anaya. “Pero aunque me hubieran dicho que
ganando tenía plaza en la selección española para el Europeo, tampoco lo
habría hecho. Otra cosa, claro, sería si en juego hubieran estado una
medalla en el Mundial o en el Europeo. Entonces, creo que sí, que me
habría aprovechado para ganar… Pero también creo que ha dado más nombre
haber hecho lo que hice que si hubiera ganado. Y eso es muy importante,
porque hoy en día, tal como están las cosas en todos los ambientes, en
el fútbol, en la sociedad, en la política, donde parece que todo vale,
un gesto de honradez viene muy bien”.